Arquivo do mês: março 2009

Chantal Akerman no CCBB

Começa quarta-feira a retrospectiva da Chantal Akerman no CCBB-SP. Com exceção da prometida retrospectiva do Garrel, é difícil que o cinéfilo paulistano encontre um evento tão importante este ano (sei que vai para o Rio também mas não tenho certeza das datas). A própria Akerman deve vir participar de um bate-papo. No mínimo Jeanne Dielman, Eu Tu Ele Ela, Encontros com Anna, Noticias de Casa, Toda uma Noite, Noite e Dia e A Prisioneira são filmes obrigatórios. Não se trata de uma mostra completa, mas ela conta com todos os filmes mais elogiados da cineasta. A programação está aqui.

Ficam aqui também os links para os três ótimos textos que a Contra publicou sobre A Prisioneira quando o filme passou no Festival do Rio de 2001:
Eduardo Valente
Fernando Verissimo
Ruy Gardnier

14 Comentários

Arquivado em Filmes

The Hurt Locker (Kathryn Bigelow,08)

Kathryn Bigelow certamente fez o melhor sci-fi hawksiano sobre a guerra do Iraque. Filme impressionante justamente na forma como existe exclusivamente por conta da ação. Não existe nada em cena que não envolva os três personagens centrais (uma unidade de desarmadores de bomba do exercito americano) lidando com seu trabalho. As 3 ou 4 cenas que escapam deste foco são filmadas de forma a destacar como o interesse de Bigelow esta bem distante delas. Tudo que nos podemos compreender dos personagens surge exclusivamente de como estes homens se portam diante do seu trabalho (há uma sequência de cerca de quinze minutos envolvendo uma bomba num carro que é uma aula de como usar ação para melhor estabelecer personagens). O filme se estrutura como uma série de trabalhos variados que os três soldados têm de se submeter (bem diferentes entre eles e evitando as ações óbvias com bombas que o espectador já está acostumado). Trata-se fácil do mais autentico filme sobre a guerra do Iraque lançado até agora com uma atenção para detalhes do trabalho de soldados que sugerem um trabalho extenso de pesquisa, mas ao mesmo tempo impressiona como a Bigelow faz bom uso da sua longa experiência em filmes de gênero para estabelecer a atmosfera do filme. Pois apesar de toda sua autenticidade, The Hurt Locker parece-nos sempre uma experiência fantástica com homens colocados num universo paralelo tanto para o espectador – e o filme certamente reforça sempre o estranhamento do que esta em cena – como para eles mesmos. A idéia central – a guerra como um vício – recebe um tratamento que se assemelha mais de como este tipo de metáfora costuma surgir nos filmes de horror ou ficção cientifica, é quase um vírus cronenbergiano que existe ali em meio aos personagens. Tudo isto com o contraponto desta enfâse em trabalho/ação e um pragmatismo/estoicismo hawksiano na maneira com que cada personagem se relaciona com as tarefas que recebem.

18 Comentários

Arquivado em Filmes