Thom Andersen além de Los Angeles Plays Itself

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The Thoughts That Once We Had (2015), de Thom Andersen

Muitos cinefilos paulistanos tiveram a oportunidade de conhecer Thom Andersen quando a Mostra trouxe Los Angeles Plays Itself em 2014. Trata-se certamente da obra prima de Andersen tanto como cineasta quanto crítico, mas a partir de amanhã (8/7) o CCSP iniciara a retrospectiva “Hollywood e além: o cinema investigativo de Thom Andersen” que nos dará a oportunidade de conferir o restante da obra de Andersen que vai certamente além daquele grande filme. A retrospectiva inclui até onde sei todos os longas e médias do realizador e grande maioria dos curtas dele, incluindo alguns trabalhos do ano passado que ainda não circularam muito. Andersen é um cineasta essencial justamente porque poucos são tão hábeis em nos colocar diante de como a história das formas (seja numa arte como cinema, seja nos espaços públicos que frequentamos, etc.) ajuda a formar nossa compreensão do mundo. Como costumo dizer o que há de menos importante nos filmes de Andersen e se concordamos ou não com suas teses e conclusões, mas este desejo de expandir o olhar.

Entre outras coisas é uma bela oportunidade para colocar as preocupações com arquitetura, espaço público e políticas de Andersen num contexto mais amplo. Por exemplo, Red Hollywood (co-dirigido pelo Noel Burch) e Get Out of the Car, os filmes que Andersen realizou antes e depois de Los Angeles Plays Itself ajudam bastante a coloca-lo no contexto, o primeiro narrando a historia dos artistas militantes comunistas em Hollywood e o segundo completando a construção da identidade urbana de Los Angeles para além da sua imagem no próprio cinema.

A retro é uma rara oportunidade de assistir ao primeiro média dele Eadweard Muybridge, Zoopraxographer que é um dos seus melhores filmes e geralmente circula na internet em cópias de qualidade duvidosa. Um trabalho excepcional de crítica e história e um dos seus filmes formalmente mais interessantes, além de um bom exemplo do senso de humor do Andersen em relação ao seu tom professoral que sempre ajuda os filmes a fluir melhor. A retro também inclui a primeira exibição paulistana do longa mais novo de Andersen The Thoughts That We Once Had, que acho só passara por aqui no Fronteira ano passado. É um filme intrigante justamente porque tira Andersen do seu habitat natural do pragmatismo da crítica americana e numa direção mais especulativa da tradição francesa. O ponto de partida são os dois livros de cinema do Deleuze, mas é bom destacar aos deleuzianos que eles são mais um veículo para as ideias de Andersen do que o foco do filme.

A retro também inclui alguns trabalhos de cineastas próximos e as vezes parceiros do realizador como Peter Bo Rappmund, Billy Woodberry e Ross Lipman.

No dia 14 após a segunda exibição do The Thoughts That We Once Had haverá um bate papo entre o Andersen, Remier Lion e o Aaron Cutler (que fez a curadoria da mostra junto da Mariana Shellard).

A programação esta disponível aqui.

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