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Meus 50 filmes favoritos de 2013

Como sempre o critério da lista é de filmes vistos pela primeira vez este ano que foram lançados originalmente no máximo em 2011.

Menções honrosas: Antes da Meia Noite (Richard Linklater), Bullet to the Head (Walter Hill), Cortinas Fechadas (Jafar Panahi), Deixe a Luz Acesa (Ira Sachs), Depois da Terra (M. Night Shyamalan), Double Play (Gabe Klinger), Easy Rider (James Benning), A Era Atômica (Helena Klotz), A Gente (Aly Muritiba), Gerhard Richter – Painting (Corinna Belz), Lincoln (Steven Spielberg), Mataram Meu Irmão (Cristiano Burlan), Meia Sombra (Nicolas Wackenbarth), Mouton (Gilles Deroo, Marianne Pistone), Mud (Jeff Nichols), Noite em Claro (Kun-jae Jang), O Mestre (Paul Thomas Anderson), Perret na França e Algeria (Heinz Emigholz), Real (Kiyoshi Kurosawa), Riocorrente (Paulo Sacramento), Rua Aperana 52 (Julio Bressane), Sacro GRA (Gianfranco Rosi), Shield of Straw (Takeshi Miike), Tudo Sobre Você (Alina Marazzi), White House Down (Roland Emmerich).

Uma última nota: caso o corte chinês de O Grande Mestre fosse à única versão existente do filme, ele provavelmente estaria na lista, mas o corte internacional tem tantos problemas e me passa a impressão que Wong subestima de tal modo à capacidade dos seus fãs ocidentais de lidar com um painel histórico chinês que eu me sinto por demais ambivalente para com o projeto como um todo para recomenda-lo aqui.

49) Avanti Popolo (Michael Warhman) e A Cidade é uma Só? (Adirley Queiroz)
13501349Dois belos filmes que lidam cada um a sua maneira com a questão de como encontrar uma representação viável para a herança do governo militar hoje. São dois filmes bastante inventivos que quebram com a passividade com o qual o cinema brasileiro costuma abordar o assunto e procuram novas formas de agir sobre ele. Avanti Popolo tem uma permanência de memória muito particular (apesar de eu ter uma dúvida se o efeito dela ser reforçado por eu conhecer ambos os atores centrais).A sequência próxima ao fim de A Cidade é uma Só? na qual o protagonista cruza a pé com a carreata da Dilma segue a mais memorável sequencia política do cinema brasileiro recente.

48) Unbeatable (Dante Lam)
1348Provavelmente o filme mais convencional da lista, qualquer descrição do filme de MMA de Dante Lam não fara com que ele soe diferente de dezenas de outros filmes de luta, mas é um exemplar dos mais bem-acabados do domínio de Lam do seu desejo de reduzir o filme de ação a melodrama masculino com uma nudez emocional que este tipo de material raramente alcança e Nick Cheung tem uma das melhores atuações do ano.

47) Lesson of the Evil (Takeshi Miike)
1347Um dos filmes mais controlados de Miike e como frequentemente acontece no seu cinema, quando ele corta os excessos é para reforçar a sua crueldade. Um dos grandes filmes de horror recentes e se torna ainda melhor na segunda metade quando vira um slasher sobre um professor psicopata fuzilando uma série interminável de alunos. Um amigo descreveu como Elefante repensado pelo Eli Roth, mas isto exclui tanto o cuidado com o qual Miike filma o massacre como a forma com ele pensa cada elemento de cena (a propensão do gênero em retirar prazer na morte de adolescentes irritantes raramente postas para tom bom uso, por exemplo).

46) Django Livre (Quentin Tarantino)
1346Não tenho muito a acrescentar ao texto que escrevi na Cinética no começo do ano. Segue um filme dos mais complicados, e fascinante muito por conto disso. É mais desequilibrado do que a maioria dos filmes do Tarantino, mas nos seus acertos e erros termina mais distante do academicismo pop que por vezes ele flerta com.
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Alguns pontos altos do meu ano cinéfilo

Alguns favoritos vistos este ano:

apa01A Modern Musketeer (Allan Dwan, 1917)

apa02Manhandled (Allan Dwan, 1925)

apa03Lucky Star (Frank Borzage, 1929)

apa04Hell’s Heroes (William Wyler, 1930)

apa05Blessed Event (Roy Del Ruth, 1932) Continuar lendo

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Algumas leituras de 2013

The Canyons, de Paul Schrader

The Canyons, de Paul Schrader

Uma pequena seleção de leituras favoritas de 2013. Nem de longe das mais inclusivas já que tentei me limita a línguas que tenho mais fluência (português, inglês e espanhol) e dei preferencia a artigos que poderiam ser linkados, além de evitar entrevistas.

Antes queria aproveitar para indicar dois PDFs nos quais eu tive pequeno envolvimento. Allan Dwan: a dossier (que já indiquei aqui antes) é uma coletânea preciosa sobre o cineasta com muitos ótimos colaboradores e eu destacaria em especial o ótimo artigo visual da Gina Telaroli sobre Cattle Queen of Montana que me fez parar tudo que fazia pra rever o filme. O outro é o catalogo da Mostra Samuel Fuller no CCBB não pelo que tem de novo, e sim por incluir traduções preciosas do próprio Fuller (além do que acredito ser a primeira tradução brasileira de Manny Farber).

David Bordwell, Mixing Business with Pleasure
Johnnie To serve perfeitamente a analise de sequencia que Bordwell faz tão bem como atesta este artigo sobre Drug War para o blog dele.

Nicole Brenez, Political Cinema Today – The New Exigencies: For a Republic of Images
Traduzi uma parte no meu texto sobre Rumo a Madri como sempre em Brenez muito o quese pensar sobre representação e política.

Phil Codirion, Pretending That Life Has no Meaning
Entre os muitos textos sobre The Canyons, um filme que convida a se escrever sobre ele, o que me parece mais justo e equilibrado.

Toni D’Angela, The Immigrant
Faz a minha crítica parecer totalmente insuficiente.

Marie-Pierre Duhamel, Consistency in a Filmmaker’s World e Tony Rayns, Heard It Through the Grapevine
Dois textos que ajudam a enriquecer muito Um Toque de Pecado que é um destes filmes cujas decisões são iluminadas bastante pelo contexto.

David Ehrlich, Kung Foolish: The American Cut of The Grandmaster Ruins a Masterpiece
Apesar de ignorar o corte internacional (o mesmo que sera lançado aqui e especie de meio termo entre os dois cortes comparados por ele), é uma analise próxima que ajuda a dar uma ideia do que se perdeu na tradução do filme de Wong para as platweias não chinesas.

Francisco Ferreira, A Truck Full of Turkeys
Um texto tão generoso quanto o filme, E Agora? Lembra-me, que lhe inspira.

Victor Guimarães, Anatomia de um Milagre
Evitei listar textos da Cinética por me sentir muito próximos deles, então esta bela crítica do Victor Guimarães ao The Deep Blue Sea fica aqui como representante da nova fase da revista.

Kent Jones, Intolerance e Zach Campbell, A Matter of Conquest
Vários amigos elogiaram a excelente resposta de Kent Jones a s críticas de Tarantino sobre Ford, mas a discussão se torna ainda mais rica quando se acrescenta a ela a critica de Zach Campbell a resposta do Jones.

Roger Alan Koza, Ontologia de la Sospecha
Texto breve mais muito bem observado sobre o documentário contemporâneo.

Miguel Marias, Repelling Rejection, or: The Disappearance of Jerry Lewis, and Some Side-Effects
Tecnicamente de dezembro do ano passado, mas li este ano e logo me pertence a ele. Sobre o ocaso do Jerry Lewis e, sobretudo, Which Way to the Front? (1970).

Sabrina D. Marques, Richard C. Sarafian: como é que os filmes acabam?
Na ocasião da morte de Richard C. Sarafian, Sabrina D. Marques recupera Man in the Wilderness, um filme menos famoso dele.

Adrian Martin, Pasado, presente y futuro de la “teen movie”
Um olhar amplo sobre a relação de Adrian Martin com o filme adolescente que serviu de introdução a um ótimo dossiê da Transit sobre o gênero.

Ricardo Adalia Martin, La Cuestion Humana. Cinco apuntés sobre Pásion
Passion é um filme que despertou muito bons texto (este por exemplo faz parte de um ótimo dossiê na última La Furia Umana, este do Ricardo Adalia Martin tem uma construção de alusões e citações depalmiana e acrescenta questões preciosas a respeito dele.

Boris Nelepo, sem título
Reflexão do Boris Nelepo sobre o ano cinematográfico de 2012 para a Lumiére, assombrado pela permanência/desaparecimento. Acho que o reli mais do que qualquer outro texto deste ano.

David Phelps, The Second Hand Illusion
Extensivo texto de Phelps sobre a obra de George Cukor.

Dan Sallit, Rio Bravo
Na ocasião da retrospectiva americana do Howard Hawks, Dan Sallitt produziu alguns textos muito perceptivos no seu blog, o melhor este sobre Rio Bravo.

Steve Shaviro, Accelerationist Aesthetics: Necessary Inefficiency in Times of Real Subsumption
As conexões que Shaviro produz sempre acrescentam novas ideias para pensarmos o papel da produção de imagens hoje. Teve algumas sequencias no seu blog.

Ignatiy Vishnevestsky, What is the 21st Century?: Revising the Dictionary
A série What is the 21st Century? que Ignatiy Vishnevestsky vem produzindo nos últimos dois anos no MUBI Notebook é dos mais fascinantes trabalhos críticos recentes e este é meu favorito até aqui.

Não poderia deixar de fazer uma menção A Mise en Scene no Cinema: do clássico ao cinema de fluxo, do Luiz Carlos Oliveira Jr. Um trabalho de historiografia precioso que se debruça sobre o termo muito usado e pouco conceituado, além de proporcionar uma das melhores discussões sobre a evolução da ideia de encenação em cinema da década de 60 até hoje.

Por fim, uma menção mais que especial para usuário do Karagarga chamado jjbudbaxter que deu upload em 15 livros do Raymond Durgnat este ano, vários dos quais estavam a muito fora de circulação, um dos trabalhos de recuperação de memória crítica dos mais valiosos dos últimos anos.

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