Festival do Rio

A Filha de Ninguém, de Hong Sang-soo

A Filha de Ninguém, de Hong Sang-soo

De Menor (Caru Alves de Souza)
A Filha de Ninguém/Our Sunhi (Hong Sang-soo)
A Gente (Aly Muritiba)
A Imigrante (James Gray)
Jogo das Decapitações (Sergio Bianchi)
Ouro (Thomas Arslan)
Tatuagem (Hilton Lacerda)
Tip Top (Serge Bozon)

Abuso de Vulnerável (Catherine Breillat)

A sequencia inicial e final estão entre as melhores coisas que Breillat filmou e o filme como um todo é um exercício de auto-ficção sempre intrigante, mas a maior parte do miolo do filme me parece um tanto teórico demais para uma cineasta cujos méritos tendem a ser sempre muito físicos.

Bastardos (Claire Denis)

Um filme resolvido através da textura. Uma imagem adoecida é uma imagem justa. Trouble Every Day reimaginado para uma Europa que já não poupa sequer a encenação de Denis.

Educação Sentimental (Julio Bressane)

Julio Bressane acredita que certas ideias só podem ser sentidas como cinema. Poderia se chamar A Última Película, o que torna mais tocante que fosse a única do festival (ou ao menos parecesse ser).

Estranho no Lago (Alain Guiraudie)

Dos prazeres e riscos do desejo. A dramaturgia aponta justamente os perigos, enquanto a encenação tem o prazer sensual de Renoir de Um Dia no Campo (a sequencia final tem o mérito notável de casa-las). O uso constante de repetição e a forma como Guiraudie aproxima seus corpos nus do espaço campestre é dos mais convidativos do cinema recente. Um filme a se perder nele, mas que te mantém sempre ressabiado e consciente da sua construção.

A Gatinha Esquisita (Ramon Zurcher)

Outro filme dos mais convidativos que reimagina uma cozinha de um apartamento classe média como um palco por onde pessoas, animais e objetos desfilam para serem reconfigurados enquanto passeiam dentro e fora de quadro por uma câmera democratica que pouco os diferencia. Há uma qualidade musical na construção de Zurcher que reforçam este efeito. Os ecos de Jeanne Dielman na dramaturgia não funcionam muito bem, mas sua construção sugere uma versão atualizada e maleável da Akerman dos anos 70.

Meia Sombra (Nicolas Wackerbarth)

Brutal e sutilmente engraçada satira ao filme de ferias burguês, se aproveitando muito bem da atuação física Anne Ratte-Polle e um uso cuidadoso de espaço para arejar material bastante familiar. Como o Olaf Moller bem observou é tanto um filme sobre uma mulher lutando contra ser objetivação por um homem que nunca vemos como a luta de uma atriz para não ser reduzida pela câmera a um objeto de cena.

Only Lovers Left Alive (Jim Jamursch)

Depois de um dos seus filmes mais interessantes e arejados (The Limits of Control) foi recebido de forma tão fria pouco surpreende que Jamursch jogue tão seguro aqui. Um compêndio de afetações manjadas do seu cinema que no geral jogam com o que ele tem de menos interessante. O mundo do filme é tão morto que é como se Jamursch decidisse que não valesse a pena se esforçar em anima-lo. Não é o pior filme que vi no Rio (páreo duro entre A Grande Beleza e Um Castelo na Itália), mas sem dúvidas o mais decepcionante.

Quando a Noite Cai em Bucareste (Corneliu Poromboiu)

Sugere uma versão sedada de um filme do Hong Sang-soo. Poromboiu tem várias ideias intrigantes sobre filme e algumas soluções estruturais para acompanha-las. Vai para pasta filmes que eu adoraria de ter gostado mais junto com A Imagem que Falta do Pahn, apesar deste me manter mais constantemente interessado.

Real (Kiyoshi Kurosawa)

Dado que Kiyoshi Kurosawa passou cinco anos sem filmar para cinema, é uma pena que Real não seja um filme mais forte.  A primeira metade tem um sentimento de fragilidade de mundo muito forte, mas após a reviravolta inevitável Real se torna bem menos envolvente ilustrando com competência, mas sem frescor uma série de ideias fáceis.  O longo final funciona graças a sua pura convicção não importa o quão literal ele se torne.

Sacro GRA (Gianfranco Rosi)

Traz a mente os filmes do Eduardo Coutinho na medida que os personagens do qual o filme se aproximo são ligados menos por uma conexão temática do que por um recorte geográfico pré-determinado (reclamar que o filme não tem foco faz tanto sentido quanto dizer que Edifício Master não diz nada sobre o prédio). O mérito do filme não se encontra em alguma grande tapeçaria social, mas na forma com que acha um olhar exato para cada um dos seus protagonistas. Este era também o mérito do El Scicario Quarto 164, mas ali Rosi tinha um só personagem, ao fragmentar a abordagem ele dilui um pouco o efeito.

O Último dos Injustos (Claude Lanzmann)

A entrevista com Benjamin Murmelstein, último administrador do gueto judeu modelo que os nazistas mantiveram até o fim da II Guerra, que está no centro deste filme novo de Lanzmann é de 1975, portanto está mais distante de nós do que dos eventos que ela relembra. Lanzmann tem consciência disso, tem consciência de como todo seu longo projeto de entrevistas pertence ele próprio a um outro tempo, de que é necessário agora construí duas pontes de ressonância histórica entre o período nazista e 75 e entre 75 e hoje.  O Último dos Injustos lança um olhar sobre todo um amplo processo de passagem da história (o próprio Lanzmann é não por acidente alavancado a co-protagonista). Certamente um dos melhores filmes do festival.

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