Filme Cultura

A edição nova da Filme Cultura centrada na cinefilia inclui uma pesquisa com cineastas, críticos e pesquisadores sobre os filmes brasileiros do coração, não necessariamento os melhores, mas os favoritos afetivos quando nos pediram a lista. As listas individuais estão disponiveis no site da revista. A minha, sem nenhuma ordem de preferencia, foi esta:

Bang Bang, (Andrea Tonacci)
O prisioneiro da grade de ferro (Paulo Sacramento)
O vampiro da cinemateca (Jairo Ferreira)
Filme demência (Carlos Reichenbach)
Sem essa, Aranha (Rogério Sganzerla)
O jogo da vida (Maurice Capovilla)
SuperOutro (Edgar Navarro)
Carnaval Atlântida (José Carlos Burle)
Di Cavalcanti (Glauber Rocha)
A velha a fiar (Humberto Mauro)

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Top 20 Les Inrock

1. Mistérios de Lisboa (Raoul Ruiz)
2. Tio Boonmee, que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (Apichatpong Weerasethakul)
3. O Escritor Fantasma (Roman Polanski)
4. Filme Socialismo (Jean-Luc Godard)
5. Morrer Como Um Homem (João Pedro Rodrigues)
6. Vício Frenético (Werner Herzog)
7. A Rede Social (David Fincher)
8. Polícia, Adjetivo (Corneliu Porumboiu)
9. La Vie au Ranch (Sophie Letourneur)
10. Sexy Dance 3 (John Chu)
11. Kaboom (Gregg Araki)
12. Carlos (Olivier Assayas)
13. Você Vai Conhecer o Homem de Seus Sonhos (Woody Allen)
14. O Fantástico Sr Raposo (Wes Anderson)
15. Brilho de Uma Paixão (Jane Campion)
16. Like You Know It All (Hong Sang-Soo)
17. Amores Imaginários (Xavier Dolan)
18. Homme Au Bain (Christophe Honoré)
19. Turnê (Mathieu Amalric)
20. White Material (Claire Denis)

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Os Residentes e a Folha

Na Ilustrada de hoje saiu a seguinte nota não assinada: O longa dirigido por Tiago Mata Machado levou o prêmio do júri do evento na cidade mineira. Mostrando um grupo de pessoas que se instala numa casa que será demolida, o filme teve recepção dividida no festival, com parte da plateia deixando a sessão antes do final.

Como um dos presentes na tal sessão dividida eu posso dizer que a sala (com capacidade para 700 pessoas) estava muito cheia e segundo um amigo que estava no fundo e já conhecia o filme e ficou a observaro a reação do público, a debandada consistiu de 30 pessoas (metade das quais ainda na primeira meia hora) e o filme recebeu aplausos bem entusiasmados ao fim. A recepção de um modo geral foi tão boa, que dois dias mais tarde durante um debate, o Cleber Eduardo, curador do evento, aproveitou para dizer que ficou impressionado com reação do público num dia que ele havia programado como o dia de filmes dificeis. Posso confirmar também que não tinha nenhum jornalista da Folha por lá para testemunhar a tal recepção dividida (o Bruno Saito, que cobriu o evento para o jornal, já tinha ido embora). Tenho certeza que teve muitas pessoas que ficaram até o fim e acharam o filme do Tiago muito chato ou algo similar (tenho bons amigos que acham isso, por exemplo) e me parece uma reação normal, mas o tom geral da reação foi bem distante disso.  Pode não parecer muito, mas este é o tipo de nota que diz muito sobre a postura do jornal.

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Tiradentes

De volta a São Paulo após 10 dias em Tiradentes com ótimo saldo entre filmes, debates e conversas com amigos. A cobertura dos filmes está lá na Cinética (ainda faltam os últimos 2 dias). Para alem dela destaque para o Bressane no debate com o Saraceni e do belissimo debate sobre o Santos Dumont do Carlos Adriano. Alem disso, um grande acerto do Cleber Eduardo tanto abrir a Mostra com o O Gerente como a noite com o trio Os Residentes-Os Monstros-Santos Dumont: Pré Cineasta?, cada um a sua maneira momentos muito simbólicos do que foi Tiradentes este ano.

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Inácio, Cavi e a bolha

O Inacio Araujo escreveu um texto legal sobre ouvir o Cavi Borges falando num dos debates de ontem. Quando eu li num primeiro momento me surpreendi que o Inácio não tivesse nenhuma ideia de quem era o Cavi, depois pensei um pouco e duas coisas ficaram claras:

– Quem se envolve de alguma forma com filmes de jovens cineastas as vezes se esquece de como nosso meio pode ser insular. Um cara como o Cavi pode ser um nome muito óbvio para mim, mas não para uma pessoa só um tanto mais distante como Inácio.

– São Paulo tem hoje uma porta de entrada terrível para filmes de cineastas novos. Salvo pelo Festival de Cinema Latino (onde ano passado eu vi A Fuga da Mulher Gorila, Estrada para Ythaca e A Falta que me Faz, por exemplo), não há nenhuma outra opção. A Mostra não é confiável, não há nenhum evento ou sessão regular pensada para estes filmes, etc. Para piorar mesmo o Festival de Cinema Latino sofre da desvantagem de ser um evento grande onde estes filmes estão perdidos. Ficamos refens das sessões fechadas que ajudam a divulgar, mas de certa forma reforçam a bolha.  Não é a tóa que um trabalho como o da Cavideo não chegue aos ouvidos de um ótimo crítico paulistano como o Inácio. No que cabe a programação de cinema de São Paulo a Cavideo não existe mesmo.

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Duas dicas

Estou em Tiradentes desde a sexta-feira acompanhando a mostra de cinema local. A minha cobertura está no ar na Cinética.

O Daniel Caetano disponibilizou online o livro que editou sobre o grande Serras da Desordem. Tem uma excelente entrevista com Tonacci e quatro artigos. Está disponivel aqui.

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Melhores de 2010 10-1

9) Detective Dee and the Mystery of Phantom Flame (Tsui Hark) e 36 Vues du Pic Saint Loup (Jacques Rivette)


Dois belos filmes de fim de carreira sobre espetáculo e dois belos exemplares de mise en  scene fluida e criativa. Tanto Rivette como Hark se tornaram mais clássicos e controlados ao longa da última década mas nem por isso seus filmes se tornaram menos prazerosos e arejados.

8 ) Incontrolável (Tony Scott)


Menos interessante do que a dupla Domino-Déjà vu, mas também o mais eficiente dos thrillers de Scott. Uma aula de tensão do mais avant garde dos estetas hollywoodianos.

7) Todos Vós Sodes Capitáns (Olivier Laxe)


Uma ficção sobre a insuficiência do olhar europeu sobre o subdesenvolvido? Um destes filmes no meio termo entre a ficção e o documentário? Um exercício de imersão sobre a paisagem urbana e rural do Marrocos? Uma autoficção, entre Coutinho e Kiarostami? O filme de Olivier Laxe é todas e nenhuma dessas alternativas, e parte da sua graça é justamente como ele é capaz de trafegar sobre tantas idéias sem nunca perder a si mesmo. É sobretudo um filme sobre as imagens que nós desejamos, e o custo destas.

6) Essential Killing (Jerzy Skolimowski)


Skolimowski realiza aqui o grande filme de ação do ano. Ação básica constante num filme mínimo.

4) Ha Ha Ha (Hong Song-Soo) e Tio Boonme que Pode Recordar suas Vidas Passadas (Apichatpong Weerasethakul)


Dois filmes que representam indiretamente o mesmo dilema da cinéfilia contemporânea diante da figura do autor. Ha Ha Ha é exatamente como todos os outros filmes de Hong Song-soo e tão bom quanto, já Tio Boonme é o caso do filme que ajuda a consolidar um nome e vê a inevitável “ele não é tudo isso ai” (que é sempre curioso quando vem de quem não dizia isso dois anos atrás). O que importa é que são dois filmes que me maravilham cada um sua maneira, seja na precisão seca do relato de Hong, seja nas imagens de Apichatpong.

3) As Quatro Voltas (Michelangelo Frammartino)


Um grande exercício em dramaturgia.

2) O Estranho Caso de Angélica (Manoel de Oliveira)


Todo este novo filme de Manoel de Oliveira está voltado para ilustrar como o cinema esta invenção ao mesmo tempo maravilhosa e terrível é tão capaz de nos fascinar quanto assombrar. Todo montado a partir de uma figura eminentemente cinematográfica: a noiva-cadáver sorridente que surge diante de nós via efeitos especiais  seu fascínio sobre o olhar do fotografo asceta.

1) Mistérios de Lisboa (Raul Ruiz)


O protagonista deste novo filme de Ruiz é menos um personagem e mais um narrador de si mesmo, menos protagonista e mais um ponto de encontro de várias ficções.  Isto porque o filme de Ruiz é uma cartografia de ficções que a cada recurso de distanciamento mais se aproxima do seu drama. É um jogo onde as narrativas se sucedem, as identidades dos personagens deslizam rumo a novas personas, e os duplos se multiplicam. Nenhuma história é única, mas nenhuma história é a mesma. É puro melodrama, cada história e cada personagem um arquétipo bem conhecido de qualquer rato de biblioteca. Nos movimentos de câmera sempre muito elegantes de Ruiz, estes dois extremos se unem numa única celebração do poder da ficção.

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Melhores de 2010 20 – 11

20) Alem da Vida (Clint Eastwood)

Um filme que existe em suspenso que parece estar sempre prestes a começar a se mover. Um olhar curiosamente materialista sobre seu tema. O Sergio Alpendre de forma muito perspicaz fez a conexão entre Além da Vida e Medos Privados em Lugares Públicos e ela é muito útil, mesmo que o filme do Eastwood não seja uma obra-prima como o do Resnais.
18) Copia Fiel (Abbas Kiarostami) e Ne Change Rien (Pedro Costa)

Cópia Fiel chegou até nós com a fama de ser um retorno de Abbas Kiarostami a narrativa após uma década de “exprimentos”, é na verdade muito mais um retorno aos atores. Cinco se no lugar de patos tivéssemos um par de atores atraentes encenando menos uma trama e mais uma série de variações de relação conjugal. Não muito distante de certa forma de Ne Change Rien, o musical “experimental” de Pedro Costa e também seu filme mais acessível até hoje muito porque prova a equação Camera + Jeanne Balibar = filme.
17) Napoli Napoli Napoli (Abel Ferrara)

Napoli Napoli Napoli é a história de um encontro do cineasta marginalizado com uma cidade ainda mais marginalizada. Um encontro que sugere uma colaboração: a cidade pratica um pedido coletivo de ajuda, o cineasta encontra nela outro personagem marginal que a sua câmera dura pode focar com simpatia. Documentário de terror.
16) A Autobiografia de Nicolae Ceasescu (Andrei Ujica)

A história como ficção, as paradas públicas como números musicais e Kim Ill-sung como o David Selznick dos ditadores comunistas.
15) Terça Depois do Natal (Radu Muntean)

Muitos dos mesmos méritos de Aurora valem para este terceiro longa de Muntean, é inclusive igualmente largo no seu arco dramático a despeito da sua apresentação muito mais simples.
14) Yuki & Nina (Nabuhiro Suwa e Hippolyte Girardot)

De como modular um olhar.

13) News from Ideological Antiquity Marx Eisenstein Capital (Alexander Kluge)

Ensaio épico de Kluge sobre O Capital a partir dos resíduos do projeto de filmá-lo de Eisenstein. Consideravelmente ambicioso e cheio de caminhos muito particulares mesmo neste corte d 2 horas para cinemas (a versão para a TV tem 10), até diria que mesmo esta apresentação com ar de clip reel acrescenta um elemento extra ao projeto.

12) If God is Willing and da Creek Don’t Rise (Spike Lee)

When the Leeves Broke, o primeiro filme que Lee fizera sobre New Orleans é certamente seu filme mais bem recebido da última década com bons motivos e esta seqüência segue com precisão o formato do filme anterior com resultados quase tão bons quanto. O que ambos os filmes fazem excepcionalmente bem é tirar o melhor da habilidade de Lee com panoramas e digressões assim como com indignação.
11) Deuses e Homens (Xavier Beauvois)

Beauvois é um dos últimos praticantes da arte de modular o drama e na história dos monges tiberianos encontra um veículo ideal. Já que o que esta em jogo aqui é o principio central do drama exacerbado para o campo religioso: tornar a dúvida, a vontade, numa ação concreta.

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Melhores do ano – Cinema Scope

1. Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives (Apichatpong Weerasethakul)
2. The Autobiography of Nicolae Ceaucescu (Andrei Ujica)
3. Mysteries of Lisbon (Raúl Ruiz)
4. Film Socialisme (Jean-Luc Godard)
5. Winter Vacation (Li Hongqi)
6. The Strange Case of Angelica (Manoel de Oliveira)
7. I Wish I Knew (Jia Zhangke)
8. Meek’s Cutoff (Kelly Reichardt)
9. ATTENBERG (Athina Rachel Tsangari)
10. The Ghost Writer (Roman Polanski)

Ten Special Mentions:
Aurora (Cristi Puiu)
Carlos (Olivier Assayas)
Certified Copy (Abbas Kiarostami)
Cold Weather (Aaron Katz)
Curling (Denis Côté)
Des hommes et des dieux (Xavier Beauvois)
Le Quattro Volte (Michelangelo Frammartino)
El Sicario Room 164 (Gianfranco Rosi)
The Social Network (David Fincher)
Unstoppable (Tony Scott)

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Melhores de 2010 30-21

30) Um Dia na Vida (Eduardo Coutinho)

Depois que o dispositivo Coutinho se tornou progressivamente manjado, ele precisava nos confundir com um objeto tão estranho quanto esta colagem de imagens de televisão. È muito mais rico e interessante do que o “TV aberta é uma merda” ao qual foi reduzido, mas talvez seu maior valor seja justamente em dotar de valor cinematográfico imagens que sem ele jamais seriam encaradas como tal.

29) Beeswax (Andrew Bujalski)


Após três longas, os méritos e limites do cinema do Bujalski são mais que cristalizados. Bujalski oferece um olhar e ouvido dos mais atentos e como o espectador se sente a respeito destes valores por si só tende a balizar a sua relação a um filme com este Beeswax.

28) La Danse (Frederick Wiseman)


Um típico Wiseman beneficiado pela inevitável distorção do seu método diante de filmar por parte da sua duração performances que já são pensadas a priori como tal.

27) The Hole (Joe Dante)


De certa forma um típico “filme de fim de carreira” que a despeito de curiosamente ser rodada em TV sugere muito mais um thriller de ficção/horror do auge da popularidade de Dante. O último ato é um tanto literal demais, mas não encontraram muitos filmes de gêneros tão profissionais em especial na clareza com que Dante conduz tudo.

26) A Falta que me Faz (Marília Rocha)


Quando o Francis Vogner escreveu sobre o filme logo após sua primeira exibição em Brasilia reclamou sobre como o discurso entorno dele não conseguia escapar dos jargões teóricos, 12 meses e até uma passagem surpreendente pelo circuito depois pouca coisa mudou. O maior elogio que posso fazer A Falta que me Faz é que trata-se de um filme muito bonito e não porque as imagens do Ivo Lopes Araujo são muito bonitas (e muitas delas são), mas porque Marilia Rochae sua equipe acha o tom emotivo e de aproximação exato para as várias histórias daquelas garotas e isto vale muito mais do que qualquer discussão sobre “O documentário”.

24) Alamar (Pedro Gonzales-Rubio) e Sweetgrass (Ilsa Barbash e Lucien Castain-Taylor)


Falando em jargões estão ai 2 belos filmes semi-documentais que nos fascinam pela aproximação que exercem sobre duas sub culturas bem próprias: uma colônia de pescadores mexicanos em Alamar e a da condução de ovelhas para melhores pastagens na mudança de estação nos EUA em Sweetgrass.


23) Aurora (Cristi Puiu)


Todo o cinema de desdramatização contemporâneo revisto em formato épico. Menos bom que o Senhor Lazarescu mas de certa forma estágio final de todo um projeto de cinema romeno.

21) Kaboom (Greg Araki) e A Rede Social (David Fincher)


A primeira vista não poderiam ser filmes mais distantes, mas são duas divertidíssimas comédias jovens. São também dois filmes com uma relação curiosa com autenticidade. Apesar de todos os exessos da sua ficção pós-apocaliptica, Kaboom não deixa de funcionar como o documentário sobre o imaginário de um rapaz de 17/18 anos sexualmente ambíguo com excesso de idéias. Já toda a obsessão com detalhes que Fincher importou do seu último filme realista terminam só por reforçar como este filme sobre uma ferramenta de imitação de intimidade se dobra ele próprio como uma série de imitações de autencidade a começar pela muito elogiada atuação do Jesse Eisenberg que menos constrói um personagem e mais uma porção de tiques que flui de acordo com o meio social que ele esta inserido.

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Melhores de 2010 – 40-31

40) Armored (Nimrod Attal)

Excelente filme B quase todo filmado num cenário só (um galpão abandonado) com grande domínio de espaço cênico e ritmo e ótimos carachter actors. Attal é um formalista com gosto por material reciclado que merece um olhar atencioso.

39) Nuit de Chien (Werner Schroeter)


Schroeter busca o concreto na abstração da sua alegoria política com formas langianas.

38) Chelsea on the Rocks (Abel Ferrara)


A marginalia institucionalizada. Um filme político a medida que reconhece que a derrota começa n hora que o câmera aperta o rec da filmadora.

37) Carlos (Olivier Assayas)


Assim como o Private Files de J Edgar Hoover do Larry Cohen e o Lucky Luciano de Rosi – 2 das 4 ou 5 m elhores cinegiografias já feitas – Carlos revê história como um thriller B dos mais vagabundos. Por toda sua atenção doentia para informação e detalhes é o fracasso dos mesmos e o triunfo do espetáculo. O que sobra é mise en scene. Um filme por necessidade irregular, o entrecho de uma hora com o seqüestro dos embixadores da OPRP estaria no meu top 10 se fosse um filme próprio.

35) A Cidade Abaixo (Christoph Hochhäusler) e Brilho de uma Paixão (Jane Campion)

Dois folhetins românticos que não podiam ser mais opostos e complementares. O filme de Hochhausler essencialmente reconstrói  seu folhetim pela lógica do balanço comercial e no processo expõe o fracasso da lógica da eficiência diante de uma questão concreta. O filme da Campion seqüestra o que eu costumo chamar de filme de época em cambio morto e entrega completamente aos seus excessos. De certa a forma é o filme ideal de Campion sua convicção supera e muito todas as suas limitações e irregularidades.


34) The Beast Stalker (Dante Lam)


Um engenhoso thriller que compensa certo excesso de coincidências com uma imaginação acima da média em todos os seus elementos acessórios e uma entrega completa ao esforço do seu protagonista em seu redimir (ele tenta localizar uma criança seqüestrada cuja irmã gêmea ele matara por acidente na seqüência inicial. Algumas cenas de ação excepcionais e Nick Cheung como o seqüestrador rouba cada instante que esta em cena.

33) A Espada e a Rosa (João Nicolau)


Os primeiros 40-50 minutos de A Espada e a Rosa são melhores que quase todos os filmes desta lista. A Espada e a Rosa tem 150 minutos. O filme de Nicolau (assim como boa parte da produção da O Som e a Furia, com a possível exceção de Aquele Querido Mês de Agosto) coloca a crítica contra a parede. È tão inventivo e vigoroso que é difícil com todas as várias partes dele que não funcionam. Se a maior parte das posições exatas deste Top 50 pouco importam, este 33º lugar é ainda mais artificial, poderia facilmente estar 25 posições a frente ou 15 para trás de acordo com o quanto meu humor me leva a valoriza o gênio e o fracasso.

31) A Vala (Wang Bing) e Caterpillar (Koji Wakamatsu)


Dois grandes filmes políticos sobre o peso físico do intolerável. Concretos e absurdos em igual maneira.

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Melhores de 2010 – 50-41

Lembrando que como nos últimos anos que o critério é filmes novos (até 3 anos atrás) que eu vi pela primeira vez em 2010  indepedente do lançamento comercial deles.

Menções Honrosas: Abutres (Pablo Trapero), Atração Perigosa (Ben Affleck), O Caçador (Rafi Pitts), O Escritor Fantasma (Roman Polanski), Estrada para Ythaca (Luiz Pretti, Ricardo Pretti, Guto Parente e Pedro Diogenes), Ex isto (Cao Guimarães), Greenberg (Noah Baumbach), Helsinki Forever (Peter Von Bagh), História Mundana (Anocha Suwichakornpong),Ilha do Medo (Martin Scorsese), Lola (Brillante Mendoza), Man with No Name (Wang Bing), Os Mercenários (Sylvester Stallone),Muhammad and Larry (Albert Mayles e Bradley Kaplan), O Pecado de Hadewijch (Bruno Dumont) Piranha 3D (Alexandre Aja), Predadores (Nimrod Antal), Riscado (Gustavo Pizzi), Símbolo (Hitoshi Matsumoto), Toy Story 3 (Lee Ukrich), Trash Humpers (Harmony Korine), A Última Estrada da Praia (Fabiano de Souza), O Último Romance de Balzac (Geraldo Sarno), Venus Negra (Abdelatif Kechiche), Winning Time (Dan Klores)

50) Me and Orson Welles (Richard Linklater)

Bem melhor que as suas críticas, este filme de Linklater sobre um jovem nas beiradas da produção de Julio César de Orson Welles tem a precisão de execução que mesmo seus filmes menos bem resolvidos apresentam e uma percepção sobre as relações entre teatro e poder que o torna muito mais interessantes que outros exemplares de necrofilia wellesiana.

49) No Crossover (Steve James)


Uma das fontes mais constantes de filmes interessantes ano passado foi a série de documentário 30 on 30 que a ESPN produziu para comemorar seus 30 anos, este filme do Steve James (que realizou o ótimo Hoop Dreams) foi o melhor deles.  James tem uma ótima história como ponto de partida, Allen Iverson, então melhor jogador juvenil de basquete e futebol americano do seu estado, acaba envolvido numa pancadaria com conotações raciais e terminou julgado e condenado a alguns meses de prisão. James, que nasceu e cresceu na mesma cidade que Iverson, constrói um filme menos sobre o julgamento em si, mas sobre a ambivalência que questão social ainda gera na sociedade americana e como ela se amplifica em eventos como este. Ajuda muito que James não tenha grande interesse no bom mocismo liberal que costuma dominar este tipo de material (uma das melhores cenas é do depimento nada simpático da mãe do cineasta) e que próprio Iverson é um destes atletas que a maior parte da opinião pública mantém enorme ambivalência.

48) Overheard (Felix Chong e Alan Mak)


Desde que o sucesso de Infernal  Affairs lhes garantiu considerável liberdade a dupla Chong e Mak vem se especializando em thrillers policiais que buscam explorar o máximo uma nebulosa fronteira moral  (Confession of Pain, Lady Cop & Papa Crook), este Overheard é de longe o melhor deles. Salvo pelo epilogo que praticamente grita a interferência dos censores chineses, Chong e Mak levam ao extremo sua idéia central sobre as conseqüências do divorcio entre moral privada e pública e constroem uma insinuante tensão constante.

47) White Material (Claire Denis)

Um casamento curioso entre as preferências e obsessões habituais de Denis e uma abordagem direta e concreta a uma questão “relevante” que a interessa muito. Menos bem resolvido do que esperamos de Claire Denis, mas frequentemente envolvente e fascinante em ambas as suas pontas.

46) Machete (Robert Rodriguez e Ethan Maniquis)


Disse boa parte do eu me interessava sobre o filma na Cinética, mas Machete confirma que Rodriguez é o que demais próximo o cinema narrativo contemporâneo chega aos primeiros logas de Sergio Leone.

45) Refrões Acontecem como Revoluções numa Canção (John Torres)

Ao mesmo tempo o mais narrativo dos filmes de Torres e o mais estranho também.  Uma bela reflexão confessional sobre as frestas da histórias e as pessoas que passam por elas vinda de um dos cineastas mais subestimados cineastas contemporâneos.

44) Os Outros Caras (Adam McKay)


Assim como os outros veículos para Will Ferrel que McKay dirigiu, Os Outros Caras confortavelmente empurra suas idéias cômicas – seja físicas, seja conceituais – a sua conclusão ridícula inevitável. Mesmo um ponto de partida surrado como o de Os Outros Caras termina engenhoso nas mãos dos dois.

43) Outrage (Takeshi Kitano)


Supostamente o retorno de Kitano ao filme de Yakuza, é na verdade um slasher film “de arte” em que todos os esforços do cineasta se concentrar em encontra maneiras de apresentar assassinatos brutais de formas cada vez mais extremas. Outrage é mais Lucio Fulci que Sonatine, o que é uma outra forma de dizer que Kitano segue obcecado pelas mesmas questões criativas que assombram seus filmes da última meia década só que sem o gancho metalingüístico deles.

42) The Stool Pigeon (Dante Lam)

Depois de uma década decepcionante Dante Lam parece finalmente fazer valer a promessa de Beast Cops (98) com 4 filmes muito interessantes nos últimos 2 anos o mais recente deles é este thriller sobre informantes. The Stool Pigeon exemplifica perfeitamente o que o cinema de Hong Kong sempre fez de melhor: uma grande clareza de propósitos, bons atores (Nick Cheung, Nicholas Tsé), ação fluida e envolvente e uma disposição para fazer qualquer extremo que o material exija.

41) Filme Socialismo (Jean-Luc Godard)


Um filme falado ou o cruzeiro civilizatório por Jean Luc Godard.

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Melhores de 2010 – Film Comment

1. Carlos (Olivier Assayas)
2. A Rede Social (David Fincher)
3. White Material (Claire Denis)
4. O Escritor Fantasma (Roman Polanski)
5. O Profeta (Jacques Audiard)
6. Winter’s Bone (Debra Granik)
7. Inside Job (Charles Ferguson)
8. Ervas Daninhas (Alain Resnais)
9. Todos os Outros (Maren Ade)
10. Greenberg (Noah Baumbach)
11. Mother (Bong Joon-ho)
12. Toy Story 3 (Lee Unkrich)
13. Ecentricidades de uma Rapariga Loira (Manoel de Oliveira)
14. Another Year (Mike Leigh)
15. O Estranho Caso de Angelica (Manoel de Oliveira)
16. Minhs Mães e Meu Pai (Lisa Cholodenko)
17. Shutter Island (Martin Scorsese)
18. Around a Small Mountain (Jacques Rivette)
19. Aquele Querido Mês de Agosto (Miguel Gomes)
20. Ne change rien (Pedro Costa)
21. Dogtooth (Yorgos Lanthimos)
22. I Am Love (Luca Guadagnino)
23. Sweetgrass (Lucien Castaing-Taylor & Ilisa Barbash)
24. Black Swan (Darren Aronofsky)
25. O Pai dos Meus Filhos (Mia Hansen-Løve)
26. Boxing Gym (Frederick Wiseman)
27. Secret Sunshine (Lee Chang-dong)
28. Barba Azul (Catherine Breillat)
29. Enter the Void (Gaspar Noé)
30. Inception (Christopher Nolan)
31. Alamar (Pedro González-Rubio)
32. The Oath (Laura Poitras)
33. Exit Through the Gift Shop (Banksy)
34. World on a Wire (Rainer Werner Fassbinder)
35. Animal Kingdom (David Michôd)
36. Vincere (Marco Bellocchio)
37. Traga me Alecrim (Ben & Joshua Safdie)
38. Lourdes (Jessica Hausner)
39. A Vida Durante a Guerra (Todd Solondz)
40. Fish Tank (Andrea Arnold)
41. Sentimento de Culpa (Nicole Holofcener)
42. True Grit (Joel & Ethan Coen)
43. Lebanon (Samuel Maoz)
44. The King’s Speech (Tom Hooper)
45. I Love You Phillip Morris (Glenn Ficarra & John Requa)
46. Last Train Home (Lixin Fan)
47. Blue Valentine (Derek Cianfrance)
48. Hadewijch (Bruno Dumont)
49. The Anchorage (Anders Edström & C.W. Winter)
50. Henri-Georges Clouzot’s Inferno (Serge Bromberg & Ruxandra Medrea)

Não Lançados

1. Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives (Apichatpong Weerasethakul)
2. Filme Socialismo (Jean-Luc Godard)
3. Poesia (Lee Chang-dong)
4. Meek’s Cutoff (Kelly Reichardt)
5. Aurora (Cristi Puiu)
6. Misterios de Lisboa (Raúl Ruiz)
7. A  Autobiografia de Nicolae Ceauşescu (Andrei Ujica)
8. As Quatro Voltas (Michelangelo Frammartino)
9. A Cópia Fiel (Abbas Kiarostami)
10. Terça, Antes do Natal (Radu Muntean)
11. Oki’s Movie (Hong Sang-soo)
12. Ruhr (James Benning)
13. I Wish I Knew (Jia Zhangke)
14. My Joy (Sergei Loznitsa)
15. Nostalgia da Luz (Patricio Guzmán)
16. Robinson in Ruins (Patrick Keiller)
17. Venus Negra (Abdellatif Kechiche)
18. Deuses e Homens (Xavier Beauvois)
19. Tabloid (Errol Morris)
20. The Robber (Benjamin Heisenberg)

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Blake Edwards

Péssima a notícia da morte de Blake Edwards. Um dos meus favoritos. Preciso um dia escrever sobre Peter Gunn, o melhor filme americano dos anos 60 que ninguém sabe que existe. Aproveito para reproduzir um artigo meu de 2004 sobre os filmes dele entre 79 e 89. Eu adoro estes filmes, mesmos os ruins e mesmo os finais felizes forçados da maioria deles. Os 5 dias que passei revendo-os foram ótimos. Agradecimentos eternos ao Gilbertão por ter sugerido a pauta. Continuar lendo

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Top 18 Cahiers

1. Tio Boonmee Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (Apichatpong Weerasethakul)
2. Vício Frenético (Werner Herzog)
3. Filme Socialismo (Jean-Luc Godard)
4. Toy Story 3 (Lee Unkrich)
5. O Fantástico Sr. Raposo (Wes Anderson)
6. Um Homem Sério (Ethan & Joel Coen)
7. Morrer Como um Homem (João Pedro Rodrigues)
8. A Rede Social (David Fincher)
9. Chouga (Darezhan Omirbayev)
10. Mother (Bong Joon-ho)
11. O Escritor Fantasma (Roman Polanski)
12. Todos os Outros (Maren Ade)
13. Homens e Deuses (Xavier Beauvois)
14. La vie au ranch (Sophie Letourneur)
15. Le quattro volte (Michelangelo Frammartino)
16. Avatar (James Cameron)
17. Go Get Some Rosemary (Ben & Joshua Safdie)
18. Mistérios de Lisboa (Raoul Ruiz)

Feliz de ver 2 dos meus favoritos do ano passado (Todos os Outros e Go Get Some Rosemary) receberem alguma atenção, por outro lado os Coen estariam fácil numa lista minha de “sessões de tortura 2010”.

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