Heinz Emigholz

HE_imagem_poster “Memorando ao É Tudo Verdade: façam uma retrospectiva do Emigholz que pela primeira vez eu até me esforçaria em cobrir o evento de vocês.”  — Escrevi isso no fim de 2008 aqui mesmo no blog e fico contente que quase 7 anos finalmente uma retrospectiva de Emigholz finalmente aporte nos cinemas paulistanos. Graças a parceria do Goethe Institute com CCSP e os esforços do Aaron Cutler, Mariana Shellard e Mila Zacharias que estão tentando organizando o evento já tem algum tempo.

Emigholz é dos documentaristas mais interessantes em atividade e a sua série “Photography and beyond” no qual investiga obras arquitetônicas desde 1984 merece ser bem mais conhecido. É a primeira vez que os filmes dele passam por aqui.

A mostra vai de 30 de Julho a 13 de Agosto no CCSP com uma perna menor no Instituto Moreira Salles no Rio de 8 a 16 de Agosto. O próprio Emigholz vai estar presente e participar de uma conversa com Aaron e um debate comigo e Renato Cymbalista.

Um trecho de Schindler’s Houses:

Segue abaixo o press release e a programação de SP: Continuar lendo

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Orson Welles – alguns materiais de apoio

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Alguns materiais de apoio do meu curso do Welles:

Livros interessantes

Citizen Kane, a Case Book, James Naremore (ed.)

Uma coleção de artigos sobre Cidadão Kane editado pelos James Naremore. Contém dois artigos que me parecem essenciais “The Scripts of Citizen Kane” do Robert L. Carringer que oferece até onde sei o mais detalhado estudo dos vários tratamentos de roteiro de Kane. e “The Politics of Magic: Orson Welles’s Allegories of Anti-Fascism” do Michael Denning que tem um olhar detalhado sobre o trabalho de Welles na década de 30 e suas conexões políticas. Inclui também o trecho sobre Kane do Este é Orson Welles.

It’s All True: Orson Welles Pan American Odyssey, Catherine L. Benamou

O livro da Benamou é o melhor e mais completo estudo sobre a passagem de Welles pelo Brasil.

Making Movies with Orson Welles – Gary Graver

Graver fotografou todos o filmes de Welles depois do seu retorno aos EUA em 1970. Este livro é documento valioso do processo do cineasta na última fase da sua carreira. Graver também dirigiu um documentário Working with Orson Welles sobre o mesmo tema.

Mercury Shakespeare: Julius Ceasar, Roger Hill e William Shakespeare

Parte de uma série de livros que Welles e seu ex-professor e Roger Hill publicaram nos anos 30 no seu esforço de popularizarem Shakespeare. Incui um artigo muito interessante de Welles sobre dirigir Shakespeare.

Discovering Orson Welles, Jonathan Rosenbaum

Uma coletânea de artigos dobre Welles de Rosenbaum, um dos críticos americanos que mais profundamente estudaram a obra de Welles. Cobre muito bem os filmes menos conhecidos dele e traz muita informação.

Rosenbaum esteve no Brasil este mês e deu uma palestra sobre Welles:

Quando o Festival do Rio exibiu uma retrospectiva de Welles em 2005 a Contracampo publicou uma série de traduções de artigos bastante informativos.

Cidadão Kane, por Erich Von Stroheim

Critica de Von Stroheim ao filme de Welles na época do lançamento

Os Sete Arkadins, Jonathan Rosenbaum

Cobre detalhadamente as várias versões de Mr Arkadin

Memorando sobre a montagem de ‘A Marca da Maldade’

O memorando de Welles sugerindo mudanças na montagem de A Marca a Maldade que foi depois utilizado na restauração do filme no fim dos anos 90.

Do Começo, Peter Tonguette

Artigo muito detalhado sobre The Dreamers, um dos últimos projetos de Welles

Alguns outros links úteis:

Este site inclui uma seleção completa aos programas de rádio da série Mercury Theatre in the Air

Este blog contém uma discussão detalhada da campanha de Welles para ajudara identificar o policial que agrediu o negro Isaac Woodward. O blog contém links para vários programas da série Commentary que Welles dedicou ao tema. https://www.youtube.com/watch?v=P11sW1sXNbs

Uma transcrição integral de Filming Othello

Boa crítica de Gore Vidal ao roteiro de The Big Brass Ring

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Orson Welles

FLYER_ORSONWELLS

A partir de semana que vem darei um curso sobre a obra do Orson Welles no Sesc Ipiranga. Serão 7 aulas as quartas e sextas entre os dia 8 e 29 de Abril, das 19h as 21h30. O foco é no trabalho dele como diretor de cinema, mas passarei também pelo rádio, teatro, TV, ativismo político, etc. Falarei de Kane, Ambersons, A Marca da Maldade, etc., mas também de A História Imortal, Filming Othello e mesmo trabalhos incompletos como The Dreamers e Fliming the Trial.  As inscrições abrem amanhã (31 de março) na central de atendimento e tem um um número limitado de 15 vagas. A inteira é 20 reais. Mais informações no site do Sesc.

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João Bénard da Costa – Outros amarão as Coisas que eu amei (Manuel Mozos, 2014)

JoaoBenard

Não sei se  já deram um título tão bonito para um filme sobre alguém que dedicou a vida a programar/escrever/dar aulas sobre filmes do que Outros amarão as Coisas que eu amei, que Manuel Mozos escolheu para seu filme sobre João Bénard da Costa. Sei que poucas vezes se homenageou alguém de forma tão bela como aqui, justamente porque Mozos tenta agregar tudo o que pode sobre João Bénard, de uma abertura e generosidades incríveis.  É um filme de amor como título promete e justo que se refira “as coisas que amei” já que Mozos não se limita a paixão de João Bénard da Costa pelo cinema. Há um momento porém que me tocou em particular quando o filme para por um instante e assistimos uma sequencia de Gigi, do Minnelli, com o reencontro dos ex-amantes Maurice Chevalier e Hermione Gingold, numa cópia rosada dessas que encontrávamos com frequência e frustração nos tempos que as nossas salas de repertório ainda exibiam filmes em 35mm regularmente, imagino que trata-se da cópia da Cinemateca Portuguesa. Sei que ali naquela imagem desgastada há ao mesmo tempo uma finitude e uma permanência que dentro do contexto do filme me tocaram muito. Quando a sequencia se encerra Chevalier e Gingold olham para trás e Mozos corta para a agua do mar chegando a praia.

Vendo o filme me lembrei também de algo que o Miguel Marias escreveu aqui nos comentários do blog quando fiz um post sobre a morte de Bénard:

Yo creo que fue envidiado en todos los lugares donde tuvieron noticia de él y no tenían alguien como J.B. da C. Muchos nos acordaremos cuando veamos una película de las que podrían gustarle. Pero yo sostengo que los directores de cinematecas, cuando mueren, consiguen ver las películas perdidas, mutiladas o que no llegaron a hacerse. Estará viendo algunos Sternberg, unos cuantos Murnau, el primer montaje de los “Ambersons”

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The Old, Weird America, ou Todd Haynes na nossa república invisível do imaginário

imnotthere2Me peguei relembrando este filme do Todd Haynes e a reboque me veio que este texto está faz tempo fora da web. Foi publicado originalmente em Maio de 2008 no site da Paisà. Em retrospecto passo um tanto de tempo de mais falando da recepção crítica do filme, mas acho que tem algumas coisas no texto que acrescentam algo sobre o filme.

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Um Passeio pela obra de Johnnie To – Parte I: Introdução

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Um projeto novo aqui para blog: um passeio cronológico pela filmografia de Johnnie To. Algo que torna To uma figura fascinante para um exercício do tipo é que ao contrário da maioria dos autores contemporâneos, ele trabalhou aos poucos dentro da indústria até construir uma obra, incluindo muitos trabalhos relativamente anônimos no começo da carreira. É uma trajetória bem mais comum a cineasta pré-1960. Vou dividir a série em 10 posts:

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Nova Holywood no CCBB

Corrida Sem Fim (1971), de Monte Hellman

Corrida Sem Fim (1971), de Monte Hellman

Começou hoje no CCBB-SP (semana passada no de Brasília e a partir da próxima quarta no Rio) a mostra Easy Riders: o cinema da Nova Hollywood. A despeito de o nome trazer a mente aquele livro horroroso do Peter Biskind, a mostra tem uma bela seleção indo dos títulos mais manjados (o próprio Easy Rider, Bonnie e Clyde, MASH, A Última Sessão de Cinema, etc.) e incluindo vários grandes filmes em 35mm que passam muito pouco como O Portal do Paraíso, Two-Lane Blacktop, Five Easy Pieces, Targets, The Effects of Gamma Rays on Man in the Moon Marigolds, Os Maridos, Tragica Obsessão, Warriors e A Ultima Missão. Alem disso exibem em Blu Ray (O CCBB ainda não suporta DCP infelizmente) alguns belos filmes de gênero da época igualmente raros como Nasce um Monstro, Sorcerer, Halloween e Rolling Thunder. Certamente um dos eventos mais legais do ano. Só tem um filme selecionado que eu não recomendo (Rede de Intrigas), o resto mais do que justifica as longas filas que devem rolar no CCBB.

Além disso tem um ótimo catalogo com textos do Luiz Carlos Oliveira Junior, Calac Nogueira, Bruno Andrade, Guilherme Martins, Sergio Alpendre, etc. Contribui com uma tentativa de traçar uma historiografia do cinema americano partindo deThe Shooting/Ride in The Whirlwind de Hellman e Caçada Humana do Arthur Penn e indo até o começo da década de 70. Acho um pouco corrido demais dado as limitações de tamanho, mas creio que serve de introdução ao tema.

Aos leitores de Brasília devo estar por ai para participar do debate da Mostra no dia 29 a noite.

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Meus Favoritos de 2014

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Nightwalk, de Scott Barley

Como sempre o critério da lista são filmes vistos pela primeira vez por mim este ano realizado nos últimos três anos.
Primeiro um destaque especial para três curtas essenciais: Gradiva (Leos Carax), Nightwalk (Scott Barley) e A Propos de Venice (Jean-Marie Straub)
Menções honrosas: (100-76): 22 Jump Street (Phil Lord, Chris Miller), Aberdeen (Pang Ho-Cheung), All the Light in the Sky (Joe Swanberg), Annie (Will Gluck), Bad Grandpa (Jeff Tremaine), Branco Sai, Preto Fica (Adirley Queirós), Canções do Norte (Soon-Mi Yoo), Com os Punhos Cerrados (Pedro Diogénes, Luiz & Ricardo Pretti), O Congresso Futurista (Ari Folman), Dom Hemingway (Richard Shepard), A Família de Elizabeth Teixeira (Eduardo Coutinho). Go For Sisters (John Sayles), I Used to Be Darker (Matthew Potterfield), L for Leisure (Lev Kalman, Whitney Horn), O Lobo de Wall Street (Martin Scorsese), O Menino e o Mundo (Alê Abreu),Nebraska (Alexander Payne), Need For Speed (Scott Waugh), Non-Fiction Diary (Jung Yoon-suk), Obvious Child (Gillian Robespierre), Permanência (Leonardo Lacca), R100 (Hitoshi Matsumoto), Les Rencontres D’Apres Minuit (Yann Gonzalez), Vidas ao Vento (Hayao Miyazaki), The White Storm (Benny Chan). Continuar lendo

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Os filmes que seguem inéditos aqui

Kommunisten, de Jean-Marie Straub

Kommunisten, de Jean-Marie Straub

Assim como fiz ano passado, alguns títulos que seguem sem exibição por aqui após o período de festivais. Entre o Olhar de Cinema, Fronteira e o Indie o cenário melhorou bastante por aqui com muitos títulos relevantes como o Hard to be a Good do German ou o Seventh Code do Kurosawa encontrando seu espaço apesar da nossa mídia e cinefilia ainda ser muito presa a dicotomia Festival do Rio/Mostra SP (vale acrescentar ai neste cenário alguns outros eventos como Panorama em Salvador e a Janela do Recife).

Aberdeen (Pang Ho-Cheung)
Actress (Robert Greene)
The Airstrip (Heinz Emigholz)
All the Light in the Sky (Joe Swanberg)
Amour Fou (Jessica Hausner)
Belluscone, una Storia Siciliana (Franco Maresco)
La Chambre Bleue (Mattieu Amalric)
Cymbeline (Michael Almereyda)
Da Sweet Blood of Jesus (Spike Lee)
Daughters (Maria Speth)
Don’t Go Breaking My Heart 2 (Johnnie To)
Faux Accords (Paul Vechialli)
Favula (Raul Perrone)
The Golden Era (Ann Hui)
Le Grand Homme (Sarah Leonor)
Hill of Freedom (Hong Song-soo)
Hold Your Breath Like a Lover (Kohei Igarashi)
Kommunisten (Jean-Marie Straub)
The Look of Silence (Josua Oppenheimer)
A Mãe e o Mar (Gonçalo Tocha)
The Men Who Save the World (Liew Seng Tat)
Mange Tes Morts (Jean-Charles Hue)
The Midnight After (Fruit Chan)
Natural History (James Benning)
O Novo Testamento de Jesus Cristo Segundo João (Joaquim Pinto e Nuno Leonel)
Pas Son Genre (Lucas Belvaux)
Pasolini (Abel Ferrara)
Phantom Power (Pierre Leon)
Phoenix (Christian Petzold)
Revivre (Im Kwon Taek)
She’s Funny That Way (Peter Bogdanovich)
Sosialismi (Peter Von Bagh)
Superegos (Benjamin Heisenberg)
The Tale of Princess Kaguya (Isao Takahata)
La Vie Sauvage (Cedric Kahn)

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Mostra 2014

Los Angeles por Ela Mesma, de Thom Andersen

Los Angeles por Ela Mesma, de Thom Andersen

Como sempre faço uma lista de indicações para Mostra. Está divida em 3 blocos, os dois primeiros tem 10 filmes cada e são recomendações mais fortes. Asterisco indica que eu já vi o filme.

A MOÇA E OS MÉDICOS (TIREZ LA LANGUE, MADEMOISELLE), de Axelle Ropert (100′). FRANÇA.
A PROFESSORA DO JARDIM DE INFÂNCIA (HAGANENET), de Nadav Lapid (119′). ISRAEL, FRANÇA.
*DETETIVE D: O DRAGÃO DO MAR (DI RENJIE: SHEN DU LONG WANG), de Hark Tsui (130′). CHINA.
*DO QUE VEM ANTES (MULA SA KUNG ANO ANG NOON), de Lav Diaz (338′). FILIPINAS.
JAUJA (JAUJA), de Lisandro Alonso (108′). ARGENTINA, DINAMARCA, FRANÇA, MÉXICO, EUA, ALEMANHA E BRASIL.
NOITES BRANCAS NO PÍER (NUITS BLANCHES SUR LA JETÉE), de Paul Vecchiali (94′). FRANÇA.
O VELHO DO RESTELO, de Manoel de Oliveira(19′). (o Alentejo, Alentejo que passa com ele estaria na terceira lista)
OS CONVIDADOS (THE GUESTS), de Ken Jacobs (79′). ESTADOS UNIDOS.
QUEEN & COUNTRY (QUEEN & COUNTRY), de John Boorman (115′). REINO UNIDO.
UM POMBO POUSOU NUM GALHO REFLETINDO SOBRE A EXISTÊNCIA (EN DUVA SATT PÅ EN GREN OCH FUNDERADE PÅ TILLVARON), de Roy Andersson (100′). SUÉCIA, ALEMANHA, NORUEGA, FRANÇA.

A VIDA INVISÍVEL (A VIDA INVISÍVEL), de Vítor Gonçalves (99′). PORTUGAL.
ACIMA DAS NUVENS (CLOUDS OF SILS MARIA), de Olivier Assayas (123′). FRANÇA, SUIÇA, ALEMANHA.
CARTA A UM PAI (CARTA A UN PADRE), de Edgardo Cozarinsky (70′). ARGENTINA, FRANÇA.
*COM OS PUNHOS CERRADOS (COM OS PUNHOS CERRADOS), de Luiz Pretti, Pedro Diogenes, Ricardo Pretti (74′). BRASIL.
*COSTA DA MORTE (COSTA DA MORTE), de Lois Patiño (84′). ESPANHA.
DOIS DIAS, UMA NOITE (DEUX JOURS, UNE NUIT), de Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne (95′). BÉLGICA, FRANÇA, ITÁLIA.
DUAS IRMÃS, UMA PAIXÃO (DIE GELIEBTEN SCHWESTERN), de Dominik Graf (138′). ALEMANHA, AUSTRIA, SUIÇA.
ELA VOLTA NA QUINTA (ELA VOLTA NA QUINTA), de André Novais Oliveira (108′). BRASIL.
MINHA AMIGA VICTORIA (MY FRIEND VICTORIA), de Jean Paul Civeyrac (95′). FRANÇA.
PÁSSARO BRANCO NA NEVASCA (WHITE BIRD IN A BLIZZARD), de Gregg Araki (91′). FRANÇA, ESTADOS UNIDOS.

A CIDADE IMAGINARIA (A CIDADE IMAGINARIA), de Ugo Giorgetti (52′). BRASIL.
A COR QUE CAIU DO CÉU (EL COLOR QUE CAYO DEL CIELO), de Sergio Wolf (75′). ARGENTINA.
A HISTÓRIA DA ETERNIDADE (A HISTÓRIA DA ETERNIDADE), de CAMILO CAVALCANTE (120′). BRASIL.
A PEQUENA CASA (CHIISAI OUCHI), de Yoji Yamada (136′). JAPÃO.
A SELVA INTERIOR (LA JUNGLA INTERIOR), de Juan Barrero (80′). ESPANHA.
A VIDA PRIVADA DOS HIPOPÓTAMOS (A VIDA PRIVADA DOS HIPOPÓTAMOS), de Maíra Bühler, Matias Mariani (91′). BRASIL.
AMOR À PRIMEIRA BRIGA (LES COMBATTANTS), de Thomas Cailley (98′). FRANÇA.
ARRAIANOS (ARRAIANOS), de Eloy Enciso Cachafeiro (70′). ESPANHA.
AS BRUXAS DE ZUGARRAMURDI (LAS BRUJAS DE ZUGARRAMURDI), de Álex de la Iglesia (114′). ESPANHA,FRANÇA.
AS MARAVILHAS (LE MERAVIGLIE), de Alice Rohrwacher (111′). ITÁLIA,SUÍÇA,ALEMANHA.
AS NOITES BRANCAS DO CARTEIRO (BELYE NOCHI POCHTALONA ALEKSEYA TRYAPITSYNA), de Andrei Konchalovskiy (110′). RUSSIA.
AU FIL D’ARIANE (AU FIL D’ARIANE), de Robert Guédiguian (92′). FRANÇA.
AUSÊNCIA (AUSÊNCIA), de Chico Teixeira (87′). BRASIL.
BAAL (BAAL), de Volker Schlöndorff (88′). ALEMANHA.
*BRANCO SAI PRETO FICA (BRANCO SAI PRETO FICA), de ADIRLEY QUEIRÓS (93′). BRASIL.
*CAMPO DE JOGO (CAMPO DE JOGO), de Eryk Rocha (71′). BRASIL.
CASA GRANDE (CASA GRANDE), de Fellipe Barbosa (114′). BRASIL.
CASTANHA (CASTANHA), de Davi Pretto (95′). BRASIL.
DÓLARES DE AREIA (DOLARES DE ARENA), de Laura Amelia Guzmán, Israel Cárdenas (85′). REP. DOMINICANA, MÉXICO, ARGENTINA.
EL MUDO (EL MUDO), de Daniel Vega, Diego Vega (86′). PERU, FRANÇA, MEXICO.
ESTRELA CADENTE (STELLA CADENTE), de Lluís Miñarro (105′). ESPANHA.
FORÇA MAIOR (TURIST), de Ruben Ostlund (118′). SUÉCIA , DINAMARCA, NORUEGA.
MAPA (MAPA), de Leon Siminiani (85′). ESPANHA.
NON FICTION DIARY (NON FICTION DIARY), de JUNG Yoon-suk (93′). CORÉIA DO SUL.
O FIM DE UMA ERA (O FIM DE UMA ERA), de Bruno Safadi, Ricardo Pretti (70′). BRASIL.
O HOMEM QUE ELAS AMAVAM DEMAIS (L´HOMME QU´ON AIMAIT TROP), de André Téchiné (116′). FRANÇA.
O PEQUENO QUINQUIN (P’TIT QUINQUIN), de Bruno Dumont (200′). FRANÇA.
OBRA (OBRA), de Gregorio Graziosi (80′). BRASIL.
OPIUM (OPIUM), de Arielle Dombasle (77′). FRANÇA.
OS MAIAS – CENAS DA VIDA ROMÂNTICA (OS MAIAS – CENAS DA VIDA ROMÂNTICA), de João Botelho (133′). BRASIL,PORTUGAL.
PARIS DO NORTE (PARÍS NORÐURSINS), de Hafsteinn Gunnar Sigurðsson (95′). ISLÂNDIA.
PERÍODO DE GESTAÇÃO (UNCERTAIN TERMS), de Nathan Silver (74′). ESTADOS UNIDOS.
PERMANÊNCIA (PERMANÊNCIA), de Leonardo Lacca (90′). BRASIL.
PORQUE EU ERA PINTOR (PARCE QUE J’ÉTAIS PEINTRE), de Christophe Cognet (104′). FRANÇA, ALEMANHA.
PROMETO UM DIA DEIXAR ESSA CIDADE (PROMETO UM DIA DEIXAR ESSA CIDADE), de Daniel Aragão (90′). BRASIL.
RETORNO A ÍTACA (RETOUR À ITHAQUE), de Laurent Cantet (95′). FRANÇA.
RHINO SEASON (FASLE KARGADAN), de Bahman Ghobadi (88′). IRÃ, IRAQUE, TURQUIA.
RUA SECRETA (SHUIYIN JIE), de Vivian Qu (94′). CHINA.
SINFONIA DA NECRÓPOLE (SINFONIA DA NECRÓPOLE), de Juliana Rojas (85′). BRASIL.
TRISTEZA E ALEGRIA (SORG OG GLÆDE), de Nils Malmros (107′). DINAMARCA.
*VENTOS DE AGOSTO (VENTOS DE AGOSTO), de Gabriel Mascaro (77′). BRASIL.
WINTER SLEEP (KIS UYKUSU), de Nuri Bilge Ceylan (196′). TURQUIA, ALEMANHA, FRANÇA.

Além disse como sempre vale destacar as retrospectivas e cópias de filmes restaurados que como sempre são um ponto forte da Mostra. A homenagem ao Victor Erice apesar de infelizmente não contar com seus curtas é obrigatória para quem não conhece. Nunca vi nada do Noboru Nakamura, mas o Sérgio Alpendre que conhece cinema japonês melhor do que eu recomendo-o bastante especalmente Lar Doce Lar e Paixão Mórbida. Dentro da retrospectiva do Marin Karmitz, destaco em especial Melo (Resnais), Salto no Vazio (Bellocchio) e Conto de Cinema (meu Hong Sang-soo favorito).

Meus grandes destaques porém ficam por conta das exibições de Los Angeles por Ela Mesma do Thom Andersen e Anna do Alberto Grifi e Massimo Sarchielli, ambos são filmes bem longos, mas essenciais e são oportunidade raras de ver no cinema.

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Bem Vindo a Nova York (Abel Ferrara, 2014)

Welcome to New York

Revisto, desta vez no cinema, o que ajuda a reforçar idéias e também jogar luz em algumas novas. O filme de Ferrara tem duas aberturas: uma entrevista encenada com Depardieu no qual ele responde sobre o porque aceitou o papel e uma cartela que esclarece que o filme foi inspirado no caso da prisão de Dominique Strauss-Kahn, mas é uma peça de ficção. Estão ali as duas personagens cujo imaginário domina a ação: Depardieu (e toda a carga que traz consigo hoje, tanto de seu passado como ator, mas também a da figura em desgraça pública hoje) e de DSK. O filme todo é carregado de informações, locações, pontas de figuras verídicas associadas ao caso. Muita informação, muito trabalho de pesquisa e toda uma pretensa autenticidade, só amplificada pelo corpo de Depardieu (exposto sempre) que entrega uma segunda verdade e associações tanto sobre a figura Depardieu como a DSK. O filme, porém, trabalha na direção de dissolver toda esta autenticidade em luz, formas, sombras. Se num filme como A Hora Mais Escura, a informação parece bastar como um valor em si, em Bem Vindo a Nova York ela é só um primeiro passo, a pretensa autenticidade é um ponto de partida que precisa ser superado para chegar numa ideia plena de representação. O filme tem três atos: um primeiro de ficção softcore, um segundo de processo policial-jurídico e por fim um terceiro de drama de câmara com Depardieu e Jacqueline Bisset a trocar acusações e rancores no apartamento que serve de sua prisão domiciliar. Nos dois primeiros, opera-se o tempo todo a partir da ideia de ir além da força documental (e diz muito sobre o gênio de Ferrara de que ele trate pornografia e o policial realista como oriundos de um mesmo processo) até chegarmos ao terceiro no qual a dramaturgia precisa se sustentar por si mesma, no qual não há saída a não ser confrontar aquela figura de frente. Busca-se a partir destes traços de Depardieu (e como já foi apontado é um filme sobre o ator, mas não propriamente sobre sua performance) e Strauss-Kahn, chegar a um mito cinematográfico que traz consigo bem mais do que o relatório de uma pesquisa bem feita sobre eles poderia apontar. Que o sr. Deveraux se revele mais um dos muitos vampiros sem empatia que povoam os filmes de Ferrara (um tipo que é bom dizer era mais comum quando trabalhava com o roteirista Nicholas St. John) não deixa de ser uma consequência inevitável no projeto estético do filme, a falta de empatia sempre foi o pecado maior nos filmes de Ferrara e como consequência o grande milagre do cinema sempre esteve em localizar em luz, cor, forma, uma maneira de se retornar ao mundo.

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Seventh Code (Kiyoshi Kurosawa, 2013)

seventh code

Um dos mais simples, aparentemente pouco ambiciosos e melhores filmes de Kiyoshi Kurosawa. Tem somente uma hora, mas cobre tanto espaço e sugere tantas possibilidades que parece bem maior. A experiência de cineasta de horror de Kurosawa é visível na facilidade com que o filme usa sua aparente normalidade como algo que esta sempre prestes a se desfazer. O relativo naturalismo assombrado com a possibilidade de ser tirado dos eixos. Um thriller de conspiração a partir de uma comédia romântica asiática. É um filme sobre os prazeres do contar uma história, previsto sempre na antecipação, nossos desejos e expectativas. O uso de uma não atriz (a cantora de J Pop Atsuko Maeda) e a ênfase constante na ideia de personas e atuação (o filme literalmente quebra a quarta parede no seu final) e clima conspiratório sugerem Jacques Rivette, particularmente o de meados dos anos 70, revisto sem o mesmo peso. “Não confie em qualquer um”, a protagonista ouve em duas ocasiões, e o filme é todo construído sobre a ideia da confiança entre espectador e o filme, até que ponto ela pode ser estendida e as possibilidades da imaginação em preencher este espaço.

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Fritz Lang

Almas Perversas (1945)

Almas Perversas (1945)

 

Evento imperdível para o cinéfilo paulistano: retrospectiva completa do Fritz Lang no CCBB. Vai depois para Rio e Brasília. Ao contrario da maioria dos eventos similares o CCBB separou uma bela grade (6 semanas) e todos os filmes serão exibidos em película.

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Olhar de Cinema

Dialogo d as sombras, de Jean-Marie Straub e Danièle Huillet

Dialogo d as sombras, de Jean-Marie Straub e Danièle Huillet

Estive semana passada em Curitiba acompanhando o Olhar de Cinema, o festival internacional local. É um evento sem a grandiosidade da Mostra SP e do Festival do Rio e que me pareceu ter mais apostas certeiras que as do Indie (para pegar um evento similar). Nós da Cinética estávamos lá em quatro (Eu, Fábio, Victor e Raul) e deu para escrever sobre quase tudo; dos 35 longas-metragens exibidos, nossa cobertura tem texto de 30 (além de um artigo sobre a sessão dos dois curtas do Straub). Destaques certamente para chance de rever o E Agora? Lembra-me, do Joaquim Pinto, sob o qual já escrevi na Mostra e as oportunidades de conferir Dialogo nas Sombras, meu filme favorito de Straub desde Le Genou D’Artemide que não por coincidência também lidava de alguma forma com a morte de Danielle Huillet (que aqui recebe co-autoria), e o filme póstumo de Aleksey German Hard to Be a God, uma dessas experiências únicas difíceis de por no papel. Um festival com estes três filmes é um evento especial.

Um indice dos meus textos produzidos ao longo do festival:

Bloody Beans, de Narimane Mari
Forma, de Ayumi Sakamoto
From Gulf to Gulf to Gulf, de Shaina Anand e Ashok Sukumaran
El Futuro, de Luis López Carrasco
The Kidnapping of Michel Houllebecq, de Guillaume Nicloux
The Second Game, de Corneliu Porumboiu
The Songs of Rice, de Uruphong Raksasad

Vale destacar ainda o ótimo curta de agradecimento que Joaquim Pinto enviou após muito merecidamente vencer a competição:

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Peter Ibbetson (Henry Hathaway, 1935)

PeterIbbetson

Durante boa parte dos ultimo 50 anos coube a Henry Hathaway o papel injusto da figura que invariavelmente é desenterrada sempre que alguém precisa de um cineasta para contrapor a um Hawks ou Walsh, uma saída fácil para contra argumentar os supostos excessos da politica dos autores. Hathaway evidentemente não é Hawks ou Walsh (ou sequer Richard Fleischer), mas isto não é propriamente um crime. Seu melhor filme provavelmente é Peter Ibbetson, uma fantasia romântica que ocasionalmente aparece nos livros de história do cinema por ser um favorito dos surrealistas parisienses por conta dos mesmos excessos românticos que tornam o filme um tanto difícil para as plateias de hoje. O curioso é que parte da força de Peter Ibbetson deriva justamente de como o filme se relaciona com o próprio romantismo. Trata-se de um conto metafisico sobre amor louco que acompanha o personagem titulo e seu amor de juventude da infância até a velhice, uma relação condenada a só se consumar nos sonhos do casal. Andrew Sarris desconsidera o filme em The American Cinema como um filme romântico dirigido por um diretor não-romântico, mas longe de ser um defeito, pode-se argumentar que a grande qualidade do filme é justamente como ele encara todos os grandes gestos românticos e mergulhos no artificio com o mesmo tom direto e sem rodeios. Peter Ibbetson não trata seu romantismo com uma distancia ou ironia – é um filme bastante sincero – mas ao mesmo tempo não conta com os mesmos arrombos de um filme como Man’s Castle. Ao tratar todo seu conto romântico com grande seriedade, Peter Ibbetson faz juz a intensidade se nem sempre a paixão inerente a ele. No final das contas pode-se dizer que o pragmatismo hawsiano de Hathaway é fiel ao gesto, se não ao sentimento romântico contido ali. Se nas mãos de um diretor com inclinação mais romântica como Max Ophuls, um material como Peter Ibbetson seria visto pelo ponto de vista do sacrifício dos amantes, o tom direto de Hathaway coloca em primeiro o plano o conto de danação contido ali. O momento mais marcante do filme é justamente o último plano com Gary Cooper desaparecendo em meio as sombras quando descobre que já não lhe resta motivos para existir, uma imagem que ao mesmo tempo e com a mesma força consegue sugerir um último gesto romântico, o do homem que vai encontrar a amada em outra vida, e o suspiro final de uma vida desperdiçada. Movimento que encapsula perfeitamente este filme tão particular.

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