Os filmes que seguem inéditos aqui

Kommunisten, de Jean-Marie Straub

Kommunisten, de Jean-Marie Straub

Assim como fiz ano passado, alguns títulos que seguem sem exibição por aqui após o período de festivais. Entre o Olhar de Cinema, Fronteira e o Indie o cenário melhorou bastante por aqui com muitos títulos relevantes como o Hard to be a Good do German ou o Seventh Code do Kurosawa encontrando seu espaço apesar da nossa mídia e cinefilia ainda ser muito presa a dicotomia Festival do Rio/Mostra SP (vale acrescentar ai neste cenário alguns outros eventos como Panorama em Salvador e a Janela do Recife).

Aberdeen (Pang Ho-Cheung)
Actress (Robert Greene)
The Airstrip (Heinz Emigholz)
All the Light in the Sky (Joe Swanberg)
Amour Fou (Jessica Hausner)
Belluscone, una Storia Siciliana (Franco Maresco)
La Chambre Bleue (Mattieu Amalric)
Cymbeline (Michael Almereyda)
Da Sweet Blood of Jesus (Spike Lee)
Daughters (Maria Speth)
Don’t Go Breaking My Heart 2 (Johnnie To)
Faux Accords (Paul Vechialli)
Favula (Raul Perrone)
The Golden Era (Ann Hui)
Le Grand Homme (Sarah Leonor)
Hill of Freedom (Hong Song-soo)
Hold Your Breath Like a Lover (Kohei Igarashi)
Kommunisten (Jean-Marie Straub)
The Look of Silence (Josua Oppenheimer)
A Mãe e o Mar (Gonçalo Tocha)
The Men Who Save the World (Liew Seng Tat)
Mange Tes Morts (Jean-Charles Hue)
The Midnight After (Fruit Chan)
Natural History (James Benning)
O Novo Testamento de Jesus Cristo Segundo João (Joaquim Pinto e Nuno Leonel)
Pas Son Genre (Lucas Belvaux)
Pasolini (Abel Ferrara)
Phantom Power (Pierre Leon)
Phoenix (Christian Petzold)
Revivre (Im Kwon Taek)
She’s Funny That Way (Peter Bogdanovich)
Sosialismi (Peter Von Bagh)
Superegos (Benjamin Heisenberg)
The Tale of Princess Kaguya (Isao Takahata)
La Vie Sauvage (Cedric Kahn)

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Mostra 2014

Los Angeles por Ela Mesma, de Thom Andersen

Los Angeles por Ela Mesma, de Thom Andersen

Como sempre faço uma lista de indicações para Mostra. Está divida em 3 blocos, os dois primeiros tem 10 filmes cada e são recomendações mais fortes. Asterisco indica que eu já vi o filme.

A MOÇA E OS MÉDICOS (TIREZ LA LANGUE, MADEMOISELLE), de Axelle Ropert (100′). FRANÇA.
A PROFESSORA DO JARDIM DE INFÂNCIA (HAGANENET), de Nadav Lapid (119′). ISRAEL, FRANÇA.
*DETETIVE D: O DRAGÃO DO MAR (DI RENJIE: SHEN DU LONG WANG), de Hark Tsui (130′). CHINA.
*DO QUE VEM ANTES (MULA SA KUNG ANO ANG NOON), de Lav Diaz (338′). FILIPINAS.
JAUJA (JAUJA), de Lisandro Alonso (108′). ARGENTINA, DINAMARCA, FRANÇA, MÉXICO, EUA, ALEMANHA E BRASIL.
NOITES BRANCAS NO PÍER (NUITS BLANCHES SUR LA JETÉE), de Paul Vecchiali (94′). FRANÇA.
O VELHO DO RESTELO, de Manoel de Oliveira(19′). (o Alentejo, Alentejo que passa com ele estaria na terceira lista)
OS CONVIDADOS (THE GUESTS), de Ken Jacobs (79′). ESTADOS UNIDOS.
QUEEN & COUNTRY (QUEEN & COUNTRY), de John Boorman (115′). REINO UNIDO.
UM POMBO POUSOU NUM GALHO REFLETINDO SOBRE A EXISTÊNCIA (EN DUVA SATT PÅ EN GREN OCH FUNDERADE PÅ TILLVARON), de Roy Andersson (100′). SUÉCIA, ALEMANHA, NORUEGA, FRANÇA.

A VIDA INVISÍVEL (A VIDA INVISÍVEL), de Vítor Gonçalves (99′). PORTUGAL.
ACIMA DAS NUVENS (CLOUDS OF SILS MARIA), de Olivier Assayas (123′). FRANÇA, SUIÇA, ALEMANHA.
CARTA A UM PAI (CARTA A UN PADRE), de Edgardo Cozarinsky (70′). ARGENTINA, FRANÇA.
*COM OS PUNHOS CERRADOS (COM OS PUNHOS CERRADOS), de Luiz Pretti, Pedro Diogenes, Ricardo Pretti (74′). BRASIL.
*COSTA DA MORTE (COSTA DA MORTE), de Lois Patiño (84′). ESPANHA.
DOIS DIAS, UMA NOITE (DEUX JOURS, UNE NUIT), de Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne (95′). BÉLGICA, FRANÇA, ITÁLIA.
DUAS IRMÃS, UMA PAIXÃO (DIE GELIEBTEN SCHWESTERN), de Dominik Graf (138′). ALEMANHA, AUSTRIA, SUIÇA.
ELA VOLTA NA QUINTA (ELA VOLTA NA QUINTA), de André Novais Oliveira (108′). BRASIL.
MINHA AMIGA VICTORIA (MY FRIEND VICTORIA), de Jean Paul Civeyrac (95′). FRANÇA.
PÁSSARO BRANCO NA NEVASCA (WHITE BIRD IN A BLIZZARD), de Gregg Araki (91′). FRANÇA, ESTADOS UNIDOS.

A CIDADE IMAGINARIA (A CIDADE IMAGINARIA), de Ugo Giorgetti (52′). BRASIL.
A COR QUE CAIU DO CÉU (EL COLOR QUE CAYO DEL CIELO), de Sergio Wolf (75′). ARGENTINA.
A HISTÓRIA DA ETERNIDADE (A HISTÓRIA DA ETERNIDADE), de CAMILO CAVALCANTE (120′). BRASIL.
A PEQUENA CASA (CHIISAI OUCHI), de Yoji Yamada (136′). JAPÃO.
A SELVA INTERIOR (LA JUNGLA INTERIOR), de Juan Barrero (80′). ESPANHA.
A VIDA PRIVADA DOS HIPOPÓTAMOS (A VIDA PRIVADA DOS HIPOPÓTAMOS), de Maíra Bühler, Matias Mariani (91′). BRASIL.
AMOR À PRIMEIRA BRIGA (LES COMBATTANTS), de Thomas Cailley (98′). FRANÇA.
ARRAIANOS (ARRAIANOS), de Eloy Enciso Cachafeiro (70′). ESPANHA.
AS BRUXAS DE ZUGARRAMURDI (LAS BRUJAS DE ZUGARRAMURDI), de Álex de la Iglesia (114′). ESPANHA,FRANÇA.
AS MARAVILHAS (LE MERAVIGLIE), de Alice Rohrwacher (111′). ITÁLIA,SUÍÇA,ALEMANHA.
AS NOITES BRANCAS DO CARTEIRO (BELYE NOCHI POCHTALONA ALEKSEYA TRYAPITSYNA), de Andrei Konchalovskiy (110′). RUSSIA.
AU FIL D’ARIANE (AU FIL D’ARIANE), de Robert Guédiguian (92′). FRANÇA.
AUSÊNCIA (AUSÊNCIA), de Chico Teixeira (87′). BRASIL.
BAAL (BAAL), de Volker Schlöndorff (88′). ALEMANHA.
*BRANCO SAI PRETO FICA (BRANCO SAI PRETO FICA), de ADIRLEY QUEIRÓS (93′). BRASIL.
*CAMPO DE JOGO (CAMPO DE JOGO), de Eryk Rocha (71′). BRASIL.
CASA GRANDE (CASA GRANDE), de Fellipe Barbosa (114′). BRASIL.
CASTANHA (CASTANHA), de Davi Pretto (95′). BRASIL.
DÓLARES DE AREIA (DOLARES DE ARENA), de Laura Amelia Guzmán, Israel Cárdenas (85′). REP. DOMINICANA, MÉXICO, ARGENTINA.
EL MUDO (EL MUDO), de Daniel Vega, Diego Vega (86′). PERU, FRANÇA, MEXICO.
ESTRELA CADENTE (STELLA CADENTE), de Lluís Miñarro (105′). ESPANHA.
FORÇA MAIOR (TURIST), de Ruben Ostlund (118′). SUÉCIA , DINAMARCA, NORUEGA.
MAPA (MAPA), de Leon Siminiani (85′). ESPANHA.
NON FICTION DIARY (NON FICTION DIARY), de JUNG Yoon-suk (93′). CORÉIA DO SUL.
O FIM DE UMA ERA (O FIM DE UMA ERA), de Bruno Safadi, Ricardo Pretti (70′). BRASIL.
O HOMEM QUE ELAS AMAVAM DEMAIS (L´HOMME QU´ON AIMAIT TROP), de André Téchiné (116′). FRANÇA.
O PEQUENO QUINQUIN (P’TIT QUINQUIN), de Bruno Dumont (200′). FRANÇA.
OBRA (OBRA), de Gregorio Graziosi (80′). BRASIL.
OPIUM (OPIUM), de Arielle Dombasle (77′). FRANÇA.
OS MAIAS – CENAS DA VIDA ROMÂNTICA (OS MAIAS – CENAS DA VIDA ROMÂNTICA), de João Botelho (133′). BRASIL,PORTUGAL.
PARIS DO NORTE (PARÍS NORÐURSINS), de Hafsteinn Gunnar Sigurðsson (95′). ISLÂNDIA.
PERÍODO DE GESTAÇÃO (UNCERTAIN TERMS), de Nathan Silver (74′). ESTADOS UNIDOS.
PERMANÊNCIA (PERMANÊNCIA), de Leonardo Lacca (90′). BRASIL.
PORQUE EU ERA PINTOR (PARCE QUE J’ÉTAIS PEINTRE), de Christophe Cognet (104′). FRANÇA, ALEMANHA.
PROMETO UM DIA DEIXAR ESSA CIDADE (PROMETO UM DIA DEIXAR ESSA CIDADE), de Daniel Aragão (90′). BRASIL.
RETORNO A ÍTACA (RETOUR À ITHAQUE), de Laurent Cantet (95′). FRANÇA.
RHINO SEASON (FASLE KARGADAN), de Bahman Ghobadi (88′). IRÃ, IRAQUE, TURQUIA.
RUA SECRETA (SHUIYIN JIE), de Vivian Qu (94′). CHINA.
SINFONIA DA NECRÓPOLE (SINFONIA DA NECRÓPOLE), de Juliana Rojas (85′). BRASIL.
TRISTEZA E ALEGRIA (SORG OG GLÆDE), de Nils Malmros (107′). DINAMARCA.
*VENTOS DE AGOSTO (VENTOS DE AGOSTO), de Gabriel Mascaro (77′). BRASIL.
WINTER SLEEP (KIS UYKUSU), de Nuri Bilge Ceylan (196′). TURQUIA, ALEMANHA, FRANÇA.

Além disse como sempre vale destacar as retrospectivas e cópias de filmes restaurados que como sempre são um ponto forte da Mostra. A homenagem ao Victor Erice apesar de infelizmente não contar com seus curtas é obrigatória para quem não conhece. Nunca vi nada do Noboru Nakamura, mas o Sérgio Alpendre que conhece cinema japonês melhor do que eu recomendo-o bastante especalmente Lar Doce Lar e Paixão Mórbida. Dentro da retrospectiva do Marin Karmitz, destaco em especial Melo (Resnais), Salto no Vazio (Bellocchio) e Conto de Cinema (meu Hong Sang-soo favorito).

Meus grandes destaques porém ficam por conta das exibições de Los Angeles por Ela Mesma do Thom Andersen e Anna do Alberto Grifi e Massimo Sarchielli, ambos são filmes bem longos, mas essenciais e são oportunidade raras de ver no cinema.

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Bem Vindo a Nova York (Abel Ferrara, 2014)

Welcome to New York

Revisto, desta vez no cinema, o que ajuda a reforçar idéias e também jogar luz em algumas novas. O filme de Ferrara tem duas aberturas: uma entrevista encenada com Depardieu no qual ele responde sobre o porque aceitou o papel e uma cartela que esclarece que o filme foi inspirado no caso da prisão de Dominique Strauss-Kahn, mas é uma peça de ficção. Estão ali as duas personagens cujo imaginário domina a ação: Depardieu (e toda a carga que traz consigo hoje, tanto de seu passado como ator, mas também a da figura em desgraça pública hoje) e de DSK. O filme todo é carregado de informações, locações, pontas de figuras verídicas associadas ao caso. Muita informação, muito trabalho de pesquisa e toda uma pretensa autenticidade, só amplificada pelo corpo de Depardieu (exposto sempre) que entrega uma segunda verdade e associações tanto sobre a figura Depardieu como a DSK. O filme, porém, trabalha na direção de dissolver toda esta autenticidade em luz, formas, sombras. Se num filme como A Hora Mais Escura, a informação parece bastar como um valor em si, em Bem Vindo a Nova York ela é só um primeiro passo, a pretensa autenticidade é um ponto de partida que precisa ser superado para chegar numa ideia plena de representação. O filme tem três atos: um primeiro de ficção softcore, um segundo de processo policial-jurídico e por fim um terceiro de drama de câmara com Depardieu e Jacqueline Bisset a trocar acusações e rancores no apartamento que serve de sua prisão domiciliar. Nos dois primeiros, opera-se o tempo todo a partir da ideia de ir além da força documental (e diz muito sobre o gênio de Ferrara de que ele trate pornografia e o policial realista como oriundos de um mesmo processo) até chegarmos ao terceiro no qual a dramaturgia precisa se sustentar por si mesma, no qual não há saída a não ser confrontar aquela figura de frente. Busca-se a partir destes traços de Depardieu (e como já foi apontado é um filme sobre o ator, mas não propriamente sobre sua performance) e Strauss-Kahn, chegar a um mito cinematográfico que traz consigo bem mais do que o relatório de uma pesquisa bem feita sobre eles poderia apontar. Que o sr. Deveraux se revele mais um dos muitos vampiros sem empatia que povoam os filmes de Ferrara (um tipo que é bom dizer era mais comum quando trabalhava com o roteirista Nicholas St. John) não deixa de ser uma consequência inevitável no projeto estético do filme, a falta de empatia sempre foi o pecado maior nos filmes de Ferrara e como consequência o grande milagre do cinema sempre esteve em localizar em luz, cor, forma, uma maneira de se retornar ao mundo.

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Seventh Code (Kiyoshi Kurosawa, 2013)

seventh code

Um dos mais simples, aparentemente pouco ambiciosos e melhores filmes de Kiyoshi Kurosawa. Tem somente uma hora, mas cobre tanto espaço e sugere tantas possibilidades que parece bem maior. A experiência de cineasta de horror de Kurosawa é visível na facilidade com que o filme usa sua aparente normalidade como algo que esta sempre prestes a se desfazer. O relativo naturalismo assombrado com a possibilidade de ser tirado dos eixos. Um thriller de conspiração a partir de uma comédia romântica asiática. É um filme sobre os prazeres do contar uma história, previsto sempre na antecipação, nossos desejos e expectativas. O uso de uma não atriz (a cantora de J Pop Atsuko Maeda) e a ênfase constante na ideia de personas e atuação (o filme literalmente quebra a quarta parede no seu final) e clima conspiratório sugerem Jacques Rivette, particularmente o de meados dos anos 70, revisto sem o mesmo peso. “Não confie em qualquer um”, a protagonista ouve em duas ocasiões, e o filme é todo construído sobre a ideia da confiança entre espectador e o filme, até que ponto ela pode ser estendida e as possibilidades da imaginação em preencher este espaço.

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Fritz Lang

Almas Perversas (1945)

Almas Perversas (1945)

 

Evento imperdível para o cinéfilo paulistano: retrospectiva completa do Fritz Lang no CCBB. Vai depois para Rio e Brasília. Ao contrario da maioria dos eventos similares o CCBB separou uma bela grade (6 semanas) e todos os filmes serão exibidos em película.

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Olhar de Cinema

Dialogo d as sombras, de Jean-Marie Straub e Danièle Huillet

Dialogo d as sombras, de Jean-Marie Straub e Danièle Huillet

Estive semana passada em Curitiba acompanhando o Olhar de Cinema, o festival internacional local. É um evento sem a grandiosidade da Mostra SP e do Festival do Rio e que me pareceu ter mais apostas certeiras que as do Indie (para pegar um evento similar). Nós da Cinética estávamos lá em quatro (Eu, Fábio, Victor e Raul) e deu para escrever sobre quase tudo; dos 35 longas-metragens exibidos, nossa cobertura tem texto de 30 (além de um artigo sobre a sessão dos dois curtas do Straub). Destaques certamente para chance de rever o E Agora? Lembra-me, do Joaquim Pinto, sob o qual já escrevi na Mostra e as oportunidades de conferir Dialogo nas Sombras, meu filme favorito de Straub desde Le Genou D’Artemide que não por coincidência também lidava de alguma forma com a morte de Danielle Huillet (que aqui recebe co-autoria), e o filme póstumo de Aleksey German Hard to Be a God, uma dessas experiências únicas difíceis de por no papel. Um festival com estes três filmes é um evento especial.

Um indice dos meus textos produzidos ao longo do festival:

Bloody Beans, de Narimane Mari
Forma, de Ayumi Sakamoto
From Gulf to Gulf to Gulf, de Shaina Anand e Ashok Sukumaran
El Futuro, de Luis López Carrasco
The Kidnapping of Michel Houllebecq, de Guillaume Nicloux
The Second Game, de Corneliu Porumboiu
The Songs of Rice, de Uruphong Raksasad

Vale destacar ainda o ótimo curta de agradecimento que Joaquim Pinto enviou após muito merecidamente vencer a competição:

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Peter Ibbetson (Henry Hathaway, 1935)

PeterIbbetson

Durante boa parte dos ultimo 50 anos coube a Henry Hathaway o papel injusto da figura que invariavelmente é desenterrada sempre que alguém precisa de um cineasta para contrapor a um Hawks ou Walsh, uma saída fácil para contra argumentar os supostos excessos da politica dos autores. Hathaway evidentemente não é Hawks ou Walsh (ou sequer Richard Fleischer), mas isto não é propriamente um crime. Seu melhor filme provavelmente é Peter Ibbetson, uma fantasia romântica que ocasionalmente aparece nos livros de história do cinema por ser um favorito dos surrealistas parisienses por conta dos mesmos excessos românticos que tornam o filme um tanto difícil para as plateias de hoje. O curioso é que parte da força de Peter Ibbetson deriva justamente de como o filme se relaciona com o próprio romantismo. Trata-se de um conto metafisico sobre amor louco que acompanha o personagem titulo e seu amor de juventude da infância até a velhice, uma relação condenada a só se consumar nos sonhos do casal. Andrew Sarris desconsidera o filme em The American Cinema como um filme romântico dirigido por um diretor não-romântico, mas longe de ser um defeito, pode-se argumentar que a grande qualidade do filme é justamente como ele encara todos os grandes gestos românticos e mergulhos no artificio com o mesmo tom direto e sem rodeios. Peter Ibbetson não trata seu romantismo com uma distancia ou ironia – é um filme bastante sincero – mas ao mesmo tempo não conta com os mesmos arrombos de um filme como Man’s Castle. Ao tratar todo seu conto romântico com grande seriedade, Peter Ibbetson faz juz a intensidade se nem sempre a paixão inerente a ele. No final das contas pode-se dizer que o pragmatismo hawsiano de Hathaway é fiel ao gesto, se não ao sentimento romântico contido ali. Se nas mãos de um diretor com inclinação mais romântica como Max Ophuls, um material como Peter Ibbetson seria visto pelo ponto de vista do sacrifício dos amantes, o tom direto de Hathaway coloca em primeiro o plano o conto de danação contido ali. O momento mais marcante do filme é justamente o último plano com Gary Cooper desaparecendo em meio as sombras quando descobre que já não lhe resta motivos para existir, uma imagem que ao mesmo tempo e com a mesma força consegue sugerir um último gesto romântico, o do homem que vai encontrar a amada em outra vida, e o suspiro final de uma vida desperdiçada. Movimento que encapsula perfeitamente este filme tão particular.

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