Arquivo da categoria: Filmes

Michael Mann

Aproveitando a estréia de Inimigos Publicos reproduzo o artigo que escrevi sobre Mann na Paisã #4 (Agosto/06):

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Inimigos Públicos (Michael Mann,09)

Michael Mann acredita na verdade da ficção. Algo que se tornou cada vez mais marcante a partir de Ali e que creio alcance um ápice aqui. Inimigos Públicos não é o melhor Mann, mas é o mais puro: até os tiques típicos do seu mundo parecem se dissipar aqui diante do que ele procura captar. O que mais impressiona em Inimigos Públicos é como uma série de fatos e uma produção enorme que está lá para reproduzi-los se transformam nas mãos do cineasta em algo muito diferente: abstrações, imagens, emoções. No fim restam as imagens que existem bem distantes da reconstituição ou iconografia; imagens sobretudo expressivas.

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Trailer da Mulher Gorila

Trailer do filme do Felipe Bragança e da Marina Meliande. Vai estar em Locarno

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Histórias Extraordinárias (Mariano Lliñas,08)

Tudo em Histórias Extraordinárias é grande. Dentro das suas três histórias surgem vários outros pequenos filmes e Lliñas vai colecionando idéias, situações e personagens suficientes para povoar uma dúzia de outros longas metragens. Trata-se de um filme que passeia com desenvoltura por uma infinita fauna de gêneros cinematográficos: thriller, melodrama, comédia, filme de guerra, road movie e sobretudo o filme de aventura. È um filme sobre narrativa realizado por alguém com um prazer enorme em contar causos. Quase como um filme de Raoul Ruiz feito com ambição wellesiana (apesar de lembrar bastante o Rivette dos anos 70 sem a fascinação pelos atores). È exaustivo sem dúvidas, mas jamais passa mais que alguns minutos sem que algo no filme maravilhe o espectador. È o prazer com que Lliñas constrói suas situações que cativa. Histórias Extraordinárias existe num universo paralelo ao de boa parte do cinema argentino recente (seja este bom ou mero embuste), pode-se até dizer que parece existir contra ele, mas é também o melhor filme de lá que veja desde As Luvas Mágicas do Martin Rejtman.

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K-19 (Kathryn Bigelow,02)

O mais genérico filme da carreira de Bigelow, K-19 se atem com afinco a formula do filme de submarino tanto nas suas situações como nas opções de direção. Longe de ser um filme memorável, K-19 é muito eficaz (desde que se ignore Harrison Ford que é um problema bem maior aqui do que Keanu Reeves era em Point Break). Bigelow é bem hábil em manipular o espaço fechado de acordo com as intensidades dramáticas do filme. Alem disso há algo muito simpático na forma como filme vai aos poucos acumulando de forma casual situações e personagens típicos do gênero e negociando entre eles. A trama em si é uma relíquia de Guerra Fria e Bigelow trabalha habilmente em sugerir os diferentes significados para ações dentro do contexto da Guerra Fria e filmá-la 40 anos após os fatos.

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O Peso da Água (Kathryn Bigelow,00)

O Peso da Água é de longe a produção mais respeitável que Bigelow comandou e é também fácil a pior. Não que estejamos no terreno de filme para Oscar e similares (a cineasta tem gosto demais pelo pulp para isso), mas nada no filme funciona minimamente bem. São duas tramas um tanto histéricas em tempos diferentes que supostamente deveriam se iluminar, mas o corte entre elas colabora mais para fragilizá-las e revelar seu esquematismo.  Não que sejam grande coisa por si só o filme flashback é competente e rotineiro, o contemporâneo (que toma a maior parte do tempo) só medíocre. Há algumas imagens fortes distribuídas ao longo do filme e conceito geral não é mal, mas o filme desmorona sem um centro.

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No Meu Lugar (Eduardo Valente,09)

É meio estranho escrever impressões muito rápidas sobre filmes de amigos e espero cedo ou tarde escrever algo mais detalhado sobre No Meu Lugar quando tiver a oportunidade de revê-lo. De qualquer forma o filme me pegou numa cena bem simples logo no começo quando um personagem esta na cozinha bebendo água e é chamado pelo seu superior, antes de sair ele esvazia o resto do copo na pia. Que o filme gaste tempo com este pequeno ato, no lugar de mostrar o cara deixando o copo ou simplesmente cortar para cena seguinte faz toda diferença e diz muito sobre porque o filme é muito melhor do que a maioria dos filmes que lidam com o Rio ou porque não faz sentido compará-lo com certo charlatão mexicano. Não é um filme sobre seus temas, mas só sobre como as pessoas se portam em meio a eles.

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Estranhos Prazeres (Kathryn Bigelow,95)

Estranhos Prazeres não deixa de ser o exato oposto de Caçadores de Emoção: dois ótimos atores (Ralph Fiennes e Ângela Bassett) para ancora-lo e um roteiro (de James Cameron e Jay Cocks) que se esforça muito para ser esperto. Estranhos Prazeres cria um mundo próprio muito bem e até consegue usar a seu favor a primeira vista questionável decisão de colocar Fiennes e Bassett no meio de um festival de over actors (Tom Sizemore, Michael Wincott, Vincent d’Onofrio, etc.). Mais importante ele faz aquilo que todo bom sci-fi exploit devia fazer bem que é drenar o seu momento o máximo possível. Eis um filme datado no melhor sentido possível. Por outro lado, Estranhos Prazeres sofre do problema inverso ao de Caçadores de Emoções já que Cameron e Cocks se esforçam tanto para sublinhar suas pretensas idéias que o filme por vezes ameaça desmoronar sobre seu próprio peso. Se a internet tivesse o mesmo peso em 95 do que hoje, este seria um filme muito querido em blogs e fóruns por ai, ou seja dez anos depois ele seria escrito pelo David S. Goyer e isto nunca é algo bom. Eu gosto de Estranhos de Prazeres, assim como gosto de Caçadores de Emoções, mas não deixa de ser curioso como ambos acabam fragilizados por razões similares e opostas.

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Caçadores de Emoção (Kathryn Bigelow,91)

Caçadores de Emoção é de longe o mais genérico dos filmes da primeira parte da carreira de Bigelow, ele também tem o azar de ser protagonizado por Keanu Reeves e Patrick Swayze e contar com um roteiro tão agressivamente idiota que o protagonista se infiltra usando seu nome e passado e isto nunca sequer se torna um ponto da trama. Isto tudo dito Casçadores de Emoções jamais será confundido com Heat, mas como uma série de imagens tiradas do contexto da narrativa não deixa de ser impressionante e não tem como não se admirar como o filme se agarra a suas idéias mais absurdas. A perseguição no centro do filme, em especial, é digna de Friedkin e os dois assaltos são uma aula de montagem.

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Jogo Perverso (Kathryn Bigelow,90)

Trata-se do filme mais frustrante da cineasta na medida que seu méritos e defeitos são tão intimamente ligados. Na altura dos últimos vinte minutos quando Ron Silver se transforma no Michael Meyers yuppie munido de uma 44, Jogo Perverso abandona qualquer pretensão a narrativa, realismo e mais puro bom senso para se transformar num dos mais impressionantes delírios filmados do período. Poucas vezes se vê um filme dos últimos vinte anos que se relaciona tão perfeitamente com o que Raoul Ruiz descreve no seu Poéticas do Cinema como o filme B americano não-narrativo que lhe interessava na infância. Há de se respeitar o comprometimento do filme com sua visão e disposição de leva-la ao extremo. O problema é que em boa parte da primeira hora Jogo Perverso é pouco mais que um filme policia genérico com alguns elementos intrigantes, um tom perverso e uma inevitável impressão de que se trata de um filme muito burro feito por gente qualificada para material melhor. O filme todo está bem representado na atuação de Silver, durante uma boa hora se tem certeza que ele está pagando mico e depois tudo se justifica. Só que não importa quantas vezes se reviste o filme, sabe-se que os primeiros dois terços dele vão irritar.

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Ato Falho

Ato Falho

Curta metragem dirigido pelo grande Bruno Andrade. Para quem como ele (e eu) tem uma relação com a antiga cultura de videolocadora, trata-se de um filme muito bonito (valorizado pelo bom olhar para composições do Bruno). O espaço onde ele foi filmado é hoje uma lanchonete. Este corte é bem melhor do que aquele que circulou aqui em São Paulo uns anos atrás.

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Quando Chega a Escuridão (Kathryn Bigelow,87)

Este exercício de ver os filmes diariamente e em ordem cronológica ajuda a jogar luz sobre muita coisa. Na sua base este Quando Chega a Escuridão parte de um conceito simples executado de forma exemplar: pegar a dramaturgia típica de um filme de vampiros e substituir todos os significantes por outros tipicamente americanos (já mencionei que Bigelow editava uma revista de semiótica na faculdade?). A família de vampiros do filme poderia sair de um filme anos 70 de Tobe Hooper ou Wes Craven. A narrativa do filme é reduzida ao essencial com todos os adereços associados ao subgênero substituídos por ação simples e direta (tanto o tiroteio no motel quanto a seqüência do bar são primorosas). Ao mesmo tempo ele está muito distante de híbridos como Vampiros ou Um Drink no Inferno. E daí percebe-se o grande salto desde The Loveless, Quando Chega a Escuridão nunca sugere um exercício cinéfilo. Bigelow encontra o seu tom de melancolia romântica e a paisagem noturna do oeste americano para acompanhá-la e leva até o fim. É notável também que a despeito de vários elementos dispares o filme seja tão coeso.

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The Loveless (Kathryn Bigelow/Robert Montgomery,82)

Para movimentar o blog e colocar disciplina na minha preparação para o artigo sobre a Kathryn Bigelow que estou preparando vou escrever um post diário sobre um filme dela até o final de semana que vem.

Este primeiro longa (co-dirigido com Robert Montgomery) poderia até ser descrito como um encontro entre The Wild One e Peyton Place se tal descrição não traísse de que se trata quase exclusivamente de um exercício intelectual. Uma série de elementos iconográficos dos anos 50 são reenquadrados de forma quase abstrata num quadro formalista. Bigelow e Montgomory são muito hábeis no uso de closes fetichistas que transformam até atores em objetos. Pode-se ver aqui a gênese do gosto da cineasta por uma superfície quase abstrata. Só que a câmera de The Loveless está bem mais a vontade filmando motos e maquinas de coca-cola do que atores. O filme agoniza em meio a sua inércia dramática cada vez que se volta para sua trama e seus motoqueiros-zumbi precisam existir como personagens (seria curioso entrevistar Willem Dafoe, que faz o protagonista, para saber se os diretores ao menos davam alguma instrução para alem de pose como se fizesse parte de alguma ilustração do período). Seria bem melhor como um curta de vinte minutos, mas como corretivo para os filmes nostálgicos do período só perde para Christine do Carpenter.

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Adrian Martin sobre A Erva do Rato

The signifier was at play, too, not only in Manoel de Oliveira’s perfectly, typically droll ‘illustration’ of a deceptive moral tale in Eccentricities of a Blond Haired Girl (pity there’s still not a proper print available to screen), but jarringly so in Julio Bressane’s Herb of the Rat, a crazy conceptual-horror-allegory piece – a little Ruiz and Buñuel (and also Oliveira), also a little The Entity and The Exorcist – that alienated almost every viewer who came near it. It’s a recalcitrant movie (seemingly about a control-freak guy who turns his imprisoned girlfriend into a rat), uneager to please: the long durations are unbearable, the ironic repartee is inelegant, everything is stretched out (repetitions included) like a torture rack. In the Las Palmas context, it hit like a malign exaggeration of the ponderous but intriguing Russian big-film Yuri’s Day, which started out like an ordinary (read: awful) art movie (mother and son on a trip into the icy heartland) and then eventually spun into a species of enigmatic grotesquerie more comfortably Polanski-like than madly Ken Russell-like … I hated Herb of the Rat, too, while watching it – how do films like this actually get funded, I found myself wondering? – but now I remember it fondly. Something else you’ll only ever see at a Film Festival far from you.

Cito o comentário do Adrian menos pelo que ele diz sobre o filme (que estréia aqui amanhã) e mais pela forma como contexto mudam tudo. Lembro-me de eu e o Superoito rirmos durante a Mostra do ano passado da piada de que Bressane não levara A Erva do Rato para Brasília porque finalmente fizera um filme mais popular. Mas a julgar pelo comentário do Adrian a reação lá fora é a mesma que o público do Festival de Brasília guarda para todos os filmes do cineasta. Claro que sempre imaginei que momentos como “ah, o saudoso Guará” funcionam bem melhor na sessão oficial do Festival do Rio do que numa sessão normal no Arteplex, mas não deixa de ser curioso como contexto pode mudar a recepção tanto. Ainda mais para mim neste caso já que vi A Erva do Rato antes de Cleópatra, me pareceu no dia o primeiro filme genuinamente interessante em muito tempo, a primeira vez que a perversidade do Bressane parecia resultar num filme não só numa coleção de tiques, em retrospecto depois de finalmente ver Cleópatra parece sim um filme menor. Isto dito, certamente é o melhor filme brasileiro em cartaz (até por ser um filme).

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Intrigas de Estado

Crítica na Cinética.

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