20) Girimunho (Clarissa Campolina e Helvecio Marins)

Num filme como este, a maior questão é encontra a imagem e o tempo certo para seus personagens e isto é algo que Girimunho consegue quase o tempo todo. Num ano com um numero bem alto de bons filmes de jovens cineastas, esta estréia de Campólina e Marins foi o melhor deles.
19) El Sicario: Room 164 (Gianfranco Rosi)

Um homem, um quarto, uma história de horrores. O documentário de Rosi não poderia ser mais simples, cerca de 90 minutos de entrevista com um ex-matador da máfia mexicana. Só que destes poucos elementos, o cineasta extrai algo que geralmente documentários não alcançam. Nos gestos hiper ativos do entrevistado, na forma com que ele segue rabiscando no seu caderno de notas para melhor explanar e sobretudo no capaz preto que permanece sempre sobre seu rosto, Rosi produz um documentário de uma teatralidade frontal muito em comum. È como se a ficção estivesse ali pronta para adentrar aquele espaço.
18) Kill List (Ben Wheatley)

Muito antes de algo estranho acontecer em Kill List cada plano de Wheatley parece sugerir que há algo de muito errado no universo de seu protagonista, que a qualquer momento a placidez das cenas iniciais (mais próximo de um drama realista de classe média inglesa do que de um filme de horror) dará lugar ao desastre. É um dos filmes de horror mais enervantes dos últimos anos justamente porque traz consigo esta sensação constante de que a Inglaterra que registra é um espaço doente que pode implodir a qualquer momento.
17) O Cavalo de Turim (Bela Tarr)

Bela Tarr filma o fim dos tempos. Uma experiência notável do primeiro ao último plano.
16) Disorder (Weikai Huang)

Uma pequena aula em montagem em documentário. Huang extrai seu filme todo de material da vida pública chinesa filmada por terceiros, cenas que poderiam estar soltas num You Tube, mas que ganham sentido reunidas e organizadas pelo cineasta. Há uma fluidez na organização do mosaico de Huang que tornam Disorder bem mais do que só uma compilação de uma sociedade tomada pelo absurdo. Continuar lendo












Esta semana confirmou-se que a prefeitura arquivaria o tombamento do Belas Artes como esperado (o prédio afinal não tinha nenhum valor histórico-arquitetônico). Logo o dono do imóvel deve alugar o espaço para alguma loja e o Belas Artes oficialmente será só história. Moro ali do lado e passo em frente do prédio abandonado quase todos os dias, fico ali parado a olhar para ele enquanto o sinal entre a Paulista e a Consolação não abre, sempre me choca muito o prédio abandonado; mas não exatamente ele ou as pichações, mas aquele “Desde 1952” na fachada. Com o prédio fechado aquilo ganhou um peso diferente um grito agressivo que parece dizer “vejam só o que vocês vão abandonar”.

