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Daniel tem um texto bem interessante meio que em resposta ao artigo do Junior para Contra. Lá no Passarim.

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O Fim da Picada (Christian Saghaard,08)

O filme do Christian Saghaard é incomum dentro do cenário brasileiro pela forma como mistura o fantástico dentro de um terreno banal. É um filme de terror urbano, mas não exatamente um filme de gênero. A idéia central – São Paulo como parque diversões de horror, que curiosamente acha ecos no clímax de Encarnação do Demônio – é forte o suficiente para conduzir o filme e, além disso, Saghaard tem a seu favor uma montagem muito boa e algumas ótimas sacadas. Saghaard sabe pegar o que a primeira vista seria uma típica situação do inferno paulistano e encontrar algo novo nela seja por algum detalhe ou pelo toque sobrenatural que envolve tudo. Termina lembrando bastante o lado mais pessimista do cinema marginal, mas ao contrário da maior dos filmes brasileiros lida muito bem com sua herança (talvez o filme seja junto com Conceição, os únicos filmes de cineastas da nova geração bem resolvidos com a história do cinema nacional). É verdade que o filme nem sempre se resolve completamente dentro de todo o seu peso e amargura, mas no processo extrai muita força da cidade.

Para os paulistanos fica a dica de que ainda passa no CCBB Sábado as 13h e Domingo as 19h. Vale muito a pena ser visto e até onde eu sei não tem previsão de entrar em cartaz.

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Don’t Make Waves (Alexander Mackendrick,67)

O último filme de Mackendrick coloca o seu bom olhar satírico no que poderia ser mais um veiculo rotineiro para Tony Curtis. O alvo no caso é Califórnia onde Mackencrick à época residia (ele passou boa parte dos 60 e 70 como dando aulas de direção em faculdades de cinema de lá). Não deixa de lembrar alguns dos filmes regionais de Blake Edwards, mas bem menos afetuoso. O filme é menos elegante (e também bem menos pomposo) que A Embriaguez do Sucesso, mas Mackendrick e Curtis se esforçam bastante para trazer a memória da sua parceria anterior na forma como Curtis parece interpretar uma versão mais solta do seu Sidney Falco. O clímax é um exemplar interessante do colapso entre o trabalho de direção de Mackendrick que tenta extrair o máximo da situação apresentada e um texto que parece se esforçar igualmente para se esquivar dos conflitos que havia levantado até ali. Um excelente último filme, apesar de A High Wind in Jamaica seguir sendo meu favorito entre os filmes americanos dele.

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Tiradentes – Os Premiados

E o filme do Felipe e da Marina, A Fuga da Mulher Gorila, ganhou tanto o prêmio da critica quanto o do Juri Jovem. O juri da crítica também ofereceu uma menção honrosa para A Casa de Sandro do Gustavo Beck (que não parece ter empolgado muita gente, mas cujas descrições são bem animadoras). O prêmio popular ficou com o documentário dos Titãs.

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Foi Apenas um Sonho (Sam Mendes,08)

Mais que simplesmente um filme péssimo (e podem ter certeza de que eu preferiria passar um dia trancado numa sala de cinema revendo Austrália do que me sujeitar a uma revisão desta coisa), trata-se de um filme que expõe muito bem o fracasso de Mendes como cineasta. Não pelo mesmo tipo de inépcia que termina afundando um Baz Lhurman, mas por uma completa incapacidade de impor sobre o seu material um ponto de vista. Isto tudo porque a lógica que domina o olhar de Mendes é apresentar cada cena da forma que ele considera mais vendável para o público. O resultado é que a cada escolha Mendes sempre opta pelas saídas mais desinteressantes e óbvias possíveis (e infelizmente empurra seu excelente elenco, que poderia dar alguma credibilidade ao filme, pelo mesmo caminho). Peguemos uma cena próxima ao final do filme como exemplo: um casal recebe seus novos vizinhos e fofoca sobre outro casal de amigos até que o homem se afasta chateado. No livro em que o filme se baseia o sujeito esta irritado com a esposa por seguir revisitando a tal história, na versão de Mendes, esta chateado por conta da sua paixão pela a outra mulher. A questão não é de fidelidade ao material, mas de opções. Mendes sempre opta por realçar a “crítica aos subúrbios” que é afinal muito vendável, mas quando uma cena que se encaixa perfeitamente nesta leitura aparece, mas ele encontra uma outra embalagem ainda mais fácil, não consegue resistir. Termina com um filme bem ao gosto dos seus próprios personagens, o que neste caso não é uma boa idéia.

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A Fuga da Mulher Gorila

Enquanto aqui em São Paulo a Retrospectiva do Cinema Paulista segue firme (amanhã passa o imperdível Bacalhau), lá em Tiradentes rolou ontem a primeira exibição da estreia do Felipe Bragança e Marina Meliande na direção A Fuga, A Raiva, A Dança, A Bunda, A Boca, A Calma, A Vida da Mulher Gorila. Algumas criticas:

Cinequanon
Filmes Polvo
Moviola

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Austrália (Baz Luhrman,08)

Austrália é um objeto tão excêntrico e disposto a seguir sua própria muito peculiar lógica com tamanho afinco, que é uma pena que tão pouco se salve ao fim do filme. Conceitualmente Luhrman tem algumas boas sacadas especialmente na forma como este suposto épico para Oscar lança mão de alguns elementos de cinema popular australiano. Só que quinze anos e quatro longas depois, Luhrman segue incapaz de ligar dois planos e não existem boas idéias que sobrevivam a tanta inépcia. Algo que se torna ainda mais grave dada as ambições do cineasta já que alguém com tão pouco controle sobre seu filme definitivamente não deveria arriscar as alternâncias de tom que Luhrman tenta aqui. O filme termina por fazer pouco mais que reforçar que Luhrman é uma sensibilidade única completamente desprovida de talento.

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Retrospectiva do Cinema Paulista

Começa oficialmente terça feira no CCBB uma mostra bem legal com curadoria do Sergio que inclui um panorama bem amplo do cinema paulista da Vera Cruz até a primeira exibição aqui em São Paulo do ótimo O Fim da Picada (ganhador do Cinema Esquema Novo do ano passado). A programação é bem plural incluindo desde clássicos estabelicidos como O Grande Momento, São Paulo S/A e O Bandido da Luz Vermelha, passando por produções da Boca como Bacalhau (Adriano Stuart), Excitação (Jean Garrett) e O Gosto do Pecado (Claudio Cunha) , raridades (As Belas da Billings do Candeias) e filmes importantes como A Hora da Estrela, Alma Corsária e O Prisioneiro da Grade de Ferro. Ou seja Sergio e o Francis (que é o produtor) capricharam numa seleção bem plural. Amanhã já rola uma prévia com exibições a partir das 15hrs de São Paulo Poema Cidade (Aloysio Raulino), São Paulo Sinfonia e Cacofonia (Jean-Claude Bernardet) e O Vampiro da Cinemateca (Jairo Ferreira).

Vale destacar que domingo e terça quem frequentar o CCBB terá a oportunidade única de assistir em sessão dupla filmes de Jean-Claude Bernardet e Jairo Ferreira, só por este curto-circuito crítico já se trata de um evento histórico.

A seleção completa dos filmes e a programação está disponivel aqui.

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Resnais e outras estreias

Ótimo fim de semana de estreias nos cinemas paulistanos. O grande destaque sem duvidas fica por conta de Na Boca, Não!, o excelente musical do Resnais que finalmente chega aos nossos cinemas com uns bons 4 anos de atraso.

Alem disso tem o Benjamin Button do Fincher sobre o qual já escrevi aqui e Inútil, filme menor do Jia Zhang-ke (que é melhor historiador na ficção do que no documentário), mas que é a mais forte das suas experiências de não-ficção.

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Tiradentes

Finalmente saiu a seleção de longas de Tiradentes:

Filme de Abertura:
Se nada mais der certo, de José Eduardo Belmonte (DF/SP)

Aurora (mostra competitiva de jovens diretores):
A casa de Sandro, de Gustavo Beck (RJ)
O fim da picada, de Christian Saghaard (SP)
A fuga da mulher gorila, de Felipe Bragança e Marina Meliande (RJ)
Histórias de morar e de demolições, de André Costa (SP)
As Iracemas, de Alexandre Pires Cavalcanti (MG)
Praça Saens Peña, de Vinícius Reis (RJ)
Sistema de animação, de Guilherme Ledoux e Alan Langdon (SC)

Olhares:
A festa da menina morta, de Matheus Nachtergale (RJ)
Estrada Real da Cachaça, de Pedro Urano (RJ)
Filmefobia, de Kiko Goifman (SP)
Mistéryos, de Beto Carminatti e Pedro Merege (PA)
No meu lugar, de Eduardo Valente (RJ)
Titãs – A vida até parece uma festa, de Branco Mello e Oscar Rodrigues (SP)

Vertentes:
Acácio, de Marília Rocha (MG)
Canção de Baal, de Helena Ignez (SP)
Contratempo, de Malu Mader e Mini Kerti (RJ)
Hotxuá, de Letícia Sabatella e Gringo Cárdia (RJ)
Jards Macalé – Um morcego na porta principal, de Marco Abujamra (RJ)
KFZ 1348, de Gabriel Mascaro e Marcelo Pedroso (PE)
Nos olhos de Mariquinha, de Cláudia Mesquita e Júnia Torres (MG)
Vida, de Paula Gaitán (RJ)

Filme de Encerramento:
LOKI – Arnaldo Baptista, de Paulo Henrique Fontenelle (RJ)

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Claude Berri

Imagino que a grande maioria dos obtuários vão se focar nos filmes que Claude Berri dirigiu, mas vale dizer que ele foi bem mais relevante como produtor ajudando cineastas então novatos como Garrel e Pialat e mais recente Naomie Lvovsky e Abdelatif Kechiche (sem contar ter produzido Demy no fim de carreira quando arranjar financiamento para o cara não era propriamente fácil).

Antes que eu me esqueça, Berri também serviu de inspiração para o personagem do irmão no Aos Nossos Amores do Pialat que é só o segundo maior filme da história do cinema.

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A Troca (Clint Eastwood,08)

Eastwood menor e talvez por isso mesmo exponha de forma tão clara a falácia da idéia de que ele é alguma espécie de ultimo mestre do cinema clássico. Como exemplar de cinema narrativo à antiga A Troca seria um desastre até por ter tentar abarcar tanto material diferente que termine tendo seus problemas de foco e tom, mas como sempre não é isto que interessa a Eastwood. Agora como uma coleção de relações de poder cruéis e brutais o filme é bem expressivo. O filme todo parece existir em algum espaço entre Aldrich e Pialat, desequilibrado, mas impressionante. Eastwood faz excelente uso dos maneirismos de John Malkovich para balancear o filme, e os ecos do próprio Eastwood em algumas das inflexões de Jeffrey Donovan é uma ótima sacada.

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O Dia em que a Terra Parou (Scott Derrickson,08)

Pelo menos depois desta mediocridade vão parar de reclamar tanto de Fim dos Tempos, né? Ok, isto é pedir demais, mas é engraçado que a Fox tenha produzido ambos os filmes já que eles são muito parecidos se você desconsiderar que um deles é completamente desprovido de um olhar. O filme é anódino e medíocre demais para ofender (apesar de não ter visto o filme do Robert Wise deve ajudar nisso) e pelo menos garante a piada inevitável de que trata-se do papel da vida do Keanu Reeves.

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Chat Perchés (Chris Marker,04)

Eu adoro La Jetee e O Fundo do Ar é Vermelho, mas Marker geralmente está no seu melhor justamente quando parece estar mais relaxado só catalogando observações e imagens (até porque Marker segue com uma incrível capacidade de registrar tudo com olhares impressionados). Chat Parchés poder ser encarado como um pequeno epílogo para O Fundo do Ar é Vermelho, mas a experiência me lembrou sobretudo Le Mysterie Koumiko um sublime ensaio sobre cultura japonesa que Marker realizou em meados dos anos 60. É um diário da vida publica parisiense entre o final de 2001 e meados de 2003; por vezes bem humorado e esperançoso, em outros momentos amargo e ácido, mas que conserva sempre o mesmo frescor de olhar. O filme é conduzido pela obsessão de Marker por uma série de pichações de gatos que se espalham pelas paredes de Paris, mas encontra tempo para tratar de tudo das eleições locais, a manifestações de protestos de todo o tipo até a Copa do Mundo (aquela em que a seleção francesa não marcou um gol). Tudo unido pela personalidade de Marker que mesmo nos seus momentos mais mau-humorados (“torcer por 11 milionários correndo atrás de uma bola”) permanece sempre muito próximo do que o filma.

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Film Comment

Saiu a edição nova da Film Comment e com ela o novo conteúdo online que cada vez inclui mais material exclusivo (pelo visto a revista infelizmente decidiu relegar toda a cobertura de festivais para site, por exemplo) como uma entrevista com David Fincher. Do conteúdo da revista imprensa incluso no site esta a lista de melhores do ano (mais ampla que aquela que eu já havia postado aqui) e um artigo sobre Luz Silenciosa (pena que a entrevista com James Toback conduzida pelo Tarantino que promete ser um clássico esteja só na edição impressa).

O melhor mesmo é a entrevista com Efe Cakarel dono do muito interessante site The Auteurs (sobre o qual o Leonardo Cruz já tinha escrito lá no Blog da Ilustrada). Muito boa tanto porque a proposta do site é de uma ambição sem muito paralelos e também porque Cakarel trata do lado prático de como montou seu projeto de distribuição online com refrescante falta de rodeios.

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