Rohmer

Quando um cineasta como Rohmer falece vem sempre aquela frase do Inacio Araujo na ocasião da morte do Samuel Fuller “é um pouco como perder o pai, ele pode ter 120 anos que nada nos consola”. Minha grande lembrança de Rohmer é de quando o Cinesesc fez a retrospectiva dele em 2002, coincidiu com o Festival do Rio e eu infelizmente só tive como acompanhar 3 dias, mas eu acampei dentro do Sesc durante aquelas 3 tardes e noites (12 sessões, 11 filmes diferentes já que O Joelho de Claire passou duas vezes naquelas datas). Dos pontos altos dos meus 10 anos vivendo em São Paulo com certeza. Outro dia num sábado de madrugada escrevia no PC com a TV ligada quando vi que Astrea e Celadon começava na TV5, a TV estava lá só de fundo, mas cada vez que eu olhava para tela passava longos minutos ignorando o trabalho. O que mais impressiona em Rohmer é a consistência da sua obra: 50 anos de cinema e ele foi figura essencial ao longo de todos eles. Pensando por exemplo em cineastas franceses que começaram na mesma época que ele, eu creio que só Godard pode ser descrito como essenciais nos anos 60, 70, 80, 90 e 00. Se me perguntarei quais filmes são essenciais ou melhores portas de entrada, ficaria perdido sobre o que responder, não é por nada que pensamos a obra de Rohmer pelos conjuntos de filmes mais que por títulos específicos: são os contos morais mais do que Maud ou Claire, as Comedias e Provérbios mais que Pauline, os Contos das Estações mais que Verão ou Outono, etc.

2 Comentários

Arquivado em Filmes

2 Respostas para “Rohmer

  1. Tiago Superoito

    Isso que o Inácio falou é perfeito.

    Lembro de ter quase perdido um voo por ter assistido a um filme do cara em SP numa dessas viagens bate-e-volta, de um dia só. E é uma das boas lembranças que tenho da cidade.

  2. 0Olá, Felipe e Tiago. Também gosto muito de Rohmer e, como muitos mundo afora, também me bateu uma melancolia, uma sensação estranha, com a morte dele. Você citou a frase do Inácio, e ela de fato cai bem. Mas Rohmer bem poderia ser – em vez de pai- um irmão mais velho, que nos pega pelo braço para bater papo enquanto se anda quadras e quadas, como nos filmes dele.

    Outras duas mortes que deixaram esquisito foram a do Antonioni e a do Bergman, quase que simultâneas, em 2007.

    Abraços!

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