Fiquei com pouco acesso a Internet nas últimas duas semanas, mas agora a blog deve voltar ao normal.
Mostra – Dia 7 a 14
Não incluindo revisões:
Amanhã ao Amanhecer (Denis Dercourt,09) *
Na Cinética.
Natimorto (Paulo Machlinie,09) *
Mutarelli é uma presença forte, mas o filme é um nada.
O Dia da Transa (Lynn Shelton,09) ***
Capta bem a intimidade dos dois amigos.
O Que Resta do Tempo (Elia Suleiman,09) **
Cheguei a conclusão que gosto muito do cinema do Suleiman em teoria.
Irene (Alain Cavalier,09) ****
Cinema de casa assombrada.
Plastic City (Yu Lik-wai,08) *
Sem dúvidas um filme ruim dos mais interessantes, mas ainda assim descarrila completamente a partir de certo momento.
Traga-me Alecrim (Josh & Bennie Safadie, 09) ****
Na Cinética.
Insolação (Daniela Thomas e Filipe Hirsch,09) 0
Perseguição (Patrice Chereau,09) **
O que escrevi sobre Chereau na Cinética pode ser facilmente adaptado para Insolação, com a diferença que com todos os seus problemas o Chereau tem um projeto e ele sabe controlar seus atores.
A Religiosa Portuguesa (Eugene Green,09) *****
Na Cinética.
I Love You Philip Morris (Glenn Ficarra/John Requa,09) ***
Execução menor que o projeto.
Tyson (James Toback,08) ****
Eu tenho zero interesse em boxe ou Tyson, mas este é um filme retrato muito forte e consistente.
Solo (Ugo Giorgetti,09) **
Na Cinética.
Independência (Raya Martin,09) *****
Um filme bem simples (provavelmente o mais simples da carreira de Martin) construído no choque entre a dureza do retrato, artificialismo das imagens e melodrama. Por toda a sua aparência de “filme de arte”, um dos mais sinceros e emotivos filmes narrativos do ano.
Montanha de Abandono (So Yong-kim, 08) ****
Na Cinética.
Topografia de um Desnudo (Teresa Aguiar,09) *
Na Cinética.
Belair (Bruno Safadi/Noa Bressane,09) ****
Apaixonado filme de cinema. Melhor brasileiro entre festival do Rio/Mostra fácil.
Making Plans for Lena (Christophe Honoré,09) **
Na Cinética.
Soul Kitchen (Fatih Akin,09) **
Na Cinética.
Shirin (Abbas Kiarostami,09) ****
O olhar e o fora de tela.
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Mostra Dias 1 a 5
Desculpem a falta de posts, mas o tempo anda curto.
Alexandre o Último (Joe Swanberg,09) ***
Na Cinética.
Seguindo em Frente (Hirokazu Kore-Eda,08) ****
Kore-Eda não é Ozu, mas este é um belo filme e certamente o melhor dele desde Depois da Vida.
500 Dias Com Ela (Marc Webb,09) *
Na Cinética.
Faça-Me Feliz (Emmanuel Mouret,09) ****
Na Cinética.
A Ressureição de Adam (Paul Schrader,08) ***
Irregular e nem sempre bem resolvido, mas um filme peculiar e intrigante.
Aguas Verdes (Mariano de Rosa, 09) *
Tolo.
O Amor Segundo B. Schianberg (Beto Brant,09) 0
Um equivoco.
Todos os Outros (Maren Ade,09) ****
Na Cinética.
O Fantástico Sr. Raposo (Wes Anderson,09) ***
Greatest hits do Anderson em versão animação. Fãs do cara vão gostar sem dúvidas, mas de longe o filme menos interessante que ele fez.
Você Não Vai Sentir Minha Falta (Ry Russo-Young,09) ***
Na Cinética.
Aconteceu em Woodstock (Ang Lee,09) **
Filme em que os defeitos de Lee tem bem mais destaques que as suas virtudes.
Terras (Maya Da-Rin,09) ***
Piada inevitável: trata-se do filme mineiro de Locarno do ano a despeito de não ser de Minas. Muitas virtudes sem dúvidas na exploração do seu universo, mas as vezes um tanto acomodado.
A Procura de Elly (Asghar Farhadi,09) **
Começa forte e com bom olho, depois desanda na observação social tola.
A Casa de Sandro (Gustavo Beck,09) ***
Beck viu os cineastas certos (Alonso, Costa) e faz um belo filme da relação entre câmera/equipe e seu protagonista.
Uma Vida Real (Sarah Leonor,09) ***
Na Cinética.
A Familia Wolberg (Axelle Ropert,09) *****
“Te amo, mas você me faz sofrer”. Grande grande filme.
Morrer Como um Homem (João Pedro Rodrigues,09) ****
Mais Nolot que Almodovar. Ainda bem.
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Projeção Digital
Alguns amigos críticos organizaram um protesto quanto a cada vez mais deplorável qualidade da projeção digital por aqui. O link para assinar e o texto na integra:
A projeção digital chegou ao Brasil com a missão de democratizar o acesso aos filmes e libertar os distribuidores da dependência de cópias em 35 milímetros, cuja confecção e transporte são notoriamente caros. A instalação de projetores digitais permitiria ao público assistir a títulos que dificilmente seriam lançados nas condições tradicionais e ainda ofereceria condições para que espectadores situados longe do eixo Rio-São Paulo (onde se concentram quase 50% das salas de cinema do país) tivessem acesso aos mesmos títulos simultaneamente.
O que estamos vendo, no entanto, é uma total falta de respeito ao espectador no que se refere à exibição do filme propriamente dita. As razões são basicamente duas: projeções incapazes de reproduzir fielmente os padrões de cor e textura da obra e/ou projeções incapazes de exibir os filmes no formato em que foram originalmente concebidos. Sem falar no som, que muitas vezes ganha uma reprodução abafada, limitada ao canal central, muito diferente de seu desenho original.
A adoção da projeção digital pelos dois maiores festivais internacionais do Brasil (o Festival do Rio e a Mostra de São Paulo) e por outros festivais do país, infelizmente, não respeitou o que seriam critérios mínimos de qualidade de projeção de filmes em cinema – algo que é observado com atenção em qualquer festival internacional que se preze. Trata-se de uma situação particularmente alarmante tendo em vista o papel de formadores de plateia que esses eventos desempenham.
Sucessivamente, temos visto um autêntico massacre ao trabalho de cineastas, fotógrafos, diretores de arte, figurinistas, técnicos de som e até mesmo de atores. Apenas para citar um exemplo: Les herbes folles, o novo filme de Alain Resnais, originalmente concebido no formato 2:35:1, foi exibido no Festival do Rio, com projeção digital, no formato 1:78. Isso representou o corte da imagem em suas extremidades, resultando em enquadramentos arruinados, movimentos de câmera deformados e rostos dos atores cortados. Um pouco como se A santa ceia, de Leonardo Da Vinci, tivesse suas pontas decepadas, deixando alguns discípulos de Jesus fora de campo – e da história. Para completar o desrespeito, não há qualquer aviso em relação às condições de exibição e o preço cobrado pelo ingresso não sofre qualquer alteração.
Não nos cabe, aqui, pregar a “volta ao 35mm” nem defender determinada resolução mínima para a projeção digital. Sabemos que, se respeitados determinados critérios técnicos – ou seja, se a empresa responsável pela projeção digital receber do distribuidor o master no formato adequado, se o processo de encodamento for feito corretamente, e se os ajustes necessários para a exibição de cada filme forem realizados cuidadosamente –, a projeção digital pode ser uma experiência perfeitamente satisfatória para o espectador.
Não é isso, porém, que tem ocorrido. Exibidores, distribuidores e os fornecedores do serviço da projeção digital são responsáveis pela má qualidade da projeção e coniventes com esse lamentável descaso geral, que tem deixado críticos e amantes de cinema indignados. É um desrespeito ao cinema e aos seus criadores, mas, sobretudo, ao espectador e consumidor final, que saiu de casa e pagou ingresso para ver um filme.
A situação chegou a um ponto intolerável. Pedimos a todos os profissionais envolvidos com a projeção digital que tomem providências para que tais deformações não se repitam.
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Mostra
Hoje na coletiva de lançamento da Mostra divulgaram a lista de títulos da Mostra. Um tanto decepcionante, mas melhor que do ano passado. Como me disseram que Raya Martin passaria e não está na lista, imagino que alguns títulos talvez possam aparecer de ultima hora. Destaques:
A FAMÍLIA WOLBERG (LA FAMILLE WOLBERG), de Axelle Ropert / FRANÇA
ÁGUAS VERDES (AGUAS VERDES), de Mariano de Rosa / ARGENTINA
BELAIR, de Noa Bressane, Bruno Safadi / BRASIL
CINERAMA, de Inês de Oliveira / PORTUGAL
COLIN, de Marc Price / REINO UNIDO
EVERYONE ELSE (ALLE ANDEREN), de Maren Ade / ALEMANHA
HENRI-GEORGES CLOUZOT´S INFERNO (L’ENFER D’HENRI-GEORGES CLOUZOT), de Serge Bromberg, Ruxandra Medrea / FRANÇA
MACABRE (DARAH), de The Mo Brothers / CINGAPURA, INDONÉSIA
TRAGA-ME ALECRIM (GO GET SOME ROSEMARY), de Josh, Benny Safide / EUA, FRANÇA
35 DOSES DE RUM (35 SHOTS OF RUM), de Claire Denis / FRANÇA
500 Dias Com Ela (500 Days Of Summer), de Marc Webb / EUA
A BATALHA DOS 3 REINOS (CHI BI), de John Woo / CHINA
A CASA DE SANDRO, de Gustavo Beck / BRASIL
A FITA BRANCA (DAS WEISSE BAND), de Michael Haneke / ÁUSTRIA, ALEMANHA, FRANÇA, ITÁLIA
A GUERRA DOS FILHOS DA LUZ CONTRA OS FILHOS DAS TREVAS (La Guerre des Fils de la Lumière Contre les Fils des Ténèbres), de Amos Gitai / FRANÇA
À PROCURA DE ELLY (DARBAREYE ELLY), de Asghar Farhadi / IRÃ
À PROCURA DE ERIC (LOOKING FOR ERIC), de Ken Loach / INGLATERRA
A REAL LIFE, de Sarah Leonor / FRANÇA
A RELIGIOSA PORTUGUESA, de Eugène Green / PORTUGAL
A TOWN CALLED PANIC (PANIQUE AU VILLAGE), de Stéphane Aubier, Vincent Patar / BÉLGICA, FRANÇA, LUXEMBURGO
A ZONA, de Sandro Aguilar / PORTUGAL
ABRAÇOS PARTIDOS (BROKEN EMBRACES), de Pedro Almodovar / ESPANHA
ACONTECEU EM WOODSTOCK (TAKING WOODSTOCK), de Ang Lee / EUA
ADAM RESSURECTED, de Paul Schrader / EUA, ALEMANHA, ISRAEL
ALEXANDER THE LAST, de Joe Swanberg / EUA
ALGA DOCE (TATARAK), de Andrzej Wajda / POLÔNIA
AMANHÃ AO AMANHECER (DEMAIN, DÈS L´AUBE), de Denis Dercourt / FRANÇA
ANTES QUE O MUNDO ACABE, de Ana Luiza Azevedo / BRASIL
AQUILES E A TARTARUGA ( AKIRESU TO KAME ), de Takeshi Kitano / JAPÃO
BRILHO DE UMA PAIXÃO (BRIGHT STAR), de Jane Campion / REINO UNIDO, AUSTRÁLIA
CABEÇA A PRÊMIO, de Marco Ricca / BRASIL
CARMEL, de Amos Gitai / ISRAEL, FRANÇA, ITÁLIA
CORAÇÕES EM CONFLITO (MAMMOTH), de Lukas Moodysson / SUÉCIA, DINAMARCA, ALEMANHA
DENTE CANINO (KYNODONTAS), de Yorgos Lanthimos / GRÉCIA
DISTANTE NÓS VAMOS (AWAY WE GO), de Sam Mendes / EUA, REINO UNIDO
ERVAS DANINHAS ( LES HERBES FOLLES ), de Alain Resnais / FRANÇA
FAÇA-ME FELIZ (FAIS-MOI PLAISIR! ), de Emmanuel Mouret / FRANÇA
FISH TANK, de Andrea Arnold / INGLATERRA
GERMANY 09 ( DEUTSCHLAND 09 ), de Vários / ALEMANHA
HOTEL ATLÂNTICO, de Suzana Amaral / BRASIL
HUMPDAY, de Lynn Shelton / EUA
INSOLAÇÃO, de Felipe Hirsch, Daniela Thomas / BRASIL
IRENE (IRÈNE), de Alain Cavalier, Françoise Widhoff / FRANÇA
LA PIVELLINA, de Rainer Frimmel, Tizza Covi / ÁUSTRIA, ITÁLIA
LEBANON, de Samuel Maoz / FRANÇA, ALEMANHA, ISRAEL, LÍBANO
LONDON RIVER, de Rachid Bouchareb / REINO UNIDO, FRANÇA, ARGÉLIA
MORRER COMO UM HOMEM, de João Pedro Rodrigues / PORTUGAL, FRANÇA
MOTHER (MADEO), de Bong Joon-Ho / CORÉIA DO SUL
NATIMORTO, de Paulo Machline / BRASIL
NOVA YORK, EU TE AMO( NEW YORK, I LOVE YOU), de Vários / EUA, FRANÇA
O AMOR SEGUNDO B. SCHIANBERG, de Beto Brant / BRASIL
O FANTÁSTICO SR. RAPOSO (FANTASTIC MR. FOX), de Wes Anderson / EUA
O MUNDO IMAGINÁRIO DE DR. PARNASSUS (The Imaginarium of Doctor Parnassus), de Terry Gilliam / FRANÇA, CANADÁ, REINO UNIDO
O SOL DO MEIO-DIA, de Eliane Caffé / BRASIL
O SOLISTA( THE SOLOIST ), de Joe Whight / REINO UNIDO, EUA, FRANÇA
OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE, de Esmir Filho / BRASIL, FRANÇA
OS INQUILINOS, de Sergio Bianchi / BRASIL
OS SORRISOS DO DESTINO, de Fernando Lopes / PORTUGAL
PARTIR, de Catherine Corsini / FRANÇA
PLASTIC CITY, de Yu Likwai / BRASIL, HONG KONG, JAPÃO
POLICE, ADJECTIVE (POLITIST, ADJEVTIF), de Corneliu Porumboiu / ROMENIA
RICKY, de François Ozon / FRANÇA
SCHEHERAZADE, TELL ME A STORY (EHKY YA SCHAHRAZAD), de Yousry Nasrallah / EGITO
SEDE DE SANGUE (BAKJWI), de Park Chan-Wook / CORÉIA DO SUL
SEDUÇÃO (An Education), de Lone Scherfig / REINO UNIDO
SEGUINDO EM FRENTE (ARUITEMO ARUITEMO), de Kore-Eda Hirokazu / JAPÃO
SHE, A CHINESE, de Xiaolu Guo / REINO UNIDO, CHINA, ALEMANHA
SHIRIN, de Abbas Kiarostami / IRÃ
SINGULARIDADES DE UMA RAPARIGA LOURA, de Manoel de Oliveira / PORTUGAL, FRANÇA, ESPANHA
SOLO, de Ugo Giorgetti / BRASIL
SOUL KITCHEN, de Fatih Akin / ALEMANHA, TURQUIA
THE REBEL, LOUISE MICHEL (LOUISE MICHEL), de Sólveig Anspach / FRANÇA
THE TIME THAT REMAINS, de Elia Suleiman / FRANÇA, PALESTINA
TOKYO!, de Michel Gondry, Leos Carax, Bong Joonh-Ho / FRANÇA, JAPÃO, CORÉIA DO SUL, ALEMANHA
TRAVESSIA, de João Batista de Andrade / BRASIL
TYSON, de James Toback / EUA
VIAJO PORQUE PRECISO, VOLTO PORQUE TE AMO, de Marcelo Gomes, Karim Aïnouz / BRASIL
VINCERE, de Marco Bellocchio / ITÁLIA
YUKI & NINA, de Nobuhiro Suwa, Hippolyte Girardot / FRANÇA
Atualizando:
BETWEEN TWO WORLDS, de Vimukthi Jayasundara
I KILLED MY MOTHER, de Xavier Dolan / CANADÁ
I LOVE YOU PHILLIP MORRIS, de Glenn Ficarra, John Requa / EUA
INDEPENDENCIA, de Raya Martin / FILIPINAS, FRANÇA, ALEMANHA, HOLANDA
KATALIN VARGA, de Peter Strickland / HUNGRIA, ROMÊNIA
MAKING PLANS FOR LENA, de Christophe Honoré / FRANÇA
NO ONE KNOWS ABOUT PERSIAN CATS, de Bahman Ghobadi / IRÃ
PERSECUTION, de Patrice Chéreau / FRANÇA
TREELESS MOUNTAIN, de So Yong Kim / CORÉIA DO SUL, EUA
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Festival Dias 6 a 8
Tive que retornar para São Paulo por conta da morte do meu avô, então a cobertura do Festival se encerra aqui.
Os Inquilinos (Sergio Bianchi,09) *
Um filme de Sergio Bianchi para o bem e para o mal. Mais focado, mas mais anêmico também.
Como Desenhar um Circulo Perfeito (Marco Martins,09) 0
Na Cinética.
Jericó (Christian Petzold,08) ****
Bela releitura despojada de O Destino Bate a sua Porta. Ou talvez seja melhor desconsiderar Cain completamente, já que Petzold tira dali é basicamente nossas expectativas narrativas, é também um filme de uma força e clareza emocional bem maior que seu jogo fassbinderiano (reler Cain com dois corpos vazios no centro e um turco-alemão como o marido traído) preveria.
Viagem aos Pirineus (Irmãos Larrieu,08) **
Filme de momentos muito desequilibrados. Agora o urso é genial.
Uma Barragem Contra o Pacifico (Rithy Panh,08) **
A parte ocasionais momentos de força, está bem mais próximo de Indochina que S-21.
Politist, Adjectiv (Corneliu Porumboiu,09) *****
Algumas piadas nos lembram que Porumboiu também fez Ao Leste de Bucareste, mas é um considerável salto. Um filme simples, preciso e prático.
Mother (Bong Jong-ho,09) ****
Na Cinética (provavelmente segunda-feira).
Vincere (Marco Bellocchio,09) ****
Os prazeres da mise-en-scène.
Inversão (Edu Felistoque,09) 0
Na Cinética, mas vale dizer que trata-se da completa ausência de mise-en-scene.
Porco Cego Quer Voar (Edwin,08) ***
Filme-OVNI do festival. Fascinante o tempo todo, mesmo que nunca saibamos exatamente o que pensar do que transcorre na tela. Saber algo sobre o chinês na Indonésia ajuda a achar um sentido mais claro no filme, mas não lhe elimina um certo mistério.
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Aos meus leitores portugueses
Porque não me avisaram que o filme novo do Marco Martins era tão ruim?
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Festival Dias 4 e 5
Os Famosos e Os Duendes da Morte (Esmir Filho,09) 0
Esmir não é Gus Van Sant. Maior índice de planos poéticos na marra do Festival.
35 Doses de Rum (Claire Denis,08) *****
As comparações com Ozu me parecem uma grande camisa de força já que ao contrário de Hou, ela está muito distante do cineasta japonês apesar de reconhecer a dívida temática do filme. Um dos melhores dela.
Singularidades de uma Rapariga Loura (Manoel de Oliveira,09) *****
Não dá para não rever um Manoel como este.
O Segredo dos Seus Olhos (Juan José Campanella,09) *
Na Cinética.
Bellini e o Demônio (Marcelo Galvão,09) 0
Total analfabetismo audiovisual.
O Rei da Fuga (Alain Guiraudie,09) ****
A política da irreverência.
O Pai dos Meus Filhos (Mia Hansen-Love,09) *****
Grande surpresa já que não sou fã do filme anterior da diretora (Tout Est Pardonné), mas este novo é um filme retrato de um homem n sua presença e ausência muito potente mesmo.
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Festival do Rio – Dias 1 a 3
Como sempre comentários curtos sobre os filmes vistos.
Tokyo! (Michel Gondry,Leos Carax,Bong Jong-Ho,08) ***
Carax e Bong compensam Gondry.
Singularidades de uma Rapariga Loira (Manoel de Oliveira,09) *****
Seria 5 estrelas nem que fosse só pela cena do Ricardo Trepa dançando.
Barba Azul (Catherine Breillat,09) *****
Na Cinética.
Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo (Karin Ainouz, Marcelo Gomes,09) ****
Um travelogo emotivo forte se nem sempre bem sucedido.
Eu Matei Minha Mãe (Xavier Dolan,09) *
Na Cinética.
Uma Vida Nova em Folha (Ounie Leconte,09) **
Filme que trabalho muito bem com seu elenco mirim, gostaria de ter me interessado mais.
Hotel Atlantico (Suzana Amaral,09) *
Algumas pessoas inteligentes parecem comprar este filme, mas me parece o protótipo filme da Suzana Amaral: adapta um bom texto, tem uma atuação forte no centro e nunca escapa da mediocridade.
Ricky (François Ozon,09) ****
Na Cinetica.
Lake Tahoe (Fernando Eimbecke,08) ***
O gancho dramaturgico é frágil, mas universo e o rigor do cineasta carregam o filme.
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Mostra
Neste fim de semana a Mostra soltou uma prévia da sua programação incluindo as suas retrospectivas. Também neste fim de semana começou a versão paulista do Indie com as retrospectivas de Kawase, Mendoza e Grandrieux. Meses atrás eu escrevi uma nota sobre como seria um absurdo se a Mostra deixasse passar a oportunidade do ano França e não buscasse alguma retrospectiva de ponta. O Indie que é um festival bem modesto buscou Grandrieux que combina perfeitamente com o perfil do festival e calha de ser um dos melhores eventos do ano (nem que fosse exclusivamente por Un Lac). O que a Mostra fez? Nada. Nem um veterano que nunca teve retrospectiva por aqui como Rivette ou um cineasta mais jovem e quente com vários filmes inéditos aqui como Desplachin. Nada. A oportunidade estava lá, colocaram-se de pé este ano retrospectivas francesas das mais variadas (Tati, Marker, Duras, Huppert), mas a Mostra parece incapaz de se aproveitar do óbvio. Minto. Há uma pequena homenagem a Fanny Ardant feita com cópias que já estavam aqui. Incrível como se tornou num espaço de uns 5 anos num evento preguiçoso e satisfeito consigo mesmo. É ainda o melhor que temos aqui em São Paulo e justiça seja feita o faro da Mostra para filmes que receberam relativamente pouco hype segue ótimo a julgar pela primeira seleção, mas ela precisa de uma injeção de energia urgentemente.
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Revistas
Já faz algum tempo que ouço dizer que Bruno Andrade prepara uma revista e finalmente saiu a primeira edição da Foco. É essencialmente o que se espera de uma revista editada pelo Bruno. O material sobre Samuel Fuller é excepcional e muito amplo e há uma bela seleção de textos de João Benard da Costa.
No ar também a nova edição da Cinema Scope. Alguns artigos bem interessantes nesta edição comemorativa de dez anos da revista. Agora que o site deles foi transferido para WordPress prometem xpandir o arquivo, o que é uma grande notícia.
Vale destacar também destacar a edição nova da Film Comment, apesar da seleção de artigos online não ser das melhores.
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Semana dos Realizadores
Uma boa noticia para os cinéfilos cariocas é que na semana anterior ao Festival do Rio vai acontecer no Arteplex uma mostra de cinema independente brasileiro que não deixa de servir como complemento/alternativa a Premiere Brasil. A seleção é muito boa e me deixa chateado de que a maior parte destes filmes provavelmente só passara aqui em São Paulo perdidos sem nenhum destaque no meio da Mostra. A programação e mais informações estão disponiveis no site.
Longas
Mangue Negro, de Rodrigo Aragão
A Casa de Sandro, de Gustavo Beck
A Fuga da Mulher-Gorila, de Felipe Bragança e Marina Meliande
Um Lugar ao Sol, de Gabriel Mascaro
Sagrado Segredo, de André Luiz Oliveira
Acácio, de Marília Rocha
Tudo Isso Me Parece um Sonho, de Geraldo Sarno
Morro do Céu, de Gustavo Spolidoro
No Meu Lugar, de Eduardo Valente
Médias
Notas Flanantes, de Clarissa Campolina
Balsa, de Marcelo Pedroso
Curtas
Não Me Deixe em Casa, de Daniel Aragão
Quarto de Espera, de Bruno Carboni e Davi Pretto
Bloco D, de Vinicius Casimiro
As Sombras, de Marco Dutra e Juliana Rojas
Pastoreio, de Alexandre R. Garcia
O Menino Japonês, de Caetano Gotardo
Passos no Silêncio, de Guto Parente
Sweet Karolynne, de Anna Bárbara Ramos
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Festival do Rio
A lista completa do Festival do Rio sai na Quinta, mas enviaram uma primeira versão para a imprensa. Alguns filmes de interesse:
Abraços partidos (Los Abrazos Rotos), de Pedro Almodóvar (Espanha)
Mother (Madeo), de Bong Joon-ho (Coréia do Sul)
London River (London River), de Rachid Bouchareb (França)
Barba Azul (Barbe Bleue), de Catherine Breillat (França)
O segredo dos seus olhos (El secreto de sus ojos), de Juan José Campanella (Argentina)
Brilho de Uma Paixão (Bright Star), de Jane Campion (Reino Unido)
35 Doses de Rum (35 Shots of Rum), de Claire Denis (França)
When you’re strange, de Tom DiCillo (Estados Unidos)
Eu matei a minha mãe (J’ai tué ma mère), de Xavier Dolan (Canadá)
Julie & Julia, de Nora Ephron (Estados Unidos)
Coco antes de Chanel (Coco avant Chanel), de Anne Fontaine (França)
Mais tarde, você vai entender… (Plus tard, tu comprendras…), de Amos Gitaï (França)
O rei da fuga (Le roi de l’evasion), de Alain Guiraudie (França)
The White Ribbon (Das weiße Band), de Michael Haneke (Alemanha)
O pai dos meus filhos (Le père de mes enfants), de Mia Hansen-Love (Alemanha)
Maradona (Maradona by Kusturica), de Emir Kusturica (Espanha)
Viagem aos Pireneus (Le Voyage aux Pyrénées), de Jean-Marie, Arnaud Larrieu (França)
Aconteceu em Woodstock (Taking Woodstock), de Ang Lee (Estados Unidos)
Histórias extraordinárias, de Mariano Llinás (Argentina)
Distante Nós Vamos (Away We Go), de Sam Mendes (Estados Unidos)
Corações em Conflito (Mammoth), de Lukas Moodysson (Suécia)
Fais-moi Plaisir (Fais-moi Plaisir!), de Emmanuel Mouret (França)
The Chaser (Choo Gyeok Ja), de Hong-jin Na (Coréia do Sul)
Singularidades de uma rapariga loura, de Manoel de Oliveira (Portugal)
Ricky (Ricky), de François Ozon (França)
Sede de Sangue (Bak-Jwi), de Park Chan-wook (Coréia do Sul)
Les Herbes Folles, de Alain Resnais (França)
Morrer como um homem, de João Pedro Rodrigues (Portugal)
A casa Nucingen (La Maison Nucingen), de Raoul Ruiz (França)
O maravilhoso mundo da lavanderia (Die Wundersame Welt der Waschkraft), de Hans-Christian Schmid (Alemanha)
American Boy: o retrato de Steven Prince (American Boy: A Profile of Steven Prince), de Martin Scorsese (Estados Unidos)
O dia da transa (Humpday), de Lynn Shelton (Estados Unidos)
O Desinformante! (The informant!), de Steven Soderbergh (Estados Unidos)
Che 2 – A Guerrilha, de Steven Soderbergh (Espanha)
A próxima estação (La próxima estación), de Fernando E. Solanas (Argentina)
Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds), de Quentin Tarantino (Estados Unidos)
Tyson, de James Toback (Estados Unidos)
As praias de Agnes (Les Plages d’Agnès), de Agnès Varda (França)
Doce perfume (Sweet Rush), de Andrzej Wajda (Polônia)
(500) Dias com ela ((500) Days of Summer), de Marc Webb (Estados Unidos)
A Doutrina de Choque (The Shock Doctrine), de Michael Winterbottom, Mat Whitecross (Reino Unido)
A batalha dos 3 reinos (Chi Bi), de John Woo (China)
Nova York, Eu Te Amo (New York, I Love You), de Mira Nair, Fatih Akin, Yvan Attal, Allen Hughes, Shekhar Kapur, Shunji Iwai, Joshua Marston, Natalie Portman, Brett Ratner, Wen Jiang, Randall Balsmeyer (França)
Atualizando:
Salamandra, de Pablo Aguero (Argentina)
The Burning Plain, de Guillermo Arriaga (México)
Un Prophète, de Jacques Audiard (França)
Vincere, de Marco Bellocchio (Itália)
Distrito 9, de Neill Blomkamp (África do Sul)
Tokyo!, de Bong Joon Ho, Michel Gondry, Leos Carax (Japão)
Erótica Aventura, de Jean-Claude Brisseau (França)
White Material, de Claire Denis (França)
Tulpan, de Sergey Dvortsevoy (Cazaquistão)
Porco cego quer voar, de Edwin (Indonésia)
Lake Tahoe, de Fernando Eimbcke (México)
Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans, de Wener Herzog (Estados Unidos)
Momma’s Man, de Azazel Jacobs (Estados Unidos)
24 City, de Jia Zhang-ke (China)
Os Vigaristas, de Rian Johnson (Estados Unidos)
Ainda a Caminhar, de Hirokazu Kore-Eda (Japão)
Uma vida nova em folha, de Ounie Lecomte (Coreia do Sul)
Independencia, de Raya Martin (Filipinas)
Como desenhar um circulo perfeito, de Marco Martins (Portugal)
Doze Jurados e Uma Sentença, de Nikita Mikhalkov (Rússia)
The Messenger, de Oren Moverman (Estados Unidos)
Uma barragem contra o Pacífico, de Rithy Pahn (França)
Jericó, de Christian Petzold (Alemanha)
Politist, Adjectiv, de Corneliu Porumboiu (Romenia)
Tiro na cabeça, de Jaime Rosales (Espanha)
An Education, de Lone Scherfig (Inglaterra)
The Time That Remains, de Elia Suleiman (Palestina)
Polytechnique, de Denis Villeneuve (Canada)
Tales from the Golden Age, coletivo (Romenia)
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Juizo Final (Neil Marshall,08)
Juízo Final não é um filme B tão compacto e eficaz quanto os anteriores Dog Soldiers e The Descent, mas é bem melhor que as críticas sugeriam. Neil Marshall rouba do mais variados filmes de ação dos anos 80 com o mesmo prazer de um Robert Rodriguez, mas tem mais disciplina ao colocar seus elementos dispares em choque. Marshall pensa muito bem o seu filme e em como seu remix de elementos em choque podem ser intrigantes (seus dois filmes anteriores também tinham um olhar apurado para iconografia de gênero apesar de roubarem menos diretamente de filmes específicos). Marshall consegue tanto potencializar a idéia da Escócia servindo de locação para o seu Fuga de Nova York como fazer bom uso de 3 idéias diferentes de decadentismo britânico (Londres, Glasgow e o império pseudo medieval do Malcolm MacDowell). O filme poderia até se chamar 3 propostas para o fim do império britânico. Por sinal é bom apontar que é uma versão extremamente britânica de originais americanos e/ou australianos. Se o filme é limitado um pouco é por conta das cenas de ação ficam a dever um tanto, especialmente comparada a precisão com que Marshall conduzira tanto Dog Soldiers como The Descent.
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