A Home with a View (Herman Yau, 2019)

ahomewithaview
Entrou recentemente no Netflix, a Home with a View, um dos três filmes que Herman Yau já lançou este ano. Boa oportunidade para tomar algum contato com a obra bastante particular de Yau. Trata-se de um bem reconhecível comedia de Hong Kong com seus excessos e falta de vergonha, como bem típico de Yau é um filme cujo ponto de partida lida de forma bem direta com algum problema local, no caso a crise habitacional. Hong Kong é dona de uma das maiores densidades populacionais do mundo e se boa parte do cinema comercial local em sincronia com a indústria chinesa se dedica a vender um estilo de vida cheio de apartamentos super espaçosos, a realidade local é de que a não ser que se tenha muita grana qualquer coisa especialmente acima de um quarto/sala é um luxo.  O filme de Yau se centra numa família média (pai Francis Ng, mãe Anita Yuen, avô Lawrence Cheng, um casal de filhos adolescentes) tomada pelas nuroses locais cujo maior alivio é a vista do porto da cidade da janela da sala/cozinha, até o dia que o morador da cobertura da frente instala um outdoor ilegal tampando o pouco de natureza visível. Yau tira o máximo do conceito muito teatral da vista da janela, assim como de todos os quartos e corredores estreitos que ocupam uns 90% da ação do filme. Todas as personagens são neuróticas a começar com Koo se divertindo muito como a personagem mais cartunesca e simpática do filme. O humor segue firme sobre o absurdo das situações. Indo da farsa burocrática com a família buscando os mais diversos órgãos públicos para regularizar a situação e o governo incapaz de lidar com a afirmação de Koo de que o outdoor é uma “obra de arte patrocinada”, até ser aos poucos tomado pelo desespero. Para um filme construído sobre uma série de situações absurdas destinadas a subir de tom por rolo, A Home with a View tem uma visão muito reconhecível de depressão e vida nas grandes cidades. Para quem se interessar, também disponível no Netflix no mesmo tom de farsa cotidiana, Shark Busters (2002), no qual Yau lida com uma epidemia na época de policiais em dívida com agiotas. É o que mais me fascina na obra de Herman Yau ao longo de 60 filmes em três décadas ninguém deixou um olhar mais especifico sobre como se vive em Hong Kong no período independente de filmar fitas policiais, de horror super violentas ou comédias rasgadas.

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