Post nostalgico

Uma das minha sessões de cinema favoritas foi do filme de um cineasta tailandês de nome esquisito no Festival do Rio de 2002. Tinha ganho o Un Certain Regard e recebido elogios rasgados da imprensa francesa. Estação Ipanema com bom público para uma tarde. Pessoas não paravam de rir nos momentos errados. Um amigo meu, ótimo crítico por sinal, levava cada risada como uma ofensa. Bons tempos. Em todos os sentidos.

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Kershner

Recebo a notícia de que Irvin Kershner faleceu. Todos os obituários inevitavelmente se concentraram em ele ter dirigido O Imperio Contra Ataca, mas Kershner fez varios filmes muito interessantes entre as décadas de 60 e 70.  O meu favorito é provavelmente Loving sobre o qual eu já escrevi algumas vezes aqui no blog e na Paisà. Aproveito para reproduzir o texto publicado na Paisà:

Em panoramas do cinema americano dos anos 70 é improvável que encontremos menções a O Amor é Tudo. Não se trata de um trabalho de um autor de peso (Kershner ainda é conhecido quase exclusivamente como o sujeito que dirigiu O Império Contra Ataca), e ao contrario da imensa maioria dos filmes mais famosos do período, não parece desesperado em se vender como um grande filme, nem possui os arrombos de intensidade de um Cassavetes, ou o gosto pelo inesperado de um Hellman ou do primeiro Rafelson. Parte do que valorizo nele nasce justamente daí, de ser um grande filme que chega lá por conta de um olhar atencioso, e sobretudo muita convicção no seu material.

Não gosto do título nacional, que tem um valor muito definitivo, o original (Loving) sugere um processo, um trabalho pesado, que me parece bem mais em sintonia com o filme. O título original também reflete a maneira como ele parece ter sido feito. Este é um daqueles filmes em que os envolvidos, o cineasta Kershner, o roteirista Don Devlin, o fotógrafo Gordon Willis e o astro George Segal, parecem ter percebido que há uma força muito grande no material e se lançam nele de maneira laboriosa e cuidadosa. É um filme bem simples: alguns poucos dias na vida de um ilustrador e seus problemas com a esposa, o trabalho, a amante, a garrafa.

O que torna Loving um filme essencial é a maneira como ele é exato na descrição dos sentimentos do seu personagem central. A frustração raramente é representada com tamanha precisão. Kershner e Segal delineiam à perfeição a relação que muitos que trabalham em áreas marginalmente ligadas a arte tem com seus empregos (no caso, um ilustrador de publicidade). Segal é ótimo em sugerir um estado constante de pânico moral e a parceria entre Kershner e Willis mapeia toda uma geografia sentimental (há uma seqüência perfeita em que Segal atende um telefone sentado no topo da escada e a distancia do seu corpo para a câmera sugere por um instante toda a relação daquele homem com seu mundo).

Para um filme quase desprovido de trama, O Amor é Tudo é surpreedentemente cheio de acontecimentos. Temos impressão que é mesmo trabalhoso manter a vida deste homem em pleno funcionamento, que ele esta ficando descuidado, e logo algo vai sair do lugar. Há uma grande inevitabilidade presente em todo o filme; mesmo assim quando o final embaraçoso surge, ele é doloroso, em especial seu corte final abrupto.

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Mostra SP/Festival RJ – Resumo de textos

Aproveitando para deixar num post só links para todos os meus textos dos dois eventos.

Almas Silenciosas (Alexei Fedorchenko)
Aurora (Cristi Puiu) e O Caçador (Rafi Pitts)
A Autobiografia de Nicolae Ceausescu (Andrei Ujica) e Carlos (Olivier Assayas)
A Cidade Abaixo (Christoph Hochhäusler)
Cleveland Versus Wall Street (Jean-Stephane Bron)
Curitiba Zero Grau (Eloi Pires Ferreira)
O Estranho Caso de Angélica (Manoel de Oliveira)
História Mundana (Anocha Suwichakompong) e Jean Gentil (Laura Amelia Guzman e Israel Cardenas)
Homens e Deuses (Xavier Beauvois)
Kaboom (Gregg Araki)
Machete (Robert Rodriguez e Ethan Maniquis)
Malu de Bicicleta (Flavio Tambellini)
Mistérios de Lisboa (Raoul Ruiz)
Uma Mulher, uma Arma e uma Loja de Macarrão (Zhang Yimou)
A Rede Social (David Fincher)
Símbolo (Hitoshi Matsumoto)
Striptease Familiar (Lluis Miñarro)
Trampolim do Forte (João Rodrigo Mattos)
A Vala (Wang Bing)
Você Todos são Capitães (Olivier Laxe)

Pílulas do Festival do Rio: Amigo (John Sayles), Buraco Negro (Gilles Marchand), O Senhor do Labirinto (Geraldo Motta), O Sequestro de um Héroi (Lucas Belvaux), A Vida Durante a Guerra (Todd Solondz)
Pílulas da Mostra de São Paulo: A Antropóloga (Zeca Pires), A Fábrica de Tigres (Woo Ming Jin), Gol a Gol (Adriano Esturilho e Fabio Allon), Howl (Rob Epstein e Jeffrey Friedman), Lily Sometimes (Fabienne Berthaud), O Outro Mundo (Gilles Marchand), O Senhor do Labirinto (Geraldo Motta)

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Detective Dee and the Mistery of the Phantom Flame (Tsui Hark,10)

27 anos após Zu Warriors, Tsui Hark segue filmando espetáculos como poucos. Neste que é o seu melhor filme em um década pela primeira vez ele parece fazer uso completo dos recursos sem fim da indústria cinematográfica chinesa e poucas coisas em cinema são melhores que Tsui deixando sua imaginação fluir. Parte Wuxia, parte mistério histórico, parte fabula política, Detective Dee tem de tudo de heroínas mutantes e veados falantes a coreografia sublime de Sammo Hung fotografada com uma inteligência que faria o charlatão oficial do cinema chinês corar. Tsui Hark segue a minha idéia de bom cinema popular.

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Mostra

Muito trabalho na Cinética e acabei sem tempo de atualizar durante a Mostra, segue então as cotações com comentários rápidos sobre todos os filmes vistos pela primeira vez.

Mistérios de Lisboa (Raul Ruiz,10) – *****

Na Cinética.

Cleveland Vs Wall Street (Jean-Stephane Bron,10) – ***

Na Cinética.

O Solteiro (Hao Jie,10) – *

O eletrobrega chinês da trilha sonora é a única coisa que eu me lembro deste filme é a única coisa que eu me lembro dele. Diz muito sobre o filme.

O Estranho Caso de Angélica (Manoel de Oliveira,10) – *****

Na Cinética.

Air Doll (Hirokazu Kore Eda,09) – 0

Nunca doses tão grandes doçura a fórceps foram empurradas ao espectadores. Costuma achar Kor Eda extremamente irregular, mas neste ele errou a mão feio.

Símbolo (Hitoshi Matsumoto,09) – ****

Na Cinética.

A Última Estrada da Praia (Fabiano de Souza,10) – ***

Belo filme com algumas cenas muito inspiradas, mas acho engraçado como ele expõe bem uma deficiência do jovem cinema brasileira em lidar com dramaturgia. Os picos dramáticos são invariavelmente as piores e mais mal resolvidas seqüências do filme. Mas não quero me concentrar nas partes frágeis porque o filme é muito bom e não fosse o Houve uma Vez Dois Verões daria para dizer que é o melhor filme gaucho desde Deu Pra Ti Anos 70.

As Quatro Voltas (Michelangelo Frammartino,10) – *****

É um conceito extremamente básico, mas Frammartino extrai dele muito mais do que se esperaria, incluindo uma notável leveza. O cachorro é o melhor ator da Mostra e o melhor ator não-humano desde os patos do Kiarostami.

Sentimento de Culpa (Nicole Holofcner,10) – **

Clássico indie americano que levanta as perguntas porque eu estou vendo um filme sobre estas pessoas e porque alguém achou que ele era uma boa idéia?

A Cidade Abaixo (Christoph Hochhausler,10) – ****

Na Cinética.

Não Me Deixe Jamais (Mark Romanek,10) – *

A Ilha refilmado por James Ivory na verdade é conceito interessante, mas não nesta versão. Alguns bons atores, mas o Romanek nulifica tudo e perde completamente o ponto do texto.

Agreste (Paula Gaitan,10) – ***

Marcelia Cartaxo e a paisagem nordestina. Desequilibrado, mas com belos momentos.

Historia Mundana (Anocha Suwichakompong,10) – ***

Na Cinética.

Poesia (Lee Chang Dong,10) – ***

Um típico filme de Lee Chang Dong: boas idéias, ótimos atores, execução desajeitada.

Bróder (Jefferson De,10) – ***

Bem melhor que os curtas do De. Tudo que não tem relação com a trama plicial é muito bom.

O Último Romance de Balzac (Geraldo Sarno,10) – ***

O mistério da criação artística neste belo doc exploit espírita.

Lily Sometimes (Fabienne Berthaud,10) – **

Na Cinética.

Rosa Morena (Carlos Oliveira,10) – **

Bons atores, filme frágil.

Filme do Desassossego (João Botelho,10) – 0

O inferno.

Gol a Gol (Fabio Allon e Adriano Esturilho,10) – 0

Na Cinética.

Caterpillar (Koji Wakamatsu,10) – ****

Espólios de guerra segundo Wakamatsu que como sempre vai ao fundo do problema por belos caminhos tortos.

Vips (Toniko Melo,10) – **

Filme B com bons atores.

Avenida Brasilia Formosa (Gabriel Mascaro,10) – ***

Entre a observação e a auto-ficção.

Striptease Familiar (Lluis Miñarro,09) – ***

Na Cinética.

A Espada e a Rosa (João Nicolau,10) – ****

Sobre ser pirata. Desequilibrado, gordo, mas memorável.

Um Dia na Vida (Eduardo Coutinho,10) – ****

Um grande evento. Talvez o maior feito de Coutinho é pegar uma série de imagens de segunda mão sem nenhum interesse cinematográfico e construir o único filme da Mostra que realmente só faz sentido visto na tela grande.

Jean Gentil (Laura Amelia Guzman/Israel Cardenas,10) – ***

Na Cinética.

Ponto Org (Patricia Moran,10) – W/O

Fazia 5 anos que eu não optava por abandonar uma sessão porque o filme era insuportável.

A Fabrica de Tigres (Woo Ming Jin,10) – *

Na Cinética.

Almas Silenciosas (Aleksei Fedorchenko,10) – **

Na Cinética.

Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos (Woody Allen,10) – *

Allen alcança a senilidade. Não basta a preguiça com filme e escreve agora faz filmes francamente estúpidos também.

O Ultraje (Takeshi Kitano,10) – ****

Kitano retomando de forma furiosa o filme de gangster. Deveria se chamar Yakuza Slasher.

Minha Felicidade (Sergei Losnitza,10) – **

Filme de tese no que o termo de pior apesar de impecavelmente bem filmado. A primeira metade é forte, a segunda se reitera até perder o gás.

Venus Negro (Abedelatif Kechiche,10) – ***

Verdadeiro filme de terror do ano. Tortura física mesmo que faz muito bom uso das experiências com tempo de O Segredo do Grão.

O Mito da Liberdade (David Robert Mitchell,10) – ***

Muito bem observado filme adolescente.

Vocês Todos são Capitães (Oliver Laxe,10) – ****

Na Cinética.

O Caçador (Rafi Pitts,10) – ***

Na Cinética.

A Antropóloga (Zeca Pires,10) – 0

Na Cinética.

Aurora (Cristi Puiu,10) – ****

Na Cinética.

Um Homem que Grita (Mahamat-Salah Haroun,10) – ***

Quando a desdramatização deságua no melodrama.

A Rede Social (David Fincher,10) – ****

Na Cinética.

A Vala (Wang Bing,10) – ****

Na Cinética.

Howl (Rob Epstein/Jeffrey Friedman,10) – **

Na Cinética.

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Festival do Rio III

Com muito atraso a última parte.

Carancho (Pablo Trapero,10) – ***

Trapero retorna a trama policial nos suburbios de Buenos Aires quase 10 anos depois de El Bonarense. No meio tempo, ele se tornou essencialmente um cineasta comercial e uma forma de olhar para Carancho é justamente como esta revista. Por um lado, é um filme precisamente dirigido , de outro há um inegavel tom sintético na empreitada todo. O que redime Carancho é sobretudo o olhar de Trapero para os detalhes que garante a Carancho uma riqueza para alem da trama de redenção de um escroque que o filme apresenta.

Somewhere (Sofia Coppola,10) – ***

Evidencia maior até hoje de que Coppola é uma sensibilidade a procura de um filme (não é a toa que o unico filme muito forte dela fosse adaptado de material alheio). Há algumas cenas fortes (a do Rock Band é ótima por exemplo) e Dorff é um vácuo perfeito. Os últimos 5 minutos mais estúpidos de qualquer filme interessante que vi este ano.

O Senhor do Labirinto (Geraldo Motta,10) – *

Na Cinetica. Este filme ganhou a votação popular da Premiere Brasil, o Serra conseguiu ir para o segundo turno, de alguma forma estas duas catastrofes me parecem interligadas.

Boca do Lixo (Flavio Frederico,10) – **

Por parte da sua duração, Boca do Lixo faz bom uso do que sua trama de gangster tem de genérica e vaga sugerindo um mito paulistano bem particular, com o tempo passa a sugerir um beco sem saída estético.

O Olhar Invísivel (Diego Lerman,10) – **

Poderia se chamar “Um filme argentino”. Lerman filma tudo com muita habilidade e o filme tem momentos em que se sustenta muito bem como estudo de personagem, mas ao mesmo tempo sua alegoria torna o filme fechado demais no seu conceito e ao usar cada truque da Nova Onda, Lerman so aumenta a impressão de abstração.

Film Socialism (Jean Luc Godard,10) – ****

Ao longo dos ultimos 20 anos os filmes de Godard que me falam muito costumam ser os filmes “menores”, videos ou comissões pequenas, nas produções maiores como Elogio ao Amor ou Notre Musique, fico sempre com impressão de que o próprio Godard sofre de enfado quando lida com uma estrutura maior, em suma após o Nouvelle Vague, eu acredito que Godard se tornou o maior diretor de filmes caseiros do mundo. Menciono tudo isso para dizer que se Film Socialism não é um grande Godard, me interessa muito mais do que qualquer outro dos longas principais dele posteriores ao Nouvelle Vague.

A Vida Durante a Guerra (Todd solondz,09) – 0

Na Cinética.

Amigo (John Sayles,10) – **

Na Cinética.

Turnê (Matthieu Amalric,10) – **

Menos particular e interessante que os dos longas anteriores do Amalric. Um amigo me disse que achou que era o longa de estreia e realmente é o tipo de genérico de Cassavetes que se imagina de um filme de estreia de um ator.

Curitiba Zero Grau (Eloi Pires Ferreira,10)

Na Cinética. Depois da sessão propus que a Novos Rumos fosse rebatizada Velhissimo Cinema Brasileiro.

Ex Isto (Cao Guimarães,10) – ***

Na Cinética até a Mostra.

Armadillo (Janus Metz,10) – ***

Um crítico meu amigo assistiu Armadillo e não curtiu muito, chegou em casa descobriu que o filme na verdade era um documentário e não ficção e mudou de opinião. A história di muito sobre o filme. É um documentário sobre uma tropa dinamarquesa no Afeganistão montado e decupado seguindo uma lógica de ficção ao ponto de que realmente não é um absurdo que um espectador desinformado não se toque de que se trata de uma. É muito interessante (esta na Mostra e eu recomendaria que conseguir encaixar, veja), mas o limite dele é claro, seu interesse está todo no conceito.

A Autobiografia de Nicolae Ceausescu (Andrei Ujica,10) – ****

Na Cinética.

Scott Pilgrim contra o Mundo (Edgar Wright,10) – ***

Curioso como o filme meio que funciona como uma versão mainstream do filme do Gregg Araki. Como grande fã da graphic novel, é uma pena que Wright não considerou cortar um par de ex-namorados, passado a primeira meia hora o filme é corrido demais e os namorados sempre foram mais um gancho do que um fim.

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Festival do Rio II

Carlos (Olivier Assayas,10) – ****

Na Cinética.

Nostalgia da Luz (Patricio Guzman,10) – *

Absolutamente nada neste ensaio do Guzman me interessa e fico com impressão muito ruim que tudo ali é so um gancho desesperado para Guzman poder justificar outro filme sobre Pinochet.

Renegado do Leste (Sharunas Bartas,10) – **

Bartas segue filmando com grande elegância, mas aqui constrói um pequeno filme B incapaz de sustentar o peso que seu autor deposita nele.

Terça, Depois do Natal (Radu Muntean,10) – *****

Muntean pega sua trama básica (homem precisa decidir entre a esposa e a amante) e o naturalismo que já esperamos do cinema romeno e constrói um filme onde o olhar apurado levanta uma tensão digna de thriller. Os dois filmes anteriores do cineasta (The Paper Will Be Blue e Boogie) eram bem interessantes, mas este Terça, Depois de Natal é muito melhor.

Buraco Negro (Gilles Marchand,10) – *

Na Cinética.

O Errante (Avishai Sivan,10) – *

O de sempre do cinema de arte contemporâneo.

Malu de Bicicleta (Flavio Tambellini,10) – *

Na Cinética.

Trampolim do Forte (João Rodrigo Mattos,10) – **

Na Cinetica.

Memórias de Xangai (Jia Zhang-ke,10) – ***

Temo que minha reação diante destes filmes recentes de Jia seja similar a que outros tem diante do Kiarostami pós Vento nos Levará: por mais que eu admire fica a impressão constante de que o cineasta optou por uma camisa de força que limita muito seu talento. Ao menos, este é melhor que 24 City.

Machete (Robert Rodriguez/Ethan Maniquis,10) – ****

Na Cinética.

Santos Dumont: pré cineasta? (Carlos Adriano,10) – ***

È sempre curiosa a experiência de festival que aproxima filmes improvaveis. Neste caso, assistir este primeiro longa de Carlos Adriano após muitos curtas de interesse logo após Robert Rodriguez e notar como a apropriação que ele faz de Santos Dumont e o primeiro cinema neste ensaio sobre invenção coloca-o muito mais próximo de um filme como Machete do que os fãs de ambos gostariam.

Como Esquecer (Malu de Martino,10) – 0

Deveria se chamar “Quero Esquecer”. Teria sido insuportável não fossem as muitas piadas que eu e o Eduardo Valente soltamos durante a sessão.

Copia Fiel (Abbas Kiarostami,10) – ****

A despeito de todos os comentários sobre o retorno de Kiarostami a narrativa e comparações com cineastas diversos como Rossellini e Linklater, este é essencialmente uma extensão dos experimentos recentes do cineasta iraniano, só que com dois atores como seus objetos em fluxo.

Tio Bonmee que se lembra das suas vidas passadas (Apichatpong Weerasethakul,10) – *****

Joe oficialmente atravessa a barreira Manoel de Oliveira onde comentar seus filmes parece uma atividade desnecessária. Os momentos de deslumbramento se acumulam.

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Mostra

Como sempre segue uma pré seleção de filmes de interesse da mostra. Como sempre este é um apanhado de filmes que me parecem poder interessar o leitor do blog independente de me interessarem pessoalmente. Deixei um asterisco antes dos que eu vi e recomendo.

AANTROPÓLOGA, de Zeca Nunes Pires / BRASIL, TÍTULO ORIGINAL: A ANTROPÓLOGA, GENERO: Ficção, DURACAO: 94

A ÁRVORE, de Julie Bertucelli / FRANÇA, AUSTRÁLIA, TÍTULO ORIGINAL: The Tree, GENERO: Ficção, DURACAO: 100

A SUPREMA FELICIDADE, de Arnaldo Jabor / BRASIL, TÍTULO ORIGINAL: A SUPREMA FELICIDADE, GENERO: Ficção, DURACAO: 125

A ÚLTIMA ESTRADA DA PRAIA, de Fabiano de Souza / BRASIL, TÍTULO ORIGINAL: A ÚLTIMA ESTRADA DA PRAIA, GENERO: Ficção, DURACAO: 93

AGRESTE, de Paula Gaitán / BRASIL, TÍTULO ORIGINAL: AGRESTE, GENERO: Documentário, DURACAO: 78

AIR DOLL, de Kore-Eda Hirokazu / JAPÃO, TÍTULO ORIGINAL: KUKI NINGYO, GENERO: Ficção, DURACAO: 116

ÁLBUM DE FAMÍLIA, de Lluis Miñarro / ESPANHA, TÍTULO ORIGINAL: FAMILYSTRIP, GENERO: Documentário, DURACAO: 75

ALÉM DA ESTRADA, de Charly Braun / BRASIL, URUGUAI, TÍTULO ORIGINAL: POR EL CAMINO, GENERO: Ficção, DURACAO: 85

ALMAS SILENCIOSAS, de Aleksei Fedorchenko / RÚSSIA, TÍTULO ORIGINAL: Ovsyanki, GENERO: Ficção, DURACAO: 75

*ARMADILLO, de Janus Metz / DINAMARCA, TÍTULO ORIGINAL: ARMADILLO, GENERO: Documentário, DURACAO: 101

AVENIDA BRASÍLIA FORMOSA, de Gabriel Mascaro / BRASIL, TÍTULO ORIGINAL: Avenida Brasília Formosa, GENERO: Documentário, DURACAO: 85

BLACK VENUS, de Abdellatif Kechiche / FRANÇA, TÍTULO ORIGINAL: VÉNUS NOIRE, GENERO: Ficção, DURACAO: 159

BOCA DO LIXO, de Flavio Frederico / BRASIL, TÍTULO ORIGINAL: BOCA DO LIXO, GENERO: Ficção, DURACAO: 100

BONECAS DIABÓLICAS, de Flávio Nogueira / BRASIL, TÍTULO ORIGINAL: BONECAS DIABÓLICAS, GENERO: Ficção, DURACAO: 92

BRÓDER, de Jeferson De / BRASIL, TÍTULO ORIGINAL: BRÓDER, GENERO: Ficção, DURACAO: 93

CATERPILLAR, de Koji Wakamatsu / JAPÃO, TÍTULO ORIGINAL: CATERPILLAR, GENERO: Ficção, DURACAO: 85

CLEVELAND X WALL STREET, de Jean-Stéphane Bron / FRANÇA, SUÍÇA, TÍTULO ORIGINAL: Cleveland VS Wall Street, GENERO: Documentário, DURACAO: 98

*CÓPIA FIEL, de Abbas Kiarostami / FRANÇA, ITÁLIA, TÍTULO ORIGINAL: COPIE CONFORME, GENERO: Ficção, DURACAO: 106

CYRUS, de Jay Duplass, Mark Duplass / EUA, TÍTULO ORIGINAL: Cyrus, GENERO: Ficção, DURACAO: 91

DISTANTES JUNTOS, de Wang Quanan / CHINA, TÍTULO ORIGINAL: Tuan yuan, GENERO: Ficção, DURACAO: 95

ELVIS & MADONA, de Marcelo Laffitte / BRASIL, TÍTULO ORIGINAL: ELVIS & MADONA, GENERO: Ficção, DURACAO: 105

EM UM MUNDO MELHOR, de Susanne Bier / DINAMARCA, TÍTULO ORIGINAL: Hævnen, GENERO: Ficção, DURACAO: 105

EMBARGO, de António Ferreira / PORTUGAL, BRASIL, ESPANHA, TÍTULO ORIGINAL: EMBARGO, GENERO: Ficção, DURACAO: 83

ESTRANHOS, de Paulo Alcântara / BRASIL, TÍTULO ORIGINAL: ESTRANHOS, GENERO: Ficção, DURACAO: 93

*EX ISTO, de Cao Guimarães / BRASIL, TÍTULO ORIGINAL: EX ISTO, GENERO: Ficção, DURACAO: 86

FELIZ QUE MINHA MÃE ESTEJA VIVA, de Claude Miller, Nathan Miller / FRANÇA, TÍTULO ORIGINAL: JE SUIS HEUREUX QUE MA MÈRE SOIT VIVANTE, GENERO: Ficção, DURACAO: 90

FILME DO DESASSOSSEGO, de João Botelho / PORTUGAL, TÍTULO ORIGINAL: FILME DO DESASSOSSEGO, GENERO: Ficção, DURACAO: 120

FORA DA LEI, de Rachid Bouchareb / FRANÇA, TÍTULO ORIGINAL: HORS LA LOI, GENERO: Ficção, DURACAO: 138

HEARTBEATS, de Xavier Dolan / CANADÁ, TÍTULO ORIGINAL: LES AMOURS IMAGINAIRES, GENERO: Ficção, DURACAO: 102

HISTÓRIA DE KYOTO, de Yoji Yamada, Tsutomu Abe / JAPÃO, TÍTULO ORIGINAL: Kyoto Uzumasa Monogatari, GENERO: Ficção, DURACAO: 90

HOWL, de Rob Epstein, Jeffrey Friedman / EUA, TÍTULO ORIGINAL: HOWL, GENERO: Ficção, DURACAO: 90

LOPE, de Andrucha Waddington / ESPANHA, BRASIL, TÍTULO ORIGINAL: Lope, GENERO: Ficção, DURACAO: 106

LOVE, LUST & LIES, de Gillian Armstrong / AUSTRÁLIA, TÍTULO ORIGINAL: LOVE, LUST & LIES, GENERO: Documentário, DURACAO: 87

LUZ NAS TREVAS, de Helena Ignez, Icaro C. Martins / BRASIL, TÍTULO ORIGINAL: LUZ NAS TREVAS, GENERO: Ficção, DURACAO: 83

*MACHETE, de Robert Rodriguez e Ethan Maniquis / EUA, TÍTULO ORIGINAL: MACHETE, GENERO: Ficção, DURACAO: 107

*MEMÓRIAS DE XANGAI – I WISH I KNEW, de Jia Zhang Ke / CHINA, TÍTULO ORIGINAL: I WISH I KNEW, GENERO: Ficção, DURACAO: 125

MISTÉRIOS DE LISBOA, de Raúl Ruiz / PORTUGAL, TÍTULO ORIGINAL: MISTÉRIOS DE LISBOA, GENERO: Ficção, DURACAO: 266

MOTHERS, de Milcho Manchevski / MACEDÔNIA, FRANÇA, BULGÁRIA, TÍTULO ORIGINAL: Majki, GENERO: Ficção, DURACAO: 123

MY JOY, de Sergei Loznitsa / ALEMANHA, UCRÂNIA, HOLANDA, TÍTULO ORIGINAL: Schastye Moye, GENERO: Ficção, DURACAO: 127

NÃO ME DEIXE JAMAIS, de Mark Romanek / REINO UNIDO, EUA, TÍTULO ORIGINAL: Never Let Me Go, GENERO: Ficção, DURACAO: 103

NOSSA VIDA, de Daniele Luchetti / ITÁLIA, FRANÇA, TÍTULO ORIGINAL: La nostra vita, GENERO: Ficção, DURACAO: 98

NOSTALGIA DA LUZ, de Patricio Guzman / FRANÇA, ALEMANHA, CHILE, TÍTULO ORIGINAL: NOSTALGIA DE LA LUZ, GENERO: Documentário, DURACAO: 90

O CIÚME MORA AO LADO, de Mika Kaurismäki / FINLÂNDIA, TÍTULO ORIGINAL: HAARAUTUVAN RAKKAUDEN TALO, GENERO: Ficção, DURACAO: 102

O ESTRANHO CASO DE ANGÉLICA, de Manoel de Oliveira / PORTUGAL, ESPANHA, FRANÇA, BRASIL, TÍTULO ORIGINAL: O ESTRANHO CASO DE ANGÉLICA, GENERO: Ficção, DURACAO: 95

O MÁGICO, de Sylvain Chomet / FRANÇA, INGLATERRA, TÍTULO ORIGINAL: L´ILLUSIONNISTE, GENERO: Animação, DURACAO: 80

O OUTRO MUNDO, de Gilles Marchand / FRANÇA, BÉLGICA, TÍTULO ORIGINAL: L´AUTRE MONDE, GENERO: Ficção, DURACAO: 104

O SEQUESTRO DE UM HERÓI, de Lucas Belvaux / FRANÇA, TÍTULO ORIGINAL: RAPT, GENERO: Ficção, DURACAO: 125

O ÚLTIMO ROMANCE DE BALZAC, de Geraldo Sarno / BRASIL, TÍTULO ORIGINAL: O ÚLTIMO ROMANCE DE BALZAC, GENERO: Documentário, DURACAO: 74

*OF GODS AND MEN, de Xavier Beauvois / FRANÇA, TÍTULO ORIGINAL: DES HOMMES ET DES DIEUX, GENERO: Ficção, DURACAO: 120

ONDULAÇÃO, de Denis Côté / CANADÁ, TÍTULO ORIGINAL: CURLING, GENERO: Ficção, DURACAO: 92

OS AMORES DE UM ZUMBI, de Arnold Antonin / HAITI, TÍTULO ORIGINAL: LES AMOURS D’UN ZOMBI, GENERO: Ficção, DURACAO: 90

OS DOIS ESCOBARES, de Jeff Zimbalist, Michael Zimbalist / COLÔMBIA, EUA, TÍTULO ORIGINAL: THE TWO ESCOBARS, GENERO: Documentário, DURACAO: 100

OUÇA-ME, de Fenfen Cheng / TAIWAN, TÍTULO ORIGINAL: HEAR ME, GENERO: Ficção, DURACAO: 109

POESIA, de Lee Chang-dong / CORÉIA DO SUL, TÍTULO ORIGINAL: SHI, GENERO: Ficção, DURACAO: 139

POLYTECHNIQUE, de Denis Villeneuve / CANADÁ, TÍTULO ORIGINAL: POLYTECHNIQUE, GENERO: Ficção, DURACAO: 77

PONTO ORG, de Patrícia Moran / BRASIL, TÍTULO ORIGINAL: Ponto Org, GENERO: Ficção, DURACAO: 80

POTICHE, de François Ozon / FRANÇA, TÍTULO ORIGINAL: POTICHE, GENERO: Ficção, DURACAO: 104

ROSES A CREDIT, de Amos Gitai / FRANÇA, TÍTULO ORIGINAL: ROSES A CREDIT, GENERO: Ficção, DURACAO: 113

SENTIMENTO DE CULPA, de Nicole Holofcener / EUA, TÍTULO ORIGINAL: Please Give, GENERO: Ficção, DURACAO: 91

SOBRE SEU IRMÃO, de Yoji Yamada / JAPÃO, TÍTULO ORIGINAL: OTOUTO, GENERO: Ficção, DURACAO: 126

*SOCIALISM, de Jean-Luc Godard / FRANÇA, SUÍÇA, TÍTULO ORIGINAL: FILM SOCIALISME, GENERO: Ficção, DURACAO: 101

SPECIAL TREATMENT, de Jeanne Labrune / FRANÇA, TÍTULO ORIGINAL: Sans queue ni tête, GENERO: Ficção, DURACAO: 95

SUBMARINO, de Thomas Vinterberg / DINAMARCA, TÍTULO ORIGINAL: Submarino, GENERO: Ficção, DURACAO: 110

SUN SPOTS, de Heng Yang / CHINA, TÍTULO ORIGINAL: GUANG BAN, GENERO: Ficção, DURACAO: 112

SYMBOL, de Hitoshi Matsumoto / JAPÃO, TÍTULO ORIGINAL: SHINBORU, GENERO: Ficção, DURACAO: 90

TEHRAN TEHRAN, de Dariush Mehrjui, Mehdi Karampour / IRÃ, TÍTULO ORIGINAL: Tehran Tehran, GENERO: Ficção, DURACAO: 109

THE CITY BELOW, de Christoph Hochhäusler / ALEMANHA, FRANÇA, TÍTULO ORIGINAL: UNTER DIR DIE STADT, GENERO: Ficção, DURACAO: 110

THE DITCH, de Wang Bing / FRANÇA, BÉLGICA, TÍTULO ORIGINAL: LE FOSSÉ, GENERO: Ficção, DURACAO: 109 (exibiram também A Oeste dos Trilhos para quem quiser rever)

THE HUNTER, de Rafi Pitts / IRÃ, ALEMANHA, TÍTULO ORIGINAL: SHEKARCHI, GENERO: Ficção, DURACAO: 92

THE INVISIBLE EYE, de Diego Lerman / ARGENTINA, FRANÇA, ESPANHA, TÍTULO ORIGINAL: LA MIRADA INVISIBLE, GENERO: Ficção, DURACAO: 95

THE MYTH OF THE AMERICAN SLEEPOVER, de David Robert Mitchell / EUA, TÍTULO ORIGINAL: The Myth of the American Sleepover, GENERO: Ficção, DURACAO: 97

THE OUTRAGE, de Takeshi Kitano / JAPÃO, TÍTULO ORIGINAL: AUTOREIJI, GENERO: Ficção, DURACAO: 109

THE FOUR TIMES, de Michelangelo Frammartino / ITÁLIA, ALEMANHA, SUÍÇA, TÍTULO ORIGINAL: LE QUATTRO VOLTE, GENERO: Ficção, DURACAO: 88

*TIO BOONMEE, QUE PODE RECORDAR SUAS VIDAS PASSADAS, de Apichatpong Weerasethakul / REINO UNIDO, TAILÂNDIA, ALEMANHA, FRANÇA, ESPANHA, TÍTULO ORIGINAL: LUNG BOONMEE RALUEK CHAT, GENERO: Ficção, DURACAO: 113

TRABALHO INTERNO, de Charles Ferguson / EUA, TÍTULO ORIGINAL: Inside Job, GENERO: Documentário, DURACAO: 120

TRÊS QUINTAIS, de Eric Mendelsohn / EUA, TÍTULO ORIGINAL: 3 BACKYARDS, GENERO: Ficção, DURACAO: 88

TUDO VAI DAR CERTO, de Christoffer Boe / DINAMARCA, TÍTULO ORIGINAL: ALTING BLIVER GODT IGEN, GENERO: Ficção, DURACAO: 90

TURNÊ, de Mathieu Amalric / FRANÇA, TÍTULO ORIGINAL: TOURNÉE, GENERO: Ficção, DURACAO: 111

UM DIA NA VIDA, de Eduardo Coutinho / BRASIL, TÍTULO ORIGINAL: UM DIA NA VIDA, GENERO: Indefinido, DURACAO: 94

UM HOMEM QUE GRITA, de Mahamat Saleh Haroun / FRANÇA, BÉLGICA, CHADE, TÍTULO ORIGINAL: UN HOMME QUI CRIE, GENERO: Ficção, DURACAO: 92

*UM LUGAR QUALQUER, de Sofia Coppola / EUA, TÍTULO ORIGINAL: SOMEWHERE, GENERO: Ficção, DURACAO: 98

UMA MULHER, UMA ARMA E UMA LOJA DE MACARRÃO, de Yimou Zhang / CHINA, TÍTULO ORIGINAL: San qiang pai an jing qi, GENERO: Ficção, DURACAO: 95

VIPS, de Toniko Melo / BRASIL, TÍTULO ORIGINAL: VIPS, GENERO: Ficção, DURACAO: 91

VOCÊ VAI CONHECER O HOMEM DOS SEUS SONHOS, de Woody Allen / EUA, TÍTULO ORIGINAL: You Will Meet a Tall Dark Stranger, GENERO: Ficção, DURACAO: 98

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Festival do Rio I

Ao Mar (Pedro Gonzales-Rubio,09) – ****

Bela ficção flahertyana.

A Woman, a Gun and a Noodle Shop (Zhang Yimou),09) – *

Na Cinética.

180o. (Eduardo Vaisman,20) – **

Bons atores, alguns momentos bem construídos a serviço de uma estrutura que vampiriza toda sua força.

Atração Perigosa (Ben Affleck,10) – ***

Affleck pega o que melhor funcionara na sua estreia (bom uso das locações de Boston, direção de atores) e coloca para bom uso num filme menos ambicioso, mas bem melhor filmado. Só quer ser um sub-Heat e é muito bem resolvido nestes termos.

Luz nas Trevas (Helena Ignez, Icaro Martins,10) – **

 Filme de altos altos e baixos, um tanto perdido no tempo sem nem sempre saber o que fazer com herança de Sganzerla. Sugere o que o filme do Mojica seria se mal pensado.

O Sequestro de um Héroi (Lucas Belvaux,09) – **

Na Cinética.

Essential Killing (Jerzy Skolimowski,10) – *****

Literalmnte o grande filme de ação do ano. Cinema físico e direto como poucos.

Kaboom (Gregg Araki,10) – ****

Texto deve aparecer na Cinética nos próximos dias mas este é um bom Araki, o que acontece com menos frequencia do que eu gostaria. Interessante comparar em como o filme do Belvaux tão perfeitamente crível jamais seja capaz de sugerir a autenticidade cena a cena de Kaboom a despeito do material de Araki ser basicamente o equivalente de uma conto de ficção cientifica escrito por um garoto de 18 anos sexualmente confuso. 

Riscado (Gustavo Pizzi,10) – ***

Irregular, mas sempre envolvente e cheio de pequenos momento inspirados. Um pequeno filme no bom sentido.

Of Gods and Men (Xavier Beauvois,10) – ****

Critica deve aparecer na Cinética em breve.

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Gemini

Estou muito chateado com a notícia de que o Gemini vai fechar.

É o verdadeiro cinema pulistano de resistência.

Última sala pré Cinemark da cidade.

Seguia firme forte distante tanto dos cine-Bristrôs quanto do multiplex.

Sempre uma ótima opção para pegar os filmes no fim da sua carreira comercial já que geralmente só entravam lá semanas depois da estréia, até nisso era a última de sua espécie.

De tempo em tempo o Belas Artes chantagia o paulistano mendigando patrocínio enquanto ameaça fechar (patrocínio este que nunca é revertido para melhora da projeção horrorosa, poltronas, preço de ingressos, etc); o Gemini fechar é uma tragédia muito maior que passa despercebida. Jamais uma grande sala talvez, mas sempre uma sala de cinema honesta. Fara falta.

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Jerzy Skolimowski

Um dos grandes destaques do Festival do Rio sem dúvida nenhuma é a pequena retrospectiva do Jerzy Skolimowski.  Fica ai o meu texto escrito ano passado para a Revista Taturana:

Todo o Desarranjo do Mundo

Por Filipe Furtado

O grande evento mais discreto do cinema ano passado foi o retorno as telas de Jerzy Skolimowski após 17 anos sem filmar. Quatro Noites com Anna abriu a Quinzena dos Realizadores em Cannes com boas críticas e passou por boa parte do circuito de festivais internacionais (incluindo o do Rio) sem chamar muita atenção para si. O retorno quase ocorreu em outros termos, por anos seus fãs acompanharam noticias de uma adaptação de Na America de Susan Sontag com Isabelle Huppert no papel central. O retorno hipotético – o projeto oficialmente segue em pré-produção – garantiria outro tipo de atenção e até alguns holofotes sobre Skolimowski, mas Quatro Noites com Anna não deixa de ser o retorno ideal para seu cineasta: um filme miniatura orgulhosamente menor metade dele transcorrendo num quarto com as câmeras voltas para os movimentos de um só ator. O único grande evento é o próprio retorno do cineasta para seus poucos, mas devotados fãs. De quebra, trata-se do retorno de Skolimowski a sua Polônia natal, seu primeiro filme polonês desde 67.

Assim como seu conterrâneo Roman Polanski (para quem escreveu Faca na Água), Jerzy Skolimowski é um destes cineastas exilados cuja obra é a primeira vista transnacional com filmes na França, Inglaterra e EUA que variam da adaptação literária de prestígio (filmou Nabokov, Graves e Turgenev) ao pulp, de filmes rigorosamente construídos a outros completamente fragmentados. Apesar disso não só há uma grande unidade na maior parte da sua obra como a Polônia segue uma assombração mesmo sobre boa parte dos seus filmes ocidentais. De todos os cineastas do bloco comunista que emigraram ao ocidente no fim dos anos 60 (Passer, Forman, Polanski), Jerzy Skolimowski é o único que jamais abandonou sua terra natal mesmo que só dois dos seus filmes ocidentais lidem diretamente com a sua Polônia (A Classe Operária, O Sucesso é a Melhor Vingança).

Não deixa de ser reflexo da facilidade com que Skolimowski filma homens deslocados. Seus filmes expressam esta sensação de confusão e perda tão facilmente que muitos críticos não tem trabalham algum em localizar um discurso sobre exílio ali.Pensemos naquele que talvez seja seu melhor filme Ato Final (70): um adolescente inglês arranja trabalho numa sauna e lá se apaixona pela garota alguns anos mais velha que trabalha com ele que se aproveita da situação ao máximo. Um ponto de partida corriqueiro para um filme consideravelmente duro e cruel sobre adolescência. Podemos dizer que Skolimowski tem facilidade para se identificar com seu adolescente perdido, mas é bom também lembrarmos que cada um dos quatro filmes que ele fizera no seu pais natal se centram em personagens não muito diferentes deste jovem inglês. Para além disso a força de Ato Final deriva justamente da forma como o filme consegue apresentar uma experiência de adolescência muito reconhecível e preenche-la de situações muito especificas. Numa das melhores sequências o rapaz leva um cano (ou o que ele acredita ser um) e fica esperando junto a um carro de cachorro quente para matar o tempo ele começa a consumir um sanduíche atrás do outro mesmo muito depois de ficar claro que ele vai permanecer ali sozinha. Como se a maior história d horror de rejeição adolescente de alguém da produção fosse revivida ali com cores bem fortes.

Os dois primeiros longas de Skolimowski Rysopsis e Walkover se centram entorno de Andrzej (o próprio cineasta). Mesmo personagens, os mesmo sentimentos centrais (deslocamento, o panico da vida adulta), filmes radicalmente diferentes. Rysopis é um filme toda drenado, a neutralidade que o ator Skolimowski expressa tão bem domina a ação. Dentro do tal cinema moderno dos anos 60 poucos filmes parecem se esforçar tanto para anular a euforia do cinema. Existem muitos planos-seqüências cuidadosamente coreografados e a tensão inevitável quando existe uma data limite (Andrzej é informado logo no começo que precisa se apresentar ao serviço militar as três horas do dia seguinte), mas o filme segue dedicado ao seu retrato duro quase sem concessões. A exceção fica por uma excitante seqüência subjetiva enquanto Andrzej desce as pressas à escadaria do seu prédio. Raro momento de liberdade num filme previsto no afunilamento dela. Apesar da secura não se trata de um filme realista (o cineasta emprega a mesma atriz para os três principais papéis femininos). Rysopsis se assemelha mais a alguns filmes japoneses do período do que vinha se produzindo na Europa seja na sua crueldade, seja nas suas operações preferidas para desestabilizar o naturalismo. O filme simpatiza com a posição anti-social de Andrzej, mas não mostra mais do que curiosidade por ele.

Rysopsis termina com Andrzej pegando um trem e Walkower começa com ele descendo de um. A quase gag interna mais do que conectar os dois projetos diz muito sobre a mudança de tom aqui. Walkower é ainda mais rigorosamente construído, mas é um filme que respira com uma leveza bem distante de Rysopsis. A deadline aqui é muito mais abstrata e ao mesmo tempo real: Andrzej está beira dos 30 anos. Ele tem ainda menos raízes e se desespera ainda mais sobre a idéia de fincá-las. Walkower se distancia de Rysopsis sobretudo por ter uma empatia que a secura do estudo de caso do filme anterior impedia: Andrzej é lutador de boxe como Skolimowski e o filme o associa a poemas escritos pelo diretor. Entre Rysopsis e Walkower chegamos a primeira pessoa. Boa parte do filme se constrói entre elaborados planos seqüências em que Andrzej corteja uma ex-colega que encontra no seu retorno a Varsóvia. Walkower tem bem mais cenas de discussão que Rysopsis mas ambos são filmes impulsionados pela ação: os longos planos vão aos poucos sugerindo um completo desarranjo entre Andrzej e o mundo que ele desesperadamente tenta se afastar.

O filme e personagem finalmente alcançam seu habitat natural quando Andrzej sobe ao ringue. Boxe poucas vezes fez tão sentido do que quando Skolimowski está ali ele próprio disparando socos e sendo castigado em retorno. O cineasta filma o ringue de dentro sem nenhum interesse no tipo de tour de force hustoniano que Scorsese eternizaria mais tarde em Touro Indomável: boxe em Walkower é uma questão de corpos coreografados no plano. Não é a câmera que projeta energia, mas o próprio corpo do seu autor/ator que pode finalmente sair da posição defensiva e se liberar junto ao espectador. Walkower é a despeito de toda sua energia um filme ainda mais fatalista que Rysopsis: caminha de forma estreita até duas escolhas igualmente inúteis. O filme até nos nega seu retorno ao ringue e entrega só os rituais esvaziados do boxe amador. Até a recusa da responsabilidade leva a mediocridade. Walkower encontra seu palco e depois o esvazia.

Se entre Walkower e Rysopsis, qualquer sugestão de realismo se dissolvia e o filme aos poucos se estabelecia como um duelo entre seu protagonista e o mundo, Bariera intensifica o processo ainda mais. Jan Nowicki não tem nada da presença do ator Skolimowski e quase desaparece em meio ao mundo a sua volta que ganha tons de cinema fantástico. A atmosfera sobrenatural que ocasionalmente ecoavam nos planos-seqüências de Andrzej caminhando em Walkower se torna predominante aqui. A paisagem que Nowicki transpassa tem um inegável valor simbólico, mas Bariera nunca sugere abstração, seus sentimentos de inadequação por demais diretos para uma alegoria.

O filme se abre num elaborado jogo entre um grupo de universitários que tem como premio a oportunidade de largar a faculdade. Skolimowski sempre teve um bom olho para o potencial de intensidade do ritualístico e ele é mais que aparente aqui. Ao final desta primeira seqüência de que Bariera é um filme incomum, Skolimowski famosamente afirmou que sua mente sempre fora treinada por associações poéticas e que narrativa direta lhe elude e Bariera é o momento onde seu cinema dá o salto definitivo. Se Walkower e Rysopsis se construíam na relação entre ator Skolimowski e a sua câmera, em Bariera seu principal colaborador é o compositor Krzystof Komeda cuja música vai aos poucos se estabelecendo como verdadeiro texto do filme. Nosso verdadeiro guia pelo seu mundo. Enquanto progride, Bariera vai aos poucos criando uma fissura dentro deste universo no meio de seu variado de situações (nunca temos certeza se o que vemos faz parte da narrativa ou se trata de uma alucinação), o desarranjo de Andrzej retomado de forma ainda mais cristalina enquanto a tal barreira do título – a primeira vista simplesmente referente só ao velho e o novo – vai ganhando mais sentidos.

Bariera acrescentou um peso histórico sugerido somente a distancia nos filmes protagonizados por Andrzej com a II Guerra uma assombração ainda muito viva a despeito de ser uma memória distante para os jovens personagens do diretor. Skolimowski realizou um último filme na Polônia, Hands Up! aue acabou interditado pelo censores e permaneceu inédito. Depois de 13 anos em que o cineasta filmou majoritariamente na Inglaterra, o governo polonês lhe deu sinal verde para finalmente lançá-lo. Só que a esta altura fica a pergunta o que fazer com material que representa um momento muito especifico da Polônia e do seu cineasta perdido 13 anos no tempo. No lugar de simplesmente lançar Hands Up! em 1981, Skolimowski o reeditou e acrescentou um prólogo de 25 minutos em forma de filme diário. As duas partes do filme não dialogam diretamente, nada no diário posterior do cineasta clarifica os significados do filme posterior, ao invés disso, elas assombram uma a outra. Hands Up! estabelece uma ponte entre 67 e 81, um filme que termina sendo ele próprio uma fissura no tempo. O Hands Up! original é um happening teatral bem mais obtuso que os três longas anteriores, muito do seu sentido quase indecifrável sem um conhecimento razoável sobre a Polônia. Skolimowski sempre afirmou trata-se do seu trabalho favorito e o filme avança em direção a meia dúzia de minutos finais de espetáculo físico impressionante, mas o filme parece mais completo e focado neste seu estado eternamente transitório entre dois momentos, o fim dos anos 60 e o surgimento de Lech Walessa.

Holds Up! devolveu a Polônia ao centro das preocupações do cineasta, o resto da sua produção dos anos 80 toda voltada para um dialogo com seu país do ponto de vista de um artista expatriado. A Classe Operária e O Sucesso é a Melhor Vingança são estudos em contrastes; o primeiro – único filme na obra do diretor a alcançar alguma popularidade fora do circulo dos seus cultores – equilibra uma construção clássica com a improvisação diária no set proveniente da decisão de incorporar a corte marcial baixada no seu país natal durante as filmagens, enquanto o segundo – uma produção bem maior – é deliberadamente fragmentado e descentralizado. Ambos os filmes fazem uso extensivo da residência londrina do cineasta. Curiosamente o clássico A Classe Operária é de um frescor maior que o jogo de espelhos ultra moderno de O Sucesso é a Melhor Vingança.

A Classe Operária é quase um filme de ação. Tudo nele se resolve em atividades concretas. Enquanto O Sucesso é um filme todo construído sobre possíveis discursos sobre a Polônia, os personagens de A Classe Operária só podem se concentrar no momento seguinte. Temos um grupo de operários poloneses lançados ilegalmente em Londres para reformar uma casa de algum figurão em quatro semanas. Apenas o mais jovem deles Nowak (Jeremy Irons) fala qualquer palavra de inglês e enquanto a obra atrasa, o orçamento para sobrevivência se revela consideravelmente enxuto e seu país natal entra em crise, Nowak começa a tomar decisões progressivamente extremas para concluir o trabalho: manter seus homens no escuro sobre as noticias, alterar relógios de forma a tornar a jornada de trabalho mais longa e algumas soluções bem criativas para multiplicar as compras (digamos apenas que cada cena passada num supermercado é um clássico). O elenco de apoio polonês é a melhor companhia de comediantes mudos de todo o cinema e Irons isolado na maior parte do tempo faz um solo quase silencioso num trabalho de cinema físico impressionante. Como tradução do exílio, isolamento, de ter de viver no tempo presente – nenhuma margem de segurança, somente cada momento contando – a poucos paralelos para esta bela e triste comedia.

Depois do sucesso de A Classe Operária, o cineasta fez o fascinante e caótico O Sucesso é a Melhor Vingança e uma série de adaptações literárias (a melhor sem dúvidas The Lightship entre o filme de câmara e o thirller) antes de entrar num longo sabático em que se dedicou a sua carreira paralela de pintor. O que nos traz de volta a Quatro Noites com Anna. Um filme simplíssimo sobre o desajeitado e desagradável voyeur que passa seus dias e noites obcecado por uma enfermeira. È um filme de mestre impecavelmente controlado nos seus pouquíssimos elementos de cena – da secura da paleta de cores da fotografia as poucas locações e atores. Estamos muito distantes dos jovens desorientados dos seus primeiros longas e da necessidade de tentar dialogar com seu pais distante de Classe Operaria e da versão 2.0 de Hands Up!, mas lá está o mesmo absurdo, a mesma confusão perante ao mundo. Jerzy Skolimowski é um dos grandes cineastas pouquíssimo reconhecidos, a precisão de Quatro Noites com Anna só reafirma isso.

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Blog de volta a ativa


Desculpem pelos meus necessários 3 meses parados, mas o blog agora volta a atividade.

Amanhã chego ao Rio e começo a cobertura do Festival no esquema tradicional aqui do blog (cotações com comentarios curtos). Textos de mais folego devem aparecer na Cinética.

Além do visual novo devem ter algumas outras novidades daqui até o final do ano.

A série do Hawks retoma logo que a correria Festival do Rio/Mostra de São Paulo terminar, ou seja no começo de Novembro.

Paulistanos não deixem de acompanhar a Mostra John Ford. Informações no site.

Fica aqui também o link para o meu texto sobre Napoli Napoli Napoli do Abel Ferrara lá na Cinética.

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Revisitando Howard Hawks, semana 3: Fazil (1928)

Fazil sugere um verdadeiro filme de terror sobre casamento.  Trata-se de um romance exótico entre o príncipe árabe do título e uma burguesa francesa. O tom perverso da narrativa, assim como certas opções visuais sugerem Josef Von Sternberg – para quem Hawks recentemente escrevera Underworld – muito mais que outros romances de fundo exótico da época. Fazil (Charles Farrell) conhece sua noiva (Greta Nissen) numa viagem a Veneza; fazem ótimo sexo (estamos ainda alguns anos antes do Código Hays), se casam no impulso e só depois percebem que nenhum dos dois está disposto a se mover minimamente dentro dos seus hábitos culturais. Segue uma hora em que cada sem intenção tortura constantemente o outro.

Não há nada na filmografia de Hawks similar a Fazil, mas trata-se menos de uma questão de tom ou tema do que de apresentação. Geralmente seus filmes mais carregados e apocalípticos são comédias que por conta disso disfarçam parcialmente seu conteúdo (pensemos em como reduzido a sua essência Levada da Breca é sobre uma mulher que sistematicamente destrói toda a vida de um homem), mas aqui estamos no terreno do melodrama mais direto possível acompanhada de um considerável toque de crueldade que o diretor só ocasionalmente reserva a alguns personagens a margem das suas tramas.

O material ao contrário de Paid to Love parece genuinamente interessar muito ao cineasta.  Hawks se esforça muito em tornar os particulares específicos da relação dos protagonistas ganharem uma força extra e parece especialmente preocupado em torná-lo mais universal que um simples choque cultural. Voltando ao que dissemos antes Fazil se revela após sua charmosa meia hora inicial um cruel filme de horror sobre matrimonio e é bem claro que seu cineasta vê seu material como o pior final possível para qualquer relação e não só entre um árabe e uma ocidental. É justamente ênfase que o filme que ganha uma força bem maior que o romance exótico que o material a primeira vista sugere.

Hawks também parece muito mais envolvido na busca de boas soluções para o material. Se uma encomenda como Paid to Love só pode ser energizada as margens,  um filme como Fazil apesar de provavelmente ser igualmente efeito da falta de controle do cineasta sobre a carreira, é possível encontrar os toques particulares no centro do material. A primeira meia hora em particular e cheia do tipo de pequenas boas saídas (como o primeiro encontro do casal). Muito por conta disso Fazil soa como um típico filme de Hawks sem o gesso que o material a principio alienígena poderia criar. Não é uma questão do que, mas de como. Boa parte do cinema de Hawks parte do principio da gerencia de situações e um filme estrangeiro bem sucedido como este Fazil termina uma bela aula de como este processo se realiza. Não surpreende que o filme esteja no seu melhor no flerte da primeira parte e no ato final que tem uma precisão e lógica langiana. O tom sufocante da parte final segue a mesma lógica de gerenciamento das situações da corte cheia de possibilidades do príncipio.

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Descobrindo o Cinema Filipino

Bela mostra organizada no CCBB (São Paulo de 9 a 27/6, Rio de 29/6 a 15/7 e Brasilia de 13/7 a 1/8) pelos ex-Contracampo Leonardo Levis e Raphael Mesquita. A seleção é excelente e inclui todos os nomes mais badalados do novo cinema filipino (Lav Diaz, Raya Martin, John Torres, Khavn de la Cruz, Brillante Mendoza), assim como clássicos de Lino Brocka, Ishmael Bernal, Mike De Leon e Kindlat  Tahmik.

Como já disse aqui algumas vezes, o cinema filipino recente está entre os mais interessantes realizados hoje e a seleção da mostra é quase toda de inéditos (salvo por Independencia, Melancolia, Serbis e Kinatay, e mesmo assim nenhum destes filmes passou no Rio ou Brasilia).

Recomendo a sério tentar ver o máximo de títulos possiveis, irei até sacrificar alguns jogos da Copa pela mostra.

Programação, sinopses e alguns artigos sobre os filmes estão disponiveis no site oficial.

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Segurança Nacional

Crítica na Cinética.

Também na Cinética repostaram minha crítica de Solo do Ugo Giorgetti da época da Mostra.

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