Arquivo da categoria: Filmes

Budapeste (Walter Carvalho,09)

Budapeste tem um destes créditos protocolares de patrocínio mais longo do cinema brasileiro recente. Nada mais honesto: poucas vezes nos vemos diante de um filme tão disposto a reforçar o seu caráter oficial. Até elementos como a ponta do Paulo José parecem estar lá batendo ponto numa série de elementos que o filme precisa cumprir para justificar sua posição. O filme em si fica ali perdido soterrado por um peso impressionante até para os padrões do Walter Carvalho. Não faltam candidatos no nosso cinema recente, mas talvez estejamos diante do definitivo filme feito para o coquetel de pré-estreia. Não deixa de ser um feito e tanto.

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Estréias

Como os leitores mais antigos do blog sabem pertenço aquele grupo estranho conhecido como fãs do McG. Isto dito, O Exterminador do Futuro: A Salvação não é exatamente um bom filme, apesar de ser melhor do que sua reputação sugere. Suspeito que um corte mais longo compense parte dos problemas (certamente trata-se do filme com maior numero de cenas truncadas do ano), mas não o maior deles que é a falta de foco. Mas a tensão entre o tom pseudo realista pós-Christopher Nolan e gosto de McG por superfícies é interessante e há bom material nas margens do filme.

Já A Mulher Invisível é destes filmes melhor de escrever do que de ver. Creio que a maioria vai só desconsiderá-lo como mais um filme tolo da Globo Filmes e alguns críticos óbvios vão escrever sobre onde foi parar o autor de Redentor, mas o interessante (doentio até) do filme do Claudio Torres é como o maneirismo que lhe é caro se manifesta no material banal. Como comédia é um desastre completo, mas observar os gostos de Torres se manifestando no filme vale mais do que qualquer trabalho do Daniel Filho.

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Cannes

Enquanto alguns se preocupam com Von Trier e Almodovar, estou mais interessado nestes aqui:

Para quem procura um termometro de reações há sempre o quadro de criticos franceses do Le Film Français e recomendo também o Micropsia blog argentino que recolhe reações da crítica de lingua espanhola (e alguns convidados).

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Star Trek (J.J. Abrams,09)/Anjos e Demônios (Ron Howard,09)

Eu não sei se a palavra filme é a melhor descrição para Star Trek, mas trata-se de um produto perfeitamente engenhado para funcionar como seus financiadores pretendem. É tão eficiente na forma como dribla sua necessidade de atualizar sem atualizar o material que é difícil não ter por ele um mínimo de admiração. E segue a velha formula hawksiana para um filme de sucesso: algumas cenas muito boas e não irritar no resto do tempo. Star Trek parece uma obra prima hawksiana quando posto lado a lado com Anjos e Demônios. Ron Howard segue uma péssima edição para dirigir um thriller, o filme se beneficia minimamente da ação ser contra o relógio (ou seja nunca chega a sofrer do laconismo de o Código da Vinci), mas nunca consegue deixar de ser um filme pesadão e desajeitado. A completa falta de sutileza com que Howard comanda tudo arruína qualquer chance do material já questionável funcionar. Existe uma das melhores cenas de humor involuntário recente graças a incapacidade do Howard como encenador na seqüência que prepara a reviravolta final que é telegrafada de forma grotesca.

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Import Export (Ulrich Seidl,07)

Basta alguns instantes para que Import Export no seu tom grosseiro inconfundível deixar claro que estamos diante de um filme que trata das relações de poder na ordem atual da comunidade européia. Seidl chega ao tema lançando mão de um catálogo de situações limite de humilhação e exploração: longas seqüências numa central de sexcam, um vigia sendo capturado e ridicularizado pelos agressores, o mesmo vigia trocando a namorada por um cachorro, uma patroa que humilha a empregada a cada troca entre elas, e, sobretudo, uma cena interminável onde um sujeito faz com que uma prostituta caminhe e lata como uma cadela. Seidl – já sabíamos desde seu filme anterior – faz com que Michael Haneke pareça um Jean Renoir em comparação. Mas, ao contrário de seu compatriota, Seidl não tem nenhum domínio do meio, e sua estética de choque só funciona no sentido mais literal possível (Seidl jamais será capaz de desenvolver uma câmara de tortura estética como a de um Código Desconhecido, o desconforto aqui é exclusivamente o asco moral diante das situações apresentadas). Na altura que a heroína passa a trabalhar como faxineira numa espécie de asilo-hospital em que a câmera trabalha de forma a extrair o máximo de asco do corpo dos velhinhos, não resta mais dúvidas: independente das suas intenções iniciais, Import Export é só um filme exploitation dos mais vagabundos, e Seidl, consciente ou não, é ele próprio o grande explorador das agruras que preenchem a tela.

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Spike Lee

Crítica de Milagre em St. Anna no ar.

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Rouge

O Adrian Martin avisa que a Rouge foi atualizada.

Destaco o diário do Adrian sobre o festival de Las Palmas que trata de um numero bem variado de filmes (de Miguel Gomes e Garrel até Julio Bressane e Kiko Goifman).

Tem também um textinho meu sobre os filmes do Jairo Ferreira.

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No Meu Lugar

Aproveitando para completar a relação de Cannes, o primeiro longa do Eduardo Valente No Meu Lugar foi anunciado hoje como exibição especial fora de competição.

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Milagre de St Anna (Spike Lee,08)

Vou escrever sobre o filme semana que vem, mas minha versão curta é que Spike Lee não deveria nunca fazer filmes de época. Pior filme dele em mais de 15 anos. Incrivel como o cinema dele se fragiliza quando sai da Nova York contemporânea e como muitas soluções que costumam funcionar deram completamente erradas aqui.

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Tony Manero (Pablo Larrain,08)

Tony Manero a sua maneira não é muito diferente de um filme do José Henrique Fonseca (para ficarmos no cineasta mais sem talento da Conspiração) só trocando uma série de procedimentos tidos como publicitários por outros em voga no chamado cinema contemporâneo. Trata-se de buscar um impacto a qualquer custo. Qualquer força do filme se resume a plasticidade do miserável. A presença impressionante do Alfredo Castro sempre que Pablo Larrain coloca seu protagonista na posição de violência e do grotesco. Um olhar de reconstituição atento para o que existe de mais desagradável no Chile de 78 ajuda a manter a energia do filme. Todos estes truques – que revelam uma competência inegável – pouco escondem como Tony Manero se move no vácuo: sua única idéia que transcorre o filme todo é um paralelo tolo entre seu marginal patético e Pinochet, e nem este Larrain parece capaz de sustentar. Todo o esforço e impacto de Tony Manero servem para pouco mais do que vender Larrain como jovem cineasta ambicioso. Cinema de portfólio, em suma e não dos melhores. Há sociologia (para não falarmos de mise en scene) melhor em Os Embalos de Sábado a Noite, mas aquele era um filme de verdade realizado por alguém com um olhar, Tony Manero se basta como uma coleção de tiques.

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Moscou (Eduardo Coutinho,09)

Desde Edificio Master, Eduardo Coutinho tateia formas de continuar expandindo sua investigação sobre a presença sem ficar prisioneiro dos seus dispositivos. Se Jogo de Cena tornava explicito o que antes estava debaixo da estrutura do documentário de entrevistas, Moscou é uma expansão natural desta fase com Coutinho basicamente eliminando sua própria presença física como mediador apesar dele continuar uma presença invisível muito forte ao longo de todo filme como a ênfase maior na montagem reforça. Como Coutinho segue fazendo filmes que nascem de projetos muito delieneados é útil para entender Moscou descrevê-lo: Coutinho pegou um grupo de teatro real (o Galpão de BH), escolheu um texto (As Três Irmãs de Chekov), pediu que os atores escolhessem um diretor vindo de fora para trabalhar com eles, lhes deu três arbitrárias semanas para preparar o espetáculo e registrou tudo. Ou seja, não se trata de um documentário sobre os bastidores de uma montagem, nem de um filme sobre uma montagem realizada exclusivamente para ser registrada, já que As Três Irmãs do Galpão permanecem um esboço sem intenção de ser finalizado, uma montagem que só existe encontro o cineasta se ocupa de filma-la. Trata-se de um filme menos teórico que Jogo de Cena que flui de forma mais natural. Sobretudo é um filme que reforça a força e prazer com que o cinema de Coutinho registra alguém conscientemente agindo diante de sua câmera.

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Valsa com Bashir (Ari Folman,08)

O hype entorno de Valsa com Bashir se centra na idéia de se tratar de um documentário em animação. Na verdade o formato do filme é bem conhecido de fãs de quadrinhos independentes em que o formato de ficção autobiográfica utilizado por Folman é muito comum. Esta similaridade é reforçada pela feliz opção de Folman por um traço simples com poucas expressões faciais que criam um contraste forte com os eventos de guerra que os personagens testemunham e/ou participam. Não se trata, porém, de diminuir Valsa com Bashir, mas de apontar que a força do filme tem pouca relação com seu suposto ineditismo, mas pela perfeita adequação entre as possibilidades do trabalho de animação do filme e o esforço de autoficção que o cineasta realiza.

O filme de Folman é muito forte justamente quanto mais se afasta dos fatos e se aproveita das possibilidades da animação para buscar a percepção particular dos soldados sobre sua experiência de guerra. Valsa com Bashir capta perfeitamente este encontro entre memória e ficção (a seqüência que dá título ao filme é um bom exemplo disso), assim como as possíveis mediações da cultura pop neste processo. Apesar de por vezes comprometer sua proposta ao se auto-explicar em excesso.

Se o filme tem uma limitação é justamente permitir que a história termine engolindo o filme na parte final que lida com o massacre de palestinos que o cineasta testemunhou. Não se trata apenas do mal resolvido uso de imagens reais na conclusão, mas numa mudança de tom que atropela muito dos méritos que o filme desenvolvia até ali. É significativo que enquanto a maior parte do filme se construa através de conversas do cineasta com companheiros de exercito, o último ato seja guiado por uma entrevista mais formal com um jornalista. A conclusão termina reduzindo um pouco do impacto do filme.

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W

Eu e Francis assistiamos a algumas cenas do W do Oliver Stone agora a pouco e foi dificil não concluirmos que se a intenção era criar um esquete de duas horas do Saturday Night Live, o Stone foi muito bem sucedido.

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É Tudo Verdade

Visitando o blog do Zanin vejo o título da materia dele sobre É Tudo Verdade, é “Festival aposta na radicalidade”. Entendo o desejo do Zanin de arranjar um bom gancho para atrair as pessoas para o festival, mas existe festival por aqui mais conservador que o É Tudo Verdade?

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Clássico.

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