Late Capitalism’s Death Wish

uncutgems

(versão em português aqui)

So, let’s talk a little about addiction. I’m 38 years old and I’m a Boston Celtics addict. I put far too much investment in a dumb basketball team, it keeps me going in some depressive periods, it gives me fool’s gold hopes, it brings way too much stress into my life. I’m enough of a Celtics addict I have perfect recollections of the night that serves as the backdrop for the climax of the new Safdie brothers’ film Uncut Gems. I was stuck at my twin cousins 15 year birthday obsessively checking my brother phone while cursing them, the rest of my family and obligatory social events, the stupid Celtics team that should’ve closed the series a couple of games before, every player who was bricking shots that night (and that game was awful), it must’ve been one of the most stressful nights of my life (I certainly thought as many F-bombs through those two hours as people drop in this movie) and when it ended with a win, I didn’t thought none of that was unhealthy, but I got a high and I was talking myself into “Miami is hurt we can beat them, maybe this is the year we get all the right breaks, God own one of those for us” (spoiler: we lost). Uncut Gems get into that obsessive/compulsive mentality much better than most films on the subject, it also expands it to connect it with late capitalist delusions and exploitation with richness few current movies achieved.

Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Filmes

A Pulsão da Morte do Capitalismo Tardio

uncutgems

(English version here)

Então, vamos falar um pouco de vício. Eu tenho 38 anos e sou viciado nos Boston Celtics. Eu coloco um investimento pessoal exagerado num time idiota de basquete, me ajuda a me manter nos momentos depressivos, me dá esperanças tolas, traz stress demais para a minha vida. Sou viciado o suficiente nos Celtics para ter memorias perfeitas da noite que serve de pano de fundo para o clímax de Joias Brutas, o novo filme dos irmãos Safdie. Eu estava preso no aniversário de 15 anos das minhas primas gêmeas checando sem parar o telefone do meu irmão enquanto xingava elas, o resto da minha família e a obrigação de certos eventos sociais, o time estúpido do Celtics que deveria ter fechado a série uns dois jogos antes, cada jogador que amassava o aro (e foi um jogo horrível), deve ter sido uma das noites mais estressantes da minha vida (eu certamente pensei em tantos palavrões durante aquelas duas horas quanto são ditos ao longo desse filme) e quando o jogo acabou em vitória, eu não achei nada daquilo pouco saudável, mas fiquei excitado e comecei a me convencer “Miami está contundida, quem sabe este é o ano em que tudo dará certo para nós, Deus nos deve uma dessas” (spoiler: perdemos). Joias Brutas compreende essa mentalidade obsessiva/compulsiva melhor que a maioria dos filmes sobre o tema. Ele também a expande conectando-a com exploração e ilusões do capitalismo tardio como poucos filmes recentes conseguiram.

Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Filmes

A Body Before Law and Order

richardjewell

(versão em português aqui)

There is a lot in common between Clint Eastwood’s Richard Jewell and Sully, not so much how they both start from the exactly same premise (a man saves the lives of hundreds and then has to deal with government investigation about him), but because both are films that exist mainly through gestures and reactions.In the earlier film, there’s an event (an almost aerial disaster) that did not last for more than a few minutes, which was then observed and stretched in order to account for each reaction at all stages of rescue response.Richard Jewell has a more conventional biopic and character study structure, but it is a film built entirely on the body of actor Paul Walter Hauser and how he reacts to each situation.Sully’s dramatic arc in so far as it had one was written in the body language of Tom Hanks and Aaron Eckhart and how those few minutes in the cockpit bond them, so Richard Jewell’s drama is presented less through the actions of its screenplay, but in the form with Hauser’s demeanor changes over the course of his martyrdom.

Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Filmes

Um Corpo Perante a Lei e Ordem

richardjewell

(English version here)

Há um forte ponto de contato entre Richard Jewell e Sully de Clint Eastwood, nem tanto ambos partirem da mesma premissa (um homem salva a vida de centenas e depois tem que lidar com investigação governamental sobre a sua pessoa), mas porque ambos são filmes que existem sobretudo através de gestos e reações. No filme anterior tínhamos um evento (um quase desastre aéreo) que de todo durava poucos minutos, observado e esticado de forma a dar conta de cada reação em todas as etapas de primeiro socorro. Richard Jewell tem uma estrutura mais convencional de cinebiografia e estudo de personagem, mas é um filme todo construído sobre o corpo do ator Paul Walter Hauser e como ele reage a cada situação. A curva dramática de Sully no que ela existia estava escrita na linguagem corporal de Tom Hanks e Aaron Eckhart e como aqueles poucos minutos no cockpit os uniram, da mesma forma a dramaturgia de Richard Jewell se resolve menos através das ações do seu roteiro, mas na forma com que o porte de Hauser se transforma ao longo do seu martírio.

Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Filmes

Shadows of Disorder

Dwan

(versão em português aqui)

Article originally published in the online book Allan Dwan: a dossier (2013), edited by Gina Telaroli and David Phelps, whom I will always thank for both the invitation and trust (as well as cleaning up my translation).  The complete book remains available at the Spanish magazine Lumiere and it is still the most complete critical study published on the American cinema pioneer. This is mostly on 1939’s Frontier Marshal, but tries to place it through larger tendencies of Dwan’s filmmaking.

Allan Dwan never hid his taste for comedy. It’s not unjust to say that, something like Howard Hawks, he is a filmmaker who express himself in a manner that is essentially comic. We need, however, to understand that comedy according to Dwan is not a matter of jokes or lighter treatment of minor subjects (as Peter Bogdanovich suggests when dealing with the 50s films in his The Last Pioneer), but the formation of a certain perspective. It is a style that reaches its peak in the pre-code days (ironically, one of the filmmaker’s least productive phases), a style which Dwan was one of the few to continue employing later.  A good example of can be seen in his most famous postwar film, Silver Lode, whose script might at first suggest a B movie High Noon knock-off. Dwan’s own point of view, however, skews things in another direction. The series of misfortunes, often exacerbated by bad timing, piling up over an wrongly accused man (John Payne), making even his most plausible explanations seem suspicious, suggest something much closer to a screwball comedy like Bringing Up Baby, which, after all, is also basically about a man whose perfect life is systematically destroyed by another person’s will.

Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Filmes

Sombras da Desordem

Dwan

(English version here)

O Making Off vem disponibilizando vários filmes do Allan Dwan e aproveito para republicar artigo originalmente publicado no livro online Allan Dwan: a dossier (2013), organizado pela Gina Telaroli e David Phelps, aos quais agradeço muito o convite e confiança.  O livro completo segue no site da revista espanhola Lumiere e deve ser o que de mais completo se publicou sobre o pioneiro do cinema americano. É um artigo sobretudo sobre Frontier Marshal de 1939, mas procura localiza-lo em tendências gerais do cinema de Dwan.

Allan Dwan nunca escondeu seu gosto pela comédia. Um pouco como Howard Hawks, não é injusto dizer que se trata de um diretor que se expressa de uma maneira essencialmente cômica. É preciso, porém, compreender que a comédia segundo Dwan não se trata de uma questão de piadas ou de um tratamento ligeiro sobre temas menores (como Peter Bogdanovich sugere quando trata da fase anos 50 no seu The Last Pioneer), mas de construção de um olhar. É uma maneira que alcançou seu auge nos anos pré-código (por ironia um dos períodos menos produtivos do cineasta) e que Dwan permaneceu um dos poucos cultores posteriormente. Um bom exemplo disso podemos ver no seu filme mais famoso do pós guerra Silver Lode, a princípio seu roteiro sugere uma imitação B de High Noon, mas o olhar que Dwan lhe impõe lhe empurra noutra direção: a forma como a série de infortúnios se acumulam sobre o homem acusado injustamente (John Payne) frequentemente piorados pelo mau timing que torna justificativas mais que aceitáveis em afirmações muito suspeitas sugere algo mais próximo de uma comédia screwball como Bringing Up Baby que afinal na sua essência também tratava de um homem cuja vida aparentemente perfeita era sistematicamente destruída pela vontade de uma outra pessoa.

Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Filmes

Seijun Suzuki – An Annotated Filmography (1964-2005)

suzukiheader2

(Versão em português aqui)
(First part here)

Second part of the anointed fillmography covering the final years at Nikkatsu and Suzuki’s independent period.

Continuar lendo

3 Comentários

Arquivado em Filmes

Seijun Suzuki – Uma Filmografia Comentada (1964-2005)

suzukiheader2

(English version here)
(Primeira parte aqui)

Segunda parte da filmografia comentada atravessando os anos finais de Nikkatsu e os filmes do período independente.

Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Filmes

Seijun Suzuki – An Annotated Filmography (1956-1963)

suzukiheader1
(Versão em português aqui)
(Second part here)

There is a large Seijun Suzuki retrospective starting in São Paulo this week at the Moreira Salles Institute with 17 features including 15 35mm prints. To mark the date, I’m choosing Suzuki to start a new section in the blog for anointed filmographies. The first part here covers the period between 1956 and 1963, in through 7 years he shot around 30 cheap films for Nikkatsu studios (21 of which are covered below). This is a very enriching exercise given that Suzuki oeuvre remains only through a few key works, above all Tokyo Drifter and Branded to Kill eccentric masterworks of Yakuza cinema, and there is many distortions and questionable perceptions around this films, particularly those of this “less mature” period. The second part should arrive Wednesday covering another 24 films between 1964 and his final 2005 feature.

Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Filmes

Seijun Suzuki – Uma Filmografia Comentada (1956-1963)

suzukiheader1
(English version here)
(Segunda parte aqui)

A partir desta terça começa uma grande retrospectiva do Seijun Suzuki no Instituto Moreira Salles de São Paulo com 17 longas incluindo 15 em 35mm. Para comemorar a data início aqui uma nova seção do blog dedicada a filmografias comentadas. A primeira parte aqui cobre o período entre 1956 e 1963, no qual em 7 anos ele filmou cerca de 30 produções baratas para o estúdio Nikkatsu (21 dos quais estão comentados abaixo). Esse é um exercício bem enriquecedor já que a obra de Suzuki segue conhecida por alguns poucos filmes chave, sobretudo O Vadio de Tóquio e A Marca do Assassino obras primas excêntricas do filme de Yakuza, e existe muitas distorções de percepção sobre estes filmes em particular desta fase “menos madura”. A segunda parte deve seguir na quarta com mais 24 filmes entre 1964 e seu último longa em 2005.

Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Filmes

Ivan Passer (1933-2020) (English)

passer

Cutter’s Way

(versão em português aqui)

The way to get me interested in anything is to tell me it’s impossible to make. – Ivan Passer

Czech filmmaker Ivan Passer died last thursday.I have written about him here before and there’s few careers that fascinate me more in recent decades.He directed one of the best films of the local New Wave (Intimate Lighting) and co-wrote the first Milos Forman films (Loves of a Blonde, The Fireman’s Ball, Audition), then emigrated to the West post Prague Spring like so many other Eastern European talents and things become much more odd and subterranean.Between 1971 and 2000, Passer directed 13 films, occasionally working with famous stars (Michael Caine, Jeff Bridges, Peter O’Toole, Robert Duvall, Omar Sharif) almost always in their films that no one has seen.Three decades as a kind of ghost of East European absurdism in Hollywood.

Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Filmes

Ivan Passer (1933-2020)

passer

Cutter’s Way

(English version here)

A forma de me deixar interessado em algo é me dizer que é impossível de fazer. – Ivan Passer

Faleceu na última quinta-feira o cineasta checo Ivan Passer. Já escrevi sobre ele aqui antes e tem poucas carreiras que me fascinam mais nas últimas décadas. Ele dirigiu um dos melhores filmes do Cinema Novo local (Iluminação Intima) e co-escreveu os primeiros filmes do Milos Forman (Amores de uma Loira, Baile do Bombeiro, Audition), então emigrou para o ocidente pós Primavera de Praga como tantos outros talentos do leste europeu e as coisas se tornam bem mais peculiares e subterrâneas. Entre 1971 e 2000, Passer dirigiu 13 filmes, ocasionalmente trabalhando com estrelas famosas (Michael Caine, Jeff Bridges, Peter O’Toole, Robert Duvall, Omar Sharif) quase sempre em filmes delas que ninguém viu.  Três décadas como uma espécie de fantasma do absurdismo do leste europeu em Hollywood.

Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Filmes

A Subversive Pedagogy

thespookwhosatbythedoor

(versão em português aqui)

Released in 1973 at the peak of Blaxploitation era, The Spook Who Sat by the Door may at first suggest one of the many established genres variations that were popular during the cycle, but it is not a satire of spy movies, even if it openly plays with elements of the genre for subversive purposes.In fact, The Spook Who Sat By the Door’s premise cannot be more delicious: a senator looking for a good electoral theme decides that the CIA has no black agent and the agency is obliged to make an affirmative hiring, the winner. spends five years there as an unremarked ghost, and after leaving the government, he uses his agency skills to begin a Black uprising.

Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Filmes

Pedagogia da Subversão

thespookwhosatbythedoor

(English version here)

Como foi lançado em 1973 no pico do Blaxploitation, The Spook Who Sat by the Door pode sugerir a princípio uma das muitas variações de gêneros estabelecidos que foram populares na época, mas não se trata de uma sátira a filmes de espionagem, mesmo que abertamente lance mão de elementos do gênero para fins subversivos.  Na verdade, a premissa de The Spook Who Sat By the Door não pode ser mais saborosa: um senador a procura de um bom tema eleitoral decide que a CIA não tem nenhum agente negro e a agencia é obrigada a fazer uma contratação afirmativa, o vencedor passa cinco anos lá como um fantasma subestimado e quando deixa o governo faz uso dos conhecimentos adquiridos na agência para começar uma insurreição negra.

Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Filmes

Some favorites seen for the first time in 2019

(Versão em português aqui)

A few remarks on the first 25 and then the remaining are only listed.

Beggars of Life (William A. Wellman, 1928)2019fav001
William Wellman had just recent directed the very popular Wings, when he take the opposite direction and made this film about two young lovers on the run in the middle of American train hobos. In some ways, it suggests the social films made during the great depression inclusing Wellman’s own masterpiece Wild Boys of the Road that revisit much of the same territory. Rough, very unsentimental and with beautiful performance from Louise Brooks that is far away from the work she would do for Pabst and Hawks a little later.

Sadie Thompson (Raoul Walsh, 1928)
2019fav002
A dissolution tale with a large variety of registers. A triangle of different worldviews that Walsh allows space to resonate. In the middle of all a illuminated Gloria Swanson. It is also a rare opportunity of seeing Walsh on screen a little before the accident that ended his acting career.

The Last Flight (William Dieterle, 1931)
2019fav003
This was the first American film from William Dieterle and some of its force comes from how it remains suspended between two continents.  The masochist pragmatism in front of the remains of war come from US, but the sense of desperation comes from Europe that serve as stage from the conflict and amplifies everyone’s impotence.

Other Men’s Women (William A. Wellman, 1931)
2019fav004
Wellman filming the romance between American working class men in the middle of train lines that are cinematographic as usual. It remind me of the best Jean Renoir did in his Popular front days.

Safe in Hell (William A. Wellman, 1931)
2019fav005
One of the best things about Wellman’s movies from this era  i show ecletic they are both in subjects and even inside themselves changing registers with great freedom. Safe in Hell is almost exactly reversal of Other Men’s Women from its focus on women to its exotic near abstract setting. Like many of the director’s films, it is a movie about civilization and its frontiers, here filtered through a woman dealing with a place where no pretenses of it arrived. Safe in Hell movies with assurance between the moral dramaand a specificity of gesture in the many negotiations that Dorothy Mackail need to stabilish through its short duration.

Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Filmes