Melhores de 2009 – Contracampo

1. Amantes (James Gray)
2. Gran Torino (Clint Eastwood)
3. Ervas Daninhas (Alain Resnais)
4. Aquele Querido Mês de Agosto (Miguel Gomes)
5. Inimigos Públicos (Michael Mann)
6. Moscou (Eduardo Coutinho)
7. Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino)
8. Beijo na Boca, Não! (Alain Resnais)
9. Avatar (James Cameron)
10. A Troca (Clint Eastwood)

As listas individuais estão disponíveis aqui.

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Nuit de Chien (Werner Schroeter,08)

Schroeter adapta um livro do Juan Carlos Onetti que sugere material típico para uma alegoria política (homem chega a capital de alguma republiqueta fictícia no meio de uma guerra civil e precisa tomar algumas decisões pessoais sérias enquanto tenta abandonar o lugar). O que o difere e nos lembra que Schroeter é um grande talento é que se o material sugere o abstrato, o cineasta alemão o finca num universo pessoal próprio. A cidade fictícia de Onetti é um lugar de fato nas mãos de Schroeter. A sensibilidade peculiar de Schroeter dá ao seu filme uma direção própria, garante que ele tenha um mundo no qual existir. Em particular na parte do filme quando o protagonista (um ótimo Pascal Gregory) lida com a progressiva sensação langiana de que não há fuga possível. Sei que o filme foi odiado em Veneza quando passou na competição dois anos atrás e depois sumiu do circuito de festivais, é uma pena.

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Melhores da década – Cinema Scope

O site da Cinema Scope está com a edição nova no ar com destaque para eleição de melhores da década.

1. Platforma (Jia Zhangke, 2000)
2. No Quarto de Vanda (Pedro Costa, 2001)
3. La libertad (Lisandro Alonso, 2001)
4. Los Angeles Plays Itself (Thom Andersen, 2003)
5. 13 Lakes (James Benning, 2004)
6. Evolution of a Filipino Family (Lav Diaz, 2004)
7. Yi Yi (Edward Yang, 2000)
8. Black Book (Paul Verhoeven, 2006)
9. Memorias de um Assassino (Bong Joon-ho, 2003)
10. Mulholland Drive (David Lynch, 2001)
Menções honrosas: Juventude em Marcha (Pedro Costa, 2006); A Morte do Sr. Lazarescu (Cristi Puiu, 2005); En La Ciudad de Sylvia (José Luis Guerín, 2007); O Intruso (Claire Denis, 2004); Three Times (Hou Hsiao-hsien, 2005); Sindromes e um Século (Apichatpong Weerasethakul, 2006).

As listas individuais com comentários estão no site.

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Um Homem Sério (Joel e Ethan Coen,09)

Não tenho muito a dizer sobre Um Homem Sério. Concordo com o Sérgio e Daniel que o filme beira o insuportável, mas creio que o problema não é a proposta do filme (da minha parte os Coen podem torturar o ratinho de laboratório deles a vontade), mas de forma mesmo. Tudo em Um Homem Sério é super dirigido a beira do insuportável. Os Coen sempre foram cineastas acadêmicos e em filmes como este o trabalho deles encontra muito pouco respiro. Não existe um plano neste filme que comunique algo para além de quão meticuloso o trabalho dos irmãos. Desculpe os fãs da dupla, mas Um Homem Sério nasceu morto.

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Links e revistas

Minha critica do The Hurt Locker está finalmente na Cinética.

Aproveito para destacar que desde o começo do ano Eduardo Valente mantém um blog em que comenta os filmes que viu. Não havia indicado ainda porque rapaz é conhecido por abandonar rapidamente seus blogs, mas este até aqui segue forte.

O site da Film Comment já inclui a edição nova. Pouca coisa disponivel desta vez, mas para quem curte a coluna do Andrew Sarris é sobre Rohmer e está online.

Descobri outro dia que a Cinema Scope está disponível para venda online em pdf por aqui. A assinatura anual (4 edições) está por 20 dólares canadenses, o que deve dar pouco mais que uma edição de papel comprada nas bancas aqui em SP.

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Shutter Island (Martin Scorsese,10)

Este é o primeiro filme de Scorsese em muitos anos que me deixa genuinamente interessado. Ao contrario dos seus últimos trabalhos a montagem segue sobre controle e o filme nunca soa inchado (Scorsese estava quase se tornando o último cineasta hollywoodiano dos anos 60, e isto definitivamente não é uma coisa boa). Está longe de ser um filme de todo bem resolvido as múltiplas referencias a Holocausto, bomba atômica, etc parecem buscar um peso que o filme não justifica e boa parte da sua dramaturgia é pouquíssimo crível. Isto é um problema, mas também o que o filme tem de mais fascinante. Como toda a ação de Shutter Island é uma farsa, nos situamos rapidamente na fragilidade da sua ação ao mesmo tempo que o filme insiste nela. Shutter Island como todo é falso, mas muito aplicado na sua ficção desencontrada. Como freqüentemente acontece no cinema do diretor é um filme que expõe um desejo muito grande por suas imagens fortes, pelo seu universo de referencias particular; a esta altura o cinema de Scorsese existe preso dentro de uma camisa de força de criação dele mesmo. Shutter Island é um filme a primeira vista sobretudo sobre desejo de ficção, mas me parece ser mesmo sobre a relação doente de Scorsese com a cinefilia, tanto uma admissão dela, como a confissão de que não é capaz de se livrar desta camisa de força.

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Textos

Alguns links para textos meus:

Na Cinética algumas observações sobre Garrel e O Nascimento do Amor e a crítica para O Segredo do Seus Olhos do Juan José Campanella.

Algum tempo atrás escrevi um ensaio sobre os filmes poloneses de Jerzy Skolimowski para Revista Taturana. Outro dia o Rodrigo Grota me informou que a edição está disponivel online em pdf aqui. Meu artigo está nas paginas 36-39, mas recomendo darem uma olhada pelo menos na edição toda.

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James Benning

Quando postei outro dia minha lista de melhores do ano perguntaram sobre como ver os filmes do James Benning. O Arthur Tuoto localizou um site que inclui boa parte da filmografia dele. Recomendo muito 11×14, Landscape Suicide, 13 Lakes, Ten Skies e RR.

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Make Way for Tomorrow

Leio que a Criterion acaba de lançar Make Way for Tomorrow em DVD no mercado americano. É um dos meus filmes favoritos (tenho quase certeza que nunca fiz uma lista de dessas que não inclua ele) e considerando que ele é ainda muito obscuro e pouco visto mesmo entre quem costuma se interessa seja por filmes da época e/ou  autores hollywood clássicos e díficil de encontrar mesmo neste tempo onde quase tudo esta disponivel para download, é uma grande noticia que a Criterion o torne mais disponivel. O filme costumava circular no Telecine Classic quando aquele canal ainda valia a pena, eu mesmo só tinha um VHS gravado de lá até por para baixar no KG o rip novo. Lembro-me que uns dez anos atrás fiz uma cópia do meu VHS para um amigo que havia se interessado, meu VHS era um tanto esquisito e as vezes alguns filmes gravados nele não rodavam direito em outros aparelhos, pois bem algumas semanas depois este amigo me avisa que a copia viera sem som, mas que ele adorara o filme de qualquer jeito. É um dos poucos filmes que eu consigo imaginar alguém efetivamente assistir deste jeito.  Espero mesmo que o filme receba uma atenção maior agora que recebeu o selo de aprovação da Criterion.  Aproveito para reproduzir a bela critica do Dave Kehr publicou esta semana:

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Ok, a forma como assistimos filmes mudou mesmo

Do press-release de uma mostra de cinema no Rio:

Raridade mesmo na web, “Trash Humpers” é com certeza uma preciosidade da Zona Livre – Mostra Internacional de Cinema, que exibirá no CCBB RJ
Achei que ainda estavamos longe do dia que um press release vendesse um filme com o argumento que não dá para baixar ele ainda.

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Vício Frenético

Critica para o filme do Herzog na Cinética.

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Inácio como sempre preciso

Nada como ler Inácio Araujo que diz mais numa nota de rodapé do que muitos criticos em 5 mil toques. Sobre Invictus:

(P.S. – Pode-se apontar uma série de fraquezas no filme. Pode-se dizer que existe um “núcleo branco” desenvolvido quase que nem em novela. ou que a cena da distribuição de um ticket para a empregada é frouxíssima (dessa eu não discordo, aliás). Mas a grandeza de Clint está, em parte, em ser alguém muito prático. Faz filmes modernos não porque recorra a técnicas modernas ou acelere absurdamente a duração dos planos. Mas porque tem algo a dizer ao tempo presente, concorde-se ou não, e diz. Seu cinema nunca é um passatempo, embora pareça, de tão agradável que é.)

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Ivan Passer

Uns 2 meses atrás escrevi um artigo sobre Jerzy Skolimowski para a Revista Taturana e me peguei pensando na diáspora dos cineastas do antigo bloco comunista e como isto afetou muitas vezes as carreiras deles. Skolimowski não deixa de ser um bom exemplo disso sobretudo nos anos 70 quando teve grandes problemas para filmar e ele mesmo admitiu que o longo intervalo mais recente na sua produção foi efeito do seu cansaço com o modelo de co-produção internacional que sustentou a segunda fase da sua carreira nos anos 80.

Mas a carreira de Skolimowski é um exemplo de eficiência comparada a de alguém como Ivan Passer. O checo fez um filme no pais natal (Intimate Lighting, não dos mais famosos do período, mas que mais que merece uma olhada) e escreveu os roteiros para Os Amores de uma Loira e O Baile do Bombeiro, antes de se mandar para os EUA na virada década. A carreira ocidental de Passer é o perfeito oposto da de Forman, quase toda passada em pequenos filmes de gênero. Uma olhada rápida na sua pagina do IMDb revela uma série de títulos obscuros e uma trajetória que se desenvolve de maneira muito peculiar. Nem todos os filmes de Passer são bem sucedidos, mas no mínimo costumam se assemelhar a Silver Bears (78), uma bem sólida comédia de golpe que Passer filme na Inglaterra com bom elenco (Michel Caine, David Warner, Stephane Audran). Tenho ótimas memórias do filme visto num VHS de pan & scan terrível (que antes dos downloads era a única forma possível de se assistir a qualquer cópia de seus filmes aqui), revendo alguns trechos numa boa cópia me pareceu provavelmente melhor que minhas lembranças.

De qualquer forma, Ivan Passer teve duas grandes oportunidades e fez o melhor delas. Tanto Born to Win (71) como Cutter’s Way (81) são grandes filmes e entre o que melhor se filmou nos EUA à época. Born to Win é um dos melhores filmes sobre viciados em drogas feitos. Muito menos interessado na condescendência de sempre e mais em usar os hábitos do protagonista (um excelente George Segal) como ponto de partida para um saio sobre desraizamento não muito distante dos filmes que Bob Rafelson fizera à época. Assim como oportunidade para um grande numero de seqüências absurdas muito imaginativas. Independente dos desastres que lhe incorrem, Segal é menos um perdedor patético e mais um homem com uma missão. Para a sorte de Born to Win, o filme tem Robert DeNiro num papel pequeno, o que lhe ajudou a sobreviver ao tempo (me lembro que o antigo VHS em que o vi pela primeira vez vendia o filme como um veículo de DeNiro e o DVD americano que eu tenho faz o mesmo).

Já Cutter’s Way fica a principio no outro extremo do bom cinema americano da época. Um neo noir com óbvios ecos de revisionismo, é um filme mais complexo e interessante do que sua superfície sugere. A trama excessivamente complexa e obtusa e as reverberações de gênero servem como pouco mais que ponto de partida, mesmo o mitológico industrial que talvez cometera o assassinato que serve de gancho ao filme nunca existe como verdadeiro ponto de chegada só um espelho para diversas reações diferentes. Há um pouco de Pynchon no tom de paranóia absurda com que Passer conduz o filme e ele faz uso excelente das locações em Santa Barbara e do seu elenco (Jeff Bridges e John Heard nunca estiveram melhores). O Cutter de Heard é uma espécie de Travis Bickle sem o alivio que a presença de um De Niro traz. Segue um dos melhores filmes sobre o pós-anos 60.

Aproveitando, Born to Win está disponivel integralmente no You Tube num streamind bem decente. É longe do ideal, mas como o filme é raro fico o link.

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Falando em revistas importadas

Recomendo muito o numero novo da Cinema Scope que está a venda em algumas bancas na região da Paulista (e na Fnac). Pelo menos 3 artigos imperdiveis:

Christoph Huber sobre Joe Dante

Olaf Moller sobre Lino Brocka

Critica do Serge Bozon ao novo Rivette

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Listas e mais listas

Quando postei a lista da Film Comment mencionei que mais interessante do que ela seriam as listas individuais. Pois bem, revista em mão segue ai cerca de 50 das listas mais interessantes: Continuar lendo

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