Melhores de 2009 III

30) The Limits of Control (Jim Jamursch)

O melhor filme de Jamursch desde Dead Man é também uma espécie de complemento do seu melhor filme. Outra grande jornada anti-naturalista até a morte. Incluindo algumas das seqüências mais imaginativas de Jamursch e a presença impressionante de Isaach de Bankolé conduzindo o filme.

29) Vincere (Marco Bellochio)

Plano a plano poucos filmes tiveram o impacto do último trabalho do Bellochio, especilmente na primeira metade. É também um grande filme sobre como imagens e discursos são construídos.

28) Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino)

Escrevi quase tudo que tinha a dizer sobre o filme do Tarantino na minha critica na Cinetica, mas creio que a esta altura um desses casos estranhos de filmes ao mesmo tempo superestimados por alguns fãs e que recebe criticas pesadas de outros sem nenhuma justificativa. Me fascina também como o projeto do Tarantino neste ponto parece se encaixar perfeitamente em espaços dispares, é ao mesmo tempo um filme de arte estrutural parafestivais bem marcante e uma perfeita matinê.

27) A Bela Junie (Christophe Honoré)

Quase empatei Honoré com Tarantino já que é outro filme que causa reações extremas que não consigo compreender. Honoré tem suas limitações claras (algumas citações embrulha estômago como a ponta da Mastraionni, uma tendência em tentar neutralizar os conflitos com uma doçura forçada), mas ele as compensa com um tom romanesco e uma sensibilidade que me interessam. Nem sempre faz bons filmes (o novo é muito fraco), mas A Bela Junie me parece uma bela adaptação de A Princesa de Claves.

26) Shirin (Abbas Kiarostami)

Como parte da radicalização recente do cinema de Kiarostami me interessa mais que Cinco (apesar da ausência dos patos). Tanto a ênfase nos rostos como no fora de campo me parece usos mais consistentes dos interesses recentes de Kiarostami. Isto dito, fico muito excitado em imaginar o que flerte com avant garde dos últimos anos irá significar num projeto mais narrativo como o do seu próximo filme.

25) Todos os Outros (Maren Ade)

Ade trabalha o tempo todo em função de isolar o casal dentro da sua dinâmica própria. Parte da força de Todos os Outros reside justamente em como o filme é apto em captar a maneira como seu casal se comunica de forma própria, e todos os pequenos gestos que pertencem exclusivamente a eles. É um dos melhores filmes de linguagem corporal que vemos em muito tempo (e certamente não seria o mesmo sem o trabalho preciso dos seus dois atores centrais, Birgit Minichmayr e Lars Eidinger). É um filme sobre como uma relação vai se fragilizando num período especifico, mas sobretudo como este processo é escrito naqueles dois corpos – e só por isto já seria um filme notável.

24) Invictus (Clint Eastwood)

De Eastwood esperamos sempre pela precisão do olhar. Invictus não é um filme de esporte, mas um dos mais práticos filmes sobre política em muito tempo.

23) Policia Adjetivo (Corneliu Porumboiu)


Outro filme simples e prático dotado de um olhar dos mais precisos. As sequencias em que Porumboiu só acompanha seu policial a trabalhar/observar por si só valem o filme.

22) Morrer como um Homem (João Pedro Rodrigues)


No Ano de 13 Luas reimaginado por Jacques Nolot.

21) Barba Azul (Catherine Breillat)


As coisas no mundo de Barba Azul são exatamente o que aparentam ser. O casamento entre a jovem e o ogro é firmado no primeiro encontro entre eles justamente por reconhecerem-se pelo que são: o ogro quer a jovem pela sua inocência, ela não o teme pois seu mal não é dissimulado. Cada imagem do filme obedece à mesma lógica plana e clara. Se o cinema de Catherine Breillat é explicito, não é pela falta de pudor em filmar o sexo, mas pela frontalidade dessas imagens. Cada plano leva ao seguinte de forma exata e inevitável. A clareza com que seus personagens buscam, e fracassam em conseguir, é a maior qualidade de Barba Azul.

12 Comentários

Arquivado em Filmes

12 Respostas para “Melhores de 2009 III

  1. brunoamato

    Suas escolhas mais polêmicas até agora, com certeza.

    Bela Junie não… ainda mais na frente do Tarantino (e eu nem odeio o filme)

    Valeu a dica de Gamer, aliás. Além do texto do Ignatiy que vc mencionou, gostei muito de ler um do Steven Shaviro.

  2. Filipe Furtado

    Gosto dos meus leitores porque tem quem, reclama da inclusão de Neveldine/Taylor outros do Honoré.

    O espaço entre 11-30 é a parte mais careta da lista.

  3. Boa lista. Por acaso esqueci-me por completo do filme do Jarmusch.

  4. brunoamato

    “O espaço entre 11-30 é a parte mais careta da lista”

    Curioso pelo Top 10 hehe Mas não sei se consigo concordar inteiramente com essa afirmação. Colocar Bastardos e Vencer longe do Top 10 e atrás de “excentricidades” como Todos os Outros e Morrer como um Homem são escolhas incomuns.

  5. Filipe Furtado

    Falo mais por ser a parte com mais titulos obvios.

    e eu listei Vincere e Bastardos a frente dos novos Jamursch, Wang Bing e Harun Farocki não existe nada de mal de estar em #28 ou #29 nessa lista.

  6. Rodrigo de Oliveira

    Onde você viu o “Alle Anderen”, cara? Estou atrás desse filme, mas nada de rip na internet por enquanto (pelo menos de acordo com minhas buscas).

  7. Filipe Furtado

    Tem critica minha na Mostra e tudo. Estes caras que não leem a própria revista tsc tsc

  8. rudá

    Aposto em 35 Doses de Rum em 1o

  9. Tiago Superoito

    Eu aposto em Uma Religiosa Portuguesa, hehe.

  10. Filipe Furtado

    Os dois estão no Top 10, mas o primeiro não é europeu não.

  11. daniel

    Bigelow na cabeça entao….hehe

  12. Pingback: (…) 02 de outubro de 2010, William Blake; poesia em um anti-western nada caboclo. « Cineclube Laguna

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