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O Milton do Prado está com blog novo.

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Gran Torino

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Sempre me divirto muito com as discussões sobre Clint Eastwood. Vou escrever mais sobre Gran Torino antes do filme estrear, mas ri muito da dificuldade de alguns de entender os métodos de Clint. Não que Gran Torino não tenha suas fragilidades como ocorre com alguma freqüência em determinados filmes de Eastwood as necessidades de sublinhar certos pontos para o espectador não deixa de vir acompanhadas de algumas caricaturas excessivas as margens da trama, que se não incomodam e são até fáceis de entender o sentido não deixam de soar como corpos estranhos dentro do filme. Por outro lado, sigo lendo reclamações sobre o jovem ator que interpreta o padre que tenta convencer o personagem de Eastwood a se confessar. O rapaz, que me parece muito eficiente em todas as suas seqüências, visivelmente não tem presença de cena para dividir a tela com o astro/autor. O que me parece tanto a razão pela qual é mencionado negativamente na maioria dos textos sobre o filme, como toda razão de ser do seu personagem. É um pouco como Jorge Rivero diante de John Wayne no Rio Lobo de Hawks, parado ali diante de Eastwood o garoto faz mais para reforçar o mito do que muitos textos laudatórios seriam capazes.

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Links

David Hudson, responsável pelo melhor apanhado de links de lingua inglesa da web, se mudou do Green Cine Daily para .

A Film Comment colocou no ar um bom podcast sobre Clint Eastwood aqui.

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Jogos de Azar (Robert Mulligan,74)

Esta ai um filme que ajuda a explicar como a carreira de Mulligan se transformou nos anos 70 depois de uma boa década como um cineasta de prestígio. Um conto paranóico de um pequeno gangster (Jason Miller) cujos negócios vão mal e que precisa desesperadamente fechar uma transação imobiliária. Nas mãos do seu ex-parceiro de Alan J. Pakula (cineasta medíocre, mas de muito mais sucesso de público e crítica à época) seria um filme muito mais inflado e com a paranóia do protagonista recebendo um peso simbólico muito clara. Ou seja, Pakula faria disto um filme muito mais importante. Já Mulligan se contenta em mover as peças de gênero enquanto realiza sua pequena tragédia particular de um homem visivelmente fora de sincronia com o universo a sua volta (algo com o qual o cineasta devia se identificar). Faz isso com atenção especial para seus atores (em particular Miller e Bo Hopkins como o cowboy que talvez seja um matador de aluguel) e para pequenos detalhes e locações. Ou seja, se o hipotético Jogos de Azar de Pakula (podemos pensar naquele vergonhoso A Trama feito na mesma época) nos seria entregue de cima para baixo, a tragédia de Mulligan parece vivida até o último instante seja na invenção, seja no clichê.

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Melhores de 2008 – Parte III

Melhores filmes “antigos” vistos pela primeira vez este ano: A Beira do Mar Azul (Boris Barnet); L’Arriere Pays (Jacques Nolot); Caudecuc-Vampyr (Pere Portabella); Elegia de Osaka (Kenji Mizoguchi); The Iceman Cometh (Clarence Fok); O Insigne Ficante (Jairo Ferreira); Kindering (Stan Brahkage); Lola (Jacques Demy); As Luvas Mágicas (Martin Rejtman); A Marcha Nupcial (Eric Von Stroheim); Model Shop (Jacques Demy); Murder by Contract (Irving Lerner); My Brother’s Wedding (Charles Burnett); Nomad (Patrick Tam); Oh Uomo! (Yervant Gianikian/Angela Ricci-Lucchi); Paria (Nicolas Klotz); Ponte de Varsóvia (Pere Portabella); Subúrbios (Boris Barnet); Tom Tom The Piper’s Son (Ken Jacobs); O Vampiro da Cinemateca (Jairo Ferreira)

10) Dance Party, USA (Aaron Katz)

Eric Rohmer encontra King Vidor. O mais simples dos argumentos (rapaz se apaixona por garota, confessa seu maior pecado, faz o que é preciso para compensa-lo) com o mais exato dos olhares. E provavelmente custou um décimo da diária de alguns dos nossos elefantes brancos.

9) Diário dos Mortos (George Romero)

Ensaio sobre o visível.

8 ) Aquele Querido Mês de Agosto (Miguel Gomes)

O mais impressionante no filme de Gomes é como ele é capaz de sugerir ao mesmo tempo um completo frescor e liberdade e a cada nova visita se revelar uma obra tão cuidadosamente pensada.

7) O Canto dos Pássaros (Albert Serra)

Três homens munidos de uma certeza e uma relação de intimidade especial com o mundo. O sacro filmado sem nenhuma formalidade. O olhar de Serra parece constantemente maravilhado com tudo a sua volta.

6) Noite e Dia (Hong Sang-soo)

Nesta altura Hong Sang-soo já é um mestre que parece estar apenas a aperfeiçoar a sua obra. De novo, Noite e Dia apresenta “só” o grosso da ação se passar na França, mas exceção feita a Conto de Cinema talvez se trate do seu filme mais exato.

5) Tokyo Sonata (Kiyoshi Kurosawa)

Kurosawa aplica muito das lições aprendidas em anos lidando com o sobrenatural neste melodrama familiar aparentemente naturalista.

4) Gran Torino (Clint Eastwood)

Bem distante do Dirty Harry geriátrico prometido pelo material de divulgação, Gran Torino é uma versão revisionista se um tanto menos elegante de Os Imperdoáveis. Se é mesmo o último trabalho como ator do cineasta trata-se de uma despedida bem mais adequada que Menina de Ouro.

3) Profit Motive and the Whispering Wind (John Gianvito)

A política, as folhas e o vento.

2) Sparrow (Johnnie To)

Hong Kong filtrada pela câmera de Johnnie To em momento de melancolia agridoce à Demy.

1) Le Genou d’Artemide (Jean-Marie Straub)

Aqui.

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Melhores de 2008 – Parte II

Primeiro uma pequena relação de dez filmes do circuito que ficaram inelegiveis por pertencerem ao meu ano cinematográfico de 2007: 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (Cristian Mungiu); Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto (Sydney Lumet); Canções de Amor (Cristophe Honoré); A Espiã (Paul Verhoeven); Uma Garota Dividida em Dois (Claude Chabrol); Não Estou Lá (Toedd Haynes); Paranoid Park (Gus Van Sant); A Questão Humana (Nicolas Klotz); Serras da Desordem (Andrea Tonacci); Uma Velha Amante (Catherine Breillat)

30) Melancholia (Lav Diaz)

Diaz é um cineasta com uma missão enorme: cartografar os efeitos da história filipina recente sobre sua população. A última parte do filme – um longo flashback para os últimos dias de uma guerrilha perseguida pelo exercito local – é especialmente forte.

29) Una Semana Solos (Celina Murga)

Um filme muito simples acompanhando alguns dias de um bando de adolescentes e pré-adolescentes cujos pais viajaram. Murga tem um dos olhares mais atenciosos do cinema recente e o lenço mirim é ótimo. Não sei como não passou nem no Festival, nem na Mostra ou por sinal não arranjou distribuidora já que imagino faria boa carreira no Espaço Unibanco.

28) O Romance de Astree e Celadon (Eric Rohmer)

Se for mesmo o último filme do Rohmer, trata-se de uma bela despedida.

27) Quatro Noites com Anna (Jerzy Skolimowski)

Depois de quase vinte anos afastado o maior artista polonês retorna com um filme de controle e precisão impressionantes, não existe um recorte de luz, uma inflexão do rosto de um dos seus atores que não pareça servir a Skolimowski e elre ainda arranjou um gênio para o papel principal.

26) Liverpool (Lisandro Alonso)

O encontro entre o olhar de retratista de Lisandro Alonso com uma pulsão dramática inexistente em seus trabalhos anteriores.

25) Southland Tales (Richard Kelly)

Richard Kelly faz para crepúsculo dos EUA de Bush, o que antes fizera para o de Reagan. Kelly é um grande historiador pop, parte Robert Aldrich, parte Grant Morrisson.

24) Wall-E (Andrew Stanton)

Talvez o melhor filme da Pixar.

23) Schindler’s Houses (Heinz Emigholz)

Memorando ao É Tudo Verdade: façam uma retrospectiva do Emigholz que pela primeira vez eu até me esforçaria em cobrir o evento de vocês. Através de 40 casas que Rudolph Schindler construiu em Los Angeles entre os anos 30 e 50, o cineasta alemão apresenta a cidade como nenhum filme fizera antes.

22) Memories (Harun Farocki/Pedro Costa/Eugene Green)

Uma raridade: um filme em episódios onde todas as contribuições são essenciais. Farocki e seu ensaio a Marker sobre os registros do holocausto, Costa e mais um lado B de Juventude em Marcha e sobretudo a fábula romântico-medieval-cibernética delirante de Green.

21) Quando Eu Era uma Criança Lá Fora (John Torres)

Um emocionante caderno de anotações do seu cineasta onde uma série de fragmentos de possiveis filmes formam um todo muito maior e ambicioso.

20) Next Attraction (Raya Martin)

Contracampo da imagem filmada.

19) Um Conto de Natal (Arnaud Desplachin)

Três coisas que Desplaschin adora: atores, montagem e estruturas romanescas. Ele joga com elas como poucos. Um Conto de Natal pode não ser um Esther Kahn ou Reis e Rainha, mas quem se importa?

18) Falsa Loura (Carlos Reichenbach)

Na obra do Carlão há sempre o seu lado Zurlini e seu lado Imamura, nos últimos filmes Zurlini vinha ganhando de goleada, mas Falsa Loura equilibra as coisas como nenhum filme seu com a possível exceção de Anjos do Arrabalde.

16/17) Boarding Gate (Olivier Assayas)/Horas de Verão (Olivier Assayas)

Dois filmes de Assayas mais próximos do que muitos imaginam, apesar de superfícies tão distantes. Pensar neles com mais atenção revela como a obra de Assayas é coerente dentro de todo o seu ecletismo.

15) Wendy & Lucy (Kelly Reichardt)

O minimalismo de Reichardt vem acompanhado de um pragmatismo que associo com uma parcela do cinema americano. Wendy & Lucy não está tão longe da versão que Howard Hawks faria para Umberto D num universo alternativo onde tal projeto pudesse interessar a ele. E Michelle Williams leva fácil meu voto de melhor performance do ano.

14) A Fronteira da Alvorada (Philippe Garrel)

Garrel é sempre Garrel. Aqui temos aquelas imagens de sempre, fantasmagóricas, que parecem imergir de algum momento oculto da história do cinema prontas a nos assombrar.

13) Death in the Land of Encantos (Lav Diaz)

Mais que algum fait divers a longa duração dos filmes de Diaz é essencial para seu projeto. As pequenas variações e o acumulo de detalhes dão um poder todo próprio para Encantos que nenhum filme de duas horas é capaz de atingir. No caso o uso das locações devastadas acrescenta uma força maior ainda ao trabalho de Diaz.

12) Mad Detective (Johnnie To/Wai Ka-Fai)

Johnnie To entra por território muito próximo de certos thrillers de Kiyoshi Kurosawa neste filme onde a narrative segue se estilhaçando novas multiplas partes. Uma obra-prima e o pior é que nem é o melhor To novo q vi este ano.

11) Unas Fotos en la Ciudad de Sylvia e otras Ciudads (José Luis Guerin)

O “rascunho” de En La Ciudad de Sylvia não tem o mesmo impacto do filme posterior (que teria sido primeiro ano passado caso minha lista seguisse os critérios deste ano), mas de certa forma é um filme até mais ambicioso. Recomendo muito a leitura deste texto do Miguel Marias.

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Melhores de 2008 – Parte I

Este ano a programação do blog será diferente. Resolvi ignorar completamente a lógica do nosso circuito cada vez mais insuficiente (apesar dos bravos esforços de alguns distribuidores mais corajosos). Portanto nos próximos 3 dias publicarei aqui minha relação dos 50 melhores filmes vistos por mim pela primeira vez este ano. Como a idéia é fazer uma lista contemporânea usei o arbritário ano de 2006 como limite para a idade dos filmes (uma lista suplementar de filmes “antigos” sai dia 31). Vários filmes relevantes do circuito portanto ficaram inelegíveis por pertencerem ao meu ano cinematográfico de 2007. Começo com uma lista de outros 25 filmes que quase chegaram lá: 24 City (Jia Zhang-ke); Acácio (Marilia Rocha); Acne (Federico Velloj); Amigos de Risco (Daniel Bandeira); Aquiles e a Tartaruga (Takeshi Kitano); Boogie (Radu Manteanu); O Casamento de Rachel (Jonathan Demme); A Erva do Rato (Julio Bressane); Eu Quero Ver (Khalil Joreige e Joana Hadjithomas); Hancock (Peter Berg); Os Indomáveis (James Mangold); KFZ-1348 (Gabriel Mascaro e Marcelo Pedroso); Linha de Passe (Walter Salles/Daniela Thomas); Missing (Tsui Hark); Momma’s Man (Azazel Jacobs); Na Guerra (Bertrand Bonello); Nome Próprio (Murilo Salles); Possible Lovers (Raya Martin); Razzle Dazzle (Ken Jacobs); O Segredo do Grão (Abdelatif Kechiche); O Silencio Antes de Bach (Pere Portabella); O Silêncio de Lorna (Jean-Pierre e Luc Dardenne); Tirador (Brillante Mendoza); Tulpan (Sergei Dvortsevoy); O Ultimo Reduto (Rabah Ameur-Zamaiche)

50) Fim dos Tempos (M. Night Shyamalan)

A câmera de Shyamalan não tinha como encontrar tema mais adequado do que o universo pós-civilização ao qual ele se dedica aqui.

49) Segurando as Pontas (David Gordon Green)

Filipe: Não sei bem o que escrever sobre Segurando as Pontas.
Guilherme: Duas palavras: James Franco.

É ótimo ver Gordon Green saindo da camisa de força autoral em que se encontrava, mas o que eleva esta comedia de maconheiros é a performance de Franco.

47/48) Ghiro Ghiro Tondo (Yervant Gienikian e Angela Ricci-Lucchi)/Speed Racer (Andy e Larry Wachowski)

Dois extremos opostos do cinema que se completam (desconfio que o fracasso dos Wachowski foi mais visto na sexta de estréia em São Paulo do que o filme do casal Gienikian/Ricci-Lucchi foi em toda a sua carreira em festivais). Ambos partem de brinquedos/fantasias infantis para produzir experimentos dos mais consistentes do ano.

46) A Encarnação do Demônio (José Mojica Marins)

Maravilhosamente torto. Mojica segue um dos nossos cineastas mais imaginativos e poucas vezes ficamos diante de um filme de terror tão palpável.

45) Fengming (Wang Bing)

Não deixa de ser outro filme de horror terrivelmente materialista apesar de por 3 horas contar com pouco mais que uma senhora recontando suas experiências. E como não se impressionar com a maneira como Bing vai aos pouco registrando a passagem do tempo?

44) Cleópatra (Julio Bressane)

Esta chanchada sobre civilização é o filme que Frank Tashlin faria se resolvesse se voltar para o mito de Cleópatra ou o elo perdido entre Straub e a Boca do Lixo. Pronto: um filme para deixar o Luc Moullet com muita inveja. Certamente o mais vital trabalho de Bressane em muitos anos.

43) Se Nada Mais Der Certo (José Eduardo Belmonte)

Na outra ponta do cinema brasileiro, Belmonte segue cada vez melhor. Se Nada Mais Der Certo pode não ser um filme de mestre como os do Bressane e Mojica, mas Belmonte se dedica com tanta paixão ao seus pontos altos, que não me incomodo com os momentos em que o filme ameaça descarrilhar.

42) Flash Point (Wilson Wip)

Este veículo exuberante para Donnie Yen quase recaptura os tempos áureos da industria de Hong Kong. Cinema popular dos mais simples e criativos.

41) Deixa Ela Entrar (Thomas Alfredson)

Mais um filme de horror na lista. É um belo terror/romance sobre os horrores de se ter 12 anos. E se esta relação central entre vamprismo e pré-adolescencia não é em si nada demais, a condução segura de Alfredson é das mais expressivas.

40) Serbis (Brillante Mendoza)

Como dar vida a um ambiente. A operação de Mendoza consiste em pouco mais que imaginar num ambiente e lá se instalar. Incrível como o filme se finca na memória.

39) Hellboy 2 (Guillermo Del Toro)

Bem mais pessoal – se menos focado dramaticamente – do que o já muito bom filme anterior. Vence com muitas sobras o prêmio de melhor filme de super-herói do ano.

38) Loos Ornamental (Heinz Emigholz)

A série Architeture, Photography & Beyond que Emigholz vem desenvolvendo há muito tempo (este filme sobre Adolph Loos é o 13º dela) foi um dos meus achados do ano. É uma aula de construir uma narrativa a partir de quase nada (uma série de planos de construções) e de fazer uso expressivo de som direto.

37) Over Here (Jon Jost)

Complemento essencial ao Redacted de De Palma em que outro mestre maldito do cinema americano lança mão de cada truque no seu arsenal estético para expor com todo o seu descontentamento com a ocupação do Iraque.

36) Cinturão Vermelho (David Mamet)

Mamet segue purificando seu cinema rumo ao essencial. Quase dá para pensar em John Ford.

35) Leonera (Pablo Trapero)

No meio de tanto brilhareco que marca o mito do “novo cinema argentino”, é sempre bom termos a exatidão de Trapero, muito mais modesto e muito mais talentoso (Alonso e Rejtman são hors-concours).

34) Sad Vacation (Shinji Ayoama)

Ayoama filma como se tivesse a compor uma bela e desordenada canção.

33) JCVD (Mabrouk El Mechri)

Van Damme no universo da auto-ficção. Belíssimo ensaio sobre as possibilidades da sinceridade.

32) Milk (Gus Van Sant)

Será inevitavelmente visto como um retorno de Van Sant ao cinema narrativo mais tradicional, mas não deixa de ser outro dos seus contos recentes de mortes anunciadas e tem bem mais toques particulares do que os textos sobre o filme sugerem (e sempre vale ressaltar Harris Savides = gênio).

31) Sobre o Tempo e a Cidade (Terence Davies)

A crônica do desencontro entre um homem e sua cidade. Um filme muito maior que o decadentismo da sua superfície, e também muito mais moderno do que o próprio Davies provavelmente imagina.

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Cinema Scope #37

Edição nova da Cinema Scope no ar. Destaque para excelente entrevista com o Miguel Gomes. Tem também um artigo introdutório ao Mojica.

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Melhores do Ano – indieWIRE

Pesquisa com mais de cem críticos americanos.

Melhores (os números se referem aos pontos e as menções)

1. A Viagem do Balão Vermelho (Hou Hsiao-hsien) 495 43
2. Um Conto de Natal (Arnaud Desplachin) 454 38
3. WALL-E (Andrew Stanton) 368 32
4. Wendy and Lucy (Kelly Reichardt) 366 36
5. Happy-Go-Lucky (Mike Leigh) 346 31
6. Paranoid Park (Gus Van Sant) 335 31
7. Still Life (Jia Zhang-ke) 330 31
8. Luz Silenciosa (Carlos Reygadas) 310 26
9. Synecdoche, New York (Charlie Kaufman) 290 25
10. Waltz with Bashir (Ari Folman) 283 27
11. O Casamento de Rachel (Jonathan Demme) 267 24
12. En La Ciudad Sylvia (José Luis Guerin) 256 22
13. My Winnipeg (Guy Maddin) 248 27
14. Deixe Ela Entrar (Thomas Alfredson) 237 22
15. Milk (Gus Van Sant) 205 20
16. Do Outro Lado (Faith Akin) 203 17
17. Hunger (Steve McQueen) 198 19
18. The Wrestler (Darren Aronofsky) 192 19
19. Ballast (Lance Hammer) 177 17
20. Man on Wire (James Marsh) 165 16
21. Não Toque no Machado (Jacques Rivette) 160 17
22. O Cavaleiro das Trevas (Christopher Nolan) 156 14
23. Che (Steve Soderbergh) 146 13
24. Reprise (Joachim Tier) 141 15
25. Gomorra (Matteo Garrone) 132 13
26. Mulher na Praia (Hong Sang-Soo) 122 13
27. Antes que eu Esqueça (Jacques Nolot) 105 10
28. Slumdog Millionaire (Danny Boyle) 104 10
29. La France (Serge Bozon) 103 9
30. Encounters at the End of the World (Werner Herzog) 101 10
 Trouble the Water (Carl Deal/Tia Lessin) 101 10
32. A Última Amante (Catherine Breillat) 97 10
33. Entre Les Mers (Laurent Cantet) 91 9
34. O Curioso Caso de Benjamin Button (David Fincher) 87 9
35. Frownland (Ronald Bronstein) 86 8
 Procedimento Operacional Padrão (Errol Morris) 86 8
37. The Exiles (Kent Mackenzie) 84 7
 O Romance de Astrea e Celadon (Eric Rohmer) 84 8
39. Queime Depois de Ler (Joel e Ethan Coen) 77 8
40. The Order of Myths (Margaret Brown) 76 8
41. Momma’s Man (Azazel Jacobs) 73 8
42. O Segredo do Grão (Abedeletif Kechiche) 70 7
43. 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (Christian Mungiu) 68 6
 Razzle Dazzle: The Lost World (Ken Jacobs) 68 6
45 Vicky Cristina Barcelona (Woody Allen) 67 8
46 Chop Shop (Ramin Bahrani) 64 8
47 Cinzas no Tempo Redux (Wong Kar-wai) 63 6
48 Boarding Gate (Olivier Assayas) 60 6
49 Boy A (John Crowley) 58 6
 Frozen River (Courtney Hunt) 58 5

Melhores filmes sem distribuidora:
1. A Mulher Sem Cabeça (Lucrecia Martel)
2. Noite e Dia (Hong Sang-soo)
3. Tony Manero (Pablo Larrain)
4. O Canto dos Pássaros (Albert Serra)
5. 24 City (Jia Zhang-ke)
 35 Shots of Rum (Claire Denis)
 United Red Army (Kenji Wakmatsu)
8 Voy a Explotar (Gerardo Naranjo)
 Sparrow (Johnny To)
10. Liverpool (Lisandro Alonso)

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Rivette no Conselho dos Dez

Compilaram a participação do Jacques Rivette no Conselho dos Dez, o quadro de cotações dos Cahiers de 55 a 66.

Uma pequena relação de cineastas que pelo menos uma vez receberam a temida bola preta de Rivette:  Ingmar Bergman, Philippe De Broca, Peter Brook, Marcel Carné, Jack Clayton, Rene Clair, Rene Clement, Henri-Georges Clozout, Jules Dassin, Delmer Daves, Edward Dmytryk, Julien Duvivier, Federico Fellini,  Richard Fleischer, John Huston, Kon Ichikawa, Phil Karlson, Gene Kelly, Stanley Kramer, Akira Kurosawa,  David Leab, Claude Lelouch, Joshua Logan, Sydney Lumet, Alexander Mackendrick, Louis Malle, Joseph L.  Mankiewicz, Anthony Mann, Jean-Pierre Melville, Vincente Minnelli, Sam Peckinpah, Nicholas Ray (!), Satyajit Ray, Tony Richardson, Martin Ritt, Robert Rossen, Claude Sautet, Vittorio De Sica, Leopoldo Torre-Nilsson, Edgar G. Ulmer, Roger Vadim, Agnes Varda, King Vidor, Billy Wilder, Robert Wise, William Wyler. Menção especial para Mark Robson que levou meia duzia de bolas pretas no período de dez anos.  O Rivette era mais severo que o Ruy.

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Robert Mulligan

Li agora a pouco que Robert Mulligan faleceu ontem. Mulligan permanece um dos cineastas americanos mais substimados da sua geração (boa parte da sua reputação ainda ligada exclusivamente a O Sol é para Todos). Os filmes que ele dirigiu entre o final dos 50 e os 60 produzidos pelo Alan J. Pakula permanecem dos mais expressivos do período, em especial Love with the Proper Stranger e Baby, the Rain Must Fall. E há muitos belos filmes depois deste período até sua excelente despedida Do Mundo da Lua (91). Mulligan tinha suas irregularidades e nem todos os filmes funcionavam a contento, mas mesmo um filme visivelmente menor como Quando Setembro Vier tinha um cuidado e elegância nem sempre visto em trabalhos similares de outros diretores.

Alguns anos atrás o The Film Journal fez um especial muito interessante sobre sua obra.

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Gomorra (Matteo Garrone,08)

A forma com que o tom neutro da encenação é pontuado por ocasionais momentos excessivos é sempre interessante, assim como a maneira com que a câmera de Garrone vai catalogando cada ação. Por outro lado há algo extremamente monótono na maneira como o filme se desenvolve com Garrone repetindo a mesma idéia cena após cena pelas 2h15 do filme até Gomorra como um todo começar a perder a força.  Mas o maior problema é que é difícil não pensar que The Wire tratou de boa parte deste mesmo material – com as obvias diferencias locais – muito melhor.

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Melhores do Ano – Film Comment

Top 20 lançado comercialmente nos EUA

1. Wendy and Lucy Kelly Reichardt, U.S.
2. A Viagem do Balão Vermelho Hou Hsiao-hsien, Taiwan/France
3. Um Conto de Natal Arnaud Desplechin, France
4. Happy-Go-Lucky Mike Leigh, U.K. 
5. WALL·E Andrew Stanton, U.S.
6. Still Life Jia Zhang-ke, Hong Kong/China
7. Paranoid Park Gus Van Sant, France/U.S.
8. Waltz with Bashir Ari Folman, Israel/France/Germany
9. My Winnipeg Guy Maddin, Canada
10. Milk Gus Van Sant, U.S.
11. Deixe Ela Entrar Tomas Alfredson, Sweden
12. Não Toque no Machado Jacques Rivette, France/Italy
13. Entre Les Murs Laurence Cantet, France
14. Synecdoche, New York Charlie Kaufman, U.S.
15. Hunger Steve McQueen, U.K.
16. Luz Silenciosa Carlos Reygadas, Mexico/France/Netherlands
17. Ballast Lance Hammer, U.S.
18. Man on Wire James Marsh, U.K.
19. The Exiles Kent Mackenzie, U.S. 
20. Gomorra Matteo Garrone, Italy

 

Top 20 Não lançado

1. A Mulher Sem Cabeça Lucrecia Martel, Argentina/Spain/France/Italy
2. 24 City Jia Zhang-ke, China/Hong Kong/Japan
3. Horas de Verão Olivier Assayas, France
4. Still Walking Hirokazu Kore-eda, Japan
5. Tulpan Sergey Dvortsevoy, Germany/Switzerland/Kazakhstan/Russia/Poland
6. RR James Benning, U.S.
7. 35 Shots of Rum Claire Denis, France/Germany
8. Of Time and the City Terence Davies, U.K.
9. Tony Manero Pablo Larrain, Chile/Brazil
10. Liverpool Lisandro Alonso, Argentina
11. Sugar Anna Boden & Ryan Fleck, U.S.
12. Tokyo Sonata Kiyoshi Kurosawa, Japan/Netherlands/Hong Kong
13. O Canto dos Pássaros Albert Serra, Spain
14. The Hurt Locker Kathryn Bigelow, U.S.
15. United Red Army Koji Wakamatsu, Japan
16. Noite e Dia Hong Sang-soo, South Korea
17. Quatro Noites com Anna Jerzy Skolimowski, France/Poland
18. Me and Orson Welles Richard Linklater, U.K.
19. Il Divo Paolo Sorrentino, Italy/France
20. Chouga Darezhan Omirbaev, Kazakhstan/France

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Melhores do Ano – Sight and Sound

Como já fez ano passado, a Sight and Sound disponibilizou no seu site um longo arquivo pdf (76 paginas!) onde vários críticos escolhem e comentam seus cinco filmes favoritos do ano, selecionei alguns:

 

ALEXANDER HORWATH
Filmmuseum, Austria
Horas de Verão (Olivier Assayas, France)
Summer Hours is the best film of 2008 and the best Chekhov production since 1904, to my knowledge – the only film to focus so fully and graciously on the very real life of things.
Gomorra (Matteo Garrone, Italy)
Because, as a second and third viewing made clear, its greatness in matters of art and heart wasn’t diluted by its surprising success with so many critics and non-critics (surprising only because I feared that cinephiles would give it an easy anti-realist bashing).
Aquele Querido Mês de Agosto (Miguel Gomes, Portugal/France)
Because its closest filmic competitors in the field of real independence and fantastical freedom – Wakamatsu Koji’s United Red Army and Guy Maddin’s My Winnipeg – premiered in 2007.
Wendy and Lucy (Kelly Reichardt, USA)
Homem de Ferro (Jon Favreau, USA)
Whatever their faults, and whatever history will say about the USA between November 2000 and November 2008, it was still the place with the richest, most varied film-making on Earth.
Revanche (Götz Spielmann, Austria)
New proof that Austria, from John Cook’s Slow Summer (1976) to Norbert Pfaffenbichler’s Mosaik Mécanique (2008, short), produces strong, untypical strands of film-making that should stand shoulder to shoulder internationally with so-called nationally typical ones.

KENT JONES
Film Comment, Lincoln Center, USA
The Curious Case of Benjamin Button (David Fincher, USA)
“It’s about time passing, just like Zodiac,” said my son, quite rightly. It’s a movie for any moment, but speaks to this specific one with great eloquence because its particular reflection on time carries both mourning and hope. Benjamin Button is so moving and so frank (about mortality) yet so wondrous that you might almost forget that it also happens to be a technical feat of the highest order.
Other films that meant a great deal to me this year were:
RR (James Benning, USA/Germany)
His rapturously concentrated and exciting new ‘train movie’.
A Mulher Sem Cabeça (Lucrecia Martel, Argentina/France/Italy/Spain)
An even more refined, mysterious and troubling film than The Holy Girl.
Generation Kill (HBO television series, USA)
This terrific exploration of soldiering as a blue-collar profession is a very intelligent look at the war in Iraq from the people who brought us The Wire.
Tokyo Sonata (Kurosawa Kiyoshi, Japan/Netherlands/Hong Kong)
A hair-raising and emotionally bracing account of a family’s disintegration and tentative reconstitution.
Horas de Verão (Olivier Assayas, France)
Um Conto Natal (Arnaud Desplechin, France)
Two very different family films set in two different keys, from two great French film-makers.

ADRIAN MARTIN
Critic, Australia
Aquele Querido Mês de Agosto (Miguel Gomes, Portugal/France)
This Portuguese film is the revelation of the year – an idiosyncratic, very funny and moving blend of documentary, fiction and popular music.
O Silêncio de Lorna (Luc Dardenne/Jean-Pierre Dardenne, Belgium/France/Italy/Germany)
The Belgian brothers’ best film since Rosetta shows, once and for all, how their supposed ‘social realism’ has much more do with Bresson and philosophy.
Os Donos da Noite (James Gray, USA)
Gray is the new Jerry Lewis: the French love him and Americans hate him. Ignore complaints about his ‘tin ear’ and predilection for loony melodrama; this is far better than The Departed, Miami Vice and There Will Be Blood combined.
L’Aimée (Arnaud Desplechin, France)
A Christmas Tale is the one that has hooked audiences, but this smaller, more personal piece about family and memory reveals Desplechin’s skill at weaving lyrical, poetic mystery into seemingly documentary material.
Good Cats (Ying Liang, China)
There is now a rather proper ‘Jia Zhangke school’ in Chinese cinema, but this film breaks free of it. A withering look at economic changes and their consequences in everyday life, it has a perverse sense of fun and a soundtrack to match its youthful energy.

BRAD STEVENS
Critic, UK
A Viagem do Balão Vermelho (Hou Hsaio-hsien, Taiwan/France)
This sublime example of humanist cinema reinforces Hou’s status as one of the world’s greatest film-makers.
Chelsea on the Rocks (Abel Ferrara, USA)
Any year with both a new Hou and a new Ferrara must be a good one. Amid the bombast and pompousness of many of today’s acclaimed films, the dismissal of Ferrara’s latest as a minor work suggests the nature of its importance.
A Questão Humana (Nicolas Klotz, France)
The year’s biggest surprise: a masterpiece that uncompromisingly examines the ideological connections between fascism and contemporary corporate culture. Klotz is clearly a director to watch.
O Romance de Astrea e Celadon (Eric Rohmer, France)
Rohmer’s probable farewell to cinema is a typical late work, its surface simplicity concealing inner complexity.
La Terza madre (Dario Argento, Italy/USA)
Another late work, though of a very different kind. Argento’s conclusion to his Three Mothers trilogy has appalled many former admirers, but this relentlessly illogical dream text, with its outbursts of savage misogyny, confirms the director as a genuine surrealist.

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Missing (Tsui Hark,08)

Poucos momentos na carreira de Tsui Hark expõem tão bem a esquizofrenia entre o cineasta talentoso e o produtor picareta no centro da obra dele. O romance sobrenatural que parece dominar os interesses do Hark tem grande força com momentos de entrega delirante que não faria feio num filme de Vincente Minnelli. Só que o produtor Hark sempre muito esperto resolveu ancorá-lo num filme de terror oriental vagabundo. Se boa parte do material melodramático é forte (e faz bom uso dos elementos sobrenaturais), cada vez que o filme bate ponto criando uma cena de terror tende ao constrangedor. Há muitas seqüências fortes, movimentos de câmera elegantes e boas soluções, mas os cálculos excessivos do produtor Hark limitam bastante o seu impacto.

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