O Adrian deixou o aviso nos comentários, mas é sempre bom reforçar tem uma excelente entrevista exclusiva com ele no Ainda não começamos a pensar, o ótimo blog do português André Dias. Desde já na lista do que de mais relevante foi publicado em português em 2009.
Resnais e outras estreias
Ótimo fim de semana de estreias nos cinemas paulistanos. O grande destaque sem duvidas fica por conta de Na Boca, Não!, o excelente musical do Resnais que finalmente chega aos nossos cinemas com uns bons 4 anos de atraso.
Alem disso tem o Benjamin Button do Fincher sobre o qual já escrevi aqui e Inútil, filme menor do Jia Zhang-ke (que é melhor historiador na ficção do que no documentário), mas que é a mais forte das suas experiências de não-ficção.
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Tiradentes
Finalmente saiu a seleção de longas de Tiradentes:
Filme de Abertura:
Se nada mais der certo, de José Eduardo Belmonte (DF/SP)
Aurora (mostra competitiva de jovens diretores):
A casa de Sandro, de Gustavo Beck (RJ)
O fim da picada, de Christian Saghaard (SP)
A fuga da mulher gorila, de Felipe Bragança e Marina Meliande (RJ)
Histórias de morar e de demolições, de André Costa (SP)
As Iracemas, de Alexandre Pires Cavalcanti (MG)
Praça Saens Peña, de Vinícius Reis (RJ)
Sistema de animação, de Guilherme Ledoux e Alan Langdon (SC)
Olhares:
A festa da menina morta, de Matheus Nachtergale (RJ)
Estrada Real da Cachaça, de Pedro Urano (RJ)
Filmefobia, de Kiko Goifman (SP)
Mistéryos, de Beto Carminatti e Pedro Merege (PA)
No meu lugar, de Eduardo Valente (RJ)
Titãs – A vida até parece uma festa, de Branco Mello e Oscar Rodrigues (SP)
Vertentes:
Acácio, de Marília Rocha (MG)
Canção de Baal, de Helena Ignez (SP)
Contratempo, de Malu Mader e Mini Kerti (RJ)
Hotxuá, de Letícia Sabatella e Gringo Cárdia (RJ)
Jards Macalé – Um morcego na porta principal, de Marco Abujamra (RJ)
KFZ 1348, de Gabriel Mascaro e Marcelo Pedroso (PE)
Nos olhos de Mariquinha, de Cláudia Mesquita e Júnia Torres (MG)
Vida, de Paula Gaitán (RJ)
Filme de Encerramento:
LOKI – Arnaldo Baptista, de Paulo Henrique Fontenelle (RJ)
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Listinha do Ruy
Estava lá vendo no antigo blog de música do Ruy Gardnier que ele postou duas listas de melhores filmes de 2008 e já que não sei se a Contra produzirá lista de melhores do ano reproduzo aqui:
melhores filmes exibidos pela primeira vez no brasil em 2008:
1. noite e dia, de hong sang-soo
2. aquele querido mês de agosto, de miguel gomes
3. les amours d’astrée et de céladon, de eric rohmer
4. sweeney todd, de tim burton
5. o canto dos pássaros, de albert serra
6. sad vacation, de shinji aoyama
7. a mulher sem cabeça, de lucrecia martel
8. encarnação do demônio, de josé mojica marins
9. fim dos tempos, de m. night shyamalan
10. um conto de natal, de arnaud desplechin
melhores filmes lançados comercialmente no rio de janeiro em 2008
1. não estou lá, de todd haynes
2. paranoid park, de gus van sant
3. serras da desordem, de andrea tonacci
4. sweeney todd, de tim burton
5. onde os fracos não têm vez, de ethan e joel coen
6. encarnação do demônio, de josé mojica marins
7. uma garota dividida em dois, de claude chabrol
8. fim dos tempos, de m. night shyamalan
9. a espiã, de paul verhoeven
10. a questão humana, de nicolas klotz
11. o sol, de aleksandr sokurov
12. antes que o diabo saiba que você está morto, de sidney lumet
13. trovão tropical, de ben stiller
14. luz silenciosa, de carlos reygadas
15. leonera, de pablo trapero
16. meu nome é dindi, de bruno safadi
17. cleópatra, de julio bressane
18. queime depois de ler, de ethan e joel coen
19. shortbus, de john cameron mitchell
20. gomorra, de matteo garrone
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Claude Berri
Imagino que a grande maioria dos obtuários vão se focar nos filmes que Claude Berri dirigiu, mas vale dizer que ele foi bem mais relevante como produtor ajudando cineastas então novatos como Garrel e Pialat e mais recente Naomie Lvovsky e Abdelatif Kechiche (sem contar ter produzido Demy no fim de carreira quando arranjar financiamento para o cara não era propriamente fácil).
Antes que eu me esqueça, Berri também serviu de inspiração para o personagem do irmão no Aos Nossos Amores do Pialat que é só o segundo maior filme da história do cinema.
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A Troca (Clint Eastwood,08)
Eastwood menor e talvez por isso mesmo exponha de forma tão clara a falácia da idéia de que ele é alguma espécie de ultimo mestre do cinema clássico. Como exemplar de cinema narrativo à antiga A Troca seria um desastre até por ter tentar abarcar tanto material diferente que termine tendo seus problemas de foco e tom, mas como sempre não é isto que interessa a Eastwood. Agora como uma coleção de relações de poder cruéis e brutais o filme é bem expressivo. O filme todo parece existir em algum espaço entre Aldrich e Pialat, desequilibrado, mas impressionante. Eastwood faz excelente uso dos maneirismos de John Malkovich para balancear o filme, e os ecos do próprio Eastwood em algumas das inflexões de Jeffrey Donovan é uma ótima sacada.
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O Dia em que a Terra Parou (Scott Derrickson,08)
Pelo menos depois desta mediocridade vão parar de reclamar tanto de Fim dos Tempos, né? Ok, isto é pedir demais, mas é engraçado que a Fox tenha produzido ambos os filmes já que eles são muito parecidos se você desconsiderar que um deles é completamente desprovido de um olhar. O filme é anódino e medíocre demais para ofender (apesar de não ter visto o filme do Robert Wise deve ajudar nisso) e pelo menos garante a piada inevitável de que trata-se do papel da vida do Keanu Reeves.
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Chat Perchés (Chris Marker,04)
Eu adoro La Jetee e O Fundo do Ar é Vermelho, mas Marker geralmente está no seu melhor justamente quando parece estar mais relaxado só catalogando observações e imagens (até porque Marker segue com uma incrível capacidade de registrar tudo com olhares impressionados). Chat Parchés poder ser encarado como um pequeno epílogo para O Fundo do Ar é Vermelho, mas a experiência me lembrou sobretudo Le Mysterie Koumiko um sublime ensaio sobre cultura japonesa que Marker realizou em meados dos anos 60. É um diário da vida publica parisiense entre o final de 2001 e meados de 2003; por vezes bem humorado e esperançoso, em outros momentos amargo e ácido, mas que conserva sempre o mesmo frescor de olhar. O filme é conduzido pela obsessão de Marker por uma série de pichações de gatos que se espalham pelas paredes de Paris, mas encontra tempo para tratar de tudo das eleições locais, a manifestações de protestos de todo o tipo até a Copa do Mundo (aquela em que a seleção francesa não marcou um gol). Tudo unido pela personalidade de Marker que mesmo nos seus momentos mais mau-humorados (“torcer por 11 milionários correndo atrás de uma bola”) permanece sempre muito próximo do que o filma.
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Miguel Gomes mais uma vez
Boa entrevista com Gomes na Cinética.
E vem acompanhada da informação de que o filme está comprado e deve entrar em cartaz em Abril.
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Top 20 Les Inrocks
1. Two Lovers (James Gray)
2. My Magic (Eric Khoo)
3. Mulher na Praia (Hong Sang-Soo)
4. Um Conto de Natal (Arnaud Desplechin)
5. Viagem a Darjeeling (Wes Anderson)
6. Onde os Fracos Não Tem Vez (Joel & Ethan Coen)
7. Speed Racer (Andy & Larry Wachovski)
8. A Bela Junie (Christophe Honoré)
9. Horas de Verão (Olivier Assayas)
10. Cristovão Colombo, o Enigma (Manoel de Oliveira)
11. Fim dos Tempos (M. Night Shyamalan)
12. A Fronteira da Alvorada (Philippe Garrel)
13. Les Plages d’Agnès (Agnès Varda)
14. Dans la Vie (Philippe Faucon)
15. Quase Irmãos (Adam McKay)
16. Juventude em Marcha (Pedro Costa)
17. O Último Reduto (Rabah Ameur-Zaïmeche)
18. O Silencio de Lorna (Luc & Jean-Pierre Dardenne)
19. A Viagem do Balão Vermelho (Hou Hsiao Hsien)
20. Cloverfield (Matt Reeves)
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O Curioso Caso de Benjamin Button (David Fincher,08)
Um objeto estranho. Cuidadosamente construído e tão inerte e passivo a sua maneira como seu protagonista. Como Zodíaco é um filme sobre o tempo, mas se o filme anterior se propunha como uma agonizante escavação materialista sobre os efeitos do mesmo, Benjamin Button existe num tempo muito mais abstrato e mitológico. Ignore-se com a mesma firmeza tanto a história – difícil compreender como as comparações com Forrest Gump começaram – quanto o que há de grotesco na premissa básica, de forma a restar um bastante teórico romance mitológico. Teórico na medida em que Fincher só consegue olhá-lo a distancia. É justamente esta distancia que mantém o filme fascinante e mesmo um tanto tocante. Fincher faz excelente uso do carisma (e especialmente) da forma contida que freqüentemente transparece na presença de Pitt para que o filme permanece banhado nesta atmosfera de mito hollywoodiano e bastante distante do espectador (da mesma forma a presença glacial de Cate Blanchett que tornaria errada para a versão que 99% dos cineastas filmariam, funciona muito bem aqui). Só as cenas com Tilda Swinton sugerem uma experiência legítima e vivida, mas mesmo assim o filme avança com grande facilidade. Benjamin Button é menos a conseqüência natural de Zodíaco, e mais o filme mecânico que Fincher há muito tateava. Frustrante talvez, eficaz e perfeito a sua maneira.
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O cinema brasileiro deprime
No blog antigo em Agosto:
Acompanhar o cinema brasileiro as vezes é uma tarefa que deprime. Bem, o filme do Mojica fez 5600 espectadores.
Bilheteria de Se Eu Fosse Você 2 no seu primeiro fim de semana: 560 Mil espectadores. É, precisamos aceitar que nós temos o cinema popular que merecemos.
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Top 10 Cahiers
1. Redacted (Brian De Palma)
2. Juventude em Marcha (Pedro Costa)
3. Cloverfield (Matt Reeves)
4. Onde os Fracos Não Tem Vez (Joel & Ethan Coen)
5. Two Lovers (James Gray)
6. Waltz with Bachir (Ari Folman)
7. O Último Reduto (Rabah Ameur-Zaïmeche)
8. Hunger (Steve McQueen)
9. A Short Film About the Indio Nacional (Raya Martin)
10. Na Guerra (Bertrand Bonello)
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Film Comment
Saiu a edição nova da Film Comment e com ela o novo conteúdo online que cada vez inclui mais material exclusivo (pelo visto a revista infelizmente decidiu relegar toda a cobertura de festivais para site, por exemplo) como uma entrevista com David Fincher. Do conteúdo da revista imprensa incluso no site esta a lista de melhores do ano (mais ampla que aquela que eu já havia postado aqui) e um artigo sobre Luz Silenciosa (pena que a entrevista com James Toback conduzida pelo Tarantino que promete ser um clássico esteja só na edição impressa).
O melhor mesmo é a entrevista com Efe Cakarel dono do muito interessante site The Auteurs (sobre o qual o Leonardo Cruz já tinha escrito lá no Blog da Ilustrada). Muito boa tanto porque a proposta do site é de uma ambição sem muito paralelos e também porque Cakarel trata do lado prático de como montou seu projeto de distribuição online com refrescante falta de rodeios.
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