Valsa com Bashir (Ari Folman,08)

O hype entorno de Valsa com Bashir se centra na idéia de se tratar de um documentário em animação. Na verdade o formato do filme é bem conhecido de fãs de quadrinhos independentes em que o formato de ficção autobiográfica utilizado por Folman é muito comum. Esta similaridade é reforçada pela feliz opção de Folman por um traço simples com poucas expressões faciais que criam um contraste forte com os eventos de guerra que os personagens testemunham e/ou participam. Não se trata, porém, de diminuir Valsa com Bashir, mas de apontar que a força do filme tem pouca relação com seu suposto ineditismo, mas pela perfeita adequação entre as possibilidades do trabalho de animação do filme e o esforço de autoficção que o cineasta realiza.

O filme de Folman é muito forte justamente quanto mais se afasta dos fatos e se aproveita das possibilidades da animação para buscar a percepção particular dos soldados sobre sua experiência de guerra. Valsa com Bashir capta perfeitamente este encontro entre memória e ficção (a seqüência que dá título ao filme é um bom exemplo disso), assim como as possíveis mediações da cultura pop neste processo. Apesar de por vezes comprometer sua proposta ao se auto-explicar em excesso.

Se o filme tem uma limitação é justamente permitir que a história termine engolindo o filme na parte final que lida com o massacre de palestinos que o cineasta testemunhou. Não se trata apenas do mal resolvido uso de imagens reais na conclusão, mas numa mudança de tom que atropela muito dos méritos que o filme desenvolvia até ali. É significativo que enquanto a maior parte do filme se construa através de conversas do cineasta com companheiros de exercito, o último ato seja guiado por uma entrevista mais formal com um jornalista. A conclusão termina reduzindo um pouco do impacto do filme.

3 Comentários

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3 Respostas para “Valsa com Bashir (Ari Folman,08)

  1. A propósito do “mal resolvido uso de imagens reais na conclusão” neste filme, Filipe, permita-me remeter para um pequeno escrito polémico publicado a destempo: «O efeito errado que destitui o certo».

  2. Filipe Furtado

    André, sinta-se a vontade para linkar testes com boas ideias como este sempre.

    Fabio, tenho um rascunho sobre o Moscou já aqui em casa, mas o filme merece cuidado mesmo para uma primeiras impressões em blog.

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