Qu’ils Reposent en Revolte (des Figures de Guerre)

Exibição rara de um dos grandes filmes recentes Qu’ils Reposent en Revolte (des Figures de Guerre) de Sylvain George nesta quinta a noite em Belo Horizonte no Forumdoc. Não creio que o filme virá a ter muitas outras exibições no Brasil (circula desde o FIDMarseille do ano passado e não faz muito o gosto dos nossos programadores), então cinéfilos mineiros aproveitem a chance, dificil ter outra. Entre os filmes recentes sobre a questão do imigrante na sociedade europeia é de certo o mais ambicioso politica e esteticamente.

Deixe um comentário

Arquivado em Filmes, Programação

Dreileben (Christian Petzold, Dominik Graf, Christoph Hochhäusler)

Dreileben é um projeto de 3 longas independentes a partir do mesmo evento (um criminoso violento escapa da policia ao visitar a mãe adotiva num hospital de uma cidade pequena alemã). O projeto nasceu de uma correspondência entre os cineastas sobre o cinema alemão contemporâneo e os limites da chamada “escola de Berlim” (disponível em inglês e alemão aqui) e não deixa de ser uma ótima forma para Petzold, Graff e Hochhäusler a traírem atenção extra para seus trabalhos (e Dreileben certamente recebeu uma cobertura mais ampla em Berlim do que três filmes solo receberiam).
Boa parte da correspondência parte de uma critica de Graff sobre a dificuldade do jovem cinema alemão de expandir seu olhar e o maior elogio ao projeto é justamente como usa bem o ponto de partida para construir suas ficções próprias e muito diferentes entre si. Beats Being Dead, de Petzold, abre o projeto e provavelmente dos três longas o que é mais fácil imaginar como projeto solo (apesar do seu final depender muito do filme de Hochhäusler para funcionar). Isto muito por ser o que mais evidentemente expande uma série de preocupações dos longas anteriores do diretor. Por ser o único dos três filmes que existe a parte a investigação, ele ganha uma tensão constante pela antecipação constante de que ele precisa se conectar ao projeto eventualmente. Esta sensação constante de perigo ajuda a pontuar o romance central tocado com a habilidade de Petzold de casar observação social com cenas mundanas (algo muito mais difícil do que aparenta). Numa observação mais autorista, fico impressionado em como a cada filme o cinema de Petzold parece ficar mais direto na forma que chega ao seu material.

Fico bem menos interessado no segundo longa, Don’t Follow Me Around de Dominik Graff que usa o material como ponto de partida de uma investigação muito particular sobre duas amigas que descobrem que anos atrás tiveram romances simultâneos com a mesma pessoa. É o filme mais evidentemente dramatúrgico do projeto e o que mais se aproxima de uma idéia padrão de filme de arte alemão. Graff tem bons atores e suas imagens 16mm traduzem bem a idéia de escavar o passado contido ali. Mais consistente One Minute of Darkness de Hochhäusler termina com a obrigação de lidar diretamente com a trama de partida, em particular a figura do criminoso em fuga e do policial que fez a prisão original. As cenas com o criminoso escondido na floresta dos arredores (que por vezes sugerem uma versão menor do Essential Killing de Skolimowski) são muito boas. O maior elogio ao filme é justamente notar que ele fica com o trabalho sujo de dar lida ao projeto e faz isso sem sacrificar existir com sua própria ficção tanto quanto os dois outros longas. Não sei ao certo se Dreileben como projeto atinge mais do que ajudar a apresentar três filmes de real interesse, mas estes são o que mais importam.

Deixe um comentário

Arquivado em Filmes

Amanhecer e o nosso triste circuito

Já circula a algum tempo a informação que Amanhecer entrara em cartaz em 1100 das 2200 salas do circuito exibidor brasileiro. É a segunda vez em não muito tempo que um filme toma cerca da metade do nosso circuito (Rio entrou em pouco mais de 1050). È estrarrecedor que um lançamento predatório destes seja encarado como normal. Irá matar a carreira de vários filmes que ainda tinham fôlego e empurrar Amanhecer para muita gente que só queria ver um filme neste fim de semana (o que eu diria inclui uma parcela grande das pessoas que vão aos cinemas). “Mas se lançam em tantas, é porque há demanda” os apologistas logo correm a dizer. Há mesmo?  Ou nós simplesmente nos acostumamos com a idéia de que porque algum distribuidor resolveu investir a este ponto num lançamento, a demanda evidentemente existe? Amanhecer certamente fará numeros dos mais expressivos neste fim de semana, mas eu diria que parte razóavel deles não será de fãs da série, mas simplesmewnte de quem se viu carente de outras opções. Me lembro 10 anos atrás quando Pearl Harbor foi lançado (salvo memória com nossos grandes jornais destacvando seu lançamento recorde) que no ABC Plaza em Santo Andre o filme entrou em quatro salas, alguém lá teve a ideia de colocar dois pares de salas com horarios iguais, funcionou perfeitamente ao longo do fim de semana, mas fui ao cinema na terça feira e descobri que a sala havia fechado duas salas. Simplesmente não tinha porque usa-las já que evidentemente Pearl Harvor não lotava uma das salas horario quanto mais pedir por uma segunda, o shopping simplesmente ficou com 2 salas fechadas de segunda a quinta e aparentemente ninguem via nada de anormal naquilo. Imagino que fenomeno semelhante deve se repetir em alguns lugares com Amahecer, mas tudo bem segunda feira a distribuidora divulgara os numeros de imenso sucesso, os jornalões vão os reproduzirem acriticamente e nada mais sobrará do assunto.

O Zanin fez uma boa nota sobre o tema e lembrou que na Argentina recentemente se apravou uma lei que passa a taxar os filmes estrangeiros de acordo com o tamanho dos seus lançamentos; quando o Ministerio da Cultura apresentou a proposta da Ancinav (aquela que nossa mídia matou em meio a gritos histéricos que sugeriam que Gilberto Gil queria arrastar a nós todos para as trevas culturais), o mecanismo de taxação proposto era similar. Ao menos aqui em São Paulo resta sempre a retrospectiva do Nicholas Ray.

6 Comentários

Arquivado em Filmes

Il Villaggio di Cartone (Ermanno Olmi)

De certa forma uma alegoria sob o colapso do projeto humanista europeu.

Poderoso justamente porque simples e direto. Olmi sabe onde quer chegar e vai até lá. Aquela igreja, em particular, é um cenário fortíssimo, ao mesmo tempo simbólico e muito claro. Sei que muitos não gostam destes filmes que Ermanno Olimi rodou na última década, mas me parecem sempre experiências das mais marcantes.

Separadamente o Cesar Zamberlan e o Bruno Amato traçaram a relação do filme com o Klotz e acho-a interessante menos pelo tema (até porque é natural pensar a política de imigração lá hoje) e muito mais pela forma complicada que ambos apresentam a figura do imigrante ilegal.

Deixe um comentário

Arquivado em Filmes

Deixe um comentário

Arquivado em Filmes

Let The Bullets Fly (Jiang Wen)

 

É sempre complicado observar a crueldade da meritocracia da circulação de filmes não americanos. Os filmes anteriores de Jiang Wen (Os Demônios Batem na Porta, The Sun Also Rises) foram exibidos nas competições de grandes festivais europeus e circularam bem, este Let the Bullets Fly foi ignorado no trio Berlin-Cannes-Veneza (a despeito de imensa popularidade na China) e logo ignorado na maioria dos espaços. É essencialmente um faroeste spaghetti  zapatista passado na China do começo do séc . XX (o que não deixa de ser uma forma de completar um ciclo histórico, vale dizer) com Wen como o bandido de boas intenções e Chow Yun Fat no papel que na Itália do começo dos anos 70 iria para Jack Palance. Antes de mais nada, é um excelente filme de atores (Wen, Fat, Ge You, Carinna Lau, etc) com longas seqüências pensadas para permitir que o elenco se confronte e há algo de espírito hawksiano na forma que Jiang valoriza cada uma dessas cenas.  Poderia elogiar a farsa política que o filme propõe – que é as vezes um tanto obscura apesar do roteiro engenhoso -, mas o que torna filme de Jiang notável é como funciona como espetáculo. 2011 foi até aqui um ano terrível para o cinema popular e é um prazer ver um grande espetáculo tão eficaz, bem construído e encantadores quanto Let the Bullets Fly. Do assalto inicial ao trem até encontro final entre Jiang WEn e Chow Yun Fat , tudo aqui é envolvente e prazeroso coimo poucos filmes recentes.

Deixe um comentário

Arquivado em Filmes

Mostra 2o. Semana

Mafrouza – Que Noite! (Emanuelle Demoris)
Mafrouza – Coração (Emanuelle Demoris)
Mafrouza – Que Fazer? (Emanuelle Demoris)
Mafrouza – A Mão da Borboleta (Emanuelle Demoris)

Devo escrever um texto longo sobre a série depois, mas valeu muito a pena ver os filmes todops concentrados ao lomgo de dois dias. Pena que a Mostra cancelou a exibição do Parabolas (que felizmente eu já conhecia) para inserir outrra exibição do 3D do Herzog.

No Lugar Errado (Ricardo & Luiz Pretti, Guto Parente & Pedro Diogenes)

Tenho varios problemas com o texto do filme, mas é um projeto muito forte e bem elaborado sobre a relação de poder entre cinema e teatro. No debate pós filme um dos diretores (acho que o Guto) mencionou que dois filmes que eles queriam evitar (um porque gostavam muito e outro porque não gostavam nada) eram Moscou e Dogvillem popis bem o filme tem um que forte de Coutinho e uma dramaturgia que se aproxima por vezes de Von Trier.

Low Life (Nicolas Klotz & Elizabeth Perceval)

Potente e estranhissimo filme de horror sobre a França de Sarkozy. Mais ainda esta semana na Cinética.

Cut (Amir Naderi)

Manifesto muito peculiar pelo cinema. Serria um filme mais forte se as preferencias e o discursode Naderi não fossem um tanto óbvios, mas a paixão e entrega do filme compensam.

Cisne (Teresa Villaverde)

Um dos melhores filmes de Villaverde muito beneficiado por uma atuação precisa de Beatriz Batarda que ajuda muito a construção do jogo de sentimentos dispersos que a cineasta propõe.

Pais do Desejo (Paulo Caldas)

Há tempos não via um filme como esse que lembra muito certo cinema brasileiro da segunda metade dos anos 90. O filme permanece na tela inerte, incapaz de deespertar qualquer reação que não seja a indefiferença (ok, há sempre os momentos de humor involuntário).

Las Acacias (Pablo Giorgelli)

Apesar de um certo excesso de closes no bebê, há algo de muito envolvente na maneira com quer Giorgelli desenvolve todo o filme dentro do seu caminhão.

Histórias que Só Existem Quando Lembradas (Julia Murat)

Me agrada muito como o filme começa como uma observação distante e aos poucos ganham uma potencia fantasmagorica. O Daniel Caetano escreveu um bom texto no Passarim sobre a dupla relação do filme.

Sudoeste (Eduardo Nunes)

Momentos de força, mas se afunda sobre o peso das próprias imagens.

Tudo Pelo Poder (George Clooney)

Eficiente, mediocre e esvaziado e como é tipico deste de tipo de filme incapaz de diferenciar seu cinismo de compreender processo eleitoral. Desconfio que Ryan Gosling apostou com alguém que consegue bater o recorde do Ricardo Darin de numero de filmes merda em que ele é a única coisa boa.

O Dominador (Kim Mi-suk)

Entre um Corpo Fechado barulhento e um Scanners pop.

Historias da Insonia (Jonas Mekas)

Sinto falta do sentimento de tempo acumulado dos melhores diarios de Mekas, mas estes seus contos de bebedeira tem ainda sim muitos momentos fortes.

O Homem que Não Dormia (Edgard Navarro)

Ao contrario de Eu Me Lembro, eis um Navarro ao qual eu posso abraçar.  Um filmer apaixonante justamente pelo sua disposição de tudo tentar e abraçar. Cinema fantastico de primeira. Grande construção daquele espaço particular. Compro todos os excessos do Navarro.

Meus favoritos da Mostra

The Day He Arrives
Fora de Satã
O Garoto da Bicicleta
Girimunho
Histórias que Só Existem Quando Lembradas
O Homem que Não Dormia
Irmãs Jamais
Isto Não é um Filme
Low Life
Mafrouza

4 Comentários

Arquivado em Filmes

Mostra – 1o. Semana

Sabado Inocente (Alexander Mindadze) – ****

Na Cinética.

The Day He Arrives (Hong Sang-soo) – *****

Filme mais direto de Hong Sang-soo em anos. Eu iria dizer que o filme mantém a sequencia de ótimos filmes de Hong, mas ai percebi que da para se dizer que ela vem desde a sua estreia no distante 1996.

Pater (Alain Cavalier) – ***

Na Cinética.

Isto Não é um Filme (Jafar Panahi & Mojtaba Mirtahmasb) – *****

Hanezu (Naomi Kawase) – *

Na Cinética.

Olhe para Mim de Novo (Claudia Priscilla & Kiko Goifman) – ***

Ótimo personagem, documentário irregular.

Era Uma Vez na Anatolia (Nuri Bilge Ceylan) – ****

Entre filmes de investigação policia que investem no acumulo e detalhes este não chega a ser um filme tão forte quant um Zodíaco ou Policia, Adjetivo, mas é uma grata surpresa vina de um cineasta para o qual eu geralmente tenho pouco interesse e paciência.

A Ilusão Comica (Mathieu Amalric) – **

Na Cinética.

Fora de Satã (Bruno Dumont) – ****

Na Cinética.

Os Gigantes (Bouli Lanners) – ***

Na Cinética.

Loverboy (Catalim Mitulescu) – **

Tão à deriva quanto seu personagem.

Eu Receberia as Piores Noticiais dos Seus Lindos Labios (Beto Brant & Renato Ciasca) – **

Apesar dos esforços da Camila Pitanga, a dramaturgia do filme nunca levanta como deveria.

O Futuro (Miranda July) – 0

Sou a favor que se fuzile todos os humanos em cena e salvem o gato.

Amanhã Nunca Mais (Tadeu Jungle) – *

Não é fácil fazer com que este tipo de narrativa funcione, mas é impossível quando no lugar de imaginação s investe exclusivamente na histeria.

Habemus Papam (Nanni Moretti) – ****

Mais irregular que outros filmes do Moretti (caindo sempre que se afasta da figura do novo papa), mas dotado de uma performnce notavel e um retrato do Papa como ator em crise muito forte. Grande meia hora inicial.

Ocio (Alejandro Ligenti & Juan Villegas) – ***

Na Cinética.

Irmãs Jamais (Marco Bellocchio) – *****

Na Cinética.

Adeus (Mohammad Rasoulof) – ****

Tão direto quanto preciso.

Vou Rifar Meu Coração (Ana Rieper) – ***

Um tanto reinterativo demais, mas nos momentos em que se concentra nos fãs mais do que nos cantores é um documentário forte.

Cartas do Kuluene (Pedro Novaes) – **

Na Cinética.

As Canções (Eduardo Coutinho) – ****

Entre os filmes de Coutinho é aquele que mais se entrega mais diretamente ao seu dispositivo sem mediação apesar do recurso sas canões evidentemente ser uma nova forma de sublinhar as performances que ele capta. Provavelmnte é seu mais acessivel filme recente, um pouco comodado, mas cheio de belos momentos.

Girimunho (Helvecio Marins e Clarissa Campolina) – ****

O melhor novo filme brasileiro que vi este ano e sem dúvidas a melhor das recentes tentativas aqui de construir ficções através de personagens e locações encontradas pelo cineasta. Mais um filme que reforça que Ivo Lopes Araujo como nome mais importante o cinma brasiliro dos ulrimos 2 ou 3 anos.

3 Comentários

Arquivado em Filmes

Mostra

 

Algumas sugestões da Mostra, primeira lista é das principais recomendações. Asterisco na frente dos filmes que eu já vi.

 

LAS ACACIAS (Pablo Giorgelli)
AS CANÇÕES (Eduardo Coutinho)
THE DAY HE ARRIVES (Hong Sangsoo)
GIRIMUNHO (Clarissa Campolina & Helvécio Marins Jr.)
HABEMUS PAPAM (Nanni Moretti)
HANEZU (Naomi Kawase)
O HOMEM QUE NÃO DORMIA (Edgard Navarro)
*THE KID WITH A BIKE (Jean-Pierre & Luc Dardenne)
LOW LIFE | (Nicolas Klotz & Elisabeth Percival)
*MAFROUZA 1: OH LA NUIT! (Emmanuelle Demoris)
MAFROUZA 2: COEUR (Emmanuelle Demoris)
MAFROUZA 3: QUE FAIRE? (Emmanuelle Demoris)
MAFROUZA 4: LA MAIN DU PAPILLON (Emmanuelle Demoris)
*MAFROUZA 5: PARABOLES (Emmanuelle Demoris)
PATER | (Alain Cavalier)
SLEEPLESS NIGHTS STORIES (Jonas Mekas)
*SORELLE MAI (Marco Belocchio)
THIS IS NOT A FILM (Jafar Panahi & Mojtaba Mirtahmasb)

ANGELE & TONY (Alix Delaporte)
*ATTENBERG (Athina Rachel Tsangari)
BEATS, RHYMES & LIFE (Michael Rapaport)
BREATHING (Karl Markovics)
BULLHEAD (Michael R.Roskam)
CAVE OF FORGOTTEN DREAMS (Werner Herzog)
*O CÉU SOBRE OS OMBROS (Sérgio Borges)
CHANG´E (Zou Peng)
CHICKEN WITH PLUMS (Marjane Satrapi & Vincente Paronnaud)
CISNE (Teresa Villaverde)
LES CONTES DE LA NUIT (Michel Ocelot)
CUT (Amir Naderi)
DETACHMENT (Tony Kaye)
ELENA (Andrei Zvyagintsev)
EU RECEBERIA AS PIORES NOTÍCIAS (Beto Brant & Renato Ciasca)
THE FORGIVENESS OF BLOOD (Joshua Marston)
THE FUTURE (Miranda July)
EL GATO DESAPARECE (Carlos Sorin)
LES GÉANTS (Bouli Lanners)
GREEN (Sophia Takal)
HAPPY PEOPLE: A YEAR IN THE TAIGA (Werner Herzog & Dmitry Vasyokov)
HAUNTERS (Kim Min-suk)
HEADHUNTERS (Morten Tyldum)
HERE (Braden King)
AS HIPER MULHERES (Caelos Fausto, Leonardo Sette & Takumã Kuikuro)
HISTORIAS QUE SÓ EXISTEM QUANDO SÃO LEMBRADAS (Julia Murat)
HORS SATAN (Bruno Dumont)
I WISH (Hirokazu Kore-eda)
IF NOT US, WHO? (Andres Veiel)
L´ILLUSION COMIQUE (Mathieu Amalric)
INNOCENT SATURDAY (Alexander Mindadze)
LATE BLOOMERS (Julie Gavras)
LOOK, STRANGER (Arielle Javitch)
LOVERBOY (Catalin Mitulescu)
*UN MUNDO MISTERIOSO (Rodrigo Moreno)
NO LUGAR ERRADO (Guto Parente)
ÓCIO (Juan Villegas & Alejandro Lingenti)
OLHE PARA MIM DE NOVO (Kiko Goifman & Claudia Priscilla)
ONCE UPON A TIME IN ANATOLIA (Nuri Bilge Ceylan)
ONE.TWO.ONE (Mania Akbari)
OSLO, AUGUST 31ST (Joachim Trier)
PAÍS DO DESEJO (Paulo Caldas)
PROJECT NIM (James Marsh)
*SLEEPING SICKNESS (Ulrich Kohler)
THE SNOWS OF KILIMANJARO (Robert Guédiguian)
SUDOESTE (Eduardo Nunes)
TATSUMI (Eric Khoo)
TIERRA SUBLEVADA 1: ORO IMPURO (Fernando Solanas)
TIERRA SUBLEVADA 2: ORO NEGRO (Fernando Solanas)
THE YELLOW SEA (Na Hong-jin)

4 Comentários

Arquivado em Programação

O Ineditismo e a Mostra

Sorelle Mai, de Marco Bellocchio, um dos destaques da 35o Mostra

É estranho partir em defesa da Mostra já que em muitas outras oportunidades critiquei decisões deles, mas a choradeira entorno da decisão do evento em se limitar a filmes inéditos no país é fora de propósito. Em si mesmo não é uma boa decisão já que é muito limitadora e deixa na mão o que deveria ser o principal público da Mostra: o cinéfilo paulistano que não tem disposições e/ou condições de acompanhar outros grandes eventos de cinema dentro e fora do país. Há por outro uma série de benefícios:

a)      Reduzi r o tamanho da Mostra é algo muito bem vindo. Como a maioria dos eventos do gênero a Mostra a muito tempo sofre de certo gigantismo. Parece uma tendência inevitável, logo é muito bem vindo o esforço dos organizadores de colocar um freio no processo.

b)      Tem o efeito de focar mais atenção nos filmes e menos na corrida para ver tudo antes.

 

O segundo ponto merece ser elaborado. Junto com a noticia do ineditismo veio também a informação de que a Mostra não exibiria mais filmes em DVCAM. Não me parecem informações independentes. Na hora que se aceita que não se poderá mostrar tudo a corrida desesperada para fazê-lo (principal razão pela qual Festival do Rio e Mostra de São Paulo a muito haviam aberto mão de um controle de qualidade nas cópias) perde a razão de ser.  Por vezes a Mostra se reduz a pouco mais do que oportunidade de se dizer que já viu o filme do Almodovar ou a última Palma de Cannes, uma caríssima pré estréia para um ou outro filme badalado.

O maior mérito da decisão é justamente tornar explicito algo que deveria ser óbvio, mas geralmente não é: a Mostra é um excelente evento (o meu favorito aqui no Brasil), mas como painel da produção mundial ela vai ser sempre limitada já que é literalmente impossível trazer tudo de relevante e entre questões de logística e escolhas de curadoria muitos (muitos mesmo) filmes relevantes terminam não exibidos. Uma pequena história pessoal:  ano passado, eu viajei ao Rio e assisti cerca de 50 filmes, acompanhei a mostra e vi outros 50 e em Abril fui até a Buenos Aires e assisti 40. Pouco mais de 140 filmes! Apesar de 3 eventos e esta quantidade absurda de filmes, Guest de José Luis Guerin que se me perguntassem  em Janeiro de 2010 para listar os 5 filmes que eu mais aguardava no ano estaria fácil na lista não foi exibido em nenhum deles.  Antes de reclamarem que Drive ganhou prêmio de direção em Cannes e não passou na Mostra tornando ela incompleta, vai um dado desde 2000 (meu primeiro ano aqui em São Paulo) nos seguintes anos o vencedor do premio de melhor direção do Festival de Cannes não participou da seleção da Mostra: 2001, 2002, 2004, 2009 e agora em 2011. Eu tenho quase certeza que em nenhuma oportunidade neste período a Mostra (ou o Festival do Rio, por sinal) exibiu a todos os vencedores de Cannes. Por mais que os organizadores desejassem, é simplesmente muito complicado garantir a exibição de todos os 7-8 filmes que levam prêmios.

Eu poderia continuar citando outros filmes que a Mostra falhou em trazer (nenhum filme do Eric Rohmer na última década de carreira dele, por exemplo), mas o interesse aqui não é enterrar a Mostra pelo que ela não fez e só apontar que por maior que seja a seleção,  o desejo e o orçamento muitas lacunas inevitavelmente irão existir. É fácil listar os filmes que a Mostra não trouxe este ano e culpar o tal ineditismo quando se pode fazer esta lista em todos anos (há uma razão pela qual eu geralmente sempre vou ao Festival do Rio e muitos amigos cariocas fazem questão de vir aqui), olhando a lista do Festival do Rio para passar aos meus editores da Cinética o que eu poderia escrever sobre eu achei só dois filmes não comprados cujo histórico dos cineastas sugeriam como muito prováveis de vir a Mostra (Bonello e Canijo), certamente teriam outros mais, de um modo gera porém o grosso das exclusividades do Rio iam seguir exclusivas ou são de filmes cuja distribuidora decidiu priorizar o Rio. Ai esta o grande problema quando se reclama a seleção fraca na verdade, reclama-se da ausência de um Gus Van Sant ou David Cronenberg e não da seleção em si. O contrasenso evidente é que estes são filmes que tem a entrar em cartaz muito rapidamente. Salvo pelos cinéfilos de fora do eixo Rio-SP que se deslocam para cá todos os anos e que tem muito bons motivos para se chatearem pela ausência destes filmes, só perdemos de fato a possibilidade de dizer que vimos estes filmes antes. Pode-se trocá-los por outros título, pode-se reduzir o tamanho da maratona, etc.

Vejam só enquanto minhas timelines no Twitter e Facebook se enchiam de reclamações sobre o ano fraco da Mostra um amigo que viaja a festivais internacionais soltou no meu mail “parece que a Mostra ainda tem mais moral. alguns dos melhores de Berlim, Un Certain Regard e Quinzena, e mesmo da competição de Cannes, que eu estranhei não virem pro Rio, pelo visto tinham ficado mesmo pra SP”. È tudo uma questão de perspectiva.

2 Comentários

Arquivado em Observações

BAFICI Dias 3 a 6

Um Mundo Misterioso (Rodrigo Moreno)
Um mundo mais indiferente que propriamente misterioso. Moreno segue um esteta apurado, mas desequilibrado. Dito isso é um filme mais forte que o El Custodio.

Aita (Jose Maria de Orbe)
Historias da casa assombrada.

Un Poison Violent (Katell Quillévéré)
Attenberg (Athina Rachel Tsangari)
Bom contraste de filmes, Quilévéré é um filme de entrada de adolescencia habilidoso, mas batido sem baixos, mas sem altos também. Existe muita coisa errada em Attenberg, mas é inegavel seus momentos inventivos.

Finisterrae (Sergio Caballero)
Agora entendo como meus amigos que nao gostam de Albert Serra se sentem diante dos filmes dele.

20 Cigarrettes (James Benning)

Benning menor, mas ainda Benning.

Guerra Civil (Pedro Caldas)
Bem mediocre.

Vaquero (Juan Minujin)
Tipico filme de estreia de ator. Habilidoso com algumas cenas muito bem sacadas, prejudicado ocasionalmente por uma histeria derivada de Taxi Driver.

The Ballad of Genesis & Lady Jaye (Marie Pisier)
Este afetuoso retrato documental foi um dos melhores filmes que vi por aqui. Vou escrever com mais detalhes na Cinetica, mas espero que passe na Midnight no Festival do Rio.

Household X (Koki Yoshida)
Mais do mesmo do “cinema de arte”.

Tres Semanas Depues (Jose Luis Torres Leiva)
Documentario competente sobre o terremoto no Chile no xcomeço do ano passado, mas confesso que desapareceu na memoria ao longo da semana.

Hell Roaring Creek (Lucien Castaing-Taylor)
Curta do realizador de Sweetgrass. Basicamente um longo plano de um mar de ovelhas cortando um riacho. Muito bom.

Sleeping Sickness (Ulrich Kohler)
Melhor filme do Kohler. Uma especie de versao atualizada de Coraçao nas Trevas.

Belle Endormie (Catherine Breillatt)
Irregular, mas cheio de momentos muito fortes e estrturalmente mais interessante que o similar Barba Azul.

Foreign Parts (Verena Parevel-JP Sniadecki)
Provavelmente junto ao Hellman e Hong, meu filme favorito dos festival.

Love History (Klub Zwei)
Outro forte documentario (tenho certeza que vi mais bons documentarios aqui do que quem ficou assistindo o Ë Tudo Verdade, e nao foi por pouco) que encontra um foco muito bem sacado para retomar a relaçao da Austria com nazismo.

6 Comentários

Arquivado em Filmes

BAFICI Dias 1 e 2

Comentarios mais lomgos sobre alguns dos filmes apareceram na Cinetica depois.

Blue Valentine (Derek Cianfrance)

Bons atores lutando para sustentar um conceiro todo problemático e desequilibrado.

Road to Nowhere (Monte Hellman)

Cinema assombrado com traços de muitos outros filmes, muitas outras histórias dispersos ao longo da projeçao. Em certos momentos chega a lembrar Two Lane Blacktop.

La Vida Útil (Federico Veiroj)

Lamento cinefilo acima da média com algunsbelos momentos, mas prefiro Acne.

Nine Lives (Maria Speth)

Documentario sólido e habilidoso sobre jovens que fugiram de casa.

Oki’s Movie (Hong Sang-Soo)

Variaçoes sobre o mesmo filme. Os mesmos personagens recolados em cena multiplas vezes sobre as mesmas situaçoes. O que esperamos do Hong com alguns descios surpreendentes e muito territorio conhecido.

Meek’s Cutoff (Kelly Reichardt)

Faroestes materialista com ecos de Hellman. A alegorria da trama um tanto mao pesada, mas cena a cena sempre de um frescor constante.

Deixe um comentário

Arquivado em Filmes

É, acho que a publicidade venceu…

Duas semanas atrás, o Felipe Bragança publicou um artigo no Prosa & Verso de O Globo traçando um histórico da última década do cinema brasileiro sobre o ponto de vista da “nossa” geração. É a versão mais curta de um artigo que circulou de mão em mão alguns meses atrás e que eu só conheço de descrições. É uma polemica e um manifesto que abandona os filmes em função de um esforço de historiografia do presente muito autocentrada.  As aspas do “nossa”  são literais, a história que o Felipe – que é suficientemente meu amigo para nas vésperas da sua primeira viagem de pesquisa de locação para O Céu de Suely ter pernoitado no sofá-cama da minha sala – descreve é uma que me é familiar o suficiente para reconhecê-la e filtrada  suficiente pela sensibilidade e olhar do autor para me parecer muito distante.  Como o título do texto anuncia, é a história da trajetória do Felipe em meio à critica online e depois no jovem cinema brasileiro que está narrada ali. Acho que outros críticos e cineastas que, como eu, têm certa afinidade pelo universo que Felipe descreve, devem manter a mesma ambivalência com o retrato que ele traça. Felipe já há muito assumiu para si o manto de ideólogo da sua geração. Me parece importante notar isso e, ainda mais, perceber que, se existem pontos de contato entre o filmes do Felipe e da Marina Meliande com os filmes do Bruno Safadi ou do Gabriel Mascaro ou ainda dos Pretti, Parente & Diógenes, existem também grandes distâncias que são apagadas quando Felipe assume um papel político. Se há um limite claro no artigo, é justamente distanciar-se por completo da especificidade dos filmes em função de uma mensagem de que este cinema existe e precisa ser reconhecido.

Semana passado o Carlos Alberto Mattos respondeu ao artigo de Felipe com um contra-manifesto cujas respostas me deixaram bem perturbado.  Como disse acima, acho o texto do Felipe Bragança tem propostas e limites bem claros dentro das suas qualidades e equívocos, que por si só não me fariam comentá-lo aqui. O tom do texto do CAM é de uma indulgência enorme: “vamos com calma meninos, que há uma ordem de valores do bom cinema brasileiro e não podemos atropelá-la”. É um artigo tão ideológico quanto o do Felipe, e é por isso mesmo que ler os elogios nos comentários do blog dele – inclusive vindos de pessoas que eu respeito muito como o Carlosmagno Rodrigues e a Tatiana Monassa – me deprimem muito. Não há ponto mais significativo acerca dos limites dos dois textos do que o modo como retomam a suposta importância de O Céu de Suely para a cena atual do nosso cinema. A idéia do Felipe, de que se trata de uma virada do cinema brasileiro, é bem absurda. O filme do Karim Ainouz certamente não significa nada em termos de formatos de produção (como significariam filmes como Ainda Orangotangos ou Meu Nome é Dindi) e em termos estéticos está bem abaixo de outros trabalhos de cineastas que estrearam na década (como Madame Satã do próprio Ainouz ou O Prisioneiro da Grade de Ferro, para ficarmos em dois filmes um pouco anteriores). O que O Céu de Suely efetivamente tem a seu favor dentro da narrativa do Felipe – para além de ser um filme central para a trajetória individual dele – é ser bem representativo de um diálogo mais aberto com o “cinema contemporâneo de festivais”, mas isto não é necessariamente o que o filme tem de melhor. Se há um limite claro em muitos dos filmes que o texto do Felipe pretende consagrar, é justamente que eles acabam soando como trabalhos de esforçados estudantes de tendências contemporâneas. Eleger O Céu de Suely como marco é ressaltar este cinema por algumas das suas características menos interessantes.  Já o CAM é mais direto: desautoriza a historiografia do Felipe não indo até os filmes para achar as contradições dela, mas ao dizer “Felipe parece desconsiderar o caminho aberto por Terra Estrangeira, de Walter Salles”, e assim voltamos quinze anos no tempo para elogiar como porta voz do bom cinema brasileiro um bem intencionado e competente sub-Wim Wenders feito por Walter Salles no auge do caduco conceito de retomada.

Se falamos de dois textos políticos, o olhar de Mattos não podia ficar mais claro ali: a idéia de bom cinema brasileiro está nas mãos dos nossos grandes cineastas de sucesso, como Salles ou Fernando Meirelles, passando por alguns outros nomes já reconhecidos, como o próprio Ainouz. À garotada cabe o elogio distante e a espera pela sua vez de sentar na mesa do bom cinema brasileiro: “os recentes longas da turma da Alumbramento (Ceará) trazem uma simpatia e uma busca estética a suprir parte do enorme vazio que ocupa o seu centro. Alguns mineiros têm seu charme e propõem radicalidades embasadas em talento plástico e escolhas bem definidas.”. “Uma simpatia” o “tem seu charme”: a escolha de palavras é das mais significativas. Vale dizer que quem conhece a obra do Carlos Alberto Mattos sabe que ele tem um olhar muito claro para o cinema. Basta pensarmos em alguns filmes que ele agraciou recentemente com a cotação mínima no blog dele, como Filme Socialismo ou White Material. O maior mérito de Mattos como crítico é justamente não estar preocupado com o que acham das preferências dele (e ele já disse que não liga se o chamamos de careta). Pois bem: o subtexto do texto dele não deixa de apresentar uma notável caretice. Se o olhar do Felipe pode ser visto com a desconfiança de certo deslumbramento com o “cinema contemporâneo” (como a ênfase do seu texto na aceitação nos festivais internacionais), o do Carlos Alberto Mattos não deixa de mostrar uma certa fobia do mesmo. Eu vivo o cinema brasileiro há quase vinte anos e neste meio tempo ele (e por ele entendam o cinema oficial brasileiro) sempre foi um dos mais retrógados do mundo. O texto do Mattos é uma faceta bem intencionada do mesmo, e o que seu texto pede é que os pirralhos o deixem em paz com seus Terra Estrangeiras e no máximo apreciando um O Céu de Suely aqui, um Mutum ali. É um olhar digno e honesto, mas é muito distante do que eu acredito.

O que pega, porém, é o que está no centro do aspecto político do embate dos dois textos. O que CAM sugere é que estes filmes do tal novíssimo cinema brasileiro foram até hoje festejados por uma suposta rede de proteção, seriam filmes intocáveis, em suma. De certa forma, é um olhar aparentado ao lançado sobre este mesmo cinema num Cinema Falado da edição 96 da Contracampo. A versão original do artigo do Felipe era justamente uma resposta a este bate papo. E é interessante notar que a primeira fala da conversa parte justamente de uma crítica à lista dos melhores filmes brasileiros da década publicada pela Revista de Cinema, instituição maior da cobertura oficial do cinema brasileiro. O discurso pró-ordem estabelecida do Carlos Alberto Mattos e o discurso radical da Contracampo se encontram na mesma recusa aos “novíssimos”, vistos por sinal sobre o mesmo olhar generalizante. Existe ali a mesma crítica à tal celebração. Sem negar o risco inevitável do oba-oba, que celebração é esta?  Pois à parte a parca cobertura existente a estes filmes – o que por sinal aumenta o valor do texto do Felipe –, a resposta crítica que ocasionalmente existe está longe de representar a tal unanimidade denunciada. Sergio Alpendre, por exemplo, que já cobriu vários festivais que incluíram estes filmes, sempre foi cético, ao ponto de, quando elogiou esta última edição de Tiradentes, o fez nos seguintes termos: “Poucos filmes fracos, uma maior quantidade de filmes bons (ainda é pouco, mas é um sinal de que os diretores jovens estão se multiplicando, chegando ao longa com mais facilidade e, conseqüentemente, com mais qualidade).” E ninguém confundiria a cobertura do Luiz Zanin para o último festival de Brasília com uma afirmação celebratória, para ficarmos num exemplo da grande imprensa.  Quem não lê a Cinética imagina que, por conta da presença do Cleber Eduardo (curador de Tiradentes) e do Eduardo Valente (curador da Semana dos Realizadores), existe alguma adesão irrestrita aos filmes “novíssimos”, mas os dois redatores (Fabio Andrade e Francis Vogner) que mais freqüentemente escrevem sobre esses filmes são provavelmente os mais céticos e críticos.

Logo concluímos que, se há uma rede de proteção a estes filmes, ela é notoriamente incompetente. Talvez o grande diferencial de olhar seja geográfico: eu sou paulistano e CAM e a Contracampo são cariocas. O tal novíssimo cinema brasileiro não existe em São Paulo, é uma briga por vezes para conseguir uma exibição solta de algum desses filmes (tem dois ou três que me interessam muito e eu nunca cheguei a ver), ao passo que no Rio não só os espaços para circular estão garantidos, mas os cineastas são muito mais visíveis, o oba-oba localizado, mais notável. Se tomarmos a bolha como um todo (o que me parece que tanto a Contracampo como o Carlos Alberto Mattos fazem), pode-se sentir a necessidade de se insurgir contra o tal consenso, mas isto é um giro em falso dentro do próprio umbigo muito maior do que qualquer coisa no texto do Felipe. Alguns anos atrás, a Contracampo publicou um artigo polemico intitulado “A publicidade venceu”, e vendo hoje a reação ao artigo do Mattos não é difícil reconhecermos que tal artigo é mesmo premonitório. Parecemos todos confundir o falar sobre os filmes – algo mais que necessário – com o material de divulgação, os manifestos e contramanifestos com textos e filmes. Chegar a este cinema – irregular e imperfeito como todo o cinema – é detalhe. E terminamos com esta imagem estranha do cineasta radical e da crítica radical abraçando o discurso do auto-intitulado crítico careta porque por uma razão ou outra politicamente convém aos três.  Diante de toda essa retórica, prefiro ficar com os filmes, sejam os bons (Os Monstros, A Falta Que Me Faz, Belair etc.) ou os mais frágeis (A Alegria, Ainda Orangotangos etc.).

22 Comentários

Arquivado em Crítica, Observações

Cercado por crianças me sentia como John Wayne ao ser atacado por indios ou comunistas. A minha é uma forma moderna de heroísmo.

1 comentário

Arquivado em Filmes

Obra Prima (Luc Moullet, 2010)

É curioso que Luc Moullet crítico seja conhecido hoje majoritariamente por uma daquelas afirmações sisudas da galera do Cahiers (“a moral é uma questão de travellings”) já que uma das melhores qualidades dele, seja como crítico seja como cineasta, é ser jocoso e incisivo ao mesmo tempo (basta ler por exemplo sua ótima demolição de Gilles Deleuze). Obra Prima conta com 13 dos melhores minutos de critica de arte que veremos este ano (e vale lembrar que Moullet foi o único crítico da geração dele que nunca deixou de escrever regularmente sobre filmes) e é também muito muito engraçado e geralmente as duas coisas no mesmo plano (a espinafrada no Jean Michel Frodon é genial). E Moullet não pega só os alvos mais fáceis como atesta a piada com as durações punitivas do Hitler do Syberberg e Shoah de Lanzmann. È uma defesa apaixonada de duas coisas: o oficio de olhar e o próprio curta metragem como formato. Sobre este segundo ponto e aproveitando da ótima retrospectiva de Moullet em cartaz aqui em São Paulo e no Rio (ainda vai para Brasília) é bom ressaltar que Moullet talvez seja o único grande cineasta a trabalhar ao mesmo tempo e com a mesma desenvoltura no curta e no longa-metragem. Somos adestrados a olhar numa mostra destas os programas de curtas como o complemento para a obra principal do cineasta (a Folha por exemplo só os identificou como programas de curta no guia), mas fazer isto com Moullet é ignorar muito do que torna-o um cineasta essencial. Recomendo em especial Catracas, O Complô dos Ouriços e Tentativa de Abertura. Parte do ponto de Moullet aqui é justamente como nos condicionamos a olhar certas obras. Obra Prima termina com A Viagem a Lua de Melies entrecortado pelo off apreciativo de Moullet e as duas pontas do seu ensaio se casam perfeitamente e como sempre tão perceptivo como engraçado.

3 Comentários

Arquivado em Filmes