The Loveless (Kathryn Bigelow/Robert Montgomery,82)

Para movimentar o blog e colocar disciplina na minha preparação para o artigo sobre a Kathryn Bigelow que estou preparando vou escrever um post diário sobre um filme dela até o final de semana que vem.

Este primeiro longa (co-dirigido com Robert Montgomery) poderia até ser descrito como um encontro entre The Wild One e Peyton Place se tal descrição não traísse de que se trata quase exclusivamente de um exercício intelectual. Uma série de elementos iconográficos dos anos 50 são reenquadrados de forma quase abstrata num quadro formalista. Bigelow e Montgomory são muito hábeis no uso de closes fetichistas que transformam até atores em objetos. Pode-se ver aqui a gênese do gosto da cineasta por uma superfície quase abstrata. Só que a câmera de The Loveless está bem mais a vontade filmando motos e maquinas de coca-cola do que atores. O filme agoniza em meio a sua inércia dramática cada vez que se volta para sua trama e seus motoqueiros-zumbi precisam existir como personagens (seria curioso entrevistar Willem Dafoe, que faz o protagonista, para saber se os diretores ao menos davam alguma instrução para alem de pose como se fizesse parte de alguma ilustração do período). Seria bem melhor como um curta de vinte minutos, mas como corretivo para os filmes nostálgicos do período só perde para Christine do Carpenter.

Deixe um comentário

Arquivado em Filmes

Adrian Martin sobre A Erva do Rato

The signifier was at play, too, not only in Manoel de Oliveira’s perfectly, typically droll ‘illustration’ of a deceptive moral tale in Eccentricities of a Blond Haired Girl (pity there’s still not a proper print available to screen), but jarringly so in Julio Bressane’s Herb of the Rat, a crazy conceptual-horror-allegory piece – a little Ruiz and Buñuel (and also Oliveira), also a little The Entity and The Exorcist – that alienated almost every viewer who came near it. It’s a recalcitrant movie (seemingly about a control-freak guy who turns his imprisoned girlfriend into a rat), uneager to please: the long durations are unbearable, the ironic repartee is inelegant, everything is stretched out (repetitions included) like a torture rack. In the Las Palmas context, it hit like a malign exaggeration of the ponderous but intriguing Russian big-film Yuri’s Day, which started out like an ordinary (read: awful) art movie (mother and son on a trip into the icy heartland) and then eventually spun into a species of enigmatic grotesquerie more comfortably Polanski-like than madly Ken Russell-like … I hated Herb of the Rat, too, while watching it – how do films like this actually get funded, I found myself wondering? – but now I remember it fondly. Something else you’ll only ever see at a Film Festival far from you.

Cito o comentário do Adrian menos pelo que ele diz sobre o filme (que estréia aqui amanhã) e mais pela forma como contexto mudam tudo. Lembro-me de eu e o Superoito rirmos durante a Mostra do ano passado da piada de que Bressane não levara A Erva do Rato para Brasília porque finalmente fizera um filme mais popular. Mas a julgar pelo comentário do Adrian a reação lá fora é a mesma que o público do Festival de Brasília guarda para todos os filmes do cineasta. Claro que sempre imaginei que momentos como “ah, o saudoso Guará” funcionam bem melhor na sessão oficial do Festival do Rio do que numa sessão normal no Arteplex, mas não deixa de ser curioso como contexto pode mudar a recepção tanto. Ainda mais para mim neste caso já que vi A Erva do Rato antes de Cleópatra, me pareceu no dia o primeiro filme genuinamente interessante em muito tempo, a primeira vez que a perversidade do Bressane parecia resultar num filme não só numa coleção de tiques, em retrospecto depois de finalmente ver Cleópatra parece sim um filme menor. Isto dito, certamente é o melhor filme brasileiro em cartaz (até por ser um filme).

4 Comentários

Arquivado em Crítica, Filmes, Observações

Intrigas de Estado

Crítica na Cinética.

Deixe um comentário

Arquivado em Filmes

Budapeste (Walter Carvalho,09)

Budapeste tem um destes créditos protocolares de patrocínio mais longo do cinema brasileiro recente. Nada mais honesto: poucas vezes nos vemos diante de um filme tão disposto a reforçar o seu caráter oficial. Até elementos como a ponta do Paulo José parecem estar lá batendo ponto numa série de elementos que o filme precisa cumprir para justificar sua posição. O filme em si fica ali perdido soterrado por um peso impressionante até para os padrões do Walter Carvalho. Não faltam candidatos no nosso cinema recente, mas talvez estejamos diante do definitivo filme feito para o coquetel de pré-estreia. Não deixa de ser um feito e tanto.

1 comentário

Arquivado em Filmes

Enquanto o circuito não colabora

Descobri ontem que o filme da Kathryn Bigelow já saiu em DVD por aqui. Pena, contava em assistir-lo numa tela grande. E o nosso circuito segue de mal a pior. De qualquer forma fica a dica.

Por sinal, A Viagem do Balão Vermelho também chega por agora as locadoras. Pelo menos vi o belo filme do Hou duas vezes em cinema.

Alias, os dois filmes são melhores do que qualquer filme não dirigido por Clint Eastwood a chegar aos cinemas nacionais este ano.

9 Comentários

Arquivado em Programação

Estréias

Como os leitores mais antigos do blog sabem pertenço aquele grupo estranho conhecido como fãs do McG. Isto dito, O Exterminador do Futuro: A Salvação não é exatamente um bom filme, apesar de ser melhor do que sua reputação sugere. Suspeito que um corte mais longo compense parte dos problemas (certamente trata-se do filme com maior numero de cenas truncadas do ano), mas não o maior deles que é a falta de foco. Mas a tensão entre o tom pseudo realista pós-Christopher Nolan e gosto de McG por superfícies é interessante e há bom material nas margens do filme.

Já A Mulher Invisível é destes filmes melhor de escrever do que de ver. Creio que a maioria vai só desconsiderá-lo como mais um filme tolo da Globo Filmes e alguns críticos óbvios vão escrever sobre onde foi parar o autor de Redentor, mas o interessante (doentio até) do filme do Claudio Torres é como o maneirismo que lhe é caro se manifesta no material banal. Como comédia é um desastre completo, mas observar os gostos de Torres se manifestando no filme vale mais do que qualquer trabalho do Daniel Filho.

7 Comentários

Arquivado em Filmes

João Benard da Costa

Certamente haverá homenagens melhores, mas não posso deixar de registrar aqui a morte do João Benard da Costa. Grande crítico – dos maiores – e ex-diretor da Cinemateca Portuguesa onde sempre matou de inveja os cinéfilos brasileiros com uma programação impecável.

O excelente blog Os Filmes da Minha Vida tem uma coleção de textos dele. Um dos meus favoritos é este:

Um Filme Falado: Uma Desarmante Complexidade
1 – Quando, em 1957, Chaplin estreou o polémico “A King in New York”, Rossellini terá dito: “É o filme de um homem livre.”
Enquanto via “Um Filme Falado”, o filme de Manoel de Oliveira que hoje se estreia em Portugal, lembrei-me dessa reacção como a mais óbvia. Só um homem livre (coisa muito mais difícil de se ser do que de se falar) podia ter ousado uma obra assim. Obra que não presta contas a ninguém, não pede contas a ninguém e não ajusta contas com ninguém. Obra em que Oliveira põe toda a sua verdade e nada mais que a sua verdade. Na grande idade, alguns artistas conseguiram-no. Um tão grande despojamento que justifica a dúvida sobre se se está perante uma obra de juventude ou perante uma obra de pletórica maturidade. Como aconteceu com Mozart e levou o seu catalogador – Köchel – a datar como obras de verdes anos obras dos anos finais. Mozart morreu novíssimo? Aparentemente. Mas foi ele próprio quem disse que suou sangue para chegar ao que os distraídos classificaram como superficial ou leve. Para se atingir a “leveza” de “Um Filme Falado” talvez não sejam precisos 95 anos, mas é preciso certamente algo que anda lá muito perto, em termos de tempo e em termos de modo. Louvado seja!

2 – Começo pelo título. Aparentemente nada de mais corriqueiro, quase um pleonasmo, pois que, com raríssimas excepções, há quase oitenta anos que todos os filmes o são. Estou com curiosidade de saber como o vão traduzir para inglês ou para americano: “A Talkie”? Literalmente, devia ser assim, embora a “Variety” lhe tenha chamado “A Talking Picture”, o que, sem trair, não é exactamente a mesma coisa. Mas quando nos pegam na mão para nos lembrar o óbvio, é porque o óbvio não é tão óbvio como aparenta sê-lo. Para gente não poliglota, os filmes falados noutras línguas ou não são ouvidos, são lidos (no caso das versões legendadas), ou são ouvidos (no caso das versões dobradas) em fala de gente que fala a nossa fala, ou seja em fala que a gente do filme não falou. Em “Viagem ao Princípio do Mundo”, um dos filmes de Oliveira que mais se aproximam deste, uma velha analfabeta da raia minhota perguntava do sobrinho, nascido em França e que só falava francês: “Por que é que ele não fala a nossa fala?” Essa pergunta está implícita em todos os filmes falados, como está implícita em todas as traduções e tem sido um dos temas predilectos de George Steiner.
Pois bem. Neste filme, há um jantar que reúne um actor americano, de origem polaca, no papel do capitão do navio (John Malkovich), uma actriz francesa, no papel de uma rica mulher de negócios (Catherine Deneuve), uma actriz italiana, no papel de um famoso modelo (Stefania Sandrelli), e uma actriz grega no papel de uma célebre cantora (Irene Papas). É um jantar de circunstância, pois que o circunstancial capitão convida para a sua mesa as três celebridades que levava a bordo. A conversa é circunstancial, “uma espécie de jogo”, como lhe chama o capitão, pois que cada um ou cada uma resume a história da vida, com paragem nas datas mais marcantes: nascimento, casamento ou não casamento, filhos ou não filhos. Nada de indiscreto, nem de confidencial. Conversa de salão ou jogo de sala. Mas o que sai fora das normas (de todas as normas) é que o capitão fala inglês, a empresária francês, a ex-modelo italiano e a cantora grego. E todos se entendem perfeitamente. Graças às legendas, também o espectador os entende, como notava com pertinência o crítico da “Variety”, que se esqueceu, contudo, de sublinhar que essa sequência proíbe a dobragem, que lhe retiraria por completo o sentido.
Mesmo que admitamos, como hipótese, que os quatro dominam as quatro línguas (não parece ser o caso), nenhum fala a fala do outro. Como aliás é notado, a situação é a inversa do mito de Babel. A língua não é barreira mas continuidade sem ruptura. É a falar que eles se entendem, no diálogo mais antiglobalizador que alguma vez ouvi em cinema. Mesmo que um dos temas de conversa seja a globalização e que a grega recorde que os “founding fathers” americanos ponderaram seriamente a hipótese de o grego ser a língua dos Estados Unidos, o que, caso tivesse acontecido, daria hoje ao grego estatuto universal, em vez de um estatuto cada vez mais regional que Irene Papas tanto lamenta.
Numa mesa próxima estão uma professora de História e a sua filha, ambas portuguesas (Leonor Silveira e Filipa de Almeida). Quando, mais tarde, o capitão as convida para se reunirem aos quatro (antes fizera à professora convite mais dúbio), o “milagre” interrompe-se e é na língua “global” (o inglês) que Leonor Silveira dialoga com os habitantes da outra mesa. A nossa fala, ao longo do filme, não é comunicável senão entre portugueses (mãe e filha, ou ambas com Luís Miguel Cintra, a fazer de Luís Miguel Cintra, quando, “por acaso”, se encontram no Cairo e aquele lhes faz de cicerone).
Por que é que Portugal não sai de Babel? É uma boa pergunta que pode ajudar a perceber por que é que o destino das duas portuguesas é o único que é diferente do destino de todos os outros passageiros do navio. Portugal é um caso à parte? Neste filme, é-o. Há contactos, mas não faz parte do jogo. Sempre “off”, é, no fim, o que fica mais “in”, no sentido mais radical da expressão.

3 – Navio. Quase todo o filme se passa nele, viagem de uma mãe e filha pelo Mediterrâneo, matriz da civilização de que vivemos os dias finais. Essa situação levou alguns críticos estrangeiros a comparar este último Oliveira a “E La Nave Va” de Fellini. Só que este navio não vai. À excepção da parte final da viagem, quando o Mediterrâneo não é mais dele, só o vemos imobilizado nos vários portos (Marselha, Nápoles, Atenas, Istambul, Cairo, Aden) ou num belíssimo plano recorrente, em que a proa rasga as águas azuis. Ao princípio (largada do Tejo e de Lisboa) há movimento (“travelling” até Belém) mas não há palavras, com o filme falado a começar como filme mudo. Depois, sempre na mesma amurada, em plano em que quase só muda a indumentária das protagonistas, o navio está acostado. Dele, se vê a entrada de Catherine Deneuve (Marselha), de Stefania Sandrelli (Nápoles) e de Irene Papas (Atenas). Catherine Deveuve é filmada em “plongée”, num curto plano. Stefania Sandrelli tem uma entrada mais aparatosa. Irene Papas, entrada de vedeta. Mas só passado o Mediterrâneo todos se encontram e só passado o Mediterrâneo vemos o interior do navio, até essa altura nunca desvendado. Já não é meio de viagem, mas sim fim de viagem, já não é lugar de cruzeiro, mas marca de cruz. Barca de Caronte, se preferirem. E, se há filme nos antípodas do de Fellini, é um “Um Filme Falado”, certamente o mais clássico e o menos barroco dos filmes de Oliveira. Se se pode dizer que ambos choram o fim de uma civilização, o que é transbordante em Fellini é contido em Oliveira. Nada nos prepara para o desfecho e, no entanto, sem esse desfecho, que é um dos cumes da arte de Oliveira, nada faria sentido. E é um desfecho em “paralítico”.

4 – Como a mãe não se cansa de dizer, essa viagem, planificada para ir ao encontro do marido, que a espera em Bombaim, é um cruzeiro porque decidiu aproveitá-la para mostrar à filha os lugares santificados (ou mitificados) da história do Ocidente. É uma viagem de instrução, como se dizia antigamente. É nessa instrução que tropeçam quase todos os detractores (significativamente portugueses) do filme de Oliveira. A mãe, professora de História, conta a História como Luís Miguel Cintra contava a História de Portugal no “Non”. Mas em Marselha o que sobressai é um “caniche” branco, são os mercados, é uma conversa em francês com um vendedor de peixe e é uma placa no chão, remetendo para a colonização fenícia e para a invenção do alfabeto. Em Nápoles, o Castel dell’Ovo e a profecia de Virgílio que o assinalou como sinal de perenidade. O Vesúvio. Ou Pompeia, com a pergunta sobre “o que é uma vida devassa”, a sobreposição dos guias turísticos e o campo-contra-campo do “décor” “reconstituído” e da ruína. “Cave canem”. Em Atenas, a Acrópole e “como podia ser bonito se tudo estivesse como era”, fala desmentida pelos fulgurantes planos do Pártenon, do Erectéion e, sobretudo, pelo “plongée” inadjectivável sobre o teatro. Depois, Istambul e Santa Sofia. Depois, o Cairo e a Esfinge.
Mas, a partir de Constantinopla, os sinais são mais elípticos ou crípticos. Junto ao chão, em plano de pés, mostram-se-nos as cruzes do cristianismo deposto. Os caminhos começam a ser caminhos opostos, na direcção de Meca ou na direcção de Jerusalém. No Cairo, a esfinge e os escaravelhos iluminam os vivos e os mortos, visitantes dos abismos e do oculto. O azul é a cor do maligno e o que se vê já não coincide com o que não se vê. Insensivelmente, sem mudança de tom nem mudança de estilo (sempre a mesma vaga névoa, sempre o acidental a significar tanto quanto o essencial) estamos a ser levados para o que todos os mitos ensinam, ou para a moral da fábula. Uma desarmante simplicidade? Eu prefiro chamar-lhe uma desarmante complexidade, pois que não me lembro de ser levado tão longe com tamanho deslizamento. Meu Deus, como tudo pode ser tão aparentemente simples (não há um efeito, não há uma “culminância”) sendo tão abissal.

5 – Mas não quero acabar sem dizer que este é um filme – talvez seja o primeiro – que traz a memória do 11 de Setembro e a imagem do mundo que a 11 de Setembro começou.
O plano final é a reverberação (espelhada, depois, no olhar assombroso de Malkovich) dos “plano” que vimos, quando homens e mulheres saltaram das torres. Mas nem mãe nem filha saltam, desobedecendo à ordem do capitão. Já não há tempo. Estão, como estivessem no início, na amurada do navio. Mas o tempo suspendeu-se definitivamente e aquilo que foi viagem para transmitir a memória do passado, já não tem qualquer futuro.
O vento da morte (vento do norte) soprou mais forte, ao contrário do que pediu a belíssima canção de Irene Papas. Ficou-nos a beleza de Outrora? No filme ficou. Do navio, a última imagem é a de Copérnico, o primeiro a dizer-nos que a Terra não é o centro do Universo. E é para outros universos que “Um Filme Falado” nos convoca. Quem, neles, falará a nossa fala? Alguém nos ouve? Alguém nos vê?

8 Comentários

Arquivado em Crítica

Cannes

Enquanto alguns se preocupam com Von Trier e Almodovar, estou mais interessado nestes aqui:

Para quem procura um termometro de reações há sempre o quadro de criticos franceses do Le Film Français e recomendo também o Micropsia blog argentino que recolhe reações da crítica de lingua espanhola (e alguns convidados).

3 Comentários

Arquivado em Filmes

Alguns links

A Film Comment está com edição nova. Destaques para entrevista com Jim Jamursch e artigo sobre o grande The Hurt Locker.

Já devia ter anunciado faz tempo, mas na última edição da Undercurrent inclui um fantástico dossiê John Ford.

A Reverse Shot também colocou no ar um dossiê interessante sobre cinema gay. 

Por fim, O Dia da Fúria é um blog coletivo com colaboradores muito bons. É voltado para cinema de gênero e até aqui se concentrou no filme B italiano.

Deixe um comentário

Arquivado em Links

Star Trek (J.J. Abrams,09)/Anjos e Demônios (Ron Howard,09)

Eu não sei se a palavra filme é a melhor descrição para Star Trek, mas trata-se de um produto perfeitamente engenhado para funcionar como seus financiadores pretendem. É tão eficiente na forma como dribla sua necessidade de atualizar sem atualizar o material que é difícil não ter por ele um mínimo de admiração. E segue a velha formula hawksiana para um filme de sucesso: algumas cenas muito boas e não irritar no resto do tempo. Star Trek parece uma obra prima hawksiana quando posto lado a lado com Anjos e Demônios. Ron Howard segue uma péssima edição para dirigir um thriller, o filme se beneficia minimamente da ação ser contra o relógio (ou seja nunca chega a sofrer do laconismo de o Código da Vinci), mas nunca consegue deixar de ser um filme pesadão e desajeitado. A completa falta de sutileza com que Howard comanda tudo arruína qualquer chance do material já questionável funcionar. Existe uma das melhores cenas de humor involuntário recente graças a incapacidade do Howard como encenador na seqüência que prepara a reviravolta final que é telegrafada de forma grotesca.

4 Comentários

Arquivado em Filmes

Import Export (Ulrich Seidl,07)

Basta alguns instantes para que Import Export no seu tom grosseiro inconfundível deixar claro que estamos diante de um filme que trata das relações de poder na ordem atual da comunidade européia. Seidl chega ao tema lançando mão de um catálogo de situações limite de humilhação e exploração: longas seqüências numa central de sexcam, um vigia sendo capturado e ridicularizado pelos agressores, o mesmo vigia trocando a namorada por um cachorro, uma patroa que humilha a empregada a cada troca entre elas, e, sobretudo, uma cena interminável onde um sujeito faz com que uma prostituta caminhe e lata como uma cadela. Seidl – já sabíamos desde seu filme anterior – faz com que Michael Haneke pareça um Jean Renoir em comparação. Mas, ao contrário de seu compatriota, Seidl não tem nenhum domínio do meio, e sua estética de choque só funciona no sentido mais literal possível (Seidl jamais será capaz de desenvolver uma câmara de tortura estética como a de um Código Desconhecido, o desconforto aqui é exclusivamente o asco moral diante das situações apresentadas). Na altura que a heroína passa a trabalhar como faxineira numa espécie de asilo-hospital em que a câmera trabalha de forma a extrair o máximo de asco do corpo dos velhinhos, não resta mais dúvidas: independente das suas intenções iniciais, Import Export é só um filme exploitation dos mais vagabundos, e Seidl, consciente ou não, é ele próprio o grande explorador das agruras que preenchem a tela.

3 Comentários

Arquivado em Filmes

Links

A Cinética tem uma atualização bem ampla incluindo a cobertura dos mostras Akerman, Duras e Brahkage.

Enquanto isso o Luiz Carlos Oliveira Jr.  escreve um artigo no PG da Contra que de certa forma tenta teorizar a fase recente da revista. Espero que seja o primeiro de uma série.

Deixe um comentário

Arquivado em Links

Spike Lee

Crítica de Milagre em St. Anna no ar.

Deixe um comentário

Arquivado em Filmes

Rouge

O Adrian Martin avisa que a Rouge foi atualizada.

Destaco o diário do Adrian sobre o festival de Las Palmas que trata de um numero bem variado de filmes (de Miguel Gomes e Garrel até Julio Bressane e Kiko Goifman).

Tem também um textinho meu sobre os filmes do Jairo Ferreira.

4 Comentários

Arquivado em Filmes

No Meu Lugar

Aproveitando para completar a relação de Cannes, o primeiro longa do Eduardo Valente No Meu Lugar foi anunciado hoje como exibição especial fora de competição.

3 Comentários

Arquivado em Filmes