Arquivo do mês: julho 2009

Estranhos Prazeres (Kathryn Bigelow,95)

Estranhos Prazeres não deixa de ser o exato oposto de Caçadores de Emoção: dois ótimos atores (Ralph Fiennes e Ângela Bassett) para ancora-lo e um roteiro (de James Cameron e Jay Cocks) que se esforça muito para ser esperto. Estranhos Prazeres cria um mundo próprio muito bem e até consegue usar a seu favor a primeira vista questionável decisão de colocar Fiennes e Bassett no meio de um festival de over actors (Tom Sizemore, Michael Wincott, Vincent d’Onofrio, etc.). Mais importante ele faz aquilo que todo bom sci-fi exploit devia fazer bem que é drenar o seu momento o máximo possível. Eis um filme datado no melhor sentido possível. Por outro lado, Estranhos Prazeres sofre do problema inverso ao de Caçadores de Emoções já que Cameron e Cocks se esforçam tanto para sublinhar suas pretensas idéias que o filme por vezes ameaça desmoronar sobre seu próprio peso. Se a internet tivesse o mesmo peso em 95 do que hoje, este seria um filme muito querido em blogs e fóruns por ai, ou seja dez anos depois ele seria escrito pelo David S. Goyer e isto nunca é algo bom. Eu gosto de Estranhos de Prazeres, assim como gosto de Caçadores de Emoções, mas não deixa de ser curioso como ambos acabam fragilizados por razões similares e opostas.

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Caçadores de Emoção (Kathryn Bigelow,91)

Caçadores de Emoção é de longe o mais genérico dos filmes da primeira parte da carreira de Bigelow, ele também tem o azar de ser protagonizado por Keanu Reeves e Patrick Swayze e contar com um roteiro tão agressivamente idiota que o protagonista se infiltra usando seu nome e passado e isto nunca sequer se torna um ponto da trama. Isto tudo dito Casçadores de Emoções jamais será confundido com Heat, mas como uma série de imagens tiradas do contexto da narrativa não deixa de ser impressionante e não tem como não se admirar como o filme se agarra a suas idéias mais absurdas. A perseguição no centro do filme, em especial, é digna de Friedkin e os dois assaltos são uma aula de montagem.

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Jogo Perverso (Kathryn Bigelow,90)

Trata-se do filme mais frustrante da cineasta na medida que seu méritos e defeitos são tão intimamente ligados. Na altura dos últimos vinte minutos quando Ron Silver se transforma no Michael Meyers yuppie munido de uma 44, Jogo Perverso abandona qualquer pretensão a narrativa, realismo e mais puro bom senso para se transformar num dos mais impressionantes delírios filmados do período. Poucas vezes se vê um filme dos últimos vinte anos que se relaciona tão perfeitamente com o que Raoul Ruiz descreve no seu Poéticas do Cinema como o filme B americano não-narrativo que lhe interessava na infância. Há de se respeitar o comprometimento do filme com sua visão e disposição de leva-la ao extremo. O problema é que em boa parte da primeira hora Jogo Perverso é pouco mais que um filme policia genérico com alguns elementos intrigantes, um tom perverso e uma inevitável impressão de que se trata de um filme muito burro feito por gente qualificada para material melhor. O filme todo está bem representado na atuação de Silver, durante uma boa hora se tem certeza que ele está pagando mico e depois tudo se justifica. Só que não importa quantas vezes se reviste o filme, sabe-se que os primeiros dois terços dele vão irritar.

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