Melhores de 2009 V

10) Histórias Extraordinárias (Mariano Lliñas)

Lliñas recupera um espírito de aventura e curiosidade. Poucos filmes exibem tamanho prazer com a arte de contar histórias.

9) Singularidades de uma Rapariga Loira (Manoel de Oliveira)

8 ) Bellamy (Claude Chabrol)

Bellamy é composto quase exclusivamente de ações que acontecem lateralmente a sua trama. Seu personagem titulo parece estar sempre pausando para algo. É a mise en scene de Chabrol na sua versão mais depurada.

7) Let Each One Go Where He May (Ben Russell)

Russell lança mão de dois dos procedimentos mais utilizados da década: o semi documental colaborativo à Costa/Alonso e o plano seqüência e consegue arejá-los. Russell pouco nos informa (pesquisando descobrimos que os dois protagonistas são irmãos e que a ação transcorre no Suriname), mas apresenta um dos espetáculos formais mais impressionantes do ano e uma jornada que é sempre instigante.

6) The Hurt Locker (Kathryn Bigelow)

Filme impressionante justamente na forma como existe exclusivamente por conta da ação. Não existe nada em cena que não envolva os três personagens centrais lidando com seu trabalho. Tudo que nos podemos compreender dos personagens surge exclusivamente de como estes homens se portam diante do seu trabalho (há uma sequência de cerca de quinze minutos envolvendo uma bomba num carro que é uma aula de como usar ação para melhor estabelecer personagens). Desde que escrevi sobre ele no começo de Março, o filme da Bigelow gerou tanto hype que se tornou o primeiro filme a ser lançado nos cinemas por aqui depois de chegar direto em DVD, como era inevitável os comentários de “não é tão bom assim” começaram a surgir, mas é um raro caso onde todo o hype é mais que justificado.

5) 35 Doses de Rum (Claire Denis)

Um aspecto curioso dos filmes de Denis é como seus filmes passados em Paris costumam ser bem mais narrativos que os demais. Talvez pela soma disso com a superstimada conexão com Ozu, 35 Doses de Rum não recebeu tanta atenção quanto merece, mas é dos melhores trabalhos de Denis.

4) A Religiosa Portuguesa (Eugene Green)

Eugene Green filma Lisboa. Filme de viagem na melhor acepção da palavra. Cinema do eterno.

3) A Familia Wolberg (Axelle Ropert)

Ropert escrevera os dois longas de Serge Bozon e seu filme divide com os dele o mesmo gosto pela estilização e construção de um universo particular e pela literatura e dramaturgia. A Familia Wolberg é uma compacta reconstrução dramática do melodrama familiar. É um filme de tom exato, algo raro de encontrar.

2) Um Lago (Philippe Grandrieux)

Mais do que um filme simples, Grandrieux faz um filme essencial. Quase como se sua câmera chegasse antes tudo. Há uma força primordial envolvida em quase tudo aqui das tensões do núcleo familiar, aos gestos, a natureza que envolve tudo, ao sons que envolvem toda a ação. Gosto dos outros filmes do Grandrieux, mas Um Lago é de uma força muito maior.

Estranho intervalo: acabo de observar que 3 dos 5 primeiros filmes da lista poderia receber a mesma sinopse de uma linha.

1) RR (James Benning)

Um grande filme de ação. Espécie de expansão épica de 10 Skies e 13 Lakes 43 trens em movimento das mais diversas formas, cores e terrenos possíveis (e é incrível como os trens são variados). Talvez seja o único dos filmes de Benning em que a câmera se sujeita ao objeto filmado. É um filme experimental de 2 horas sem diálogos ou pessoas, mas é um dos filmes mais essencialmente americanos da lista.

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Rohmer

Quando um cineasta como Rohmer falece vem sempre aquela frase do Inacio Araujo na ocasião da morte do Samuel Fuller “é um pouco como perder o pai, ele pode ter 120 anos que nada nos consola”. Minha grande lembrança de Rohmer é de quando o Cinesesc fez a retrospectiva dele em 2002, coincidiu com o Festival do Rio e eu infelizmente só tive como acompanhar 3 dias, mas eu acampei dentro do Sesc durante aquelas 3 tardes e noites (12 sessões, 11 filmes diferentes já que O Joelho de Claire passou duas vezes naquelas datas). Dos pontos altos dos meus 10 anos vivendo em São Paulo com certeza. Outro dia num sábado de madrugada escrevia no PC com a TV ligada quando vi que Astrea e Celadon começava na TV5, a TV estava lá só de fundo, mas cada vez que eu olhava para tela passava longos minutos ignorando o trabalho. O que mais impressiona em Rohmer é a consistência da sua obra: 50 anos de cinema e ele foi figura essencial ao longo de todos eles. Pensando por exemplo em cineastas franceses que começaram na mesma época que ele, eu creio que só Godard pode ser descrito como essenciais nos anos 60, 70, 80, 90 e 00. Se me perguntarei quais filmes são essenciais ou melhores portas de entrada, ficaria perdido sobre o que responder, não é por nada que pensamos a obra de Rohmer pelos conjuntos de filmes mais que por títulos específicos: são os contos morais mais do que Maud ou Claire, as Comedias e Provérbios mais que Pauline, os Contos das Estações mais que Verão ou Outono, etc.

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Melhores de 2009 IV

20) Ruhr (James Benning)

Primeiro filme do Benning filmado fora dos EUA se propõe a um retrato da região homônima um dos principais centros industriais da Alemanha. São só 7 planos de durações variadas (aviso: o último dura uma hora) cada um com um peso especifico e voltado para um aspecto diferente da região.

19) O Pai dos Meus Filhos (Mia Hansen-Love)

Escrevi sobre este na Cinética e não tenho muito a acrescentar, mas é um filme muito potente sobre presença.

18) Entre os Muros da Escola (Laurent Cantet)

Pobre Cantet sofre sempre porque seus “temas sociais” dominam terminam por dominar as discussões sobre seus filmes, Entre os Muros da Escola está muito mais para Rivette do que Tavernier, mas ninguém diria isso pelas críticas que o filme recebeu (elogiosas, inclusas). Como uma série de auto-ficções o filme é exemplar no trato com seu jovem elenco.

17) Inimigos Públicos (Michael Mann)

Para Mann a idéia de filme histórico pouco tem a ver com o “baseado em fatos reais”. Todos os fatos de Inimigos Públicos são da ordem material (lugares, roupas, objetos) e existem para serem devolvidos ao mito e ao melodrama. É como se Mann estivesse fascinado pela idéia de dissolver o concreto no abstrato e dali extrair outra representação que só possa existir eternizada na imagem. Não surpreende que um dos elementos mais memoráveis do filme seja a luz dos disparos de metralhadora e o som que os acompanha.

16) Amantes (James Gray)

Talvez o que de mais gratificante ocorreu no cinema americano narrativo nos últimos anos seja a reabilitação de Gray como cineasta essencial (lembro-me no começo da década de ficar possesso com um dos críticos do Estadão, creio que o Zanin, por escrever que a única justificativa para The Yards estar em Cannes era o dinheiro dos Weinstein). Amantes tem um mundo mais estreito do que os de The Yards e We Own the Night a despeito de ser o primeiro filme não gênero de Gray (parte por ser mais interiorizado parte pelo universo dos imigrantes russos dos trabalhos anteriores dele ser registrado com mais riqueza que a família judia aqui) , mas o que importa aqui como sempre é a forma como Gray vai ao coração do drama central, a sinceridade com que ele capta Leonard e seu meio.

15) Vengeance (Johnnie To)

Comentado aqui dez dias atrás, sem me estender mais trata-se de outro filme notável de To cujo trabalho nos últimos 5 anos é irrepreensível.

14) Moscou (Eduardo Coutinho)

Coutinho realizou o único grande filme brasileiro de 2009 (apesar de eu ser fã de alguns outros como imenso número de brasileiros nas menções honrosas desta lista atestam) ao retomar seu processo de forma ainda mais essencial. É com se a cada filme Coutinho elimina-se mais e mais elementos em busca do seu filme perfeito.

13) Ervas Daninhas (Alain Resnais)

Resnais entre a encenação mais artificial e a observação mais realista.

12) Like You Know It All (Hong Song-soo)


Hong Song-soo passou a década realizando anualmente o mesmíssimo filme, variando e depurando seu mesmo conto eustachiano de tipos artísticos coreanos perdidos entre mulheres, bebida, amigos. Cedo ou tarde irá começar a receber as inevitáveis críticas à Tsai/Dardenne de que faz exatamente o mesmo filme, será tão injusto com ele como com estes cineastas. Like You Know It All parece exatamente o mesmo filme que Mulher na Praia, mas diante dele isto nunca importa.

11) Independência (Raya Martin)

A força da presença contra a beleza do picturalismo. O artifício do estúdio e as convenções do “cinema de arte”. Cinema social via o mais completo anti-naturalismo. Um pouco como Sternberg mergulhado na abstração invés do melodrama. Bem mais aparentado de algo como Inimigos Públicos do que alguns fãs de ambos gostariam. Longe de um filme de festival pois Martin confunde sempre.

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Melhores de 2009 III

30) The Limits of Control (Jim Jamursch)

O melhor filme de Jamursch desde Dead Man é também uma espécie de complemento do seu melhor filme. Outra grande jornada anti-naturalista até a morte. Incluindo algumas das seqüências mais imaginativas de Jamursch e a presença impressionante de Isaach de Bankolé conduzindo o filme.

29) Vincere (Marco Bellochio)

Plano a plano poucos filmes tiveram o impacto do último trabalho do Bellochio, especilmente na primeira metade. É também um grande filme sobre como imagens e discursos são construídos.

28) Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino)

Escrevi quase tudo que tinha a dizer sobre o filme do Tarantino na minha critica na Cinetica, mas creio que a esta altura um desses casos estranhos de filmes ao mesmo tempo superestimados por alguns fãs e que recebe criticas pesadas de outros sem nenhuma justificativa. Me fascina também como o projeto do Tarantino neste ponto parece se encaixar perfeitamente em espaços dispares, é ao mesmo tempo um filme de arte estrutural parafestivais bem marcante e uma perfeita matinê.

27) A Bela Junie (Christophe Honoré)

Quase empatei Honoré com Tarantino já que é outro filme que causa reações extremas que não consigo compreender. Honoré tem suas limitações claras (algumas citações embrulha estômago como a ponta da Mastraionni, uma tendência em tentar neutralizar os conflitos com uma doçura forçada), mas ele as compensa com um tom romanesco e uma sensibilidade que me interessam. Nem sempre faz bons filmes (o novo é muito fraco), mas A Bela Junie me parece uma bela adaptação de A Princesa de Claves.

26) Shirin (Abbas Kiarostami)

Como parte da radicalização recente do cinema de Kiarostami me interessa mais que Cinco (apesar da ausência dos patos). Tanto a ênfase nos rostos como no fora de campo me parece usos mais consistentes dos interesses recentes de Kiarostami. Isto dito, fico muito excitado em imaginar o que flerte com avant garde dos últimos anos irá significar num projeto mais narrativo como o do seu próximo filme.

25) Todos os Outros (Maren Ade)

Ade trabalha o tempo todo em função de isolar o casal dentro da sua dinâmica própria. Parte da força de Todos os Outros reside justamente em como o filme é apto em captar a maneira como seu casal se comunica de forma própria, e todos os pequenos gestos que pertencem exclusivamente a eles. É um dos melhores filmes de linguagem corporal que vemos em muito tempo (e certamente não seria o mesmo sem o trabalho preciso dos seus dois atores centrais, Birgit Minichmayr e Lars Eidinger). É um filme sobre como uma relação vai se fragilizando num período especifico, mas sobretudo como este processo é escrito naqueles dois corpos – e só por isto já seria um filme notável.

24) Invictus (Clint Eastwood)

De Eastwood esperamos sempre pela precisão do olhar. Invictus não é um filme de esporte, mas um dos mais práticos filmes sobre política em muito tempo.

23) Policia Adjetivo (Corneliu Porumboiu)


Outro filme simples e prático dotado de um olhar dos mais precisos. As sequencias em que Porumboiu só acompanha seu policial a trabalhar/observar por si só valem o filme.

22) Morrer como um Homem (João Pedro Rodrigues)


No Ano de 13 Luas reimaginado por Jacques Nolot.

21) Barba Azul (Catherine Breillat)


As coisas no mundo de Barba Azul são exatamente o que aparentam ser. O casamento entre a jovem e o ogro é firmado no primeiro encontro entre eles justamente por reconhecerem-se pelo que são: o ogro quer a jovem pela sua inocência, ela não o teme pois seu mal não é dissimulado. Cada imagem do filme obedece à mesma lógica plana e clara. Se o cinema de Catherine Breillat é explicito, não é pela falta de pudor em filmar o sexo, mas pela frontalidade dessas imagens. Cada plano leva ao seguinte de forma exata e inevitável. A clareza com que seus personagens buscam, e fracassam em conseguir, é a maior qualidade de Barba Azul.

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Melhores de 2009 II

40) Gamer (Mark Neveldine/Brian Taylor)

Há uma considerável grosseria em Gamer a começar pelo montagem ADD que caracteriza todos os filmes da dupla Neveldine/Taylor. São duas coisas porém que tornam este de longe o melhor filme B do ano: primeiro os cineastas tem aquele talento à Tashlin/Verhoeven de observar as vulgaridades do seu tempo sem nenhum sinal de superioridade (pelo contrário Gamer é precisamente o filme que Neveldine e Taylor assistiam aos seus 13 anos no VCR entre sessões de filmes pornô e videogame). Segundo o filme tem o futuro sci-fi mais ricamente imaginado em muito tempo e não simplesmente na direção de arte/efeitos mas sobretudo em pensar como cada elemento deste futuro funciona. Eu iria fechar dizendo que se trata da melhor mistura de Paul Verhoeven, Takashi Miike e Tony Scott imaginável, mas eu fiz esta comparação numa outra discussão ontem e o Ignaty Vishnevetsky melhorou ela muito respondendo que “se Miike é Ruiz sem óbvias inclinações artísticas, Neveldine e Taylor são Miike com o coração de Verhoeven e o olho do Scott”. Qualquer filme que faça um cara inteligente soltar uma frase dessas mais que merece um olhar atento.

39) Accident (Soi Cheang)

A Milkway de Johnnie To segue a melhor fabrica de thrillers ambiciosos do mundo. Este Accident dirigido por Soi Cheang que nos últimos anos fez alguns filmes de baixo orçamento bem interessantes parte do seu superconceito (grupo de assassinos especializados em disfarçar seus crimes como acidentes se vê as voltas com a possibilidade de que alguém planeja eliminá-los do mesmo jeito) para criar um filme sempre intenso e criativoseja imaginando os diversos assassinatos, seja se perdendo na paranóia do seu protagonista.

38) Kinatay (Brillante Mendoza)

Todo o cinema de Brillante Mendoza é baseado num único talento: uma grande capacidade de instalar o espectador num ambiente e traduzir todo o peso de presenciá-lo. Kinatay se beneficia disso mais do que qualquer um dos seus filmes anteriores, no que pese sua sociologia boba (e as legendas que aos poucos revelam os dizeres irônicos da camisa da academia de policia devem ser a pior idéia de um bom filme em 2009) trata-se de uma experiência muito forte e a afirmação vale por exemplo tanto para as cenas do assassinato do titulo como para a longa viagem do protagonista até a casa afastada.

37) Irene (Alain Cavalier)

Outro filme capaz de conjurar um peso enorme. O último dos filmes em primeira pessoa que Cavalier vem realizando nos últimos 10 anos é na verdade um filme de fantasmas assombrado tanto pela primeira esposa morta muitos anos atrás, pela mãe recém falecida como pelo fragilidade que o cineasta vetarano localiza em si mesmo.

36) Casting a Glance (James Benning)

Um filme complexo justamente pela diferença do que ele aparenta ser e o que ele é. Trata-se da biografia da Spiral Jetty escultura natural que Robert Smithson criou em um lago em Utah que passou boa parte dos anos 80/90 submersa. Da série de planos da escultura no lago Benning constrói toda uma ficção de passagem do tempo. Ficção mesmo já que o filme se apresenta como material colhido deste o começo dos anos 70 quando na verdade foi todo filmado nos últimos anos.

34 ) A L’Aventure (Jean-Claude Brisseau)/ O Rei da Fuga (Alain Guiraudie)

Talvez nenhum filme este ano tenha um título tão apto quanto este de Guiraudie de um grande frescor e liberdade a cada novo plano. Faz com que nos lembremos de alguns dos melhores filmes anárquicos do Carlão Reichenbach. A L’Aventure me parece um tanto mais abstrato do que a dupla Coisas Secretas/Anjos Exterminadores, mas estão ali a mesma dedicação ao drama, a mesma crença século XIX no romanesco e a mesma preocupação com desejo que marca o cinema recente de Brisseau. Não conheço outros filmes do Guiraudie e L’Aventure provavelmente é um Brisseau menor, mas são ambos filmes de grande vitalidade.

33) Montanha do Abandono (Soo Yong-Kim)

Pode-se dizer que não existe à primeira vista nada demais num filme como este, o que da força ao trabalho de Soo Yong-Kim é a precisão do seu olhar. De um lado a uma riqueza de detalhe (a informação de que o filme é semi autobiográfico não surpreende em nada), mas sobretudo uma aproximação com olhar infantil raro, tanto no trabalho com as duas atrizes mirins como em como o filme sabe por a camera onde melhor valorizar o ponto de vista delas.

32) By Comparison (Harun Farocki)

Na superfície um documentário sobre a construção de tijolos, na prática um ensaio fascinante sobre industrialização e suas aplicações. Farocki viaja o mundo localizando os mais diferentes modelos de produção dos mais artesanais até os 100% mecanizados e depois os redimensiona em termos práticos. Só tem uma hora de duração, mas apresenta mais idéias do que toda a seleção do É Tudo Verdade não dirigida pelo Coutinho.

31) Coal Money (Wang Bing)

Outro documentário de uma hora, este sobre os hábitos dos caminhoneiros chineses que transportam carvão. Feito sobre encomenda para televisão francesa, mas jamais um trabalho menor. Como sempre no cinema de Wang Bing não há “informações”, mas um mundo inteiro que ele nos apresenta.

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Melhores de 2009 I

Como no ano passado minha lista segue um critério bem pessoal de incluir filmes que eu vi pela primeira vez este ano realizados nos ultimos 3 anos. Vai seguir em 5 partes basicamente porque sou muito preguiçoso para escrever todos os textos de uma vez.

Menções Honrosas: Adrenalina 2 (Mark Nedevine/Brian Taylor), Avatar (James Cameron), Belair (Bruno Safadi), The Box (Richard Kelly), O Curioso Caso de Benjamin Button (David Fincher), Duplicidade (Tony Gilroy), Eldorado (Olivier Assayas), Faça-me Feliz (Emmanuel Mouret), O Fantastico Sr. Raposo (Wes Anderson), Filmefobia (Kiko Goifman), O Fim da Picada (Christian Saghard), Funny People (Judd Apatow), GI Joe (Stephen Sommers), Harry Potter e o Príncipe Mestiço (David Yates), Inimigo Público No.1 Parte I e II (Jean François Richet), Jogo Duplo (Johan Grimonprez), Material (Thomas Heise)*, No Meu Lugar (Eduardo Valente), Parable (Jon Jost), Porco Cego Quer Voar (Edwin), Ricky (François Ozon), Seguindo em Frente (Hirozu Kore-Eda), Traga-me Alecrim (Josh e Benny Safdie), Up (Peter Docter), Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo (Karim Ainouz e Marcelo Gomes)

*Este é um filme ensaio fascinante sobre os efeitos a longo prazo da unificação das Alemanhas, iria quase certamente estar entre os 50, infelizmente minha copia fica sem legendas nos últimos 40 minutos e eu não me sinto a vontade para comentá-lo sem entender nada que é dito nos últimos 40 minutos. Mesmo assim deixo a recomendação, só verifiquem se tem legendas na parte final.

50) A Trilha (David Twohy)



Filmes B raramente são tão perfeitamente executados hoje. Twohy pega um roteiro todo baseado numa reviravolta e consegue torná-lo um exercício formidável sobre os prazeres do mecanismo do thriller (seja para personagens, realizador ou espectador). A primeira hora transforma exposição interminável em matéria de tensão permanente e a última meia hora deve ser inclui a seqüência de cenas de ação convencional mais bem sustentados. É dirigido pelo diretor de Eclipse Mortal e protagonizado por Steve Zahn e Timothy Olyplhant portanto está destinado a ficar perdido nas prateleiras de locadoras, mas merece muito um olhar atento.

49) Adventureland (Greg Motolla)



Muito de Adventureland é excessivamente calcado, mas Motolla consegue capturar o sentimento de deslocamento do seu protagonista perfeitamente. É experiência privada redimensionada pela memória coletiva, o qu torna ao mesmo tempo um filme exato sobre 1987 e 2009.

47) Kobe Doin’ Work (Spike Lee)/Tyson (James Toback)



O filme de Lee tem uma proposta mais atrativa (seguir Kobe por todo um jogo) comparado ao talking head do Toback mas são filmes extremamente semelhantes duas auto narrações em tom de apologia que na verdade são de considerável frontalidade e muito reveladora nos detalhes que seus protagonistas esperam. São filmes paradoxais extremamente honestos justamente pelo seu caráter oficialesco. Tanto Bryant como Tyson fazem grandes performances de purgação para a câmera dos seus cineastas amigos e é no esforço deles que reside a grande verdade que ambos os filmes atingem.

46) O Seqüestro do Metro (Tony Scott)



Há duas formas de olhar o cinema de Tony Scott: numa delas ele é o problema, na outra Scott tem um olhar de dentro sobre ele (por sinal, podemos dizer o mesmo de Brian De Palma). O Seqüestro do Metro é menos um remake de um eficiente filme de gênero esquecido do que um filme sobre o intervalo de 35 anos entre eles e como nossa percepção da grande cidade se alterou neste meio tempo.

45) Merde (Leos Carax)



No terreno de obras-primas produzidas por cineasta bisextos para coletâneas Merde não chega a ser Alumbramento do Victor Erice, mas mesmo assim tem uma força própria muito grande. Ao mesmo tempo muito convidativo graças a presença de cena impressionante de Denis Lavant e distante na sua apresentação por Carax, Merde nos mantem em ambivalente o tempo todo com a irritação nada contida do seu cineasta que merecia filmar com muito mais freqüência. A abertura com os ataquesdo “monstro” é extremamente envolvente, mas é quando Carax chega ao teatral julgamento de nosso anti-herói misantropo que o filme se revela por completo.

44) Ponyo on the Cliff by the Sea (Hayao Myazaki)



Não tenho muito a dizer sobre Ponyo para alem de apontar que Myazaki segue impressionando nosso olhar com suas imagens. É impossível não amar um filme como Ponyo desde que se tenha um mínimo de imaginação.

43) Jericó (Christian Petzold)



Petzold parte de um projeto fassbinderiano (atualizar O Destino Bate a Sua Porta para a Alemanha atual e no processo jogar com nossas expectativas), mas o faz com consciência de que para tal projeto funcionar ele precisa encontrar o equilíbrio entre melodrama aberto e a economia. Jericó é despojado na encenação mas principalmente muito honesto nos seus sentimentos, faz diálogos como “você não pode amar sem dinheiro” soarem essenciais e não slogans de roteiro.

42) Mother (Bong Jong-ho)



Os filmes de Bong Jong-ho são como um cruzamento bizarro de Shohei Imamura e John Carpenter. Ele ama o ato de contar histórias e toda a potência narrativa do meio, mas ao mesmo tempo se entrega completamente a cada desvio que encontra a sua frente. Este conto demente da mãe que fará de tudo para provar a inocência do filho se perde com prazer por múltiplos caminhos e ao mesmo tempo mantém sempre o mesmo pulso firme.

41) A Troca (Clint Eastwood)



A Troca tem pouca relação com sua superfície de filme para Oscar, no seu centro está uma das obsessões mais antigas do seu cineasta (abuso de poder) que nos é apresentada tanto no seu arco narrativo principal, mas, sobretudo por via de uma coleção de gestos e posturas que o filme cataloga com precisão. Qualquer um pode fazer um filme onde a policia impõe seus interesses sobre uma cidadã, mas apenas alguns se interessariam sobretudo sobre como um capitão de policia, um médico, juiz ou mesmo um patrão se comportam enquanto exercem seu poder.

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150 Filmes da Decada Film Comment

Existem dois tipos de listas interessantes. A primeira são as listas individuais com suas particularidades, a outra são listas de pesquisas mais amplas como esta da Film Comment que acabam criando certa autoridade, não para definir quais são os “melhores filmes da década” (até porque isso é uma grande bobagem), mas para traçar um painel de como a decada foi vista para bem e o para o mal. Ela tende para a critica anglofona como inevitável, mas inclui um numero grande de votantes de fora para contrabalancear um pouco.

1. Mulholland Drive David Lynch, U.S. 2001
2. In the Mood for Love Wong Kar Wai, Hong Kong 2000
3. Yi Yi Edward Yang, China 2000
4. Sindromes e um Século Apichatpong Weerasethakul, Thailand/Austria/France 2006
5. Sangue Negro P. T. Anderson, U.S. 2007
6. A Morte do Sr. Lazarescu Cristi Puiu, Romania 2005
7. Marcas da Violência David Cronenberg, U.S./Canada 2005
8. Mal dos Trópicos Apichatpong Weerasethakul, France/Thailand/Italy/Germany 2004
9. 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias Cristi Mungiu, Romania 2007
10. O Novo Mundo Terrence Malick, U.S. 2005
11. Plataforma Jia Zhangke, Hong Kong/Japan/France 2000
12. Zodiaco David Fincher, U.S. 2007
13. O Intruso Claire Denis, France 2004
14. O Filho Jean-Pierre & Luc Dardenne, Belgium/France 2002
15. Dogville Lars von Trier, Denmark/Sweden/France/U.K./Germany/Netherlands 2003
16. Caché Michael Haneke, France/Austria/Germany/Italy 2005
17. Reis e Rainha Arnaud Desplechin, France 2005
18. Elefante Gus Van Sant, U.S. 2003
19. Os Excentricos Tenenbaums Wes Anderson, U.S. 2001
20. Antes do Por do Sol Richard Linklater, U.S. 2004
21. A Viagem de Chihiro Hayao Miyazaki, Japan 2001
22. Os Catadores e Eu Agnès Varda, France 2000
23. Adeus, Dragon Inn Tsai Ming-liang, Taiwan 2003
24. O Mundo Jia Zhangke, China/Japan/France 2004
25. Fale com Ela Pedro Almodóvar, Spain 2002
26. Inland Empire David Lynch, U.S./France/Poland 2006
27. Still Life Jia Zhangke, China/Hong Kong 2006
28. Juventude em Marcha Pedro Costa, France/Portugal/Switzerland 2006
29. Arca Russa Alexander Sokurov, Russia/Germany 2002
30. A.I. Steven Spielberg, U.S. 2001
31. Elogio ao Amor Jean-Luc Godard France/Switzerland 2001
32. Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças Michel Gondry, U.S. 2004
33. Onde os Fracos Não Tem Vez Joel & Ethan Coen, U.S. 2007
34. Werckmeister Harmonies Béla Tarr, Hungary/Italy/Germany/France 2000
35. O Homem Urso Werner Herzog, U.S./Canada 2005
36. Three Times Hou Hsiao-hsien, Taiwan 2005
37. Café Lumière Hou Hsiao-hsien, Japan/Taiwan 2003
38. Amantes Constantes Philippe Garrel, France 2005
39. Blissfully Yours Apichatpong Weerasethakul, Thailand/France 2002
40. I’m Not There Todd Haynes, U.S./Germany 2007
41. 2046 Wong Kar Wai, China/Hong Kong/France 2005
42. No Quarto de Vanda Pedro Costa, Portugal/Germany/Switzerland 2000
43. Los Angeles Plays Itself Thom Andersen, U.S. 2003
44. Millennium Mambo Hou Hsiao-hsien, France/U.S./Spain/Greece 2001
45. La Commune (Paris, 1871) Peter Watkins, France 2000
46. The Hurt Locker Kathryn Bigelow, U.S. 2009
47. Million Dollar Baby Clint Eastwood, U.S. 2004
48. Que Horas são ai? Tsai Ming-liang, Taiwan/France 2001
49. demonlover Olivier Assayas, France 2002
50. A Mulher sem Cabeça Lucrecia Martel, Argentina/Spain/France/Italy 2009
51. La Captive Chantal Akerman, France/Belgium 2000
52. Esther Kahn Arnaud Desplechin, France/U.K. 2000
53. Nossa Música Jean-Luc Godard, France/Switzerland 2004
54. Distante Nuri Bilge Ceylan, Turkey 2002
55. Sarabanda Ingmar Bergman, Sweden 2003
56. Menina Santa Lucrecia Martel, Argentina/Italy/Netherlands/Spain 2004
57. E Sua Mãe Também Alfonso Cuarón, Mexico 2001
58. Brokeback Mountain Ang Lee, U.S. 2005
59. Filhos da Esperança Alfonso Cuarón, Japan/U.K./U.S. 2006
60. Dez Abbas Kiarostami, France/Iran/U.S. 2002
61. Luz Silenciosa Carlos Reygadas, Mexico/France/Netherlands 2007
62. O Pantano Lucrecia Martel, Argentina/Spain 2001
63. A Criança Jean-Pierre & Luc Dardenne, Belgium/France 2005
64. Star Spangled to Death Ken Jacobs, U.S. 2004
65. A Viagem do Balão Vermelho Hou Hsiao-hsien, Taiwan/France 2008
66. RR James Benning, U.S. 2007
67. The House of Mirth Terence Davies, U.K./France/Germany/U.S. 2000
68. A Ultima Noite Spike Lee, U.S. 2002
69. 35 Doses de Rum Claire Denis, France/Germany 2008
70. Horas de Verão Olivier Assayas, France 2009
71. O Hospedeiro Bong Joon-ho, South Korea 2007
72. Adaptação Spike Jonze, U.S. 2002
73. Lost in Translation Sofia Coppola, U.S./Japan 2003
74. Gerry Gus Van Sant, U.S. 2002
75. Medos Privados em Lugares Públicos Alain Resnais, France/Italy 2006
76. My Winnipeg Guy Maddin, Canada 2007
77. Embriagado de Amor P.T. Anderson, U.S. 2002
78. Para Minha Irmã Catherine Breillat, France/Italy 2001
79. Os Inflitrados Martin Scorsese, U.S./Hong Kong 2006
80. Longe do Paraiso Todd Haynes, U.S./France 2002
81. Donnie Darko Richard Kelly, U.S. 2001
82. Moolaadé Ousmane Sembene, Burkina Faso/Morocco/Tunisia/Cameroon/France 2004
83. Mulher na Praia Hong Sang-soo, South Korea 2006
84. Memories of Murder Bong Joon-ho, South Korea 2003
85. West of the Tracks Wang Bing, China 2003
86. Wendy and Lucy Kelly Reichardt, U.S. 2008
87. Trouble Every Day Claire Denis, France/Germany/Japan 2001
88. Femme Fatale Brian De Palma, U.S./France 2002
89. Canções do Segundo Andar Roy Andersson, Sweden 2000
90. Cartas de Iwo Jima Clint Eastwood, U.S. 2006
91. Gran Torino Clint Eastwood, U.S. 2008
92. O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford Andrew Dominik, U.S. 2007
93. Last Days Gus Van Sant, U.S. 2005
94. O Homem sem Passado Aki Kaurismäki, Finland/Germany/France 2002
95. When the Levees Broke Spike Lee, U.S. 2006
96. A Meljor Juventude Marco Tullio Giordana, Italy 2003
97. Turning Gate Hong Sang-soo, South Korea 2002
98. 24 City Jia Zhangke, China/Hong Kong/Japan 2008
99. En la Ciudad de Sylvia José Luis Guerín, Spain/France 2007
100. A Fita Branca Michael Haneke, Austria/Germany/France/Italy 2009
101. La libertad Lisandro Alonso, Argentina 2001
102. Ninguém Pode Saber Hirokazu Kore-eda, Japan 2004
103. O Pianista Roman Polanski, France/Poland/Germany/U.K. 2002
104. Não Toque no Machado Jacques Rivette, France/Italy 2007
105. O Labirinto do Fauno Guillermo del Toro, Mexico/Spain/U.S. 2006
106. WALL·E Andrew Stanton, U.S. 2008
107. Pulse Kiyoshi Kurosawa, Japan 2001
108. Kill Bill: Vol. 1 Quentin Tarantino, U.S. 2003
109. Um Conto de Natal Arnaud Desplechin, France 2008
110. A Agenda Laurent Cantet, France 2001
111. Policia, Adjetivo Corneliu Porumboiu, Romania 2009
112. Secret Sunshine Lee Chang-dong, South Korea 2007
113. Mystic River Clint Eastwood, U.S./Australia 2003
114. Morvern Callar Lynne Ramsay, U.K./Canada 2002
115. Quem Sabe Jacques Rivette, France/Italy/Germany 2001
116. Contra a Parede Fatih Akin, Germany/Turkey 2004
117. Tarnation Jonathan Caouette, U.S. 2003
118. Hunger Steve McQueen, U.K. 2008
119. Miami Vice Michael Mann, U.S./Germany 2006
120. Los muertos Lisandro Alonso, Argentina/France/Netherlands 2004
121. Eureka Shinji Aoyama, Japan/France 2000
122. Irreversivel Gaspar Noé, France 2002
123. Black Book Paul Verhoeven, Netherlands/Germany/Belgium 2006
124. A Vida dos Outros Florian Henckel von Donnersmarck, Germany 2006
125. O Segredo do Grão Abdellatif Kechiche, France 2007
126. Oldboy Park Chan-wook, South Korea 2003
127. A Professora de Piano Michael Haneke, Germany/Poland/France/Austria 2001
128. A Inglesa e o Duque Eric Rohmer, France 2001
129. Os Incriveis Brad Bird, U.S. 2004
130. Mysterious Object at Noon Apichatpong Weerasethakul, Thailand 2000
131. A Prova de Morte Quentin Tarantino, U.S. 2007
132. Deixe Ela Entrar Tomas Alfredson, Sweden 2008
133. Ghost World Terry Zwigoff, U.S./U.K. 2001
134. Valsa com Bashir Ari Folman, Israel/France/Germany 2008
135. Dançando no Escuro Lars von Trier, Denmark/Germany/Netherlands/U.S./U.K. 2000
136. Kill Bill: Vol. 2 Quentin Tarantino, U.S. 2004
137. Spider David Cronenberg, U.K./Canada 2002
138. Sexta a Noite Claire Denis, France 2002
139. Memento Christopher Nolan, U.S. 2000
140. United Red Army Kôji Wakamatsu, Japan 2007
141. Eu Não Quero Dormir Sozinho Tsai Ming-liang, Malaysia/China/Taiwan/France/Austria 2007
142. Seguindo em Frente Hirokazu Kore-eda, Japan 2008
143. Paranoid Park Gus Van Sant, France/U.S. 2007
144. Ervas Daninhas Alain Resnais, France/Italy 2009
145. Intervenção Divina Elia Suleiman, France/Morocco/Germany/Palestine 2002
146. Gosford Park Robert Altman, U.K./U.S./Italy 2001
147. Collateral Michael Mann, U.S. 2004
148. O Curioso Caso de Benjamin Button David Fincher, U.S. 2008
149. 13 Lakes James Benning, U.S. 2004
150. Dog Days Ulrich Seidl, Austria 2001

The All-Star Cast of Contributors include: Gilbert Adair, Sam Adams, Florence Almozini, Thom Andersen, Melissa Anderson, Dudley Andrew, Geoff Andrew, David Ansen, Alvaro Arroba, Anjelika Artyukh, Michael Atkinson, Miriam Bale, Alberto Barbera, Michael Barker, Margret Barton-Fumo, Jeanine Basinger, Marjorie Baumgarten, Raymond Bellour, Michael Berry, Stig Björkman, Livia Bloom, Frédéric Bonnaud, Nicole Brenez, Richard Brody, Andrew Bujalski, Joumane Chahine, Michael Chaiken, Andrew Chan, Chris Chang, Tom Charity, Paolo Cherchi Usai, Godfrey Cheshire, Li Cheuk-to, Ian Christie, Michel Ciment, Jem Cohen, Richard Combs, Mark Cousins, Noah Cowan, David Cox, Gary Crowdus, Doug Cummings, Giulia D’Agnolo Vallan, Mike D’Angelo, Evan Davis, Michel Demopoulos, Arnaud Desplechin, Sam Di Iorio, Anton Dolin, Lisa Dombrowski, Bilge Ebiri, Cheryl Eddy, David Edelstein, David Fear, Leslie Felperin, Paul Fileri, Richard Foreman, Scott Foundas, Lizzie Francke, Patrick Friel, Roger Garcia, Leonardo García-Tsao, Charlotte Garson, Susan Gerhard, John Gianvito, Eugène Green, Stefan Grissemann, Larry Gross, Haden Guest, Tom Gunning, Howard Hampton, Piers Handling, Molly Haskel, Shigehiko Hasumi, Sandra Hebron, Eugene Hernandez, J. Hoberman, Zdenek Holy, Travis Hoover, Bill Horrigan, Robert Horton, Alexander Horwath, Marcus Hu, Matthew Hubbell, Christoph Huber, Nick James, Jia Zhangke, Thierry Jobin, J.R. Jones, Kristin Jones, Kent Jones, Serge Kaganski, Laurence Kardish, Danny Kasman, Laura Kern, Dohoon Kim, Lewis Klahr, Stuart Klawans, Uri Klein, Gabe Klinger, Robert Koehler, Michael Koresky, Kiyoshi Kurosawa, Jean-Marc Lalanne, Nathan Lee, Elisabeth Lequeret, Diego Lerer, Jonathan Lethem, Dennis Lim, Phillip Lopate, Jan Lumholdt, Guy Maddin, Adrian Martin, Todd McCarthy, Maitland McDonagh, Mark McElhatten, Don McMahon, Gary Meyer, Olaf Möller, Marco Mueller, Amir Muhammad, Rob Nelson, Katja Nicodemus, Geoffrey O’Brien, Mark Olsen, Damon Packard, Gilberto Perez, Jake Perlin, Vladan Petkovic, Andrea Picard, Tony Pipolo, John Powers, James Quandt, Quintín, Nicolas Rapold, Megan Ratner, Jean-Francois Rauger, Tony Rayns, Carlos Reviriego, Bérénice Reynaud, Jim Ridley, Pierre Rissient, Kong Rithdee, João Pedro Rodrigues, Jonathan Romney, Rachel Rosen, Jonathan Rosenbaum, Joshua Rothkopf, Sukhdev Sandhu, Andrew Sarris, Richard Schickel, Regina Schlagnitweit, Alex Leo Serban, Gene Seymour, Girish Shambu, Josh Siegel, Irma Simanskyte, Alissa Simon, P. Adams Sitney, Gavin Smith, Vivian Sobchak, Chuck Stephens, Bob Strauss, Chris Stults, Daniel Stuyck, Jim Supanick, Amy Taubin, José Teodoro, David Thomson, Kenneth Turan, Keith Uhlich, Noel Vera, Tom Vick, Peter von Bagh, John Waters, Ryan Werner, Brynn White, Donald Wilson, Jessica Winter, Sergio Wolf, Manuel Yáñez Murillo, Genevieve Yue, David Zuckerman

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Vengeance (Johnnie To,09)

Mais que qualquer outro dos seus filmes recentes Vengeance nos diz muito sobre o porque Johnnie To é um grande cineasta. O filme não tem a graça de Sparrow, o olhar apurado de Eleição 2, a energia de Exilados ou a criatividade de Mad Detective. Claro que há um pouco de todas essas coisas (todos estes filmes tem afinal), mas é na superfície um filme mais genérico (a começar pelo nome), uma “reles” homenagem a Melville (cineasta que eu não gosto por sinal). Mas ali na história do homem que chega a Macau para vingar a família assassinada da filha, ele encontra algo que fala a ele de tal modo que o filme acaba alcançando uma potencia própria. Esta dedicação não deixa de existir em paralelo com a própria idéia principal do filme (o homem com uma bala na cabeça aos poucos perde a memória, mas segue propolado a cumprir sua missão). Podemos dizer que tudo em Vengeance é decalque (o uso icônico de Johnny Holyday, a relação de honra entre os pistoleiros, o peso da palavra empenhada, os tiroteios, o sacrifício, etc.) de que se trata só de um outro filme-filme, só que não é assim que To vê as coisas, o empenho dele é outro muito maior e porque ele acredita em Vengeance, por duas horas nós acreditamos também.

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Top 20 Film Comment

1. The Hurt Locker (Kathryn Bigelow)
2. A Mulher Sem Cabeça (Lucrecia Martel)
3. Horas de Verão (Olivier Assayas)
4. 35 Doses de Rum (Claire Denis)
5. O Fantastico Sr. Raposo (Wes Anderson)
6. Policia, Adjetivo (Corneliu Porumboiu)
7. Basterdos Inglorios (Quentin Tarantino)
8. A Serious Man (Joel & Ethan Coen)
9. As Praias de Agnès (Agnès Varda)
10. O Silencio de Lorna (Jean-Pierre & Luc Dardenne)
11. 24 City (Jia Zhangke)
12. A Fita Branca (Michael Haneke)
13. The Limits of Control (Jim Jarmusch)
14. O Sol (Aleksandr Sokurov)
15. Bright Star (Jane Campion)
16. Amantes (James Gray)
17. In the Loop (Armando Iannucci)
18. Tulpan (Sergey Dvortsevoy)
19. Coraline (Henry Selick)
20. Anticristo (Lars von Trier)

Filmes Não Distribuidos nos EUA
1. Ervas Daninhas (Alain Resnais)
2. A Prophet (Jacques Audiard)
3. Todos os Outros (Maren Ade)
4. White Material (Claire Denis)
5. Singularidades de uma Rapariga Loira (Manoel de Oliveira)
6. 36 vues du Pic St Loup (Jacques Rivette)
7. Morrer Como um Homem (João Pedro Rodrigues)
8. Vincere (Marco Bellocchio)
9. Ne Change Rien (Pedro Costa)
10. Trash Humpers (Harmony Korine)
11. Barba Azul (Catherine Breillat)
12. Mother (Bong Joon-ho)
13. Like You Know It All (Hong Sang-soo)
14. City of Life and Death (Lu Chuan)
15. Ghost Town (Zhao Dayong)
16. Life During Wartime (Todd Solondz)
17. Sweetgrass (Ilisa Barbash & Lucien Castaing-Taylor)
18. In Comparison (Harun Farocki)
19. Min Ye (Souleymane Cissé)
20. Guy and Madeline on a Park Bench (Damien Chazelle)

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Avatar (James Cameron,09)

Cameron tem dois elementos para sustentar seu filme: o potencial de instalação da tecnologia 3D e a simplicidade quase grosseira da sua trama arquetípica. Essencialmente, Avatar é uma versão melhorada de O Novo Mundo Mallick (uma com montagem melhor e sem Colin Farrel, em suma). O que o filme tem de simples, primário mesmo é uma grande virtude já que só reforça sua crença no visível e em como seu ambiente pode cativar e estas por si só valem mais do que qualquer roteiro elaborado (um outro bom exemplo recente isso é The Box do Richard Kelly que é um ótimo filme de horror justamente por ser terrivelmente óbvio). Não que tudo em Avatar funcione, o filme é ao mesmo tempo gordo (2h45 é tempo demais para um filme em 3D) e truncado e por vezes o bom senso parece abandonar o diretor (toda a seqüência final entre Stephen Lang e Sam Worthington é especialmente ruim). Por toda sua simplicidade Avatar só reforça que Cameron tem um olhar dramático exato, é um filme límpido e envolvente.

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Top 50 Indiewire

Como sempre aproveito para postar a tradicional pesquisa com a critica americana feita pela Indiewire.
1. Horas de Verão (Assayas)
2. A Serious Man (Coen)
The Hurt Locker (Bigelow)
4. Bastardos Inglorios (Tarantino)
5. O Fantastico sr. Fox (Anderson)
6. 35 Doses de Rum (Denis)
7. A Mulher sem Cabeça (Martel)
8. Amantes (Gray)
9. Up (Docter)
10. Policia, Adjetivo (Porumboiu)
11. In the Loop (Ianucci)
12. Up in the Air (Reitman)
13. Seguindo em Frente (Kore-Eda)
14. As Praias de Agnes (Varda)
15. A Fita Branca (Haneke)
16. Você os Vivos (Andersson)
17. 24 City (Jia)
18. The Limits of Control (Jamursch)
19. Where the Wild Things Are (Jonze)
20. Bright Star (Campion)
O Sol (Sokurov)
22. Precious (Daniels)
23. Julia (Zoncka)
24. O Desinformante (Soderbergh)
25. Sonata de Tóquio (Kurosawa)
26. Hunger (McQueen)
27. Anticristo (Von Trier)
O Silêncio de Lorna (Dardenne)
29. An Education (Scherfig)
Avatar (Cameron)
31. O Dia da Transa (Shelton)
32. Beeswax (Bujalski)
33. Of Time and the City (Davies)
Inimigos Públicos (Mann)
35. A Single Man (Ford)
36. Noite e Dia (Hong)
Tulpan (Dvortsevoy)
38. Everlasting Moments (Troell)
39. Coraline (Sellick)
Três Macacos (Ceylan)
41. The Messenger (Moverman)
42. Revanche (Spielmann)
43. Tony Manero (Larrain)
44. Duplicity (Gilroy)
Il Divo (Sorrentino)
46. Liverpool (Alonso)
Treeless Mountain (Kim)
48. Anvil! The Story of Anvil (Gervasi)
49. 500 Dias com Ela (Webb)
Vicio Frenetico (Herzog)
Abraços Partidos (Almodovar)
The Girlfriend Experience (Soderbergh)

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Top 10 Cahiers

1. Ervas Daninhas (Alain Resnais)
2. Vincere (Marco Bellocchio)
3. Bastardos Inglorios (Quentin Tarantino)
4. Gran Torino (Clint Eastwood)
5. Singularidades de uma Rapariga Loura (Manoel de Oliveira)
6. Tetro (Francis Ford Coppola)
7. The Hurt Locker (Kathryn Bigelow)
8. O Rei da Fuga (Alain Guiraudie)
9. Sonata de Tóquio (Kiyoshi Kurosawa)
10. Hadewijch (Bruno Dumont)

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Gênio

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Mestres

A chance de ver novos filmes de mestres como Chabrol e Resnais no mesmo dia é rara. É uma aula de mise en scene. O filme do Resnais é o mais radical dele em muito tempo cheio de imagens preciosas, mas algo na simplicidade de Bellamy contagiante. Cada vez me impressiona mais a obra recente de Chabrol. Bellamy é todo marcado por ações prosaicas em meio à trama central e há uma precisão formidável na forma como Chabrol posiciona a câmera enquanto Depardieu segue as atividades mais banais. Os filmes de Chabrol dos últimos 15 anos depuram a mise en scene como poucos em todo o cinema, escrevi certa vez que eu A Dama de Honra seria um grande filme se composto só por Benoit Magimel entrando e saindo de um carro e eu veria 5 horas de Depardieu pausando para um café desde que filmado por Chabrol.

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Accident (Soi Cheang,09)

Enquanto Vengeance se recusa a cair na web, fãs da Milkway podem se virar com este belíssimo thriller do Soi Cheang que esteve na competição em Veneza, mas previsivelmente foi ignorado pelos nossos festivais. Um filme dois movimentos: a primeira, mais em débito do produtor Johnnie To, mostra um grupo de assassinos especializados em crimes que aparentam ser meros acidentes. Cada seqüência mostra enorme prazer em preparar os complicados assassinatos que não deixam de refletir o imenso trabalho de Chang e sua equipe preparando as próprias seqüências. Então, um dos comparsas morre num acidente e o líder do grupo (Louis Koo, muito bom) se convence que se tratou de um assassinato e Accident se transforma num thriller paranóico muito tenso. É um filme deliberadamente frio e sereno, de um formalismo bem distante da verve pulp dos outros trabalhos de Cheang, mas que mantém uma grande intensidade seja se divertindo com os acidentes preparados pelo protagonista, seja se entregando a sua paranóia. O thriller de arte é um subgênero dificílimo de equilibrar (quase sempre arruinado pela solenidade excessiva), mas a Milkway a cada dia trabalha com maius facilidade neles, mesmo quando não é Johgnnie To quem comanda o set de filmagens.

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