Alguns favoritos vistos este ano:
A Modern Musketeer (Allan Dwan, 1917)
Manhandled (Allan Dwan, 1925)
Lucky Star (Frank Borzage, 1929)
Hell’s Heroes (William Wyler, 1930)
Blessed Event (Roy Del Ruth, 1932) Continuar lendo
Alguns favoritos vistos este ano:
A Modern Musketeer (Allan Dwan, 1917)
Manhandled (Allan Dwan, 1925)
Lucky Star (Frank Borzage, 1929)
Hell’s Heroes (William Wyler, 1930)
Blessed Event (Roy Del Ruth, 1932) Continuar lendo
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The Canyons, de Paul Schrader
Uma pequena seleção de leituras favoritas de 2013. Nem de longe das mais inclusivas já que tentei me limita a línguas que tenho mais fluência (português, inglês e espanhol) e dei preferencia a artigos que poderiam ser linkados, além de evitar entrevistas.
Antes queria aproveitar para indicar dois PDFs nos quais eu tive pequeno envolvimento. Allan Dwan: a dossier (que já indiquei aqui antes) é uma coletânea preciosa sobre o cineasta com muitos ótimos colaboradores e eu destacaria em especial o ótimo artigo visual da Gina Telaroli sobre Cattle Queen of Montana que me fez parar tudo que fazia pra rever o filme. O outro é o catalogo da Mostra Samuel Fuller no CCBB não pelo que tem de novo, e sim por incluir traduções preciosas do próprio Fuller (além do que acredito ser a primeira tradução brasileira de Manny Farber).
David Bordwell, Mixing Business with Pleasure
Johnnie To serve perfeitamente a analise de sequencia que Bordwell faz tão bem como atesta este artigo sobre Drug War para o blog dele.
Nicole Brenez, Political Cinema Today – The New Exigencies: For a Republic of Images
Traduzi uma parte no meu texto sobre Rumo a Madri como sempre em Brenez muito o quese pensar sobre representação e política.
Phil Codirion, Pretending That Life Has no Meaning
Entre os muitos textos sobre The Canyons, um filme que convida a se escrever sobre ele, o que me parece mais justo e equilibrado.
Toni D’Angela, The Immigrant
Faz a minha crítica parecer totalmente insuficiente.
Marie-Pierre Duhamel, Consistency in a Filmmaker’s World e Tony Rayns, Heard It Through the Grapevine
Dois textos que ajudam a enriquecer muito Um Toque de Pecado que é um destes filmes cujas decisões são iluminadas bastante pelo contexto.
David Ehrlich, Kung Foolish: The American Cut of The Grandmaster Ruins a Masterpiece
Apesar de ignorar o corte internacional (o mesmo que sera lançado aqui e especie de meio termo entre os dois cortes comparados por ele), é uma analise próxima que ajuda a dar uma ideia do que se perdeu na tradução do filme de Wong para as platweias não chinesas.
Francisco Ferreira, A Truck Full of Turkeys
Um texto tão generoso quanto o filme, E Agora? Lembra-me, que lhe inspira.
Victor Guimarães, Anatomia de um Milagre
Evitei listar textos da Cinética por me sentir muito próximos deles, então esta bela crítica do Victor Guimarães ao The Deep Blue Sea fica aqui como representante da nova fase da revista.
Kent Jones, Intolerance e Zach Campbell, A Matter of Conquest
Vários amigos elogiaram a excelente resposta de Kent Jones a s críticas de Tarantino sobre Ford, mas a discussão se torna ainda mais rica quando se acrescenta a ela a critica de Zach Campbell a resposta do Jones.
Roger Alan Koza, Ontologia de la Sospecha
Texto breve mais muito bem observado sobre o documentário contemporâneo.
Miguel Marias, Repelling Rejection, or: The Disappearance of Jerry Lewis, and Some Side-Effects
Tecnicamente de dezembro do ano passado, mas li este ano e logo me pertence a ele. Sobre o ocaso do Jerry Lewis e, sobretudo, Which Way to the Front? (1970).
Sabrina D. Marques, Richard C. Sarafian: como é que os filmes acabam?
Na ocasião da morte de Richard C. Sarafian, Sabrina D. Marques recupera Man in the Wilderness, um filme menos famoso dele.
Adrian Martin, Pasado, presente y futuro de la “teen movie”
Um olhar amplo sobre a relação de Adrian Martin com o filme adolescente que serviu de introdução a um ótimo dossiê da Transit sobre o gênero.
Ricardo Adalia Martin, La Cuestion Humana. Cinco apuntés sobre Pásion
Passion é um filme que despertou muito bons texto (este por exemplo faz parte de um ótimo dossiê na última La Furia Umana, este do Ricardo Adalia Martin tem uma construção de alusões e citações depalmiana e acrescenta questões preciosas a respeito dele.
Boris Nelepo, sem título
Reflexão do Boris Nelepo sobre o ano cinematográfico de 2012 para a Lumiére, assombrado pela permanência/desaparecimento. Acho que o reli mais do que qualquer outro texto deste ano.
David Phelps, The Second Hand Illusion
Extensivo texto de Phelps sobre a obra de George Cukor.
Dan Sallit, Rio Bravo
Na ocasião da retrospectiva americana do Howard Hawks, Dan Sallitt produziu alguns textos muito perceptivos no seu blog, o melhor este sobre Rio Bravo.
Steve Shaviro, Accelerationist Aesthetics: Necessary Inefficiency in Times of Real Subsumption
As conexões que Shaviro produz sempre acrescentam novas ideias para pensarmos o papel da produção de imagens hoje. Teve algumas sequencias no seu blog.
Ignatiy Vishnevestsky, What is the 21st Century?: Revising the Dictionary
A série What is the 21st Century? que Ignatiy Vishnevestsky vem produzindo nos últimos dois anos no MUBI Notebook é dos mais fascinantes trabalhos críticos recentes e este é meu favorito até aqui.
Não poderia deixar de fazer uma menção A Mise en Scene no Cinema: do clássico ao cinema de fluxo, do Luiz Carlos Oliveira Jr. Um trabalho de historiografia precioso que se debruça sobre o termo muito usado e pouco conceituado, além de proporcionar uma das melhores discussões sobre a evolução da ideia de encenação em cinema da década de 60 até hoje.
Por fim, uma menção mais que especial para usuário do Karagarga chamado jjbudbaxter que deu upload em 15 livros do Raymond Durgnat este ano, vários dos quais estavam a muito fora de circulação, um dos trabalhos de recuperação de memória crítica dos mais valiosos dos últimos anos.

Aproveitando que The Canyons apareceu em algumas listas de melhores do ano e caiu nas graças de alguns amigos que respeito muito, reproduzo um texto meu de 2003 de outro filme de Schrader que me parecer ter vários pontos de contato com ele e que me interessa bem mais.
Arquivado em Filmes, Observações

Chegar por último em filmes que recebem discussões acaloradas como Azul é a Cor Mais Quente tem por vezes o efeito de te deixar completamente fora dela. Inevitável depois de que o filme acaba ficar com a impressão de que nada ali justifica as reações passionais. Me pareceu um filme de passagem de adolescência bem competente, mas bastante limitado. Centrado numa atuação principal muito forte e alguns momentos muito bem observados, mas diluído por um excesso de esquematismo (sobretudo na segunda metade) e na crença excessiva do Kechiche de que o estilo closes tremidos que sempre lhe agradou emprestasse uma espécie de força que não esta ali (apesar de aquela concentração de closes ter um interesse perverso). O filme é bem mais forte quando visto como uma experiência subjetiva do que naturalista algo que fãs e detratores parecem igualmente distantes. É território no qual a Catherine Breillat já minou com muito mais competência várias vezes, mas não consigo ver ali nenhum grande crime para além de ganhar a pior competição da história de Cannes (quão abismal foi à seleção de Cannes este ano? meu terceiro filme favorito dela foi também meu terceiro filme favorito do Takashi Miike este ano).
Arquivado em Filmes

Aos Nossos Amores
Aproveitando o começo da retrospectiva imperdível do Maurice Pialat no CCBB de São Paulo, reproduzo o meu texto sobre Aos Nossos Amores para o Cineclube da Contracampo.
A Matéria Prima
Maurice Pialat é geralmente descrito como um cineasta realista – o que não é uma descrição de toda errada, mas que diz muito pouco. Talvez seja melhor apontar que, ao lado de Jean-Marie Straub, Pialat é o mais materialista dos cineastas. O que se vê em seus filmes é o que se obtém. Quando vemos a jovem Sandrine Bonnaire flertando com um marinheiro americano, as imagens do filme revelam apenas o que têm de mais planas: o prazer que esta adolescente tem com o flerte e a segurança com que se relaciona com a própria sexualidade. Pialat está bem longe de ser algum tipo de cineasta descritivo, mas seu trabalho com freqüência é antes de mais nada derrubar a parede que distancia o espectador da ação, colocá-lo no meio do combate. O que temos na maior parte do tempo é uma imagem bruta e tão neutra quanto o cineasta consegue deixa-lá. Muito da dificuldade de um filme como Aos Nossos Amores vem dele deixar boa parte do trabalho para o espectador – que é quem é chamado para se decidir neste panorama de guerra familiar. É preciso saber lidar com as imagens no que elas têm de mais plano e bruto para realmente se apreciar Pialat.
As primeiras imagens de Aos Nossos Amores nos apresentam Sandrine Bonnaire – este foi seu primeiro filme – num ensaio de uma peça amadora. Ela é aqui um tanto desajeitada a ouvir as instruções do irmão (você tem 16 anos, é incapaz de amar), que de certa forma adiantam os eventos posteriores. Pialat põe as cartas na mesa e entrega para o espectador a matéria prima do filme: Bonnaire. Aos Nossos Amores é um dos casos mais impressionantes de parceria diretor/atriz: todo o filme é construído a partir dos ritmos da atriz, existe a partir dela. Mesmo na famosa cena do jantar, onde sua participação parece discreta, Bonnaire permanece central. Não é uma questão de um quadro composto para valorizar a atriz, pelo contrario, ela nem sempre tem espaço privilegiado na imagem. Trata-se de focar o filme na relação entre a atriz e a câmera, da atriz com os outros atores. Pialat sempre gostou de construir situações em que atores deixassem cair a máscara da interpretação – não surpreende portanto sua atração por atores infantis ou adolescentes, mas no seu trabalho com Bonnaire levou o processo ainda mais longe. Um dos prazeres de Aos Nossos Amores é justamente observar uma atriz descobrindo sua arte. Há um senso de novidade a cada gesto, a cada interação, mesmo nas mais desagradáveis cenas de violência, em que não temos muitas dúvidas de que os atores estão mesmo a trocar tapas.
A pintura
Maurice Pialat começou a carreira como pintor, e é uma pena que seja tão raro encontrar reproduções desta sua obra inicial, já que ela diz muito sobre sua estética particular. Pode-se dizer que Pialat tem, junto com Robert Bresson, o melhor olhar de pintor de todo o cinema. Seus filmes à primeira vista não têm nada em comum, e é bem provável que eles (Bresson, ao menos) não gostassem muito de ser colocados juntos, mas as semelhanças são consideráveis. Quando se pensa na relação cinema/pintura, geralmente vem à mente filmes cujas imagens estáticas fiquem bonitas numa reprodução em livro ou revista (praticamente qualquer filme fotografado por Vittorio Storaro) – não é dessa idéia de aproximação cinema/pintura que falamos aqui. Considerem esta passagem de uma entrevista de Bresson dada à época do lançamento de O Dinheiro: “Já fui chamado de janseísta, o que é loucura. Sou o oposto. Estou interessado em impressões. Darei um exemplo de O Dinheiro. Quando estou nos Grands Boulevards, a primeira coisa que penso é: como eles me impressionam? E a resposta é que eles me impressionam como uma massa de pernas e sons de pisadas sobre o pavimento. Eu tentei comunicar esta imagem através de imagem e som… É preciso haver um choque no momento de faze-lo, é preciso haver a sensação de que os humanos e as coisas a ser filmadas são novos, você precisa jogar surpresas no filme. É isto que acontece na cena no Grands Boulevards. Eu podia sentir os passos, me foquei nas pernas do protagonista, e na maneira que eu podia propeli-lo pela multidão até onde ele precisava chegar. Estes são os Grands Boulevards até onde me interessam, todo o movimento.”
Esta descrição (que poderia tranqüilamente ter vindo de Pialat, apesar de que a solução por ele encontrada certamente seria outra) se parece muito mais com a que se espera de um pintor do que a de um cineasta, mas ela pode ser uma boa porta de entrada para obra de ambos os cineastas em questão. Ela também aponta uma clara distância tanto de uma imagem bela (e elas são bem raras em Pialat) quando do realismo fotográfico com o qual ele é freqüentemente associado. Sua associação com o último será de uma profunda radicalização do processo. A pergunta-chave que guia Aos Nossos Amores é: como representar a experiência desta adolescente? È isto que Pialat fará seguindo-a pelas noitadas com as amigas, pelo mal-estar dentro de casa ou no desconforto com que testa um vestido de noiva. O filme procurará sempre a imagem mais adequada para isso. Podemos sentir na pele as pinceladas de Pialat, a forma como se trabalha por acumulação dentro do plano. É um filme de radicais alterações de tom, indo dos momentos mais alegres aos mais desconfortáveis. Muito se fala da vida promíscua de Suzanne, mas pouco a vemos. Geralmente apenas uma preliminar ou alguma troca de dialogo pós-sexo, na verdade sexo aqui – como em alguns outros filmes que cineasta fez à época como Loulou e Policia – é mais um desejo, uma urgência do que um prazer – e o filme deixa-o quase todo nas suas elipses, se concentrando mais nas suas conseqüências. Aos Nossos Amores vai mesmo a estratosfera nas cenas entre pais e filhos (o próprio Pialat interpreta o pai e Evelyne Ker faz a mãe). Aqui a forma como o cineasta consegue captar o clima do set é usada ao máximo em favor do filme. É notório que Aos Nossos Amores teve o que talvez seja o set mais caótico da carreira de Pialat, com grandes desentendimentos – possivelmente incentivados – entre o elenco, em especial entre Evelyne Ker e Sandrine Bonnaire. As cenas entre Bonnaire, Ker e Dominique Besnehard (o irmão que assume a condição de figura paterna pela maior parte do filme) são de um peso e concentração raro em todo o cinema. O clima de que o apartamento-ateliê (um grande achado cênico, por sinal) está prestes a explodir e que animosidade toma conta do ar é latente. A guerra familiar tem um peso bem próprio, poucas vezes no cinema a não-comunicação entre pais e filhos foi exibida de forma tão extrema, mas ao mesmo tempo o tom de experiência vivida construído pelo filme garante a ele uma forte credibilidade.
A tristeza sempre durará
Todo o filme deságua no momento do retorno do pai (desaparecido por cerca de uma hora), interrompendo o jantar familiar. Trata-se de uma cena de cerca de quinze minutos, onde o restante da família (Suzanne, o marido, mãe, o irmão com noiva e futuro cunhado, além de um amigo) confraterniza. As variações radicais na parte inicial da cena que sugerem uma progressiva agressão entre irmãos prepara a chegada do pai, assim como instaura a cena como o momento que confirma Aos Nossos Amores como o grande estudo sobre ressentimento na obra de Pialat. No filme, as feridas parecem se multiplicar, cada troca entre personagem por trás do seu discurso parece querer de alguma forma a atingir o outro. Um pequeno exemplo se encontra na descrição que Suzanne faz a uma amiga da conversa que teve com o marinheiro americano logo depois de fazerem sexo. Ele:“Obrigado”, ela :“não tem de que, foi de graça”. A única explicação para tal troca de diálogos nesse momento é o desejo mútuo de ferir um ao outro e a si próprio, desejo esse que se espalha por todo o filme. Pascal Bonitzer, na sua crítica a Aos Nossos Amores, traça um paralelo bastante útil entre o ressentimento em Pialat e Nietzsche, na maneira como em ambos ele reside sem a necessidade de se buscar uma razão inicial.
O clima chega ao ápice justamente instantes antes da chegada do pai. A partir dali tudo se torna nebuloso, muito pela decisão de Pialat de escalar a si próprio na figura do pai. Excelente ator, Pialat antes disso jamais havia colocado a si mesmo em cena. Sua presença na imagem cria uma camada extra de crueldade a seqüência, como se o cineasta tivesse adentrado ao quadro para poder melhor maltratar seus atores, tornando dessa forma o discurso do pai mais ambíguo nas suas implicações. O pai entra como um trator, retomando o espaço que abdicara ao abandonar a família, brigando com a esposa e depois se concentrando em agredir verbalmente o filho – apesar de todas as cenas de ataque físico do filme, esta cena de assalto verbal é de certo a mais violenta – até entrar na sua explicação para as últimas palavras de Van Gogh (a tristeza sempre durará): “vocês são os tristes, tudo o que vocês fazem é triste“. È nesse momento que Pialat finalmente questiona Bonnaire, que até então parecia marginalizada em cena. É importante observar aqui como a seqüência toda é filmada. O pai esta sentado de um lado da mesa enquanto o resto da família se encontra do outro (com exceção da mãe, que está próxima ao pai mas é excluída pelo quadro fechado). A cena quase toda é filmada em plano e contraplano, com o contraplano dando ênfase em quem o pai esta atacando -com exceção dos planos do irmão, onde a disposição no quadro de Bonnaire a ressalta -, mas isto somente até a filha ser invocada e Pialat pela primeira vez optar por fazer a câmera percorrer a mesa. A seguir a situação é levada ao limite, com a família toda sendo puxada para o mesmo plano, com destaque em particular para dois contraplanos, um do marido de Bonnaire e outro dos demais convidados (nenhum dos quais volta a dividir o quadro com os membros da família). São justamente estes dois planos, somados à posição estranha que Sandrine Bonnaire – a protagonista do filme que aparenta sumir no seu clímax –, que nos dão as chaves para compreender o circulo vicioso de dor e ressentimento imposto até ali. Há em Maurice Pialat algo que podemos definir como a ética do contraplano, a ética da testemunha, daquele que observa (que obviamente inclui o espectador). Daí Sandrine Bonnaire – que é ao mesmo tempo presença física marcante em diversos planos da seqüência, mas a primeira vista desimportante para a ação – ser na verdade sua figura central. É a ela que o pai fala, que seu olhar busca, que sua câmera – lembrando que o pai também é o cineasta – vai privilegiar e por fim buscar. A testemunha será aquela que precisará lidar com os efeitos da situação, nunca um júri do que vê, mas uma figura que precisa aprender a se tornar ativa no final do processo. Uma porta de saída. A última imagem do filme é justamente essa, uma porta de saída, ainda que incerta.
Arquivado em Filmes, Programação

Como Manoel de Oliveira completa hoje 105 anos um pequeno post com os links de todos os seus filmes completos que estão no You Tube:

É um filme simples que já se explica muito bem pelo seu título. Há dois elementos de cena que se destacam: movimento e luz. Planos raramente soam estáticos, mesmo quando a câmera se encontra em repouso a ideia de dinamismo da viagem segue sempre em primeiro plano, o trem, os passageiros, a luz, os planos de Travelling Light seguem sempre agitados. Na outra ponta esta luz verdadeira protagonista cujas alterações ao longo da viagem de trem de Nova York a Pittsburgh acompanhamos. Observando-a no filme há algo de fúnebre que aos poucos tom conta dele, um lembrete de que o cinema esta sempre registrando uma ação que desapareceu que o que vemos é gravação é a impressão digital de uma luz que ficou lá atrás. É bem interessante considerar que Travelling Light nasceu das ruinas de um outro filme, ainda mais que este outro filme fosse uma tentativa de ficção, até como um lembrete de que o espaço que separa como respondemos ao experimental e a ficção é bem menor do que a convenção sugere (algo reforçado pela consciência que o filme revela de toda a longa história de trens no cinema). Este é o segundo filme longo de Gina Telaroli, mas o que ele me trouxe a mente foram dois filmes crepusculares de mestres em fim de carreira Age Is… do Stephen Dowskin e Educação Sentimental do Julio Bressane, o que os três tem em comum é o mesmo testemunho das fragilidades do cinema num momento vital do seu desenvolvimento.
Travelling Light segue em cartaz até domingo no site da Lumiere e recomendo muito que se separe uma hora para ele.
Arquivado em Filmes, Programação