Arquivo da categoria: Observações

Mestres

A chance de ver novos filmes de mestres como Chabrol e Resnais no mesmo dia é rara. É uma aula de mise en scene. O filme do Resnais é o mais radical dele em muito tempo cheio de imagens preciosas, mas algo na simplicidade de Bellamy contagiante. Cada vez me impressiona mais a obra recente de Chabrol. Bellamy é todo marcado por ações prosaicas em meio à trama central e há uma precisão formidável na forma como Chabrol posiciona a câmera enquanto Depardieu segue as atividades mais banais. Os filmes de Chabrol dos últimos 15 anos depuram a mise en scene como poucos em todo o cinema, escrevi certa vez que eu A Dama de Honra seria um grande filme se composto só por Benoit Magimel entrando e saindo de um carro e eu veria 5 horas de Depardieu pausando para um café desde que filmado por Chabrol.

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Claire Denis

A julgar pelas reações a White Material em Veneza, Claire Denis foi mesmo oficialmente promovida a mestre nas mais variadas partes da crítica. Quanto tempo até ela virar o Desplachin da vez para bem (boa distribuição e espaço nos nossos jornais) e para o mal (o contraponto crítico “ela nunca foi tão boa assim ou “ou os filmes pós-O Intruso já não são tão bons”)? Dois filmes? Um?

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Hong Sang-soo

Stills de Like You Know It All, novo do Hong Sang-soo tirados do Karagarga:

Definitivamente um autor.

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Moscou

Nem ia mencionar nada sobre o que o Escorel escreveu sobre o filme do Coutinho, porque bem é o Eduardo Escorel, mas lendo os posts do Jean-Claude Bernardet sobre o assunto não dá para deixar de observar que parte do pensamento de cinema no Brasil está mais de 40 anos atrasada no tempo.

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Miguel Gomes é gênio

Pesquisando na web descubro que o Miguel Gomes tem um curta chamado Pre Evolution Soccer. Um cara desses tem que ser gênio.

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Bressane outra vez

No blog do Inácio há uma série de posts sobre A Erva do Rato e como sempre nos comentários a polemica a respeito de Bressane. Me impressiona sempre como algo no cinema – na postura – do Bressane parece ofender alguns. Não se trata afinal do único cineasta “difícil” que temos, mas parece sempre carregar tanto os créditos quanto os ônus da sua posição. Bressane para certo cinéfilo perece simplesmente intolerável, sua mera existência uma afronta.

O Lucian Chaussard fez uma boa observação nos comentários sobre como os ofendidos se incomodam com o suposto hermetismo de Bressane. Sim, é verdade que os filmes dele por vezes trabalham com informações que o espectador pode não conhecer, mas são elas mesmas tão vitais assim? Parece-me que –seja nos seus filmes bons ou nos ruins – o cinema do Bressane existe numa chave para alem destas referencias e elas não são tão essenciais para apreciá-lo.

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Blog e Links

Desculpem o sumiço, mas me enrolei nos ultimos dias entre preparativos para viagem, doença na família e terminar um texto (que eu espero linkar em breve). Vou visitar meus pais em Cuiabá e não sei como vai ser meu acesso a Internet nos próximos dez dias (mas terei muito tempo livre paraescrever então mesmo que o intervalo entre as postagens for longo tem chances de eu produzir bastante), tentarei escrever sobre os dois filmes da Bigelow que faltam até amanhã, mas não sei se dará tempo.

Aproveitando, o Bruno Amato me apontou que a Cinema Scope está com sua edição de Cannes no ar. Como sempre muitos artigos interessantes e o sempre impagável ensaio do Mark Peranson sobre o estado deplorável da competição. A arte de ser do contra é uma que Mark domina como ninguém. A esta altura ele já reescreveu este artigo tantas vezes que é quase uma performance escrita (minha tese é que ele quer ver até que ponto pode insultar o Fremaux sem ter a credencial revocada), mas sempre é mais do que simples agressividade. O festival da Cinema Scope como sempre é alternativo, os filmes cobertos com destaque são Resnais, Bellochio, Suleiman, João Pedro Rodrigues, Corneliu Porumboiu, Raya Martin, etc. 

A Film Comment também está com sua “edição de Cannes” no ar. É uma pena que um dos efeitos do Kent Jones largar o Lincoln Center é que este ano não tem o artigo tradicional dele do festival, mas para compensar a revista disponibilizou uma parte mais ampla da cobertura. Nunca entendo os critérios do site da FC a revista inclui um artigo do Quintin sobre “file sharing”, mas não está disponível online quando seria um dos textos mais óbvios da edição para o site.

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Adrian Martin sobre A Erva do Rato

The signifier was at play, too, not only in Manoel de Oliveira’s perfectly, typically droll ‘illustration’ of a deceptive moral tale in Eccentricities of a Blond Haired Girl (pity there’s still not a proper print available to screen), but jarringly so in Julio Bressane’s Herb of the Rat, a crazy conceptual-horror-allegory piece – a little Ruiz and Buñuel (and also Oliveira), also a little The Entity and The Exorcist – that alienated almost every viewer who came near it. It’s a recalcitrant movie (seemingly about a control-freak guy who turns his imprisoned girlfriend into a rat), uneager to please: the long durations are unbearable, the ironic repartee is inelegant, everything is stretched out (repetitions included) like a torture rack. In the Las Palmas context, it hit like a malign exaggeration of the ponderous but intriguing Russian big-film Yuri’s Day, which started out like an ordinary (read: awful) art movie (mother and son on a trip into the icy heartland) and then eventually spun into a species of enigmatic grotesquerie more comfortably Polanski-like than madly Ken Russell-like … I hated Herb of the Rat, too, while watching it – how do films like this actually get funded, I found myself wondering? – but now I remember it fondly. Something else you’ll only ever see at a Film Festival far from you.

Cito o comentário do Adrian menos pelo que ele diz sobre o filme (que estréia aqui amanhã) e mais pela forma como contexto mudam tudo. Lembro-me de eu e o Superoito rirmos durante a Mostra do ano passado da piada de que Bressane não levara A Erva do Rato para Brasília porque finalmente fizera um filme mais popular. Mas a julgar pelo comentário do Adrian a reação lá fora é a mesma que o público do Festival de Brasília guarda para todos os filmes do cineasta. Claro que sempre imaginei que momentos como “ah, o saudoso Guará” funcionam bem melhor na sessão oficial do Festival do Rio do que numa sessão normal no Arteplex, mas não deixa de ser curioso como contexto pode mudar a recepção tanto. Ainda mais para mim neste caso já que vi A Erva do Rato antes de Cleópatra, me pareceu no dia o primeiro filme genuinamente interessante em muito tempo, a primeira vez que a perversidade do Bressane parecia resultar num filme não só numa coleção de tiques, em retrospecto depois de finalmente ver Cleópatra parece sim um filme menor. Isto dito, certamente é o melhor filme brasileiro em cartaz (até por ser um filme).

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Quinzena

“Tetro”, Francis Ford Coppola(filme de abertura)
“Ajami”, Scandar Copti and Yaron Shani(filme de encerramento)
“Amreeka”, Cherien Dabis
“Les Beaux gosses”, Riad Sattouf
“Carcasses”, Denis Cote
“Daniel y Ana”, Michel Franco
“Eastern Plays”, Kamen Kalev
“La Famille Wolberg”, Axelle Ropert
“Go Get Some Rosemary”, Benny et Josh Safdie
“De Helaasheid der dingen”, Felix Van Groeningen
“Here”, Tzu-Nyen Ho
“Humpday”, Lynn Shelton
“I Love You Philip Morris”, Glenn Ficarra and John Requa
“J’ai tue ma mere”, Xavier Dolan
“Like You Know It All”, Hong Sang-Soo
“Ne change rien”, Pedro Costa
“La Pivellina”, Tizza Covi et Rainer Frimmel
“Polytechnique”, Denis Villeneuve
“Le Roi de l’evasion”, Alain Guiraudie
“La Terre de la folie”, Luc Moullet
“Yuki & Nina”, Nobuhiro Suwa and Hippolyte Girardot

— Hong Sang-Soo, Pedro Costa, Luc Moullet, Nobuhiro Suwa, Alain Guiraudie e ainda de troco Coppola.

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Cannes

Filme de Abertura
Up, Pete Docter, Bob Peterson

Competição
Los abrazos rotos (Broken Embraces), Pedro Almodóvar
Map of the Sounds of Tokyo, Isabel Coixet
Das weisse Band (The White Ribbon), Michael Haneke
Vincere, Marco Bellocchio
Antichrist, Lars Von Trier
Looking for Eric, Ken Loach
Bright Star, Jane Campion
Fish Tank, Andrea Arnold
Faces, Tsai Ming-liang,
Vengeance, Johnny To
Un prophète (A Prophet), Jacques Audiard
À l’origine (In the Beginning), Xavier Giannoli
Les herbes folles (Wild Reeds), Alain Resnais
Soudain le vide, Gaspar Noé
The Time that Remains, Elia Suleiman
Bakjwi (Thirst), Park Chan-wook
Spring Fever, Lou Ye
Kinatay, Brillante Mendoza
Inglorious Basterds, Quentin Tarantino
Taking Woodstock, Ang Lee

Filme de Encerramento
Coco Chanel & Igor Stravinsky, Jan Kounen

Fora da Competição
The Imaginarium of Doctor Parnassus, Terry Gilliam
Agora, Alejandro Amenabar
L’armée du crime (The Army of Crime), Robert Guédiguian

Exibições Especiais
My Neighbor, My Killer, Anne Aghion
Manila, Adolfo Alix e Raya Martin
Min Ye, Souleymane Cissé
L’Epine dans le Coeur, Michel Gondry
Petition, Zhao Liang
Kalat Hayam, Karen Yedaya

Midnight Screenings
Drag me to Hell, Sam Raimi
Panique au village (A Town Called Panic), Stéphane Aubier, Vincent Patar
Ne te retourne pas (Don’t Look Back), Marina De Van

Un certain regard
Mother, Bong Joon Ho
Irene, Alain Cavalier
Precious, Lee Daniels
Demain Des L’aube (Tomorrow from Dawn), Denis Dercourt
À Deriva (Adrift), Heitor Dhalia
Kasi Az Gorbehaye Irani Khabar Nadareh (Nobody Knows About The Persian Cats), Bahman Ghobadi
Los Viajes Del Viento (The Travels of the Wind), Ciro Guerra
Le Père De Mes Enfants (The Father of My Children), Mia Hansen-Love
Amintiri Din Epoca De Aur (Tales From The Golden Age), Hanno Höfer, Razvan Marculescu, Cristian Mungiu, Constantin Popescu, Ioana Uricaru
Skazka Pro Temnotu (Tale In The Darkness), Nikolay Khomeriki
Kuki Ningyo (Air Doll), Hirokazu Kore-Eda
Kynodontas (Dogtooth), Yorgos Lanthimos
Tzar (The Czar), Pavel Lounguine
Independencia (Independence), Raya Martin
Politist, Adjectiv (Police, Adjective), Corneliu Porumboiu
Nang Mai (Nymph), Pen-Ek Ratanaruang
Morrer Como Um Homem (Die Like a Man), João Pedro Rodrigues
Eyes Wide Open, Haim Tabakman
Samson And Delilah, Warwick Thornton
Wit Licht (The Silent Army), Jean van de Velde

Observações
— Não dá para levar a sério festival com Park Chan Wook na compeição e Bong Joon-Ho na mostra paralela
— De qualquer forma entre To, Tsai, Belocchio e Resnais tem quatro possiveis obras-primas na competição alem de alguns cineastas muito bons (Audiard, Mendoza, Tarantino, Lee, etc.), mas não é uma grande seleção.
— Mas o Un Certain Regard está bem melhor que a média com Raya Martin, João Pedro Rodrigues, Alan Cavalier e Bong. Ano passado Tokyo Sonata era melhor do que toda a competição, este ano se Independencia ou Mother repetiram o feito não será grande surpresa.
— Quem diria que o Heithor Dhalia depois de Nina chegaria um dia a Cannes?
— Assustador é a duração média dos filmes desta edição, o unico francês na competição de menos de 150 minutos é o Resnais!
— Agora falta o mais importante que é a Quinzena sair.

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Eustache

Estava evitando, mas acidentalmente vi a programação que rolou no BAFICI este ano e estava lá uma retrospectiva completa do Jean Eustache. Considerando que se trata de um cineasta vital pouco visto por aqui que esta com uma retrospectiva completa circulando pelo mundo e que os franceses estão apoiando tudo este ano, será uma pena se a Mostra de SP ou o Festival do Rio deixarem a oportunidade passar.

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Figuras Traçadas na Luz

Passando pela vitrine da Livraria Cultura vejo que a Papirus lançou o Figures Traced In Light do David Bordwell. È um lançamento bem acima da média dos livros de cinema que aportam por aqui, usando alguns cineastas (Mizoguchi, Hou, Feillude, Angelopoulos) para discutir mise en scene. O preço é salgado (mais caro do que eu paguei no original uns três anos atras) e tem aquele estilo academico/sistematizador quer é o próprio de Bordwell, mas tem muitas idéias interessantes ali.

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Cahiers

Como já era esperado a novela da venda da Cahiers foi oficilizada ontem com a Phaidon assumindo a revista. Agora é esperar para ver as mudanças estruturais que serão impostas a revista. Pior dificilmente fica (alias em 2008 a Cahiers espanhola foi bem mais interessante que a francesa).

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Eastwood

Sou muito novo para me lembrar dos tempos em que Clint Eastwood não tinha nenhuma reputação, minha cinefilia começa durante o trio Imperdoáveis/Mundo Perfeito/Pontes de Madison que sedimentou parcialmente sua imagem como cineasta de verdade, mas me lembro bem do longo período entre Poder Absoluto e Divida de Sangue quando ser fã de Clint Eastwood era tarefa difícil. Não porque os filmes fossem fracos. Bem longe disso, apesar de que com distancia e sem a necessidade de partir em sua defesa a cada filme é visível que não se trata do mais brilhante dos períodos (exceção feita ao ainda muito subestimado Crime Verdadeiro). E era preciso defendê-lo a cada filme porque o tom derrogatório sempre ressurgia em peso a cada lançamento (“o roteiro tem tantos buracos que parece até filme brasileiro”, a Set sobre Crime Verdadeiro). Acho fascinante como a transformação a partir de Sobre Meninos e Lobos e sobretudo como ela no final das contas foi só cosmética. Todos os últimos seis filmes de Eastwood chegaram até nós com toda pompa, circunstancia e prestigio possíveis. A Troca é um Clint Eastwood legitimo, mas a embalagem não deixa de estar muito distante dos tempos de Crime Verdadeiro quando defender Eastwood era tão trabalhoso quanto defender Carpenter (o Ruy até defendeu ao filme junto com Vampiros nos áureos tempos da Contracampo). Mas de alguma forma ser fã do Eastwood mudou muito pouco. Basta ver o tom um tanto defensivo de muitos sobre o filme. Não por conseqüência de alguns serem incapazes de abandonar velhas posturas outra tolice do tipo. Mas porque de alguma forma por trás de toda pompa em muitos meios permanece um desejo de desmascarar “a farsa Eastwood”, e ao cinéfilo que aprecia o seu trabalho cabe a cada filme recomeçar o mesmo esforço de justificar porque Eastwood é uma figura essencial. Já li barbaridades a respeito de A Troca, espero barbaridades ainda piores a respeito de Gran Torino (um Eastwood muito superior, mas com menos áurea de filme respeitável e uma perspectiva fulleriana muito distante das sensibilidades do bom cinema por volta de 2009). O paradoxo da recepção do Eastwood não tem muitos equivalentes com nenhum outro cineasta em nenhum outro momento.

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O cinema brasileiro deprime

No blog antigo em Agosto:

Acompanhar o cinema brasileiro as vezes é uma tarefa que deprime. Bem, o filme do Mojica fez 5600 espectadores.

Bilheteria de Se Eu Fosse Você 2 no seu primeiro fim de semana: 560 Mil espectadores. É, precisamos aceitar que nós temos o cinema popular que merecemos.

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