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Bressane outra vez

No blog do Inácio há uma série de posts sobre A Erva do Rato e como sempre nos comentários a polemica a respeito de Bressane. Me impressiona sempre como algo no cinema – na postura – do Bressane parece ofender alguns. Não se trata afinal do único cineasta “difícil” que temos, mas parece sempre carregar tanto os créditos quanto os ônus da sua posição. Bressane para certo cinéfilo perece simplesmente intolerável, sua mera existência uma afronta.

O Lucian Chaussard fez uma boa observação nos comentários sobre como os ofendidos se incomodam com o suposto hermetismo de Bressane. Sim, é verdade que os filmes dele por vezes trabalham com informações que o espectador pode não conhecer, mas são elas mesmas tão vitais assim? Parece-me que –seja nos seus filmes bons ou nos ruins – o cinema do Bressane existe numa chave para alem destas referencias e elas não são tão essenciais para apreciá-lo.

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Adrian Martin sobre A Erva do Rato

The signifier was at play, too, not only in Manoel de Oliveira’s perfectly, typically droll ‘illustration’ of a deceptive moral tale in Eccentricities of a Blond Haired Girl (pity there’s still not a proper print available to screen), but jarringly so in Julio Bressane’s Herb of the Rat, a crazy conceptual-horror-allegory piece – a little Ruiz and Buñuel (and also Oliveira), also a little The Entity and The Exorcist – that alienated almost every viewer who came near it. It’s a recalcitrant movie (seemingly about a control-freak guy who turns his imprisoned girlfriend into a rat), uneager to please: the long durations are unbearable, the ironic repartee is inelegant, everything is stretched out (repetitions included) like a torture rack. In the Las Palmas context, it hit like a malign exaggeration of the ponderous but intriguing Russian big-film Yuri’s Day, which started out like an ordinary (read: awful) art movie (mother and son on a trip into the icy heartland) and then eventually spun into a species of enigmatic grotesquerie more comfortably Polanski-like than madly Ken Russell-like … I hated Herb of the Rat, too, while watching it – how do films like this actually get funded, I found myself wondering? – but now I remember it fondly. Something else you’ll only ever see at a Film Festival far from you.

Cito o comentário do Adrian menos pelo que ele diz sobre o filme (que estréia aqui amanhã) e mais pela forma como contexto mudam tudo. Lembro-me de eu e o Superoito rirmos durante a Mostra do ano passado da piada de que Bressane não levara A Erva do Rato para Brasília porque finalmente fizera um filme mais popular. Mas a julgar pelo comentário do Adrian a reação lá fora é a mesma que o público do Festival de Brasília guarda para todos os filmes do cineasta. Claro que sempre imaginei que momentos como “ah, o saudoso Guará” funcionam bem melhor na sessão oficial do Festival do Rio do que numa sessão normal no Arteplex, mas não deixa de ser curioso como contexto pode mudar a recepção tanto. Ainda mais para mim neste caso já que vi A Erva do Rato antes de Cleópatra, me pareceu no dia o primeiro filme genuinamente interessante em muito tempo, a primeira vez que a perversidade do Bressane parecia resultar num filme não só numa coleção de tiques, em retrospecto depois de finalmente ver Cleópatra parece sim um filme menor. Isto dito, certamente é o melhor filme brasileiro em cartaz (até por ser um filme).

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