The Act of Killing (Joshua Oppenheimer,2012)

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The Act of Killing tem tema dos mais espinhosos: o assassinato de mais de um milhão de “comunistas” na Indonésia em meados dos anos 60 por milícias oficiais que cinquenta anos depois permanecem não só não punidos, mas celebrados e em posição de poder o suficiente para que uma visita rápida aos créditos do filme no IMDb revelarem que todos os indonésios que trabalharam nele serem creditados como anônimo. A forma que o diretor Joshua Oppenheimer encontra para confronta-lo é convidar alguns dos carrascos para que colaborem com seu filme e reencenem para a sua câmera alguns destes assassinatos. O resultado é um filme como nenhum outro não só porque as encenações propostas pelos protagonistas são frequentemente acompanhadas de referencias cinéfilas que acrescentam um elemento extra de absurdo a suas imagens, mas porque ele produz um canal direto ao genocídio sem muitos equivalentes (é algo como se Jean Rouch pudesse produzir um filme em parceria com os bandeirantes portugueses). O resultado é um filme sobre a violência da linguagem, linguagem da história, mas também a linguagem do cinema, e as formas como ambas terminam cumplices do discurso oficial não importa o quão demente este seja. A ideia central de que culpa sobre assassinato em massa pode existir, mas no conceito do genocídio indonésio que ele retrata, mas não expressa porque o discurso oficial reprimiu-a, negou-lhe  qualquer articulação genuína. Poderia se argumentar que o filme nos permite uma escapatória ao racionalizar o material como apenas um país de terceiro mundo se perdendo na própria psicose, mas Oppenheimer encontra no seu cenário de banalidade do mal, um material realmente perturbador sobre como a linguagem retrata a história (e assassinato legalizado, em particular) e o lugar do cinema – e mídia em geral – como intermediários dele que é ao mesmo tempo muito especifico e expansivo de maneira aterradora.

2 Comentários

Arquivado em Filmes

2 Respostas para “The Act of Killing (Joshua Oppenheimer,2012)

  1. Filipe Furtado

    Já sim.

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