100 Filmes Italianos

Dois Destinos, de Valerio Zurlini

A idéia desta lista é fazer um recorte histórico dos meus filmes italianos favoritos. Ela logo é limitada pelo meu conhecimento (por isso mesmo exclui os filmes anteriores a 45 já que conheço o período muito mal, esta é intencionalmente uma lista de Roma Cidade Aberta aos dias atuais) e pelo meu gosto pessoal. Acho o cinema italiano junto ao americano o mais rico do mundo e o que me fascina na sua história é o quão diverso ele é, algo que acredito esta lista representa bem. Não é, bom dizer uma lista pensada como cânone ou contra-cânone ou qualquer coisa do tipo. O único critério foi tentar não repetir cineastas em demasiado (e acreditem versão A da lista tinha um numero absurdo de Rossellinis). Vale dizer que eu poderia fazer fácil uma lista B com “outros 100 filmes italianos”, o fato de um filme não estar na lista certamente não é um julgamento automático sobre ele, existem dezenas de filmes excelentes de todos os tipos que não entraram ai embaixo. Limitei a lista a filmes superiores a 30 minutos o que teve o efeito ruim de limitar a presença de cinema experimental. Um dado positivo e que apesar do período entre 60 e 79 dominar mais da metade da lista, as últimas 3 décadas tiveram uma representação bem melhor do que suas reputações sugeririam.

Um último adendo eu passei os últimos dez dias trabalhando neste post e os filmes estão em ordem cronológica, mas os textos foram escritos sem nenhuma ordem enquanto eu depurava a lista aos poucos, explico para pedir desculpas pelo fato de ser mesmo um post bem caótico e deve por vezes soar repetitivo.

A lista segue dentro do post:

Paisá, de Roberto Rossellini

Paisá (Roberto Rossellini,1946)
Se Roma Cidade Aberta era um filme necessário para seu momento, Paisá é sua expansão essencial dentro do olhar rosselliano. Não surpreende que cada um dos seus episódios tem a principio um ponto de partida muito óbvio, mas que eles nunca registrem assim. A arte de Rossellini é de olhar e o que ele enxerga nunca é somente digamos “a redenção de uma prostituta”. O último episódio segue um dos momentos mais sublimes do cinema.

La Fumeria d’oppio (Rafaello Matarazzo,1948)
Catene (Rafaello Matarazzo,1949)
Descobri Matarazzo ano passado e venho regularmente assistindo seus filmes desde então e raramente me decepciono. È um autor de melodramas muito habilidoso com uma mise en scene que abarca bem os excessos do gênero sem deixar de ser cuidadosa. Meus favoritos aqui s]ao estes dois longas da virada da década de 40. La Fumeria d’oppio tem uma grande atmosfera enquanto Catene se agarra ao seu drama como poucos. São filmes que não podiam estar mais distantes da idéia de realismo que associamos a produção italiana do período (o artifício é o que os move), mas que são a sua maneira igualmente essenciais.

Domenica d’Agosto (Luciano Emmer,1950)
Até poucos anos atrás pouca atenção se depositara sobre os muito interessantes longas de Emmer, algo que felizmente parece mudar já que seu olhar sempre muito apurado merece atenção. Para quem se interessa pelo cinema italiano do imediato pós guerra Domenica d’Agosto tem muitas portas de entradas fáceis (roteiro de Sergio Amidei, uma das primeiras atuações de Mastroianni, etc.). Prefiro-o a muito dos filmes mais famosos do período (para não falar obras bem mais conhecidas de nomes como De Santis ou Germi) justamente por como Emmer faz da sua simplicidade uma virtude. Também documentarista, Emmer sabe observar.

Francisco, Arauto de Deus (Roberto Rossellini,1950)
Europa 51 (Roberto Rossellini,1951)
Pontos máximos da primeira metade da carreira de Rossellini. Francisco nos instala no nascimento da ordem franciscana e traduz em imagens a experiência que a forma, Europa 51 transmuta muita esta mesmas idéias para Itália do pós guerra e consta a sua impossibilidade. Filmes complementares e essenciais.

Os Boas Vidas (Federico Fellini,1953)
Amigos sempre me provocam dizendo que não gosto de Fellini, o que é o longe de ser verdade já que gosto muito de todos os filmes da primeira metade da carreira dele (tendo a perder mesmo o interesse quando os filmes se tornam fellinescos). Mas meu favorito é mesmo Os Boas Vidas.

Viagem a Itália (Roberto Rossellini,1953)
A esta altura Viagem á Itália é o contraponto autorista oficial a história enciclopédica de Roma Cidade Aberta., Nenhum dos dois filmes merece este destino, são vitais demais para isso.

Una Donna Libera (Vittorio Cottafavi,1954)
Cottafavi é conhecido hoje sobretudo pelos seus filmes de ação, mas ele também era um notável realizador de melodramas como este uma mulher livre bem atesta.  Trocamos Steve Reeves por Françoise Christophe, mas o mesmo apuro visual que tanto encantou certa critica francesa está lá.

Beatrice Cenci, de Riccardo Freda

Beatrice Cenci (Riccardo Freda.1956)
Freda é um destes cineastas que são ao mesmo tempo um tanto superestimado em alguns círculos e completamente desconhecidos fora dele. Era com certeza um esteta com olho dos mais apurados. Meu favorito dos seus filmes é este cruel conto medieval já filmado algumas outras vezes (a versão de Bertrand Tavernier é um remake direto desta), mas nunca com tamanho apuro.

Noites Brancas (Luchino Visconti,1957)
Geralmente prefiro os filmes preto e branco de Visconti aos coloridos, na sua aparente simplicidade e maior intimismo, são filmes que não deixam ao impor o romantismo inerente ao seu gosto pelo melodrama de funcionar como belas desconstruções da idéia de naturalismo realista ao qual a geração do cineasta será eternamente associada.

Os Eternos Desconhecidos (Mario Moniccelli,1958)
Aquele Caso Maldito (Pietro Germi,1959)
Como o conjunto desta lista deixa bem claro não tenho com o cinema popular italiano dos anos 50 a mesma intimidade que tenho com a de outras décadas. Moniccelli e Germi, entre os nomes mais estabelecidos do cinema italiano pré 60, aqueles que melhorem transitaram dentro de uma idéia de cinema popular e estes são seus dois melhores filmes. Os Eternos Desconhecidos segue uma das comedias mais engraçadas já feitas, Aquele Caso Maldito não tem a mesma fama mas é um grande filme policial com um roteiro engenhoso e uma excelente performance do próprio Germi como o policial que investiga o caso do título.

Verão Violento (Valerio Zurlini,1959)
Segundo longa de Zurlini e sua primeira obra-prima. Justificaria sua presença pela seqüência em que encontro Eleonora Rossi Drogo e Jean Louis Trintignant é interrompido pelo ataque aéreo.

A Aventura (Michelangelo Antonioni,1960)
Desconfio que o filme que Fritz Lang tenta filmar em O Desprezo é na verdade L’Aventura ou ao menos a idéia que Godard faz dela.

A Moça com a Valise (Valerio Zurlini,1960)
O homem sempre perde nos filmes de Zurlini. Estra sempre condenado de antemão. Pensamos em A Moça com a Valise, há um desarranjo completo de poder que condena seu casal principal: Jacques Perrin tem as condições financeiras, Claudia Cardinale a experiência. Poderiam salvar um ao outro, mas por causa deste desarranjo inicial estão condenados a ser personagens de Zurlini.

Viva l’Italia (Roberto Rossellini,1960)
Todos os grandes protagonistas de Rossellini não deixam de ser dementes, ao menos do ponto de vista do mundo a sua volta. Não será diferente com Garibaldi. O que fascina Rossellini na sua figura é a idéia do homem movido pelo desejo de unificar a Itália, mas não pelo poder. È aquele que cumprida sua missa com o país aos seus pés, da as costas e volta para casa. Garibaldi de Rossellini não é o grande homem agente da história, seu comportamento como grande general é de uma pequenez mundana quase embaraçosa para quem busca o grande agente histórico num filme – no ano do centenário da unificação! – que se recusa veemente a dar qualquer outra interpretação para o evento do que a convicção daquele homem.

Banditi a Orgosolo (Vittorio de Seta,1961)
De Seta já realizara alguns documentários na região em que Banditi a Orgosolo se passa e o que primeiro me impressiona é a força com que aquele espaço registra junto a nós. O que torna Banditi um grande filme é justamente o conflito entre este espaço e a simplicidade das ações que cabem ao protagonista mesmo em meio a uma narrativa dura e cheia de percalços.

A Guerra de Troia (Giorgio Ferroni,1961)
Entre todos os gêneros da industria italiana, o peplum segue aquele com menos fortuna crítica (com a possível exceção da comédia erótica e mesmo esta tem seus exemplares de prestigio). São filmes pobres sem dúvidas bem distante dos seus primos americanos mas muito por isso mesmo bem interessante já que tendiam a limpar a epopéia de seus ornamento . Obriga seus cineasta a sustentarem seus filmes num ponto de vista coisa que os melhores a se aventurar pelo gênero sabiam fazer. Pensemos neste longa de Ferroni, é um filme de guerra, mais é um filme de guerra que posiciona o mito de Tróia como uma guerra original fadada a se repetir ao longa da história européia.  Falar da presença inerente da guerra como parte essencial da formação de uma sociedade não é nada simples num pais cerca de 15 anos afastado de uma ditadura militarista que culminou numa guerra civil mas é do que trata Ferroni.

Hercules na Conquista da Atlantida (Vittorio Cottafavi,1961)
Uma aula de Cottafavi: os zooms fabulosos (e zoom bom é algo raro), o cuidado com as cores, o uso expressivo dos cenários, os movimentos precisos dos (maus) atores que resultam em imagens como Hercules segurando um barco pela ancora, uma escada cheia de corpos, todo o clímax.etc.

Il Posto, de Ermanno Olmi

Il Posto (Ermanno Olmi,1961)
A grande virtude de Il Posto é sua simplicidade. Podemos elogiar Olmi pelo seu comentário sobre o momento econômico italiano ou sobre como Olmi atualiza as lições do neorealismo, mas a verdade é que Il Posto encanta pela forma que sua câmera repousa junto ao seu protagonista Domenico e tira desta relação algo especial.

Dois Destinos (Valerio Zurlini,1962)
Exceto por um ou dois (ou três) Rossellinis, este é meu filme italiano favorito.  O Inácio Araujo costuma dizer que Zurlini é o mais triste dos cineastas, provavelmente é verdade, e nenhum outro dos seus filmes é tão triste quanto este Dois Destinos. É um filme de um horror incontido. Cada plano dotado de um peso como se o tempo e o ar a sua volta trabalhassem para sufocar seus dois irmãos.

O Eclipse (Michelangelo Antonioni,1962)
As duas melhores seqüências de Antonioni estão em O Eclipse – a do mercado de ações e a seqüência final – em abas cada um a sua maneira dizem muito sobre a relação entre espetáculo e presença tão centrais ao seu cinema e o que tornam muito mais interessantes que as idéias sobre mal estar e tédio cuja literatura sobre o cineasta freqüentemente o reduz.

La Legge de La Tromba (Augusto Tretti,1962)
Federico Fellini certa vez disse que todos deveriam deixar Tretti em paz com seus acessos de loucura pois eles faziam muito bem ao cinema italiano. A graça do cinema de Tretti é justamente sua disposição de abraçar a qualquer idéia  e situação. Para se ter uma idéia Tretti escalou a sua cozinheira para interpretar múltiplos personagens masculino no filme. La Legge de La Tromba é uma comédia absurda sob poder, mas o que nos envolve é a forma como o filme oferece um cheque em branco para a imaginação do seu realizador.

Os Noivos (Ermanno Olmi,1962)
Este segue meu filme favorito de Olmi justamente pelo sentimento de descoberta. Cada plano, cada imagem revela um maravilhamento próprio. È um filme previsto na idéia de um homem se habituando  com sua própria automação e é impressionante como cada plano de Olmi consegue localizar este processo e ao mesmo tempo explorá-lo esteticamente e servem como uma crítica amarga.

O Leopardo (Luchino Visconti,1963)
Uma preposição:  é preciso libertar Visconti dos viscontianos. O Leopardo e Rocco e seus Irmãos devem ter influenciado negativamente mais filmes que qualquer outros bons filmes e isto por vezes dilui o que a de notável nestes longas e sobretudo este O Leopardo.

The Whip & the Body (Mario Bava,1963)
Delírio visual como poucos na obra de Bava, The Whip & the Body justifica seu nome se revelando o mais físico e cru dos filmes do seu cineasta.

De Punhos Fechados (Marco Bellocchio,1965)
Suprimir a mãe, afogar a família é o mote que move boa parte da filmografia de Bellocchio. Lou Castel é pura energia voltada exclusivamente a este fim: a aniquilação completa da história privada para que uma história pública possa enfim começar.

O Dever Conjugal (Marco Ferreri,1965)
A principio uma coleção de esquetes sobre casamento, na pratica o primeiro filme em que Ferreri realizou por completo seu ponto de vista.

Vaga Estrela da Ursa, de Luchino Visconti

Quando o Amor é Cruel (Luigi Comencini,1965)
Vaga Estrela da Ursa (Luchino Visconti,1965)
Dois exemplares maiores da potencia do melodrama italiano.  É curioso pensá-los juntos e ver como suas recepções dizem muito sobre os limites de apreciação autorista de certo cinema da época.  Incompreso é justamente tido como um dos melhores trabalhos de Comencini, cineasta muito habilidoso, mas sem a grife de grandes autores do período (ou mesmo de uma simpática figura menor como Scola); já Vaga Estrela permanece quase esquecido dentro da obra de Visconti, sem a grandiloqüência de opera barroca de seus longas mais famosos.

Gaviões e Passarinhos (Pier Paolo Pasolini,1966)
Esta fabula de Pasolini sobre cinema italiano, sua história e sua política me envolve como nenhum outro dos seus filmes. Geralmente aprecio a teoria dos filmes de Pasolini bem mais que a pratica de vê-los, mas Gaviões e Passarinhos sempre foi exceção. E não tinha como não incluir na lista um filme que tenha aquele corvo como personagem.

Un Uomo a Meta (Vittorio De Seta,1966)
Imagino que este segundo longa de De Seta decepcionou a época quem esperava uma extensão das preocupações sociais e realismo de Banditi a Orgosolo, mas é mais próximo deste do que a principio aparenta. Um estudo sobre a presença de Jacques Perrin (notável, vale dizer)  é um filme que em meio a todos os seus traumas psicológicos se impõe pelos básicos elementos: um ator, um lugar, o espetáculo física da sua presença.

Cara a Cara (Sergio Sollima,1967)
O mais discursivo dos filmes de Sollima num filme cujo tema não deixa de ser o próprio discurso e como este é maleável para os mais diferentes fins. A transferência entre o bandido que encontra compaixão e o intelectual que a perde é só parte deste longo processo.

A China Esta Próxima (Marco Bellocchio,1967)
Como quase todos os filmes de Bellocchio A China Esta Próximo versa sobre a intersecção entrre sua política de esquerda e o peso da instituição da família italiana. Ao contrario de outros dos filmes a força destrutiva deste choque chega até nós numa chave mais anárquica que amarga.

O Dia da Desforra (Sergio Sollima,1967)
Dentro do sub gênero dos faroestes políticos, O Dia da Desforra é aquele que mais se aproxima de uma narrativa revisionista, seu mote é o desnudar o civilizado caçar de recompensas de suficientes boas maneiras para entrar na carreira política diante de uma caçada humana impossível que aos poucos lhe força a questionar seu8s motivos e senso de justiça.

Django If You Kill Shoot (Giulio Questi,1967)
Este primeiro longa de Questi é de uma frontalidade radical. Completamente desinteressado nos elementos típicos do gênero, é um catalogo de ganância e violência que segue saltando de registro e alusões. Questi é um artista originalíssimo, ocasionalmente vejo este filme descrito como “o spaghetti cheio de cenas esquisitas” ou “faroeste spaghetti dirigido por David Lynch” ou qualquer outra bobagem do gênero, mas a um propósito e ponto de vista que organiza estes seus rompantes de violência e crueldade.

Três Homens em Conflito (Sergio Leone,1967)
É muito interessante observar a evolução dos faroestes de Leone que se tornam cada vez mais ambiciosos no seu desejo de abraçar o operatico. Quanto mais expansivo seu cinema, maior Leone tende a ser, logo é em Três Homens em Conflito que ele finalmente atinge o tom que sustentaria pelos longas seguintes.

Death Laid an Egg (Giulio Questi,1968)
Giallo a moda de Questi, ou seja como nada mais no gênero. O casal Jean Louis Trintignant e Gina Lollabrigida cuidam de uma criação industrial de galinhas e ele divide suas atenções entre a esposa, a secretária e sua ocupação extra como assassino de prostitutas, de alguma forma isto tudo converge para as tais galinhas e produção industrial.

Era Uma Vez no Oeste, de Sergio Leone

Era Uma Vez no Oeste (Sergio Leone,1968)
Menos um filme sobre a fundação do oeste do que um filme sobre a fundação do cinema americano do ponto de visto de um italiano apaixonado o suficiente para imaginar seu próprio mito fundador para seu objeto de prazer.

Fractions of Temporary Periods (Piero Bargellini,1968)
Bargellini fez carreira das mais interessantes dentro do cinema experimental. Frctions é um média de 40 minutos e duas longas seqüências com dispositivo muito simples: uma câmera postada na janela do cineasta a observar cada atividade de uma garota do prédio da frente.  Cinema mínimo de efeito dos mais envolventes, nada acontece, mas ficamos presos aquela pouca ação.

O Grande Silêncio (Sergio Corbucci,1968)
O mais cruel dos spaghettis envolto no branco da neve constante e com caçadores de recompensa que se convertem em grupos de extermínio sancionados pelo estado. Um dos triunfos do faroeste político e com um dos mais fortes finais do gênero.

Sentado a sua Direita (Valerio Zurlini,1968)
O filme de Zurlini sobre Patrice Lumumba, ao mesmo tempo radical e extremamente católico.  Merceria estar aqui nem que fosse pelagrande atuação de Woody Strode.

Ato dos Apóstolos (Roberto Rossellini,1969)
Dada a centralidade do cristianismo na nossa sociedade, espanta que somente Rossellini tenha a sério se lançado a fazer este filme.  São 5 horas sobre a fundação do cristianismo conduzidas com muita atenção por Rossellini.  Um filme de grande curiosidade histórica, mas também um que reposiciona o estabelecimento do cristianismo como um ato revolucionário.

Dillinger é Morto (Marco Ferreri,1969)
A arte de Dillinger é Morto é da concentração: cada elemento de cena, cada movimento de Michel Piccoli cuidadosamente catalogados até que o acumulo deles alcancem o sentido necessário pra as intenções de Ferreri.

Nossa Senhora dos Turcos (Carmelo Bene,1969)
Capricci (Carmelo Bene,1969)
No assunto cineasta italianos com gosto pelo excesso, Carmelo Bene me diz bem mais do que Fellini. Estes são seus dois primeiros longas; apaixonantes na sua dedicação de levar seu projeto até o fim.

Citta Violenta (Sergio Sollima,1970)
Menos incisivo do que outros filmes de Sollima, este policial é porem extremamente inventivo e cheio de grandes cenas em especial nas partes inicial e final.

A Estratégia da Aranha (Bernardo Bertolucci,1970)
Não sou grande fã de Bertollucci e acho que a maioria dos filmes dele deixam de impressionar com o tempo, mas A Estratégia da Aranha com sua atmosfera de história suspensa é um grande filme. É junto com Partner, os únicos longas dele que seguram bem na revisão.

Necropolis (Franco Brocani,1970)
A história europeia como um circulo histórico assombrado neste filme em que Brocani busca um amplo leque de figuras da herança cultural européia (como o monstro de Frankenstein) numa longa noite e horrores. Filme muito peculiar dos mais obscuros e menos acessíveis da lista mas que vale muito a pena para quem tiver paciência para com ele.

L’Urlo (Tinto Brass,1970)
Gosto dos pastiches do começo da carreira de Brass e de alguns eróticos que ele faria mais tarde, mas os melhores trabalhos dele são mesmo estes do começo dos anos 70 com L’Urlo.

Vamos Matar Companheiros, de Sergio Corbucci

Vamos Matar Companheiros (Sergio Corbucci,1970)
Dos melhores faroestes políticos do período. Como artefato pop poucas obras da época se equiparam esta que se move com completa desenvoltura entre Franco Nero e Fernando Rey discutindo os méritos da revolução pacifica e violenta com Tomas Milliam sendo torturado por um rato.

Confissões de um Comissário de Policia ao Procurador da Republica (Damiano Damiani,1971)
Lembro me do Bruno Andrade me descrevendo o filme uns dez anos atrás “Filipe, pense que Nanni Moretti decida fazer um documentário que consista nele seqüestrar Berlusconi fazê-lo engolir uma arma e dizer ‘escreva ai todas as merdas que você cometeu’”. O espírito do melhor dos filmes do Damiani é bem este.

Em Nome do Pai (Marco Bellocchio,1971)
Um filme sobre o aprendizado do poder e a fascinação do fascismo. Desde seu curta para Amor e Raiva, Bellocchio entra neste mergulho amargo do que ele vê como um retorno sem volta ao fascismo e este Em nome do Pai é o melhor filme que faria durante esta fase.

Malestrana (Aldo Lado,1971)
Jean Sorel caminha perdido pela noite de Praga a procura da namorada desaparecida ao longa da maior parte de Malestrana. O tom lembra muito aquele que Kubrick buscaria mais tarde em De Olhos Bem Fechados.

Quando Explode a Vingança (Sergio Leone,1971)
Leone empresta sua elegância ao ciclo dos faroestes zapatistas. Como faz seu gênero chega por último e procura a sua maneira dar a última palavra e encerra o ciclo com um grande filme.

La Vacanza (Tinto Brass,1971)
O melhor longa de Brass (que contem provavelmente a melhor atuação de Vanessa Redgrave).  Uma aventura picaresca centrada numa mulher recém saída de um manicômio tem uma economia e precisão raras mesmo entre os primeiros longas de Brass.

A Era dos Medici (Roberto Rossellini,1972)
Um dos últimos filmes de Rossellini e também um dos melhores e mais atuais. Um filme sobre a desrazão do mercantilismo. Cosmo de Medici financia o iluminismo, mas também os horrores da lógica bancária.

Lisa e o Diabo (Mario Bava,1972)
O jogo de bonecas de Bava talvez seja seu filme mais direto e pessoal. Desde os créditos deixa claro que o diabo do título (Telly Savallas) é na verdade o próprio Bava. A pobre Lisa cabe pouco mais que reencenar a vida de outra mulher a muito morta cercada por fantasma que não sabem que a muito já morreram.

La Mala Ondina (Fernando Di Leo,1972)
Milano Calibre 9 (Fernando Di Leo,1972)
A chamada trilogia de Milão inclui três violentíssimos policiais sobre a máfia local e um dos olhares cruéis sobre a onda de violência que tomava o pais no período. O primeiro filme Calibre 9 é o melhor do ciclo e um dos melhores policiais da época, econômico, duro, seco e sem nenhuma concessão. Mala Ondina é um filme de caçada humana que se aproveita de um desempenho excelente de Mario Adorf como o perseguido. Ainda recomendo  o terceiro Il Boss, um pouco histérico, mas muito interessante. Di Leo era muito hábil nesta costura das pulsões de gênero e desejo de usá-lo como porta de entrada para retrato de época.

Night of the Devils, de Giorgio Ferroni

Night of the Devils (Giorgio Ferroni,1972)
Proximo do fim da carreira o veterano Ferroni fez esta adaptação do mesmo conto de Tolstoi que Bava usara em Black Sabbath, mas creio que prefiro esta versão que se beneficia da sua duração maior para se estabelecer com calma e aos poucos faz valer sua idéia extrema de pesadelo.

A Primeira Noite da Tranqüilidade (Valerio Zurlini,1972)
O professor que Alain Delon interpreta em A Primeira Noite da Tranqüilidade é um homem a procura da própria danação. O longa de Zurlini é um mecanismo pensado para permitir levá-lo a completar este intento. Existem muitos filmes sobre personagens auto-destrutivos, mas não como este, a noite da tranqüilidade prometida pelo titulo só é possível no limite do seu desaparecimento como a belíssima cena com Giancarlo Gianinni atesta.

Salome (Carmelo Bene,1972)
A obra toda de Bene é uma grande preparação para esta sua adaptação excepcional da peça de Wilde.

Don’t Torture a Duckling (Lucio Fulci,1973)
Entre uma atmosfera sedutora e a dura critica a mentalidade por trás dos bandos de linchamento esta este que é um dos mais fortes filmes de Fulci. A seqüência da execução  de Florinda Bolkan é notável e terrível como poucos momentos que este cineasta com filmografia rica em cenas brutais filmou.

Não Toque na Mulher Branca (Marco Ferreri,1974)
Junto a A Comilança provavelmente os mais fáceis de apreciar entre os grandes filmes de Ferreri por permitir alguns pontos de entrada bem claros. É uma farsa sobre a conquista do oeste, mas é muito mais que simples revisionismo, é a idéia de progresso na civilização ocidental como um todo que esta ewm jogo aqui e não a falta de heroísmo do general Custer.

Lucky Luciano (Francesco Rosi,1974)
Não sou fã de Rosi, mas abro uma exceção para este excelente filme de gangster.  O mosaico de Rosi vai aos poucos criando alcança uma força concreta rara: o filme é uma série de blocos que ilustram a idéia de que cinema de gangster – e tudo aqui é uma questão de alusão e iconografia – é inevitavelmente sobre o capital.

O Perfume da Mulher de Negro (Francesco Barilli,1974)
Barilli conjura uma série de imagens delirantes enquanto Mimsy Farmer aos poucos se perde em sua loucura. Um dos melhores e menos narrativos giallos do período.

Rabid Dogs (Mario Bava,1974)
Bava ao fim da carreira troca o fantástico por este thriller policial visceral e raivoso. Não deixa de se aproximar de certa vertente de cinema italiano do período que soube usar as vulgaridades do explotation em favor do cinema de denuncia, mas há algo de incisivo e desalentador muito próprio a Rabid Dogs.

Profissão: Reporter (Michelangelo Antonioni,1975)
O grande filme de aventura de Antonioni sobre os mistérios da construção de uma identidade. È crônica de como Jack Nicholson vai de um vazio plástico até ganhar corpo de uma identidade e por fim se dissolver.

Prelúdio para Matar (Dario Argento,1975)
Argento retoma Blow Up e o revê a sua maneira. Justamente seu filme mais famoso.

Fortini/Cani, de Jean-Marie Straub e Danielle Huillet

Fortini/Cani (Jean Marie Straub/Danielle Huillet,1976)
Um dos primeiros dos filmes de texto/paisagem que o casal Straub/Huillet fariam e um dos melhores também.

Ciao Maschio (Marco Ferreri,1977)
Ferreri dedicou a carreira inteira a idéia do homem como um animal envolto aos seus desejos e as implicações políticas deste olhar. Ciao Maschio não deixa de ser seu filme súmula e é também seu melhor trabalho.

Pensione Paura (Francesco Barilli,1977)
Cinema de horror italiano de um modo geral se situou bem distante do período fascista (ao contrário dos peplums e spaghettis que freqüentemente faziam alusões a ele). A exceção é este longa de Barilli passado numa pensão interiorana em 1945 no ocaso da guerra civil italiana. Visão apocalíptica do período como um momento de degradação total do país, seus horrores são da ordem muito mais psicológica do que do gore habitual.

Dalla nube alla resistenza (Jean Marie Straub/Danielle Huillet,1979)
È um filme construído sobre uma elipse, um corte. Estão ali dois textos diferentes de Pavase (inclusive temporalmente). O que os une? Uma história de resistência. O desejo do desentendimento que sempre guiou o casal Straub/Huillet.

Org (Fernando Birri,1979)
O épico pós apocalíptico de Birri é uma experiência única e no lugar de fracassar tentando descrevê-lo deixo a função ao próprio Birri numa palestra : La película duró diez años, ocho meses y catorce días. Acá hay algunos de los mantras de la película, de los que yo utilizaba como mantras en los programas, se los leo: “rigor y locura dándose la mano”; “imagen mágica”; “micro-utopía”; “narrative flash”; “filmunculus”; “habrá una vez”; “imagófagos” (devoradores de imágenes), y acá dice “cuento ideológico para adultos perversos polimorfos”;. Estas son algunas de las indicaciones que pueden mostrar qué era lo que se quería hacer con esta operación.

The Beyond (Lucio Fulci,1981)
A entrega completa a crença no poder de maravilhar do cinema de horror.

Olhos na Boca (Marco Bellocchio,1982)
Olhos na Boca é o filme que chegou depois. É um filme de crise, feito no meio da crise, que leva esta crise ao limite do seu impasse. Um filme funeral.  História de cadáveres. O cadáver da esquerda italiana e o cadáver dos cinemas novos. Bellocchio porém não tem interesse em sepultá-los, mas em parceria com Lou Castel encontrar formas de reanimá-lo. È o seu melhor filme.

Tenebrae (Dario Argento,1982)
O melhor, mais elaborado e violento dos gialli de Argento.  Sua crueza não deixa de ser um comentário amargo sobre o fim da indústria de cinema italiano.

Golpe no Coração (Gianni Amelio,1983)
Os prazeres da dramaturgia precisa neste melodrama familiar sobre filho que descobre que o pai intelectual tem ligações com os brigadas vermelhas. Primeiro e melhor dos longas de Amelio.

O Futuro é Mulher, de Marco Ferreri

O Futuro é Mulher (Marco Ferreri,1984)
Um dos filmes mais livres de Ferreri feito logo após dois dos seus filmes melhores aceitos (Crônica de um Amor Louco, A Historia de Piera) e talvez por isso mesmo ainda mais de se entregar por completo ao desarranjo do desejo do seu triangulo amoroso central.

A Missa Acabou (Nanni Moretti,1985)
Lembro-me de assistir o VHS da Globo Vídeo e me tornado um morettiano fanático automaticamente. O padre Michelle já não pode exercer sua função de compreender e auxiliar o próximo porque se decepciona com o mundo a sua volta. O cinema é prodigo em lamento geracionais, mas nunca com o poder de observação e inteligência de Moretti.

Phenomena (Dario Argento,1985)
Não se trata do melhor dos filmes de Argento, mas aquele que talvez seja mais envolvente e onde o imaginário das suas imagens se realize de forma mais plena.

Do Pólo ao Equador (Yervant Giakinian/Angela Ricci Lucchi,1987)
Nestes tempos em que a projeção digital ameaça ocupar 100% do mercado é sempre bom relembrar o casal Giakinian/Ricci Lucchi cujo olhar político é tão materialista que sua crítica literalmente passa pelo uso que fazem da película do filme.  Este ensaio sobre imagens e o colonialismo é o mais famoso dos seus filmes por bons motivos.

Palombella Rossa (Nanni Moretti,1989)
Esta comédia sobre política, identidade e pólo aquático segue meu favorito entre os filmes de Moretti. O filme em que ele melhor trabalha o choque entre seu senso de humor e a crônica de uma Itália fora dos eixos.

Cat in the Brain (Lucio Fulci,1990)
Após anos perdidos em longas medíocres no ocaso da industria italiana, Fulci retornou com este ótimo horror metalingüístico em que interpreta si mesmo assombrado pelas suas imagens de horror e envolvido numa trama de assassinatos. Um dos seus melhores filmes, auto-reflexivo sem com isso perder um tom jocoso, lembra um tanto o Exorcismo Negro do Mojica.

Nostos – Il Retorno (Franco Piavolli,1990)
Não tinha nenhuma informação sobre este que o filme quando eu vi, só a discrição de um usuário do KG de que era “A Odisséia filmado como o Garrel da fase A Cicatriz Interior”. Bela descrição por sinal.

Caro Diário (Nanni Moretti,1994)
“Esta é a coisa que mais gosto no mundo” declara Moretti logo no inicio de Caro Diário, podemos dizer que ele fala de caminhar de lambreta pelas ruas de Roma ou talvez simples de apontar sua câmera, observa e mostrar algo que realiza com enorme desenvoltura ao longo de Caro Diário.

Pelo Amor e Pela Morte (Michelle Soavi,1994)
Apesar de alguns belos filmes tardios de Argento (Sindrome de Sthendal, Sleepless)  este trabalho de Soavi não deixa de ser um último suspiro do cinema de horror italiano ou ao menos uma belíssima homenagem de um aluno aplicado que sabe localizar a potencia da imaginação do melhor do gênero.

Totó que Viveu Duas Vezes, de Daniele Cipri e Franco Maresco

A Memoria (Daniele Cipri/Franco Maresco,1996)
Totó que Viveu Duas Vezes (Daniele Cipri/Franco Maresco,1998)
Cipri e Maresco são os cineastas mais relevantes surgidos na Itália nas últimas duas décadas, mas é difícil acompanhar sua obra em que seus três longas não são mais importantes que um sem numero de curtas e medias (como A Memoria), alem de horas de produção televisiva (que eu pouco conheço). È um cinema muito interessante para o cinéfilo brasileiro pois lembra muito os filmes mais extremos do cinema marginal (difícil ver A Memoria e não pensar em Candeias). É uma obra muito coesa: o mesmo apuro visual, os mesmos atores amadores, o desinteresse em narrativa, a paisagem do sul italiano, o apreço pelos esquecidos e abertura completa para toda a forma de grosseria e quebra de tabu imaginável.  Não são filmes bonitos pelo contrário diante de um filme como Totó que Viveu Duas Vezes nos vemos diante de um painel da humanidade abandonada a mais completa dor, sua feiúra é o que os torna tocantes.

Gente da Sicilia (Jean Marie Straub/Danielle Huillet,1999)
Sicilia! foi o primeiro Straub/Huillet que vi e talvez por isso mesmo marcou me tanto.  É um filme da arte do campo-contracampo e não há toa mais tarde Pedro Costa faria um filme-aula com os cineastas remontando-o.

A Hora da Religião (Marco Bellochio,2002)
Se Olhos na Boca tratava de repensar De Punhos Fechados no começo dos anos 80, A Hora da Religião faz o mesmo com os dois filmes anteriores em 2002. No cinema de Bellocchio fica a pergunta constante “como manter um olhar progressista numa sociedade eminentemente conservadora?”. A Hora da Religião a responde como nenhum outro de seus filmes.

Una Ora Sola Ti Vorrei (Alina Marazzi,2002)
Marazzi constrói este belíssimo media-metragem a partir do material de arquivo da família sobre sua mãe que se suicidou quando ela tinha 7 anos de idade. É o desejo de devolver a mãe um corpo, de por uma hora que seja trazê-la de volta a vida. Filme de amor.

Cantando por trás das Cortinas (Ermanno Olmi,2003)
A série de filmes que Olmi fez ao voltar da aposentadoria é notável, mas nenhuma mais do que esta belíssima fabula de piratas.

O Retorno de Cagliostro (Daniele Cipri/Franco Maresco,2003)
Investigação cruel, criativa e divertidíssima sobre uma desastrosa produção maldita fictícia. Grande ensaio sobre as dificuldades da arte popular na Itália.

A Volta do Filho Prodigo/Os Humilhados  (Jean Marie Straub/Danielle Huillet,2003)
É incrível como os mais materialistas dos cineastas podem fazer filmes tão belos sobre a palavra falada como a série de adaptações que o casal Straub fez de Elio Vittorini.

Mysterium Noctis (Giulio Questi,2004)
Questi após décadas de silêncio retornou com uma série de curtas e medias muito próprios. Mysterium Noctis como os demais filmes recentes dele é literalmente um filme artesanal (rodado no apartamento do cineasta, com uma câmera digital e o próprio como único ator). Caderno de anotações do cineasta, fábula, exercício de imaginação. Questi é de uma crença completa no poder da sugestão cria um mundo entre sua sala e seu banheiro.

Oh, Uomo! (Yervant Giakinian/Angela Ricci Luchi,2004)
Talvez o único grande filme que eu não tenho nenhum interesse de ver de novo. Lembro-me de sair da sala de cinema tão exaurido fisicamente desta coleção de mutilações de guerra que mal sabia o que pensar, mas ela permanece contigo sempre a assombrar.

As Quatro Voltas (Michelangelo Frammartino,2010)
Frammartino já estreara com um filme muito forte chamado Ill Dono bem similar a este, mas reestrutura algumas dos procedimentos daquele filme sobre uma chave diferente. As Quatro Voltas representa bem uma característica bem comum do cinema italiano o encontro entre um desejo materialista e uma intensa religiosidade (não necessariamente cristã).

37 Comentários

Arquivado em Crítica, Filmes, Listas

37 Respostas para “100 Filmes Italianos

  1. Os textos estão ótimos. E, pra mim, a lista serve como guia: não vi muitos dos filmes, e vários deles parecem muito bons.

    • Filipe Furtado

      Tiago, creio que todos os filmes da lista da para encontrar na internet (nem sempre nas melhores copias), mas alguns não sei se tem legenda.

  2. Sensacional, Filipe. Como recorte histórico só senti falta dos “mondo” do Jacopetti, você não gosta de nenhum?

  3. Paulo

    Ok, vou ser o primeiro: Cadê “O Conformista”?

    • Filipe Furtado

      Paulo, com mencionei no comentário sobre A Estrategia da Aranha não sou muito fã de Bertolucci. Gosto mesmo deste e de Partner. Acho O Conformista interessante só.

  4. Tudo depende do ponto de vista de cada un… é difícil fazer uma lista de 100 filmes…

    Gosto moito de Bellocchio, mais La Cine e vicina e Nel nome del padre parecenme menores a carón de Vincere, Salto nel vuoto, Il principe di Homburg. Iso sí, os meus favoritos son L’ora di religione e Gli occhi, la bocca.

    E Bolognini? non gosta del? Na minha opinião é um dos melhores cineastas italianos. Posso discordar sobre algunha escolha… Gosto máis de Arcana que de Death Laid an Egg. Ou de Quei loro incontri perante Fortini/Cani.

    Mais opinións son isso… opinións… Muito obrigado pela lista. Eu não vi nada de Brocani, Ferroni ou Barilli.

    Um abraço da Galiza (agardo que você perdoe o meu portugués

    • Filipe Furtado

      Miguel, obrigado pelos comentarios.

      Quase coloquei Salto Nel Vuoto na lista (Principe di Homborg eu até hoje não vi).

      Gosto de Bolognini, mas não é um favorito.

      Conheço Arcana só no corte mais curto, gostaria muito de velo na versão longa.

  5. João Paulo

    não esperava nenhum Pasolini de você Furtado…e fiquei muito feliz com a presença desse diretor, mas achava que Teorema era seu preferido dele

    de qualquer foma, ótima lista, achava que iria ter muito menos filmes pós-2000 do que teve de fato teve

  6. Rodrigo Duarte

    Que presente esse hein! Depois de um hiato de alguns meses, vc já volta lançando essa pérola para os seus leitores. Excelente, mesmo porque conheço muitos de apenas nome, me incentiva a buscá-los.
    Vou abusar um pouco da sua boa vontade: vc já publicou uma lista dos 100 americanos “em protesto contra a lista da AFI”, agora os seus 100 italianos, será que rola uma com os 100 franceses?
    Gde Abraço.
    Rodrigo Duarte

  7. caiolefou

    Boa lista, só fiquei triste mesmo de não ver nenhum do Castellari.

    • Filipe Furtado

      Eu gosto do Castellari, mas não ao ponto de lista-lo ai. Tem varios diretores contemporaneos dele que trabalham no registro de ação/faroeste que eu listaria um filme extra antes de acrescentar um do Castellari.

  8. Pingback: Uma centena de filmes italianos « VIVER E MORRER NO CINEMA

  9. Também não gosta de Fellini? Estranhei que, numa relação de 100 filmes! italianos, não estejam La Strada, Oito e Meio, Amarcord e A Doce Vida. Mesmo estando cansado de saber que esse negócio de lista é uma coisa muito pessoal, subjetiva. Por outro lado, gostei de você incluir As Noites Brancas (nos cinemas ele foi exibido com o título de Um Rosto na Noite) , um filme pouco valorizado de Visconti. Saudações cinéfilas.

  10. Cássio

    Gostei demais da lista, parabéns.
    Eu só colocaria O Deserto dos Tártaros, do Zurlini.

  11. Faltou :
    Cinema Paradiso,
    Pergunte-me se estou feliz,
    Roma Cidade Aberta,
    Satiricon,
    Mediterrâneo,
    A Noite e O Eclipse(A Aventura já listou),
    La dolce vita,
    Fellini 8 e 1/2,
    Ladrões de Bicicletas,
    Amarcord e…e…
    Caligula(..é bom ,vai?)

  12. Marcelo Rosa

    Respeito o seu conhecimento e preferencia,concordo com a maior parte desta lista,mas respeitosamente menciono que deixar o Vitorio de Sica( Humberto D,ladrões de Bicicleta) de fora de qualquer menção ao cinema italiano é no minimo um crime.

  13. Carlos Roberto

    Nenhum do Ettore Scola ?

  14. Fernando Franco Nunes

    Adorei a lista, mas onde está Mario Monicelli e seu impagável L’ARMATA BRANCALEONE?! Gassman (vulgo IL MATTATTORE) está impagável nesta película! Abraços!

  15. Marivone

    Dias atrás, estava procurando um filme para ver no Youtube e encontrei “Scusa ma ti chiamo amore” (Lição de Amor no Brasil). Vi um trecho do começo, outro no meio e o final. Só de curiosidade. Achei ruim.

    Navegando num site de downloads, descobri que esse filme era italiano (algo que não tinha reparado) e que, inclusive, tinha continuação: “Scusa ma ti Voglio Sposare”. Baixei, mas não deu outra, acabei fazendo igual fiz ao ver o primeiro filme. Não me conformei, ficava me perguntando se o cinema italiano era bobinho daquele jeito. Daí lembrei que Roberto Benigni é italiano e fui pesquisar como era o cinema italiano realmente.

    Acho que não dou pra isso, lendo as sinopses da sua lista, achei-os todos de conteúdo muito pesado. Do [pouco que conheço do] Cinema Italiano, gosto do “A Vida é Bela” (deve ser a atuação mais belíssima de Benigni) e “Ladrões de Bicicleta”.

    Ah! Eu era fã de faroeste italiano, hoje em dia eu só acho que o italiano é muito mais coerente do que o faroeste americano. Perdi o interesse pelo faroeste.

    Seria magnífico que rolasse uma lista de 100 filmes franceses! *-*

  16. cristina mattos

    Adorei a lista. Excelente colaboração.
    Não vi na sua lista um filme de Silvio Soldini intitulado Pane e Tulipani que realmente merece ser indicado para quem gosta de cinema.

  17. maria de fátima de sousa

    Você não relacionou o filme “O amor nasce do ódio”, protagonizado pelo ator Jean Maria Volonté que na minha opinião fez grandes filmes nos anos “70”.

  18. Yara

    Você mesmo disse que deixou vários filmes de fora e que é uma lista bem pessoal.Mas não tem Cinema Paradiso né?Gosto e gosto mas pra mim esse filme é uma obra prima.
    Mas a lista ficou interessante.Dá pra ver que vc tem bastante cultura cinematográfica.

  19. Adorei a sua lista. Que saudades desses tempos! Que realizadores maravilhosos!

  20. Roberto Barbosa

    Excelente a lista. Modestamente permito-me incluir “Os companheiros”, de Monicelli e “Esse crime chamado Justiça”, com o grande Ugo Tognasi. Abraços

  21. mario silva

    Aplaudo sua dedicação e quase solitária pesquisa sobre os 100 grandes
    filmes italianos dos últimos 60 anos. Mas creio que há um certo pendor para a polêmica, pois deixar de fora Rocco e seus irmãos, Violência e Paixão
    (Visconti); Mulheres e Luzes, A Estrada, A Doce Vida, 8 1/2, Ginger e Fred
    (Fellini); Feios, Sujos e Malvados, Nós que nos amávamos tanto, Casanova e a Revolução, O Jantar (Scola); Cinema Paradiso (Tornatore); Seduzida e
    Abandonada (Germi); Investigação sobre um Cidadão acima de qualquer Suspeita (Petri); Aquele que sabe Viver, Perfume de Mulher, Marcha sobre Roma (Risi); Os Companheiros, Meus Caros Amigos I e II, A Grande Guerra
    (Monicelli); Deserto dos Tartaros (Zurlini); Ladrões de Bicicleta, Umberto D (De Sica); Esposamente (Vicario), A Lenda do Santo Beberrão (Olmi); Um Amor quase Perfeito (Rocco); O Conformista, Ultimo Tango em Paris (Bertolucci); Pão, Amor e…I e II (Comencini): e optar por Caro Diario e um monte de “Giallo” é para estomagos embrutecidos por bolinhos de bar de Estação Rodoviária. Não tenho dúvida em afirmar que além desses últimos citados,metade da produção relacionada dos anos 80 para cá é inferior a todos esses que arrolei. Mas gostei de ver o grande destaque dado à obra monumental de Rosselini (faltou De Crápula a Herói) e à de Zurlini.

  22. domenico manzano

    Bricadeira! Você faz uma relação de 100 filmes italianos e não inclui De Sica, Fellini, Luchino Viosconti? Que lista mais furada, meu!
    Domenico Manzano

  23. Horrível lista, puxada para o histérico e para a polêmica. Imaginem uma lista sem A Doce Vida, Rocco, A Longa Noite de Loucuras, 120 dias em Sodoma, Teorema, Belíssima, Ossessione, Violência e Paixão, Os Jardins dos Finzi-Contini, 1900, A Estratégia da Aranha, Suspiria, Keoma, La Notte Brava, Oito e Meia, Amarcord, O Deserto dos Tártaros, Os Deuses Malditos, Esposamante, Accatone, Evangelho Segundo Mateus e muitos e muitos outros melhores do que tantos de Mário Bava, uma preferência clara do autor da lista.

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