Adrian Martin sobre A Erva do Rato

The signifier was at play, too, not only in Manoel de Oliveira’s perfectly, typically droll ‘illustration’ of a deceptive moral tale in Eccentricities of a Blond Haired Girl (pity there’s still not a proper print available to screen), but jarringly so in Julio Bressane’s Herb of the Rat, a crazy conceptual-horror-allegory piece – a little Ruiz and Buñuel (and also Oliveira), also a little The Entity and The Exorcist – that alienated almost every viewer who came near it. It’s a recalcitrant movie (seemingly about a control-freak guy who turns his imprisoned girlfriend into a rat), uneager to please: the long durations are unbearable, the ironic repartee is inelegant, everything is stretched out (repetitions included) like a torture rack. In the Las Palmas context, it hit like a malign exaggeration of the ponderous but intriguing Russian big-film Yuri’s Day, which started out like an ordinary (read: awful) art movie (mother and son on a trip into the icy heartland) and then eventually spun into a species of enigmatic grotesquerie more comfortably Polanski-like than madly Ken Russell-like … I hated Herb of the Rat, too, while watching it – how do films like this actually get funded, I found myself wondering? – but now I remember it fondly. Something else you’ll only ever see at a Film Festival far from you.

Cito o comentário do Adrian menos pelo que ele diz sobre o filme (que estréia aqui amanhã) e mais pela forma como contexto mudam tudo. Lembro-me de eu e o Superoito rirmos durante a Mostra do ano passado da piada de que Bressane não levara A Erva do Rato para Brasília porque finalmente fizera um filme mais popular. Mas a julgar pelo comentário do Adrian a reação lá fora é a mesma que o público do Festival de Brasília guarda para todos os filmes do cineasta. Claro que sempre imaginei que momentos como “ah, o saudoso Guará” funcionam bem melhor na sessão oficial do Festival do Rio do que numa sessão normal no Arteplex, mas não deixa de ser curioso como contexto pode mudar a recepção tanto. Ainda mais para mim neste caso já que vi A Erva do Rato antes de Cleópatra, me pareceu no dia o primeiro filme genuinamente interessante em muito tempo, a primeira vez que a perversidade do Bressane parecia resultar num filme não só numa coleção de tiques, em retrospecto depois de finalmente ver Cleópatra parece sim um filme menor. Isto dito, certamente é o melhor filme brasileiro em cartaz (até por ser um filme).

4 Comentários

Arquivado em Crítica, Filmes, Observações

4 Respostas para “Adrian Martin sobre A Erva do Rato

  1. Tiago Superoito

    Não só o contexto, Filipe, mas acho que essa reação abismada tem a ver com a dificuldade de acesso à obra do Bressane. Fico me perguntando se o Adrian viu ‘Miramar’ ou ‘São Jerônimo”.

  2. Filipe Furtado

    Não saberia dizer, mas Cleopatra circulou bem e com uma recepção positiva.

  3. Fascinating comment, Filipe, I think you are absolutely right. Las Palmas has actually a terrible context for this film (which is strange), it created a ‘negative vibe’ in the crowd. Whereas in Jeonju (where I later went), I think it would have been received with quiet respect (even Straub-Huillet gets applause, and no walkouts, from a young crowd there). Also, to answer Triago, I certainly know who Bressane is and have read much about him – but no, I haven’t seen much, so it was a new experience for me. I will look out for more of his films, to be properly educated!

  4. Sorry, I meant to type Tiago !!

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