Benny Chan – Uma Filmografia Comentada

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A notícia da morte de Benny Chan no último mês de agosto pegou a todos os fãs do cinema de Hong Kong de surpresa. Eu não diria que ele era um dos meus diretores locais favoritos ou nada do tipo, mas ele é um dos diretores de filme de ação mais consistentes das últimas três décadas e seus filmes me proporcionaram muitos momentos de prazer. Como sempre defendo que história do cinema não deveria se limitar a caça de obras primas, me parece relevante prestar atenção a um cineasta “menor” como Chan. A sua filmografia é um espelho particularmente fascinante das últimas três décadas do cinema local, já que seus primeiros filmes são muito diretamente associados a alguns figurões (Johnnie To, Tsui Hark, Jackie Chan, Jeffrey Lau) e ele depois estaria diretamente envolvido em tentativas de desenvolver um estilo de ação mais limpo nos primeiros anos após a devolução a China, e na última década depois que a indústria de Hong Kong hasteou a bandeira branca e majoritariamente aceitou ser absorvida pela indústria da China continental, ele se tornou um dos poucos cineastas trabalhando com bons orçamentos cujos filmes das estrelas as suas idiossincrasias ainda sugeriam o cinema de Hong Kong antes de mais nada. É um movimento intrigante já que pela metade da carreira de Chan seu nome provavelmente trazia a cinéfilos ocidentais uma referência direta a “decadência do cinema de Hong Kong” com sua associação a jovens estrelas sem sal, narrativas simplificadas e a falta de intensidade que pode se associar a um  Woo ou Tsui, como alguém que achava que se era cruel com Chan naquela época, 15 anos depois ele me parece muito mais claramente um cineasta distinto e se ele será sempre visto mais um artesão do que autor, ele estava em sets de Hong Kong quando muitos momentos e atuações interessantes aconteceram e isto conta bastante para mim.   

A Moment of Romance (1990)
O filme de estreia de Chan permanece seu melhor. Produzido por Johnnie To que desde sempre fez questão de assumir sua autoria, a tal ponto que numa das suas melhores comédia românticas Needing You criou uma subtrama cuja única função era aludir a ele. É provavelmente útil mencionar que To e Chan são contemporâneos que trabalharam juntos na TV de Hong Kong dos anos 80 com To dando salto para cinema alguns anos antes (e que se é verdade que A Moment of Romance se destaca entre os primeiros filmes de Chan, ele é também bem melhor do que qualquer filme que To dirigiu até os anos finais da década). É um filme de ação romântico com Andy Lau como um membro sensível da tríade que ajuda a proteger uma jovem de classe média (Jacklyn Wu) que ele primeiramente usara como refém dos seus parceiros criminosos que querem eliminar uma possível testemunha. Seu ponto óbvio de referência é a estreia de Wong Kar-wai As Tears Go By, também com Lau como um gangster jovem bem-intencionado dividido entre o amor e as ligações criminosas, mas A Moment of Romance é muito mais seguro e emocionalmente eficaz e ele leva todo o seu melodrama sem vergonha com a mais absoluta convicção. Lau e Wu formam um casal dos mais atraentes (este filme fez tanto pela popularidade de Lau no sudeste asiático quanto Titanic faria alguns anos depois por Di Caprio pelo resto do mundo e é fácil entender porque já que entre A Moment of Romance e As Tears Go By, Andy Lau, o tríade sensível, periga ser o homem mais atraente da história do cinema). O filme é um isto perfeitamente modulado de romance de garota rica, rapaz pobre com violência dura com um melodrama artificial sendo colocado contra um uso expressivo de ruas locais para lhe adicionar autenticidade. Este é um dos filmes que mais me decepcionaram por não poder trazer para a retrospectiva de Hong Kong que eu curei uns anos atrás, uma destilação do que fazia o cinema local tão excitante 30 anos atrás, um filme pop perfeito.

Son on the Run (1991)
Son on the Run se destaca por ser um dos raros filmes de Hong Kong que retratam a indústria de cinema local. O personagem principal é um dublê o que oferece a Chan múltiplas oportunidades de brincar com situações e imagens reconhecíveis. Para além da diversão paródica, há um bom material sobre a vida as margens da indústria. O filme é bem derivativo do Fall Guy do Kenji Fukasaku e All About Ah Long de To. A última sequencia de ação que dá errada é bem memorável.

What a Hero! (1992)
Uma comédia de ação para Andy Lau. Foi escrita por Jeffrey Lau e traz a lembrança alguns dos filmes que o mesmo fez com Stephen Chow, só que apesar de Andy Lau ter protagonizado muitas comédias engraçadas no período ele não é exatamente um comediante e o filme carece de um ator mais engraçado no centro. Ele tem um ótimo elenco de apoio (Roy Cheung, Maggie Cheung, Anthony Wong, Paul Chun) e uma atmosfera das mais agradáveis. Orgulhosamente lowbrow, cheio de energia e há um sentimento de comunidade que o cinema de Hong Kong começou a perder não muito depois. 

A Moment of Romance 2 (1993)
Existe uma longa tradição no cinema de Hong Kong de sequencias só de nome que oferecem similaridades de elenco e trama. Então está aqui traz novamente Jacklyn Wu e uma trama similar (se mais carregada de elementos), mas a química não dá a mesma liga. O problema provavelmente é que Aaron Kwok substitui Lau e apesar de que com o tempo ele ter se tornado bom ator, a sua imitação de James Dean aqui realmente soa como se a produção foi para a rua, parou o primeiro jovem bonito que acharam, deram para ele um capacete de motoqueiro e lhe pediram “seja sedutor”.

The Magic Crane (1993)
The Magic Crane foi realizado durante os anos mais produtivos da Film Workshop, produtora de Tsui Hark e é um exemplo perfeito do novo estilo de filme de artes marciais que Tsui e Ching Siu-tung desenvolveram. Coreografia de ação excepcional oferecida num estilo caótico e hiperativo. Há muita energia, um sem número de ideias malucas e cheio de imagens incríveis. Em algum lugar no meio dos corpos em movimento tem também um elenco muito bom (Tony Leung, Anita Mui, Rosamund Kwan).

Man Wanted (1995)
Um dos últimos exemplos dos filmes de Heroic bloodshed dos anos 80, só que em meados dos  anos 90s não sobrou quase nada de heroico neles. Bastante cínico e destrutivo com uma ótima atuação central de Simon Yam. Mais cru que a maioria dos filmes de ação de Chan. Muita ação violenta e oportunidades amplas de expandir sobre o melodrama masculino do gênero. É Chan fazendo um filme de John Woo num mundo nos quais seus personagens viram eles, acreditaram nos seus mitos e pagaram por isso em balas.

Big Bullet (1996)
Um filme chave no desenvolvimento do que se tornaria o filme de ação de Hong Kong depois da devolução para a China. Big Bullet é provavelmente o primeiro filme local a ser claramente influenciado pelo Michael Mann num estilo hibrido que Johnnie To mais tarde tornaria seu (e a série Infernal Affairs vulgarizaria e a transformaria no estilo de ação de Hong Kong do século XXI). Nessa altura ainda há muito da ação abstrata de Tsui Hark e dos detalhes autênticos de Kirk Wong. Uma impressão de ameaça violenta dos dois lados da lei e uma mistura de inserts rápidos em close, azul pesado e os fundos cheio de fumaça que Tsui tanto amava que combinados permitiam a ação um certo peso alegórico filmes em estilo similar abandonariam. A ação explode em rapidas pinçadas violentas e frequentemente acompanhadas de elementos inesperados. Há algumas similaridades com Full Alert de Ringo Lam no qual Lau também interpreta um super policial obcecado, mas Big Bullet tem ação mais memorável, se menos peso temático. O filme não funcionaria sem o ótimo trabalho de Lau Ching-wan como o Dirty Harry de Hong Kong e Anthony Wong como o gangster violento que ele não medira esforços para parar, eles são apresentados não como os típicos duplos de Woo, mas objetos imóveis em rota de colisão. Quando Big Bullet foi lançado ele sugeriria um novo estilo para o filme de ação local com seus elementos ocidentalizados reconhecíveis, mas agora ele parece um objeto do passado, claramente posterior aos excessos do ciclo de Heroic Bloodshed, mas com uma identidade própria bem distante de filmes posteriores.   

Quem Sou Eu? (1998) (co-dirigido por Jackie Chan)
O quanto de Quem Sou Eu? que Benny Chan de fato dirigiu é alho que ninguém sabe ao certo. Jackie Chan vinha alternando entre veículos em que ele se auto dirigiu com filmes feitos pelo seu amigo Sammo Hung por cerca de uma década quando ele teve uma péssima queda no set de Operação Condor (1991) que não só obrigou a produção parar por meses, mas supostamente deixou ele com um buraco no crânio. Depois disso a Golden Harvest temendo que sua de longe maior estrela ia eventualmente se matar num set na sua crença de oferecer seu corpo aos fãs, decidiu que Chan não poderia dirigir mais, que ele poderia coreografar ação mais alguém mais controlável (geralmente Stanley Tong) garantiria que as coisas eram filmadas de forma segura. Quem Sou Eu? é o único filme no qual Jackie Chan tem um credito como diretor entre Operação Condor e sua sequência 21 anos depois Chinese Zodiac. Eu imagino que a principal função de Benny Chan aqui era garantir que as coisas corressem bem e Chan não se matasse (em certo ponto do filme Jackie literalmente desce a lateral de um prédio a pé por nenhum motivo, então suponho que Golden Harvest não ficou feliz). As cenas que ajudam a trama avançar aqui não são das mais inspiradas, mas tanto a ação como a comédia estão entre as melhores de Jackie. A trama de amnésia para além de server de uma alegoria óbvia da encruzilhada de Jackie Chan entre oriente e ocidente na sua carreira (ele se mudaria em definitivo para Hollywood com A Horado Rush meses depois) oferece a ele uma das suas melhores oportunidades de brincar de Buster Keaton e isto sempre traz a sua persona mais inspirada. A maioria dos fãs de Jackie Chan consideram The Legend of Drunken Master do Lau Kar-leung feito quatro anos antes como seu último grande filme, mas sempre fui parcial a este aqui. Então não sei o quanto de Quem Sou Eu? que Benny Chan dirigiu e ele evidentemente não era o autor do filme, mas eles estava por lá quando ótimos momentos aconteceram.

Gen-X Cops (1999) e Gen-Y Cops (2000)
Quando você menciona o nome de Chan e algum fã ocidental torce o nariz eles quase sempre  estão pensando nestes dois filmes. Eles tem estrelas bem jovens que fazem as pessoas pensaram eles não são nenhum Chow Yun Fat, um estilo de ação limpo que parece voltado para consumo ocidental (Gen Y até traz um Paul Rudd jovem como co-estrela) e tramas bastante genéricas. Eu não exatamente defenderia eles contra acusações de serem limpinhos e ocidentalizados, mas eu realmente gosto bastante de Gen X-Cops cujo único defeito sério é uma atuação atroz de Daniel Wu em começo de carreira que até hoje me deixa surpreso quando ele aparece em algo e eu penso  “ei, eu gosto de Daniel Wu”. De resto, a ação é bem pensada, Eric Tsang está por lá para garantir algum peso e entre Nicholas Tse e Sam Lee o jovem elenco é bem mais simpático e dotado de de personalidade do que os detratores dizem. Quanto a Gen-Y? É uma sequência apressada, ainda mais orientada para o ocidente e a parte Lee não traz de volta nenhum dos melhores membros do elenco original. Está longe de ser tudo que há de errado com o cinema de Hong Kong por volta do ano 2000, mas não é nada bom.   

Heroic Duo (2003)
Bem obviamente derivado do espírito de Running Out of Time, um dos melhores filmes de Johnnie To dessa época, como aquele filme ele tem uma encenação bastante artificial, um gosto por truques e uma trama de auto atualização. A trama lida com um hipnotizador então Chan procede como se tudo que precisar acontecer vai acontecer porque hipnose fez alguém faze-lo, o que é irritante no começo e progressivamente mais divertido ao longo do filme. Ele tem ótimas sequencias de ação, algumas atuações coadjuvantes muito boas de Karena Lam e Francis Ng, e a falta de expressão habitual do Leon Lai é colocada para muito bom uso. Heroic Duo é um filme ridículo, mas desde que você entre nos seus ritmos particulares ele bastante prazeroso.    

New Police Story (2004)
O maior defeito de New Police Story é que ele se chama New Police Story. Este foi o primeiro veículo para Jackie Chan sem o Mercado ocidental em vista em mais de uma década e o título traz intencionalmente a memória a sua série mais querida, mas não na verdade uma sequência na altura de 2004 as capacidades atléticas de Chan começavam a abandona-lo então suas peripécias físicas não são tão excitantes quanto as de Quem Sou Eu? Muito menos dos primeiros Police Story. A trama joga com a ideia de Jackie como um homem envelhecido com dificuldade de se adaptar aos novos tempos, existem alguns ecos do subestimado Crime Story  de Kirk Wong (a única tentativa anterior de Jackie de mexer com a formula da série) menos o sua crueza, mas como um retrato de Jackie Chan pós Hollywood perdido com o próprio legado o filme funciona. Um dos poucos filmes de Jackie Chan das duas últimas décadas dos quais eu gosto.

Divergence (2005)
Divergence é um thriller sobre trauma, histórias passadas e legados de violência. É provavelmente o filme mais ambicioso com o qual Benny Chan esteve associado. O roteiro de Ivy Ho (que escreveu Comrades, Almost a Love Story  do Peter Chan e é também uma boa cineasta) cria uma teia complexa de culpa e trauma para uma série de personagens falhos no espaço limite entre lei e criminalidade se moverem por. O que destaca em Divergence é que Chan ainda dirige tudo com o olho prático de um diretor de ação, há uma perseguição a pé memorável, alguns bons tiroteios e ele nunca permite que o filme se sobrecarregue com o peso dos seus temas, mas deixe que eles ressoem sobre os atos dos personagens. Tanto Aaron Kwok como Daniel Wu estão excelentes (Kwok até venceu o primeiro de dois prêmios de melhor ator consecutivos no Hong Kong Film Awards, algo que eu diria impossível à época de A Moment of Romance 2).

Robin B-Hood (2006)
Este é o último dos veículos de Jackie Chan que Benny Chan esteve envolvido e de longe o menos interessante. É uma pena pois foi a primeira vez que Jackie e seu amigo de infância Yuen Biao contracenaram desde os anos 80 e eu sempre achei Biao o seu melhor parceiro de cena, há momentos em que o filme ganha vida quando a tensão do velho espírito competitivo entre os dois vai ao primeiro plano. Michael Hui também está em cena como o chefe de Jackiei em outro casting inspirado desperdiçado. No geral, é um filme pouco inspirado tanto na ação como comédia.

Invisible Target (2007)
Minha escolha para melhor filme com o qual Chan esteve envolvido que Johnnie To não diz ser diretor fantasma. Um dos últimos suspiros do filme de ação de Hong Kong, se não fossem pelo uso de CGI para apagar cabos, a duração de 130 minutos e a fotografia fria ele quase passaria por um filme de 1989. A trama é ao mesmo tempo bastante complicada e desimportante (ele se chama Invisible Target porque alguém envolvido achou que soava bem), um exercício na construção de laços masculinos pelo viés da dor coletiva ao serem atingidos no meio de praticar ação perigosa. No meio de uma das perseguições a pé que Chan tanto gosta, Nicholas Tse é atropelado por um ônibus, se levanta, corre sobre múltiplos carros em movimento até aterrissar no teto do táxi que ele perseguia, então é´este tipo de filme. Não parece ter ideia de ação que foi recusada porque era muito difícil de realizar e os três atores principais (Tse, Shawn Yue e o filho de Jackie, Jaycee) estão bem-dispostos em quebrar alguns ossos em nome do filme e o mesmo vale para Andy On e Wu Jing como os vilões. Nenhuma preocupação com gravidade ou em permanecer numa escala administrável. Um balé masoquista.  

Connected (2008)
Alguns produtores chineses compraram os sireitos do roteiro de Larry Cohen para Celular, traduziram ele e contrataram Chan para dirigir um remake. È o um filme superior ao americano original, com ação coreografada mais forte (em especial uma perseguição ainda no começo), Louis Koo é um protagonista melhor que o jovem Chris Evans (e ajuda ele ser cerca de uma década mais velho o que faz mais sentido no papel) e ao contrario dos produtores hollywodianos reconhecem quando tem algo bom e seguem o conceito original do Cohen sem expandi=lo em excesso. Celular é um bom filme B com orçamento de estúdio, mas o contraste entre eles diz bastante sobre as duas indústrias e Connected é bem mais engenhoso.  

City Under Siege (2010)
Este não é o filme que eu pegaria para defender Chan para ninguém já que é uma mistura de filme de super herói e horror corporal bem ridícula, mas ele apresenta muito do que ainda difere o cinema de Hong Kong tanto na disposição de abraçar excesso e artesanato: ótimas cores, sets bem imaginados, edição criativa, um bocado de melodrama exagerado e alívio cômico grosseiro, muito bom elenco de apoio (Wu Jing, Shu Qi), muito CGi questionável e maquiagem bizarra, um duelo final de atiradores de faca e zero pretensão a bom senso ou gosto. É certamente mais memorável que um filme médio da Marvel.

Shaolin (2011)
A queda do templo de Shaolin num filme mais próximo em espírito ao The Warlords  do Peter Chan’ do que Chang Cheh. Ele tem um ótimo elenco (Andy Lau, Nicholas Tse, Wu Jing, Fan Bingbing além de um papel pequeno para Jackie Chan mais cativante aqui do que em qualquer filme que fez neste século) e algumas cenas de ação muito bem coreografadas. O filme faz um ótimo trabalho de vender a tragédia da queda do templo apesar de ao contrário de  Cheh não lhe emprestar o mesmo peso filosófico. É um dos poucos épicos chineses contemporâneos que parecem existir para além da propaganda do PCC.

The White Storm (2013)
Um filme de Heroic bloodshed velha guarda claramente voltado para o público nostálgico. É protagonizado pelo trio Lau Ching-wan-Louis Koo-Nick Cheung que a muito se tornou a resposta da indústria local para “eles não fazem filmes como antigamente”, muitas traições, declarações de amor entre homens e reversos de sorte e um infinito de sequencias de ação grandiloquentes. Para quem gosta dos seus melôs masculinos cheios de bala, The White Storm é bom tanto para ação como lágrimas.  Não é um John Woo, mas faz bem o trabalho de oferecer um Xerox contemporâneo.

Call of Heroes (2016)
Um dos melhores filmes de Chan, uma espécie de Rio Bravo chinês. Os seus dois filmes anteriores lidavam com o universo temático de Chang Cheh mas não lhe davam peso, mas este é completamente realizado. A comédia entre a dedicação teimosa do xerife de tomar a decisão moral e o desespero dos moradores locais para que ele faça o mais prático é muito bem utilizada. Sammo Hung contribui uma das suas melhores coreografias de ação. Um dos melhores papeis do Lau Ching-wan e  Eddie Peng resolveu interpretar o papel do Ricky Nelson como uma grande homenagem a Toshiro Mifune por nenhum motivo aparente além de me deixar feliz.

Meow (2017)
E se Chris Marker fizesse um filme de Spielberg, Agora sério, esta é uma comédia nada engraçada cheia de piadas de peido de gato e um lembrete de que Chan nunca foi muito feliz quando tenta ser engraçado, mas Meow é também um dos filmes mainstream mais esquisitos dos últimos anos. O ponto de partida é mais ou menos “gatos são na verdade guerreiros alienígenas que foram enviados a Terra e terminaram corrompidos pelo capitalismo nessas criaturas gordas, preguiçosas e adoráveis que conhecemos”, não é piada. Se você vai fazer um filme ruim, é sempre preferível fazer um memorável.  Dito isso, é bom saber que Chan ainda tem um para ser lançado, um filme de ação chamado Reigning Fire protagonizado pelo Donnie Yen que estava nos últimos estágios de pós-produção quando ele faleceu, com sorte é um desfecho mais positivo.

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