Arquivo do mês: junho 2010

Revisitando Howard Hawks, semana 3: Fazil (1928)

Fazil sugere um verdadeiro filme de terror sobre casamento.  Trata-se de um romance exótico entre o príncipe árabe do título e uma burguesa francesa. O tom perverso da narrativa, assim como certas opções visuais sugerem Josef Von Sternberg – para quem Hawks recentemente escrevera Underworld – muito mais que outros romances de fundo exótico da época. Fazil (Charles Farrell) conhece sua noiva (Greta Nissen) numa viagem a Veneza; fazem ótimo sexo (estamos ainda alguns anos antes do Código Hays), se casam no impulso e só depois percebem que nenhum dos dois está disposto a se mover minimamente dentro dos seus hábitos culturais. Segue uma hora em que cada sem intenção tortura constantemente o outro.

Não há nada na filmografia de Hawks similar a Fazil, mas trata-se menos de uma questão de tom ou tema do que de apresentação. Geralmente seus filmes mais carregados e apocalípticos são comédias que por conta disso disfarçam parcialmente seu conteúdo (pensemos em como reduzido a sua essência Levada da Breca é sobre uma mulher que sistematicamente destrói toda a vida de um homem), mas aqui estamos no terreno do melodrama mais direto possível acompanhada de um considerável toque de crueldade que o diretor só ocasionalmente reserva a alguns personagens a margem das suas tramas.

O material ao contrário de Paid to Love parece genuinamente interessar muito ao cineasta.  Hawks se esforça muito em tornar os particulares específicos da relação dos protagonistas ganharem uma força extra e parece especialmente preocupado em torná-lo mais universal que um simples choque cultural. Voltando ao que dissemos antes Fazil se revela após sua charmosa meia hora inicial um cruel filme de horror sobre matrimonio e é bem claro que seu cineasta vê seu material como o pior final possível para qualquer relação e não só entre um árabe e uma ocidental. É justamente ênfase que o filme que ganha uma força bem maior que o romance exótico que o material a primeira vista sugere.

Hawks também parece muito mais envolvido na busca de boas soluções para o material. Se uma encomenda como Paid to Love só pode ser energizada as margens,  um filme como Fazil apesar de provavelmente ser igualmente efeito da falta de controle do cineasta sobre a carreira, é possível encontrar os toques particulares no centro do material. A primeira meia hora em particular e cheia do tipo de pequenas boas saídas (como o primeiro encontro do casal). Muito por conta disso Fazil soa como um típico filme de Hawks sem o gesso que o material a principio alienígena poderia criar. Não é uma questão do que, mas de como. Boa parte do cinema de Hawks parte do principio da gerencia de situações e um filme estrangeiro bem sucedido como este Fazil termina uma bela aula de como este processo se realiza. Não surpreende que o filme esteja no seu melhor no flerte da primeira parte e no ato final que tem uma precisão e lógica langiana. O tom sufocante da parte final segue a mesma lógica de gerenciamento das situações da corte cheia de possibilidades do príncipio.

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Descobrindo o Cinema Filipino

Bela mostra organizada no CCBB (São Paulo de 9 a 27/6, Rio de 29/6 a 15/7 e Brasilia de 13/7 a 1/8) pelos ex-Contracampo Leonardo Levis e Raphael Mesquita. A seleção é excelente e inclui todos os nomes mais badalados do novo cinema filipino (Lav Diaz, Raya Martin, John Torres, Khavn de la Cruz, Brillante Mendoza), assim como clássicos de Lino Brocka, Ishmael Bernal, Mike De Leon e Kindlat  Tahmik.

Como já disse aqui algumas vezes, o cinema filipino recente está entre os mais interessantes realizados hoje e a seleção da mostra é quase toda de inéditos (salvo por Independencia, Melancolia, Serbis e Kinatay, e mesmo assim nenhum destes filmes passou no Rio ou Brasilia).

Recomendo a sério tentar ver o máximo de títulos possiveis, irei até sacrificar alguns jogos da Copa pela mostra.

Programação, sinopses e alguns artigos sobre os filmes estão disponiveis no site oficial.

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