Mom and Dad (Brian Taylor, 2017)

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Quando Brian Taylor (e seu antigo parceiro Mark Nedevine) apareceram na cena no final da década passada, havia algo de muito sedutor justamente em como seus filmes sugeriam um misto de adolescentes hiper-ativos completamente desprovidos de bom gosto com uma preferência asiática por jogar tantas ideias na tela quanto possível, pelo high concept bem pensado, por pregar peças na plateia e uma abrasividade incomum. Em suma, os filmes do Taylor e Neveldine eram o que os filmes de Takeshi Miike seriam se ele crescesse com cultura pop americana.
Desde Gamer (2009), a obra de Taylor seguia em banho maria (só um filme B mediocre para a Marvel), então é um prazer encontrar este Mom and Dad. Lá estão muito do que descrevi acima, o conceito é simples (um evento misterioso faz com que pais se voltem contra os filhos de forma violenta), o filme dura só 83 minutos, desprovidos de explicações, com pouca trama, mas muito incidente.  Taylor é o tipo de cineasta que depois de ter uma ideia parece se perguntar “ok, o que eu posso criar a partir disso?”. Aqui por exemplo desvia caminho por um hospital tanto para o nascimento de um bebê quanto para um plano maravilhoso de pais sanguinolentos observando a prole numa maternidade. E ele tira o máximo dos seus atores adultos: Nicolas Cage, cujo gosto pelo excesso é raramente posto para tão bom uso, e Selma Blair, que é ainda melhor, sobretudo quando o filme permite ela ser frustrada mas determinada.
Eu especialmente aprecio como para uma comédia de horror rasteira, o filme tem um ótimo sentido para dinâmica familiar e sabe usar o conceito para manter um ambivalência entre violência e afeição, não estamos muito distantes de um filme típico sobre ressentimento familiar, mas de forma muito mais abrasiva e sem possibilidade de reconciliação. Eu especialmente aprecio com boa Blair é, em sugerir no meio de um rompante de violento alguns instantes de satisfação com a filha (meio que o exato reverso de como pais frequentemente se comportam). Não deixa de ser um reverso/completo de Ladybird, o que ali é bem observado e terno, aqui é grosseiro e resolvido em pequenas vinhetas isoladas, mas as ideias sobre família e raízes não são tão distantes.

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