Links de amigos

O grande Francis Vogner está de blog novo, No Olho do Furacão.

Fernando Watanabe publicou um longo desabafo sobre seu curta Danças não ser selecionado para o Festival de Curtas de São Paulo. Alguns pontos interessantes. Vi o filme num corte bem preliminar faz muito tempo e era promissor, certamente tem muito filme pior na seleção oficial.

Por fim, já deveria ter dado um link faz tempo, mas lá no sempre essencial Touro Enravecido José de Oliveira escreveu um texto muito bom sobre sua experiência de assistir Liverpool.

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Bressane outra vez

No blog do Inácio há uma série de posts sobre A Erva do Rato e como sempre nos comentários a polemica a respeito de Bressane. Me impressiona sempre como algo no cinema – na postura – do Bressane parece ofender alguns. Não se trata afinal do único cineasta “difícil” que temos, mas parece sempre carregar tanto os créditos quanto os ônus da sua posição. Bressane para certo cinéfilo perece simplesmente intolerável, sua mera existência uma afronta.

O Lucian Chaussard fez uma boa observação nos comentários sobre como os ofendidos se incomodam com o suposto hermetismo de Bressane. Sim, é verdade que os filmes dele por vezes trabalham com informações que o espectador pode não conhecer, mas são elas mesmas tão vitais assim? Parece-me que –seja nos seus filmes bons ou nos ruins – o cinema do Bressane existe numa chave para alem destas referencias e elas não são tão essenciais para apreciá-lo.

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Trailer da Mulher Gorila

Trailer do filme do Felipe Bragança e da Marina Meliande. Vai estar em Locarno

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Andre Luiz Oliveira na Zingu!

Escrevi um texto para a Zingu! sobre o grande Meteorango Kid. Achava que seria para alguma pauta relacionada aos lançamentos da Lume, mas na verdade faz parte de um amplo dossiê sobre André Luiz Oliveira que está muito legal. A Zingu sempre fez um trabalho sem paralelos de resgate histórico do cinema paulista (num dos períodos corridos do blog não linkei para ótima edição sobre Cláudio Cunha uns meses atrás), mas me parece que Matheus Trunk e Gabriel Carneiro resolveram expandir as fronteiras da revista, primeiro com dois dossiês sobre cineastas brasileiros de baixíssimo orçamento e agora este sobre Oliveira. Recomendo muito a leitura da edição toda.

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Histórias Extraordinárias (Mariano Lliñas,08)

Tudo em Histórias Extraordinárias é grande. Dentro das suas três histórias surgem vários outros pequenos filmes e Lliñas vai colecionando idéias, situações e personagens suficientes para povoar uma dúzia de outros longas metragens. Trata-se de um filme que passeia com desenvoltura por uma infinita fauna de gêneros cinematográficos: thriller, melodrama, comédia, filme de guerra, road movie e sobretudo o filme de aventura. È um filme sobre narrativa realizado por alguém com um prazer enorme em contar causos. Quase como um filme de Raoul Ruiz feito com ambição wellesiana (apesar de lembrar bastante o Rivette dos anos 70 sem a fascinação pelos atores). È exaustivo sem dúvidas, mas jamais passa mais que alguns minutos sem que algo no filme maravilhe o espectador. È o prazer com que Lliñas constrói suas situações que cativa. Histórias Extraordinárias existe num universo paralelo ao de boa parte do cinema argentino recente (seja este bom ou mero embuste), pode-se até dizer que parece existir contra ele, mas é também o melhor filme de lá que veja desde As Luvas Mágicas do Martin Rejtman.

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K-19 (Kathryn Bigelow,02)

O mais genérico filme da carreira de Bigelow, K-19 se atem com afinco a formula do filme de submarino tanto nas suas situações como nas opções de direção. Longe de ser um filme memorável, K-19 é muito eficaz (desde que se ignore Harrison Ford que é um problema bem maior aqui do que Keanu Reeves era em Point Break). Bigelow é bem hábil em manipular o espaço fechado de acordo com as intensidades dramáticas do filme. Alem disso há algo muito simpático na forma como filme vai aos poucos acumulando de forma casual situações e personagens típicos do gênero e negociando entre eles. A trama em si é uma relíquia de Guerra Fria e Bigelow trabalha habilmente em sugerir os diferentes significados para ações dentro do contexto da Guerra Fria e filmá-la 40 anos após os fatos.

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O Peso da Água (Kathryn Bigelow,00)

O Peso da Água é de longe a produção mais respeitável que Bigelow comandou e é também fácil a pior. Não que estejamos no terreno de filme para Oscar e similares (a cineasta tem gosto demais pelo pulp para isso), mas nada no filme funciona minimamente bem. São duas tramas um tanto histéricas em tempos diferentes que supostamente deveriam se iluminar, mas o corte entre elas colabora mais para fragilizá-las e revelar seu esquematismo.  Não que sejam grande coisa por si só o filme flashback é competente e rotineiro, o contemporâneo (que toma a maior parte do tempo) só medíocre. Há algumas imagens fortes distribuídas ao longo do filme e conceito geral não é mal, mas o filme desmorona sem um centro.

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No Meu Lugar (Eduardo Valente,09)

É meio estranho escrever impressões muito rápidas sobre filmes de amigos e espero cedo ou tarde escrever algo mais detalhado sobre No Meu Lugar quando tiver a oportunidade de revê-lo. De qualquer forma o filme me pegou numa cena bem simples logo no começo quando um personagem esta na cozinha bebendo água e é chamado pelo seu superior, antes de sair ele esvazia o resto do copo na pia. Que o filme gaste tempo com este pequeno ato, no lugar de mostrar o cara deixando o copo ou simplesmente cortar para cena seguinte faz toda diferença e diz muito sobre porque o filme é muito melhor do que a maioria dos filmes que lidam com o Rio ou porque não faz sentido compará-lo com certo charlatão mexicano. Não é um filme sobre seus temas, mas só sobre como as pessoas se portam em meio a eles.

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Blog e Links

Desculpem o sumiço, mas me enrolei nos ultimos dias entre preparativos para viagem, doença na família e terminar um texto (que eu espero linkar em breve). Vou visitar meus pais em Cuiabá e não sei como vai ser meu acesso a Internet nos próximos dez dias (mas terei muito tempo livre paraescrever então mesmo que o intervalo entre as postagens for longo tem chances de eu produzir bastante), tentarei escrever sobre os dois filmes da Bigelow que faltam até amanhã, mas não sei se dará tempo.

Aproveitando, o Bruno Amato me apontou que a Cinema Scope está com sua edição de Cannes no ar. Como sempre muitos artigos interessantes e o sempre impagável ensaio do Mark Peranson sobre o estado deplorável da competição. A arte de ser do contra é uma que Mark domina como ninguém. A esta altura ele já reescreveu este artigo tantas vezes que é quase uma performance escrita (minha tese é que ele quer ver até que ponto pode insultar o Fremaux sem ter a credencial revocada), mas sempre é mais do que simples agressividade. O festival da Cinema Scope como sempre é alternativo, os filmes cobertos com destaque são Resnais, Bellochio, Suleiman, João Pedro Rodrigues, Corneliu Porumboiu, Raya Martin, etc. 

A Film Comment também está com sua “edição de Cannes” no ar. É uma pena que um dos efeitos do Kent Jones largar o Lincoln Center é que este ano não tem o artigo tradicional dele do festival, mas para compensar a revista disponibilizou uma parte mais ampla da cobertura. Nunca entendo os critérios do site da FC a revista inclui um artigo do Quintin sobre “file sharing”, mas não está disponível online quando seria um dos textos mais óbvios da edição para o site.

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4o Festival de Cinema Latino de SP: Algumas sugestões

Dia 6 começa aqui em São Paulo a 4º edição do Festival de Cinema Latino que vem melhorando muito a cada ano. Neste ano a sessão contemporânea me parece muito boa corrigido inclusive algumas lacunas que a Mostra deixou no ao passado. Entre os brasileiros mais uma chance de ver Moscou do Coutinho e O Fim da Picada do Saaghard e as primeiras exibições em São Paulo do Meu Mundo em Perigo do José Eduardo Belmonte e No Meu Lugar do Eduardo Valente (tem também a primeira exibição do filme novo do Roberto Moreira para quem se interessar). Entre os internacionais ao menos três filmes que eu recomendaria o esforço de ver:
Uma Semana Sozinhos – Vi este em Buenos Aires ano passado. Ótimo segundo longa da diretora de Ana e os Outros.
Histórias Extraordinárias – Fiquei arrependido de perder este no BAFICI ano passado já que os comentários que ouvi/li eram todos muito entusiasmados. Dito isso é um filme de quatro horas.
Vou Explodir – Filme mexicano que recebeu elogios de alguns cinéfilos que eu confio.

Há ainda alguns filmes de veteranos (Leonardo Favio, Juan Carlos Tíbio) que podem valer a aposta e algumas mostras (Alex Viany, outra de retomada do cinema latino americano com uma seleção um tanto tímida, mas que inclui nova chance para quem nunca viu Mundo Grua). Programação e sinopses no site.

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Estranhos Prazeres (Kathryn Bigelow,95)

Estranhos Prazeres não deixa de ser o exato oposto de Caçadores de Emoção: dois ótimos atores (Ralph Fiennes e Ângela Bassett) para ancora-lo e um roteiro (de James Cameron e Jay Cocks) que se esforça muito para ser esperto. Estranhos Prazeres cria um mundo próprio muito bem e até consegue usar a seu favor a primeira vista questionável decisão de colocar Fiennes e Bassett no meio de um festival de over actors (Tom Sizemore, Michael Wincott, Vincent d’Onofrio, etc.). Mais importante ele faz aquilo que todo bom sci-fi exploit devia fazer bem que é drenar o seu momento o máximo possível. Eis um filme datado no melhor sentido possível. Por outro lado, Estranhos Prazeres sofre do problema inverso ao de Caçadores de Emoções já que Cameron e Cocks se esforçam tanto para sublinhar suas pretensas idéias que o filme por vezes ameaça desmoronar sobre seu próprio peso. Se a internet tivesse o mesmo peso em 95 do que hoje, este seria um filme muito querido em blogs e fóruns por ai, ou seja dez anos depois ele seria escrito pelo David S. Goyer e isto nunca é algo bom. Eu gosto de Estranhos de Prazeres, assim como gosto de Caçadores de Emoções, mas não deixa de ser curioso como ambos acabam fragilizados por razões similares e opostas.

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Caçadores de Emoção (Kathryn Bigelow,91)

Caçadores de Emoção é de longe o mais genérico dos filmes da primeira parte da carreira de Bigelow, ele também tem o azar de ser protagonizado por Keanu Reeves e Patrick Swayze e contar com um roteiro tão agressivamente idiota que o protagonista se infiltra usando seu nome e passado e isto nunca sequer se torna um ponto da trama. Isto tudo dito Casçadores de Emoções jamais será confundido com Heat, mas como uma série de imagens tiradas do contexto da narrativa não deixa de ser impressionante e não tem como não se admirar como o filme se agarra a suas idéias mais absurdas. A perseguição no centro do filme, em especial, é digna de Friedkin e os dois assaltos são uma aula de montagem.

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Jogo Perverso (Kathryn Bigelow,90)

Trata-se do filme mais frustrante da cineasta na medida que seu méritos e defeitos são tão intimamente ligados. Na altura dos últimos vinte minutos quando Ron Silver se transforma no Michael Meyers yuppie munido de uma 44, Jogo Perverso abandona qualquer pretensão a narrativa, realismo e mais puro bom senso para se transformar num dos mais impressionantes delírios filmados do período. Poucas vezes se vê um filme dos últimos vinte anos que se relaciona tão perfeitamente com o que Raoul Ruiz descreve no seu Poéticas do Cinema como o filme B americano não-narrativo que lhe interessava na infância. Há de se respeitar o comprometimento do filme com sua visão e disposição de leva-la ao extremo. O problema é que em boa parte da primeira hora Jogo Perverso é pouco mais que um filme policia genérico com alguns elementos intrigantes, um tom perverso e uma inevitável impressão de que se trata de um filme muito burro feito por gente qualificada para material melhor. O filme todo está bem representado na atuação de Silver, durante uma boa hora se tem certeza que ele está pagando mico e depois tudo se justifica. Só que não importa quantas vezes se reviste o filme, sabe-se que os primeiros dois terços dele vão irritar.

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Ato Falho

Ato Falho

Curta metragem dirigido pelo grande Bruno Andrade. Para quem como ele (e eu) tem uma relação com a antiga cultura de videolocadora, trata-se de um filme muito bonito (valorizado pelo bom olhar para composições do Bruno). O espaço onde ele foi filmado é hoje uma lanchonete. Este corte é bem melhor do que aquele que circulou aqui em São Paulo uns anos atrás.

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Quando Chega a Escuridão (Kathryn Bigelow,87)

Este exercício de ver os filmes diariamente e em ordem cronológica ajuda a jogar luz sobre muita coisa. Na sua base este Quando Chega a Escuridão parte de um conceito simples executado de forma exemplar: pegar a dramaturgia típica de um filme de vampiros e substituir todos os significantes por outros tipicamente americanos (já mencionei que Bigelow editava uma revista de semiótica na faculdade?). A família de vampiros do filme poderia sair de um filme anos 70 de Tobe Hooper ou Wes Craven. A narrativa do filme é reduzida ao essencial com todos os adereços associados ao subgênero substituídos por ação simples e direta (tanto o tiroteio no motel quanto a seqüência do bar são primorosas). Ao mesmo tempo ele está muito distante de híbridos como Vampiros ou Um Drink no Inferno. E daí percebe-se o grande salto desde The Loveless, Quando Chega a Escuridão nunca sugere um exercício cinéfilo. Bigelow encontra o seu tom de melancolia romântica e a paisagem noturna do oeste americano para acompanhá-la e leva até o fim. É notável também que a despeito de vários elementos dispares o filme seja tão coeso.

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