Le Genou d’Artemide (Jean-Marie Straub,08)

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Não há seqüência mais bela no cinema em 2008 quanto o momento em que o diálogo de Cesare Pavase se encerra e o homem permanece em silêncio com a luz natural aos poucos a se apagar. Lembrança de que não há maior escultor de luz em todo o cinema que Jean-Marie Straub. Le Genou d’Artemide é o primeiro trabalho que Straub finalizou desde a morte de Danielle Huillet e estão presente muito do que esperamos dos filmes do casal: o texto de Pavase, a ênfase na voz dos seus atores, a paisagem italiana, a atenção para som e luz e a precisão com que cada plano é articulado. Mas desde de Sicília! Straub não filmava de forma tão emocionada. Meu italiano é precário, mas é bem óbvio como o texto mítico de Pavese é usado por Straub para evocar sua esposa sem nunca menciona-la. Além disso o trabalho de Straub com seus atores é como sempre tão impressionante que mesmo quando você se perde quanto ao sentido das palavras, a precisão emocional do que é dito é sempre tão clara quanto a limpidez das imagens de Straub. Não se trata de um trabalho de luto, mas do seu oposto: nunca temos duvidas da natureza afirmativa que emana de cada quadro composto pelo cineasta. Afirmativo também porque é um filme onde a homenagem permanece sempre no tempo presente no lugar do habitual olhar para trás. Em especial, os últimos minutos quando a câmera de Straub – até então fixa – se move sobre uma série de planos de paisagem e nos vemos diante de um épico verdadeiro composto de pouco mais que som, luz e a presença concreta do mundo captada com aquela paixão que sempre encontramos nos momentos maiores do casal Straub/Huillet. Confesso me sentir um tanto inútil diante dessas imagens e destes sons (e devo dizer que Straub parece ter tomado um cuidado adicional com o som direto neste filme), como se escrever sobre ele fosse uma tarefa completamente insignificante. Suas imagens tão simples e claras se bastam.

 

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