Os filmes que não vieram

Tirez la Langue, Mademoiselle, de Axelle Ropert

Tirez la Langue, Mademoiselle, de Axelle Ropert

Desde que a Mostra instituiu a exclusividade em 2011, ouço muitas reclamações de que a programação daqui piorou por conta dos filmes que só foram ao Rio, e quando isto acontece sempre gosto de apontar que os nossos festivais (e incluo ai o Indie que a cada ano compete mais na seleção de filmes relevantes) não conseguem dar conta da produção do ano e é um erro assumir que só por passar duas semanas no Rio e outras duas em São Paulo se pode sair com um painel completo da produção recente. Então no espírito dos artigos que o Eduardo Valente costuma escrever na Contracampo listo aqui trinta filmes novos e duas restaurações que começaram a circular desde Novembro do ano passado e seguem inéditos nos cinemas brasileiros. Como critério os filmes tem menos de um ano, mais de 30 minutos (o que excluiu muita coisa de experimental) e não estarem programados para chegar aos nossos cinemas em breve.

Une Autre Vie… (Emmanuel Mouret)
Bnsf (James Benning)
Consequence (Thomas Heise)
Un Conte de Michel de Montaigne (Jean-Marie Straub)
Costa de Morte (Lois Patino)
Drug War (Johnnie To)
A Field in England (Ben Wheatley)
How to Disappear Completely (Raya Martin)
Ip Man the Final Fight (Herman Yau)
La Jalousie (Philippe Garrel)
Marfa Girl (Larry Clark)
Journey to West (Stephen Chow)
Los Angeles Red Squad (Travis Wilkerson)
Out-Takes from the Life of a Happy Man (Jonas Mekas)
P3ND3J05 (Raul Perrone)
Pays Barbare (Yervant Ginikian, Angela Ricci-Luchi)
Se Eu Fosse Ladrão… Roubava (Paulo Rocha)
A Spell to Ward off the Darkness (Ben Russel, Ben Rivers)
Stemple Pass (James Benning)
R100 (Hitoshi Matsumoto)
Three Landscapes (Peter Hutton)
Three Intrepetation Exercises (Cristi Puiu)
Tirez la langue, mademoiselle (Axelle Ropert)
Tonerre (Guillaume Brac)
Tricked (Paul Verhoeven)
Tutto Parla de Ti (Alina Marazzi)
La Ultima Pelicula (Raya Martin, Mark Peranson)
The Unity of All Things (Alexander Carver, Daniel Schimdt)
Young Detective Dee (Tsui Hark)
Yumen (JP Sniadecki)
+
San Diego Surf (Andy Warhol, Paul Morrissey)
Sorcerer (William Friedkin)

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Mostra de SP

Norte, o Fim da História, de Lav Diaz

Norte, o Fim da História, de Lav Diaz

Como fiz com o Rio minha lista de recomendações da Mostra. A primeira parte tem as minhas recomendações mais fortes, a segunda depende mais dos interesses de cada um. Além disso, a Mostra tem o diferencial de uma sessão mais rica e variada de filmes históricos. Recomendo muito a retrospectiva do Lav Diaz, para mim um dos grandes cineastas em atividade, listei seu trabalho novo na relação abaixo, mas recomendo muito Evolução da Familia Filipina, Morte na Terra de Encantos e o Século do Nascimento. Vale muito a pena também as cópias novas de Providence (Resnais), A Empregada (Kim) e O Deserto dos Tártaros (Zurlini).

Lista A
3x3D (Jean-Luc Godard, Peter Greenaway, Edgar Pêra) – pelo Godard somente
Cães Errantes (Tsai Ming-liang)
Centro Histórico (Manoel De Oliveira, Aki Kaurismaki, Pedro Costa,Victor Erice)
Cortinas Fechadas (Jafar Panahi, Kambuzia Partovi)
E Agora? Lembra-me (Joaquim Pinto)
*Educação Sentimental (Julio Bressane)
*O Grande Mestre (Wong Kar-wai)
Lukas o Estranho (John Torres)
Manakamana (Stephanie Spray e Pacho Velez)
Norte, o Fim da História (Lav Diaz)
Redemption (Miguel Gomes)
Rumo a Madri (Sylvain George)
Um Toque de Pecado (Jia Zhang-ke)
The Wind Rises (Hayao Miyazaki)

Lista B
Amor Plastico e Barulho (Renata Pinheiro)
Avanti Popolo (Michael Wahrmann)
O Bacanal Do Diabo e Outras Fitas Proibidas de Ivan Cardoso (Ivan Cardoso)
*A Bala Sumiu (Chi-leung Law)
Child’s Pose (Calin Peter Netzer)
Club Sandwich (Fernando Eimbecke)
Confissão de Assassinato (Jung Byung-Gil)
The Deep (Baltasar Kormákur)
Depois da Chuva (Claudio Marques, Marilia Hughes)
Double Play (Gabe Klinger)
Escudo de Palha (Takashi Miike)
*Espadas Voadoras ( Tsui Hark)
O Exercício do Caos (Frederico Machado)
Exilados do Vulcão (Paula Gaitan)
Uma Familia em Tóquio (Yoji Yamada)
Um Filho Seu (Jacques Doillon)
A Fuller Life (Samantha Fuller)
Grand Central (Rebecca Zlotowski)
A Garota de 14 de Julho (Antonin Peretjatko)
Grisgris (Mahamat-Saleh Haroun)
Inside Llewlyn Davis (Joel e Ethan Coen)
O Intrépido (Gianni Amelio)
Jovem Infrator (Kang Yi Kwan)
Lições de Harmonia  (Emir Baigazin)
O Lobo Atras da Porta (Fernando Coimbra)
Minhas Sessões de Luta (Jacques Doillon)
Morro dos Prazeres (Maria Augusta Ramos)
Mouton (Marianne Pistone, Gilles Deroo)
A Mulher do Policial (Philip Gröning)
Noite em Claro (Jang Kun-Jae)
Olhos Frios (Joh Ui-Seok, Kim Byeong-Seo)
Pais e Filhos (Hirokazu Kore-Eda)
Prince Avalanche (David Gordon Green)
Que Estranho se Chamar Federico (Ettore Scola)
O Rio nos Pertence (Ricardo Pretti)
Riocorrente (Paulo Sacramento)
Segurança Nacional  (Chung Ji-Young)
Suzanne (Katell Quillévéré )
O Uivo da Gaita (Bruno Safadi)

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Festival do Rio

Blind Detective, de Johnnie To e Wai Ka Fai

Blind Detective, de Johnnie To e Wai Ka Fai

A pedidos um post com recomendações para o Festival do Rio. Dividido em dois blocos. Os filmes já vistos vem acompanhado de asterisco. Resolvi excluir os filmes da Premiere Brasil já que ela funciona quase como um festival à parte.

Lista A
*O Ato de Matar, de Joshua Oppenheimer
Até que a loucura nos Separe, de Wang Bing
Bastardos, de Claire Denis
Blind Detective, de Johnnie To e Wai Ka Fai
Em Berkeley, de Frederick Wiseman
Um Estranho no Lago, de Alan Guiraudie
A Filha de Ninguem, de Hong Sang-soo
A Garota de Lugar Nenhum, de Jean-Claude Brisseau
*A Gatinha Esquisita, de Ramon Zürcher
O Imigrante, de James Gray
Night Moves, de Kelly Reichardt
Our Sunhi, de Hong Sang-soo
*Outrage Beyond, de Takeshi Kitano
Real, de Kiyoshi Kurosawa
Tip Top, de Serge Bozon
O Ultimo dos Injustos, de Claude Lanzmann

Lista B
Abuso de Vuneravel, de Catherine Breillat
Backwater, de Shinji Ayoama
*Behind the Candelabra, de Steven Soderbergh
Computer Chess, de Andrew Bujalski
O Conhecido Desconhecido, de Errol Morris
Corredor da Morte: Retratos, de Werner Herzog
A Dança da Realidade, de Alejandro Jodorowsky
A Estação de Rádio, Nicolas Philibert
Gerantophilia, de Bruce La Bruce
O Gigante Egoista, de Clio Barnard
A Imagem que Falta, de Rithy Pahn
Joe, de David Gordon Green
Jovem e Bela, de François Ozon
Lacrau, de João Vladimiro
Layla Fourie, de Pia Marais
Manuscritos Não Queimam, Mohammad Rasoulof
Meia Sombra, de Nicolas Wackerbarth
Nós Somos os Melhores, de Lukas Moodysson
Only Lovers Left Alive, de Jim Jamursch
Ouro, de Thomas Arslan
Porque Você não vai brincar no Inferno?, de Sion Sono
Quando a noite cai em Bucareste, Corneliu Paramboiu
Quando Eu Era Sombrio, de Matthw Porterfield
Sacro Gra, de Gianfranco Rosi
Sapi, de Brillante Mendoza
Sonhos Americanos na China, de Peter Chan
Sozinha, de Wang Bing
*Spring Breakers, de Harmony Korine
Terra Prometida, de Gus Van Sant
Vic + Flo viram um Urso, de Denis Coté
Vosso Ventre, de Brillante Mendoza

Resolvi excluir os filmes da Premiere Brasil já que ela funciona quase como um festival à parte. O Bressane estaria na Lista A e tem mais uns oito títulos que me interessam bastante (metade deles no Novos Rumos, quase inacessíveis, já que Festival desistiu de tentar programar a seção).

Também recomendo a retrospectiva de Alain Guiraudie que é um grande cineasta e a muito bem curada Mostra a Escola de Berlim que incluí um bom número de filmes fortes (meus favoritos:  Yella, Nas Sombras, Todos os Outros e Algo Melhor do que a Morte).

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Brisseau

Os Anjos Exterminadores

Aproveitando que os amigos mineiros recebem a imperdível retrospectiva de Jean-Claude Brisseau no Indie (logo mais em São Paulo), repúblico aqui no blog minha crítica a Os Anjos Exterminadores na Contracampo quando o filme entrou em circuito em 2007.

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The Next Voice You Hear… (William Wellman, 1950)

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Um dos lados bons de assistir muitos filmes antigos é que você ocasionalmente cruza com alguns filmes esquecidos pela história que se revelam por vezes muito mais interessantes do que títulos mais canônicos. Eu não diria que The Next Voice You Hear… é alguma obra prima esquecida, mas é um dos filmes mais peculiares que vejo em muito tempo. No centro do filme esta o rádio (não deixa de ser uma parábola sobre comunicação de massa), certo dia a programação de todas as estações é interrompida por uma voz que declara ser de Deus e promete manter-se em contato. O filme acompanha os efeitos das transmissões de rádio (ao qual nunca ouvimos) numa família ao longo de uma semana. É bem um filme de sua época, é fácil, por exemplo, fazer um paralelo entre ele e ficções-cientificas como O Dia em que a Terra Parou. O que o torna fascinante hoje é a forma opressora com que William Wellman filma tal material. A mensagem do filme se quer afirmativa, mas da experiência dele o que resiste é a ideia de um Deus de velho testamento assustando seus fiéis e o sentimento de paranoia frente ao desconhecido. É como se uma sitcom fosse infectada por um filme de horror de Val Lewton.

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100 Filmes de Hong Kong

Comrades, Almost a Love Story, de Peter Chan

Comrades, Almost a Love Story, de Peter Chan

Prometi esta lista ano passado quando o pessoal do LoveHKFilm fez a deles, demorou mas finalmente consegui chegar numa relação de cem filmes (e especialmente escrever sobre todos eles). Como gosto sempre de lembrar nestes casos esta é uma lista de favoritos e não de melhores, sem nenhuma pretensão a autoridade e colocando a satisfação pessoal acima de importância histórica. O recorte é inevitável dos filmes que eu vi, o que explica o baixo número de filmes anteriores a 1970 no qual tem muitas pendencias. Devo dizer que a lista é menos plural do que outras do gênero que eu fiz já que um dos contrapontos de se ter uma industria muito tolerante com diversidade é que não se tem espaços mais genuinamente alternativos (logo nada de documentário ou filmes não-narrativos). Uma última questão importante é de que nem sempre é fácil determinar a nacionalidade dos filmes das três Chinas e eu tentei me concentrar em filmes rodados em ou financiados por Hong Kong, o que atrapalhou sobretudo King Hu que é muito associado ao cinema local, mas fez a maior parte dos seus filmes em Taiwan.

Abaixo a lista:

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Passion (Brian De Palma,2013)

Passion

O primeiro plano é de um laptop da Apple anunciando que estamos no terreno das imagens mercantilizadas e dispensáveis. Ainda mais que na maioria dos De Palmas é um filme de imagens desgastadas (até a trilha de Donnagio soa cansada) que se contrapõe a série de manequins prontos a aceitar seus papeis ensaiados (que Rachel McAdams essencialmente sugira sua personagem de Meninas Malvadas se fingindo adulta só reforça esta impressão), todas as relações desaguam na mesma farsa seja corporativo seja sexual.  É uma co-produção europeia tão apátrida quanto Femme Fatale, mas a sua falta de raiz revela aqui uma melancolia, o filme se agarra as suas locações em Berlim como se buscasse uma autenticidade que lhe ilude, como se o cinema lhe deixasse para trás.  É duro ser o mestre das imagens dispensáveis quando estas se tornam tão saturadas e casuais que se perdem em meio ao trivial. A segunda metade é menos um compêndio de greatest hits do diretor, do que o pesadelo do mesmo. Um filme cuja força emerge menos da sua triste familiaridade, mas da forma como em seus melhores momentos DePalma parece disposto a abraçar o último Lang e reduzir tudo a uma série de composições geométricas, todo a opulência do seu maneirismo reduzido a depuração dos filmes finais de mestre.

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The Act of Killing (Joshua Oppenheimer,2012)

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The Act of Killing tem tema dos mais espinhosos: o assassinato de mais de um milhão de “comunistas” na Indonésia em meados dos anos 60 por milícias oficiais que cinquenta anos depois permanecem não só não punidos, mas celebrados e em posição de poder o suficiente para que uma visita rápida aos créditos do filme no IMDb revelarem que todos os indonésios que trabalharam nele serem creditados como anônimo. A forma que o diretor Joshua Oppenheimer encontra para confronta-lo é convidar alguns dos carrascos para que colaborem com seu filme e reencenem para a sua câmera alguns destes assassinatos. O resultado é um filme como nenhum outro não só porque as encenações propostas pelos protagonistas são frequentemente acompanhadas de referencias cinéfilas que acrescentam um elemento extra de absurdo a suas imagens, mas porque ele produz um canal direto ao genocídio sem muitos equivalentes (é algo como se Jean Rouch pudesse produzir um filme em parceria com os bandeirantes portugueses). O resultado é um filme sobre a violência da linguagem, linguagem da história, mas também a linguagem do cinema, e as formas como ambas terminam cumplices do discurso oficial não importa o quão demente este seja. A ideia central de que culpa sobre assassinato em massa pode existir, mas no conceito do genocídio indonésio que ele retrata, mas não expressa porque o discurso oficial reprimiu-a, negou-lhe  qualquer articulação genuína. Poderia se argumentar que o filme nos permite uma escapatória ao racionalizar o material como apenas um país de terceiro mundo se perdendo na própria psicose, mas Oppenheimer encontra no seu cenário de banalidade do mal, um material realmente perturbador sobre como a linguagem retrata a história (e assassinato legalizado, em particular) e o lugar do cinema – e mídia em geral – como intermediários dele que é ao mesmo tempo muito especifico e expansivo de maneira aterradora.

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Rio Lobo

rio-lobo

Em homenagem a retrospectiva integral de Howard Hawks no CSSP, republico aqui uma versão ligeiramente revisada do meu artigo sobre Rio Lobo que saiu na Contracampo em 2004. Da meia dúzia de textos que escrevi sobre Hawks ao longo dos anos este é certamente o mais ambicioso (e longo). Se memória não falha quando escrevi a intenção era usar o lançamento de Rio Lobo em DVD para defender toda a fase     final de Hawks da acusação do Robin Wood de que ela seria decadentista.

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Billy Wilder

Avanti (1972)

Avanti (1972)

Com a retrospectiva do Billy Wilder acontecendo no Cinesesc me parece útil repostar aqui este texto escrito para o site da Paisà em 2007 me aproveitando do lançamento de uma série de filmes dele em DVD à época. O tom é um tanto mais ácido do que eu escreveria hoje, mas assino embaixo de tudo com a possível exceção do que falo sobre A Mundana que é um tanto melhor do que o texto da a entender.

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Jacques Rivette no CCBB

Celine e Julie vão de Barco

Celine e Julie vão de Barco

Já começou no Rio e a partir de semana que vem chega a São Paulo a melhor retrospectiva do ano por aqui: Jacques Rivette – Já não somos inocentes.

Não chega a ser completa (há a ausência grave de Out 1 Noli mon Tangere e além disse falta também pelo menos Divertimento versão curta de A Bela Intrigante), mas mesmo assim há uma dúzia de grandes filmes e inclusive varios que nunca circulam por aqui como Amor Louco, Duelle e Noroeste. Não sou fã da sala do CCBB, mas se há uma retrospectiva este ano que justifica acampar numa sala de cinema é esta.

Abaixo a programação em São Paulo:

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Drug War (Johnnie To,2012)

Uma espécie de filme de golpe no qual Johnnie To e sua equipa da Milkyway viajam a China para tentar realizar um filme policial nos seus termos diante dos olhar austero da censura chinesa e sobrevivem com poucas feridas. A imagem do gangster da China continental solta nas ruas de Hong Kong rebatida muitas vezes desde o The Long Arm of the Law (1984) é revertida com várias figuras carimbadas de To adicionando cor num filme de investigação e procedimento ademais muito sóbrio. É o filme mais hawksiano de To da maneira como personagem é visto através de ação (nenhum dos policiais chineses é permitido qualquer história, existem somente para o trabalho e destinados a desaparecer tão logo sua função no filme seja cumprida) e como de forma bem consciente o filme retoma partes distintas da obra do cineasta dos filmes de grande equipe policial (o fantasma de Expect the Unexpected assombra toda a ação) e da série Eleição. Drug War adia sua ação ao máximo substituindo por umasériede cenas que apostam no acumulo de detalhes para elevar tensão até que a violência finalmente emerge levando consigo cada corpo que passou diante do olhar na câmera na hora anterior. Uma narrativa de infecção, depois que que a guerra do título esta na suas veias não a saída possível mas a da morte violenta. Pode-se até dizer que o filme é um longo pesadelo do condenado a morte (o filme todo se sustenta no fato que o trafico de drogas seja punido na China com a pena de morte). To sucede porque ele e seus atores (e aqui vale uma menção extra ao grande Sun Hong-lei numa das melhores atuações físicas do cinema contemporâneo, o homem literalmente faz de tudo no filme) recém um painel pálido e regido e consegue encontrar nele uma série de espaços e variações inesperadas (há, por exemplo, uma cena muito peculiar em que um personagem quase tem uma overdose que parece existir  somente para puxar ao limite o que um filme como este pode registrar) e também encontram o balanço certo de ambiguidade moral.

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Allan Dwan

Tennessee’s Partner

Tennessee’s Partner

A Lumière publicou ontem um grande dossiê sobre a obra de Allan Dwan. É certamente uma das melhores publicações de cinema do ano.
Ontem quando divulguei nas redes sociais o dossiê mais de um amigo pediu dicas sobre o que ver do cineasta, como Dwan esteve ativo regularmente de 1911 a 1961, e com vários períodos destaque dependendo do gosto do critico é bem difícil se guiar por ela (eu vi mais de 50 filmes dele e ainda assim tenho várias lacunas especialmente no período mudo), então resolvi montar uma lista pessoal de recomendações. Tenham em mente que os filmes de Dwan são bem acima da média então a não presença de um filme na lista abaixo não significa que ele seja fraco (só tem dois filmes de Dwan que eu vi e não curto The Gorilla e Northwest Outpost). Montei três listas para ajudar como guia, mas todos eles valem muito a pena.

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Cinética

Vocês Ainda Não Viram Nada, de Alain Resnais

Vocês Ainda Não Viram Nada, de Alain Resnais

A edição nova da Cinética está no ar com muitos bons textos. Aproveito para deixar aqui os links para as minhas contribuições:

Vocês Ainda Não Viram Nada
Sorelle Mai
Depois de Maio
O que se Move

É Tudo Verdade
Parque do Povo
Mataram Meu Irmão
Ozualdo Candeias e o Cinema

Todos os caminhos levam à Morte – As ficções caseiras de Giulio Questi
Sobrevivendo em terreno hostil – o cinema de Walter Hill

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Anos 2000

Vai e Vem, de João Cesar Monteiro

Vai e Vem, de João Cesar Monteiro

A Liga dos Blogues vai fazer uma lista dos melhores da década passada e pediu minha colaboração. Como curto a pratica de organizar listas, especialmente porque me faz pensar e sistematizar os meus favoritos de alguma forma (e também porque se tenho somente uma curiosidade histórica por listas coletivas, adoro explorar listas individuais), gastei mais tempo do que habitual nesta muito porque o período coberto nela é o da minha primeira década como crítico.

Duas coisas me saltaram aos olhos depois do exercício. Primeiro é que a despeito do chorume habitual sobre a pobreza do cinema contemporâneo a quantidade de filmes que deixei de fora mesmo com duas listas de apoio foi enorme. A outra é como a lista se concentrou entre 2000 e 2003, nenhuma ideia se é reflexo de um momento especialmente rico na produção ou simplesmente efeito pessoal de coincidir com o momento em que me mudei para São Paulo e passei a ter acesso mais fácil a um numero maior de filmes.

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