Arquivo do mês: janeiro 2009

Chat Perchés (Chris Marker,04)

Eu adoro La Jetee e O Fundo do Ar é Vermelho, mas Marker geralmente está no seu melhor justamente quando parece estar mais relaxado só catalogando observações e imagens (até porque Marker segue com uma incrível capacidade de registrar tudo com olhares impressionados). Chat Parchés poder ser encarado como um pequeno epílogo para O Fundo do Ar é Vermelho, mas a experiência me lembrou sobretudo Le Mysterie Koumiko um sublime ensaio sobre cultura japonesa que Marker realizou em meados dos anos 60. É um diário da vida publica parisiense entre o final de 2001 e meados de 2003; por vezes bem humorado e esperançoso, em outros momentos amargo e ácido, mas que conserva sempre o mesmo frescor de olhar. O filme é conduzido pela obsessão de Marker por uma série de pichações de gatos que se espalham pelas paredes de Paris, mas encontra tempo para tratar de tudo das eleições locais, a manifestações de protestos de todo o tipo até a Copa do Mundo (aquela em que a seleção francesa não marcou um gol). Tudo unido pela personalidade de Marker que mesmo nos seus momentos mais mau-humorados (“torcer por 11 milionários correndo atrás de uma bola”) permanece sempre muito próximo do que o filma.

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Film Comment

Saiu a edição nova da Film Comment e com ela o novo conteúdo online que cada vez inclui mais material exclusivo (pelo visto a revista infelizmente decidiu relegar toda a cobertura de festivais para site, por exemplo) como uma entrevista com David Fincher. Do conteúdo da revista imprensa incluso no site esta a lista de melhores do ano (mais ampla que aquela que eu já havia postado aqui) e um artigo sobre Luz Silenciosa (pena que a entrevista com James Toback conduzida pelo Tarantino que promete ser um clássico esteja só na edição impressa).

O melhor mesmo é a entrevista com Efe Cakarel dono do muito interessante site The Auteurs (sobre o qual o Leonardo Cruz já tinha escrito lá no Blog da Ilustrada). Muito boa tanto porque a proposta do site é de uma ambição sem muito paralelos e também porque Cakarel trata do lado prático de como montou seu projeto de distribuição online com refrescante falta de rodeios.

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Miguel Gomes mais uma vez

Boa entrevista com Gomes na Cinética.

E vem acompanhada da informação de que o filme está comprado e deve entrar em cartaz em Abril.

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Top 20 Les Inrocks

1. Two Lovers (James Gray)
2. My Magic (Eric Khoo)
3. Mulher na Praia (Hong Sang-Soo)
4. Um Conto de Natal (Arnaud Desplechin)
5. Viagem a Darjeeling (Wes Anderson)
6. Onde os Fracos Não Tem Vez (Joel & Ethan Coen)
7. Speed Racer (Andy & Larry Wachovski)
8. A Bela Junie (Christophe Honoré)
9. Horas de Verão (Olivier Assayas)
10. Cristovão Colombo, o Enigma (Manoel de Oliveira)
11. Fim dos Tempos (M. Night Shyamalan)
12. A Fronteira da Alvorada (Philippe Garrel)
13. Les Plages d’Agnès (Agnès Varda)
14. Dans la Vie (Philippe Faucon)
15. Quase Irmãos (Adam McKay)
16. Juventude em Marcha (Pedro Costa)
17. O Último Reduto (Rabah Ameur-Zaïmeche)
18. O Silencio de Lorna (Luc & Jean-Pierre Dardenne)
19. A Viagem do Balão Vermelho (Hou Hsiao Hsien)
20. Cloverfield (Matt Reeves)

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Enquanto Two Lovers não chega…

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O Curioso Caso de Benjamin Button (David Fincher,08)

Um objeto estranho. Cuidadosamente construído e tão inerte e passivo a sua maneira como seu protagonista. Como Zodíaco é um filme sobre o tempo, mas se o filme anterior se propunha como uma agonizante escavação materialista sobre os efeitos do mesmo, Benjamin Button existe num tempo muito mais abstrato e mitológico. Ignore-se com a mesma firmeza tanto a história – difícil compreender como as comparações com Forrest Gump começaram – quanto o que há de grotesco na premissa básica, de forma a restar um bastante teórico romance mitológico. Teórico na medida em que Fincher só consegue olhá-lo a distancia. É justamente esta distancia que mantém o filme fascinante e mesmo um tanto tocante. Fincher faz excelente uso do carisma (e especialmente) da forma contida que freqüentemente transparece na presença de Pitt para que o filme permanece banhado nesta atmosfera de mito hollywoodiano e bastante distante do espectador (da mesma forma a presença glacial de Cate Blanchett que tornaria errada para a versão que 99% dos cineastas filmariam, funciona muito bem aqui). Só as cenas com Tilda Swinton sugerem uma experiência legítima e vivida, mas mesmo assim o filme avança com grande facilidade. Benjamin Button é menos a conseqüência natural de Zodíaco, e mais o filme mecânico que Fincher há muito tateava. Frustrante talvez, eficaz e perfeito a sua maneira.

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O cinema brasileiro deprime

No blog antigo em Agosto:

Acompanhar o cinema brasileiro as vezes é uma tarefa que deprime. Bem, o filme do Mojica fez 5600 espectadores.

Bilheteria de Se Eu Fosse Você 2 no seu primeiro fim de semana: 560 Mil espectadores. É, precisamos aceitar que nós temos o cinema popular que merecemos.

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Top 10 Cahiers

1. Redacted (Brian De Palma)
2. Juventude em Marcha (Pedro Costa)
3. Cloverfield (Matt Reeves)
4. Onde os Fracos Não Tem Vez (Joel & Ethan Coen)
5. Two Lovers (James Gray)
6. Waltz with Bachir (Ari Folman)
7. O Último Reduto (Rabah Ameur-Zaïmeche)
8. Hunger (Steve McQueen)
9. A Short Film About the Indio Nacional (Raya Martin)
10. Na Guerra (Bertrand Bonello)

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Dica

O Milton do Prado está com blog novo.

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Gran Torino

grantor250l

Sempre me divirto muito com as discussões sobre Clint Eastwood. Vou escrever mais sobre Gran Torino antes do filme estrear, mas ri muito da dificuldade de alguns de entender os métodos de Clint. Não que Gran Torino não tenha suas fragilidades como ocorre com alguma freqüência em determinados filmes de Eastwood as necessidades de sublinhar certos pontos para o espectador não deixa de vir acompanhadas de algumas caricaturas excessivas as margens da trama, que se não incomodam e são até fáceis de entender o sentido não deixam de soar como corpos estranhos dentro do filme. Por outro lado, sigo lendo reclamações sobre o jovem ator que interpreta o padre que tenta convencer o personagem de Eastwood a se confessar. O rapaz, que me parece muito eficiente em todas as suas seqüências, visivelmente não tem presença de cena para dividir a tela com o astro/autor. O que me parece tanto a razão pela qual é mencionado negativamente na maioria dos textos sobre o filme, como toda razão de ser do seu personagem. É um pouco como Jorge Rivero diante de John Wayne no Rio Lobo de Hawks, parado ali diante de Eastwood o garoto faz mais para reforçar o mito do que muitos textos laudatórios seriam capazes.

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Links

David Hudson, responsável pelo melhor apanhado de links de lingua inglesa da web, se mudou do Green Cine Daily para .

A Film Comment colocou no ar um bom podcast sobre Clint Eastwood aqui.

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Jogos de Azar (Robert Mulligan,74)

Esta ai um filme que ajuda a explicar como a carreira de Mulligan se transformou nos anos 70 depois de uma boa década como um cineasta de prestígio. Um conto paranóico de um pequeno gangster (Jason Miller) cujos negócios vão mal e que precisa desesperadamente fechar uma transação imobiliária. Nas mãos do seu ex-parceiro de Alan J. Pakula (cineasta medíocre, mas de muito mais sucesso de público e crítica à época) seria um filme muito mais inflado e com a paranóia do protagonista recebendo um peso simbólico muito clara. Ou seja, Pakula faria disto um filme muito mais importante. Já Mulligan se contenta em mover as peças de gênero enquanto realiza sua pequena tragédia particular de um homem visivelmente fora de sincronia com o universo a sua volta (algo com o qual o cineasta devia se identificar). Faz isso com atenção especial para seus atores (em particular Miller e Bo Hopkins como o cowboy que talvez seja um matador de aluguel) e para pequenos detalhes e locações. Ou seja, se o hipotético Jogos de Azar de Pakula (podemos pensar naquele vergonhoso A Trama feito na mesma época) nos seria entregue de cima para baixo, a tragédia de Mulligan parece vivida até o último instante seja na invenção, seja no clichê.

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