
Desde Edificio Master, Eduardo Coutinho tateia formas de continuar expandindo sua investigação sobre a presença sem ficar prisioneiro dos seus dispositivos. Se Jogo de Cena tornava explicito o que antes estava debaixo da estrutura do documentário de entrevistas, Moscou é uma expansão natural desta fase com Coutinho basicamente eliminando sua própria presença física como mediador apesar dele continuar uma presença invisível muito forte ao longo de todo filme como a ênfase maior na montagem reforça. Como Coutinho segue fazendo filmes que nascem de projetos muito delieneados é útil para entender Moscou descrevê-lo: Coutinho pegou um grupo de teatro real (o Galpão de BH), escolheu um texto (As Três Irmãs de Chekov), pediu que os atores escolhessem um diretor vindo de fora para trabalhar com eles, lhes deu três arbitrárias semanas para preparar o espetáculo e registrou tudo. Ou seja, não se trata de um documentário sobre os bastidores de uma montagem, nem de um filme sobre uma montagem realizada exclusivamente para ser registrada, já que As Três Irmãs do Galpão permanecem um esboço sem intenção de ser finalizado, uma montagem que só existe encontro o cineasta se ocupa de filma-la. Trata-se de um filme menos teórico que Jogo de Cena que flui de forma mais natural. Sobretudo é um filme que reforça a força e prazer com que o cinema de Coutinho registra alguém conscientemente agindo diante de sua câmera.
Arquivado em Filmes
Marcado como Eduardo Coutinho