As Melhores Coisas do Mundo (Lais Bodanzki,10)

O maior mérito de As Melhores Coisas do Mundo é justamente o que ele tem de conservador que captura bem certo universo de colégios classe média alta. Infelizmente vem em parte daí a pior qualidade do filme a forma que o suposto afeto do filme esconde um olhar impiedoso contra quem desvie do seu universo “positivo”.  O problema é muito menos o que este olhar tem de excludente e mais de que ele vem acompanhado de um esforço constante de soar afetuoso e terno, lembrete de que ver Truffaut de mais na sua formação pode ser algo muito nocivo a um cineasta.  Isto soma num outro problema do filme que a pesquisa sobre o universo dos adolescentes resulte justamente nisso uma pesquisa que se encaixa num roteiro absurdamente costurado em que nada na vida dos seus jovens exista sem estar lá perfeitamente amarrado ou para servir como exposição do trabalho de pesquisa ou para mover seus dramas. Para um filme que se propõe a primordialmente ficar ali em meio a suas personagens e seu mundo é curiosamente desprovido de momentos que façam justamente isso, tudo aqui é um dado e uma função. Seu mundo é mais asfixiante que natural. O outro grande problema é algo que Luis Carlos Oliveira Junior flerta na crítica dele na Contracampo: há dois filmes aqui, o que acompanha os adolescentes e o drama da dissolução familiar e eles simplesmente funcionam pessimamente juntos. Casa a Lais Bodanzki partisse para realizar só um deles, o resultado final certamente teria uma força maior.

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