Olhar de Cinema Dias 1 e 2

dizaela

Diz a Ela que me Viu Chorar, de Maira Bührer

Durante os próximos dias, estarei aqui em Curitiba cobrindo o Olhar de Cinema. Vou escrever uns textos mais longos para a Cinética, mas vou deixar alguns comentários rápidos aqui dos filmes vistos também.

Banquete Coutinho (Josafa Veloso, 2019)
A indústria de documentários sobre Coutinho me entedia um pouco, pois a maioria usa do formato de entrevista para vampiriza-lo. Nesse sentido, este filme do Josafa Veloso me parece mais interessante já que o foco principal é nos filmes muito mais do que no encontro em si. O filme extrai algumas observações boas sobre a obra do cineasta e consegue devolver foco da figura para a obra muito mais do que outros filmes similares. Há alguns momentos excessivamente ilustrativos na articulação da montagem.

Segunda Vez (Dora Garcia, 2018)
Um dos pontos fortes do filme de Garcia é o seu misto de contexto e opacidade. Os happenings de Oscar Masotta que ela reencena (junto de uma passagem de Julio Cortazar) existem no filme ao mesmo tempo num contexto de repetição continua das violações democráticas na Argentina e ao mesmo tempo que o jogo lacaniano proposto por elas pede do espectador um desejo de preencher lacunas sobre o autor. Há um curto particular de como o filme sugere a ditadura do fim dos anos 70 (subtexto de Cortazar) enquanto os happenings se referem ao fim dos anos 60. O trabalho formal de Garcia é expressivo, mesmo quando o filme pode permanecer distante. A montagem e a forma como ela expande dos happenings para a plateia e os efeitos de transferência e permanência possíveis nesse ato de reimaginar eventos pensados para serem únicos e pertences a momentos muito exatos.

Meio Dia (Helena Solberg, 1970)
Tinha visto este curta da Helena Solberg pela primeira vez uns meses atrás, mas revisto no cinema bateu mais forte. O que é Zero de Conduta num contexto de cerceamento de liberdades?

Três Tristes Tigres (Raul Ruiz, 1968)
Trata-se do primeiro longa finalizado por Ruiz. Ainda no Chile, poucos anos antes de partir para seu longo exílio europeu (do qual a maioria dos filmes da retrospectiva do Olhar de Cinema tratam). Um texto de origem? Em certo sentido. As questões aqui são de exploração e imaginação como em todo o Ruiz, mas o ponto de partida é de uma observação cotidiana rara no seu cinema fantástico. O filme se expande, encontra uma potencia de ficção enquanto segue filiado a um universo muito simples, mas enriquecido pelos detalhes do olhar.

Diz a Ela que me Viu Chorar (Maira Bühler, 2019)
Documentário observacional passado nos últimos meses do funcionamento de uma dos hotéis para usuários de drogas que a prefeitura de Fernando Haddad criou em São Paulo. Em pouco mais de 80 minutos Bühler delineia alguns poucos personagens com força. Filme de bastante concentração dramática, mas uma variedade grande de registro. Tenta-se dar conta dos altos e baixos da convivência em tal lugar, ao mesmo tempo que busca estabelecer o clima melancólico desesperador dos seus últimos dias. Estamos ali diante da experiência do Estado tentando dar alguma acolhida aos seus membros mais vulneráveis, ao mesmo tempo que o filme tenta colocar cada um dos seus personagens como indivíduos próprios que se sobrepõe ao hotel como espaço.

 

 

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