Melhores de 2008 – Parte II

Primeiro uma pequena relação de dez filmes do circuito que ficaram inelegiveis por pertencerem ao meu ano cinematográfico de 2007: 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (Cristian Mungiu); Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto (Sydney Lumet); Canções de Amor (Cristophe Honoré); A Espiã (Paul Verhoeven); Uma Garota Dividida em Dois (Claude Chabrol); Não Estou Lá (Toedd Haynes); Paranoid Park (Gus Van Sant); A Questão Humana (Nicolas Klotz); Serras da Desordem (Andrea Tonacci); Uma Velha Amante (Catherine Breillat)

30) Melancholia (Lav Diaz)

Diaz é um cineasta com uma missão enorme: cartografar os efeitos da história filipina recente sobre sua população. A última parte do filme – um longo flashback para os últimos dias de uma guerrilha perseguida pelo exercito local – é especialmente forte.

29) Una Semana Solos (Celina Murga)

Um filme muito simples acompanhando alguns dias de um bando de adolescentes e pré-adolescentes cujos pais viajaram. Murga tem um dos olhares mais atenciosos do cinema recente e o lenço mirim é ótimo. Não sei como não passou nem no Festival, nem na Mostra ou por sinal não arranjou distribuidora já que imagino faria boa carreira no Espaço Unibanco.

28) O Romance de Astree e Celadon (Eric Rohmer)

Se for mesmo o último filme do Rohmer, trata-se de uma bela despedida.

27) Quatro Noites com Anna (Jerzy Skolimowski)

Depois de quase vinte anos afastado o maior artista polonês retorna com um filme de controle e precisão impressionantes, não existe um recorte de luz, uma inflexão do rosto de um dos seus atores que não pareça servir a Skolimowski e elre ainda arranjou um gênio para o papel principal.

26) Liverpool (Lisandro Alonso)

O encontro entre o olhar de retratista de Lisandro Alonso com uma pulsão dramática inexistente em seus trabalhos anteriores.

25) Southland Tales (Richard Kelly)

Richard Kelly faz para crepúsculo dos EUA de Bush, o que antes fizera para o de Reagan. Kelly é um grande historiador pop, parte Robert Aldrich, parte Grant Morrisson.

24) Wall-E (Andrew Stanton)

Talvez o melhor filme da Pixar.

23) Schindler’s Houses (Heinz Emigholz)

Memorando ao É Tudo Verdade: façam uma retrospectiva do Emigholz que pela primeira vez eu até me esforçaria em cobrir o evento de vocês. Através de 40 casas que Rudolph Schindler construiu em Los Angeles entre os anos 30 e 50, o cineasta alemão apresenta a cidade como nenhum filme fizera antes.

22) Memories (Harun Farocki/Pedro Costa/Eugene Green)

Uma raridade: um filme em episódios onde todas as contribuições são essenciais. Farocki e seu ensaio a Marker sobre os registros do holocausto, Costa e mais um lado B de Juventude em Marcha e sobretudo a fábula romântico-medieval-cibernética delirante de Green.

21) Quando Eu Era uma Criança Lá Fora (John Torres)

Um emocionante caderno de anotações do seu cineasta onde uma série de fragmentos de possiveis filmes formam um todo muito maior e ambicioso.

20) Next Attraction (Raya Martin)

Contracampo da imagem filmada.

19) Um Conto de Natal (Arnaud Desplachin)

Três coisas que Desplaschin adora: atores, montagem e estruturas romanescas. Ele joga com elas como poucos. Um Conto de Natal pode não ser um Esther Kahn ou Reis e Rainha, mas quem se importa?

18) Falsa Loura (Carlos Reichenbach)

Na obra do Carlão há sempre o seu lado Zurlini e seu lado Imamura, nos últimos filmes Zurlini vinha ganhando de goleada, mas Falsa Loura equilibra as coisas como nenhum filme seu com a possível exceção de Anjos do Arrabalde.

16/17) Boarding Gate (Olivier Assayas)/Horas de Verão (Olivier Assayas)

Dois filmes de Assayas mais próximos do que muitos imaginam, apesar de superfícies tão distantes. Pensar neles com mais atenção revela como a obra de Assayas é coerente dentro de todo o seu ecletismo.

15) Wendy & Lucy (Kelly Reichardt)

O minimalismo de Reichardt vem acompanhado de um pragmatismo que associo com uma parcela do cinema americano. Wendy & Lucy não está tão longe da versão que Howard Hawks faria para Umberto D num universo alternativo onde tal projeto pudesse interessar a ele. E Michelle Williams leva fácil meu voto de melhor performance do ano.

14) A Fronteira da Alvorada (Philippe Garrel)

Garrel é sempre Garrel. Aqui temos aquelas imagens de sempre, fantasmagóricas, que parecem imergir de algum momento oculto da história do cinema prontas a nos assombrar.

13) Death in the Land of Encantos (Lav Diaz)

Mais que algum fait divers a longa duração dos filmes de Diaz é essencial para seu projeto. As pequenas variações e o acumulo de detalhes dão um poder todo próprio para Encantos que nenhum filme de duas horas é capaz de atingir. No caso o uso das locações devastadas acrescenta uma força maior ainda ao trabalho de Diaz.

12) Mad Detective (Johnnie To/Wai Ka-Fai)

Johnnie To entra por território muito próximo de certos thrillers de Kiyoshi Kurosawa neste filme onde a narrative segue se estilhaçando novas multiplas partes. Uma obra-prima e o pior é que nem é o melhor To novo q vi este ano.

11) Unas Fotos en la Ciudad de Sylvia e otras Ciudads (José Luis Guerin)

O “rascunho” de En La Ciudad de Sylvia não tem o mesmo impacto do filme posterior (que teria sido primeiro ano passado caso minha lista seguisse os critérios deste ano), mas de certa forma é um filme até mais ambicioso. Recomendo muito a leitura deste texto do Miguel Marias.

4 Comentários

Arquivado em Filmes

4 Respostas para “Melhores de 2008 – Parte II

  1. Michelle Williams? Só acredito vendo. E se antes tava curioso com Wendy & Lucy, agora PRECISO ver.

    OBS: Eu Sou a Lenda no top 10 não, por favor…

  2. Filipe

    Bruno, eu vi Eu Sou a Lenda numa cabine pouco antes do Natal ano passado, então nem elegivel o filme é. Se fosse estaria nas menções honrosas.

  3. Marcelo Miranda

    Poupe-nos de HANCOCK também! 😛

  4. Filipe

    Este esta firme e forte ali nas menções honrosas hehe

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