Arquivo do mês: outubro 2009

Mostra Dias 1 a 5

Desculpem a falta de posts, mas o tempo anda curto.

Alexandre o Último (Joe Swanberg,09) ***
Na Cinética.

Seguindo em Frente (Hirokazu Kore-Eda,08) ****
Kore-Eda não é Ozu, mas este é um belo filme e certamente o melhor dele desde Depois da Vida.

500 Dias Com Ela (Marc Webb,09) *
Na Cinética.

Faça-Me Feliz (Emmanuel Mouret,09) ****
Na Cinética.

A Ressureição de Adam (Paul Schrader,08) ***
Irregular e nem sempre bem resolvido, mas um filme peculiar e intrigante.

Aguas Verdes (Mariano de Rosa, 09) *
Tolo.

O Amor Segundo B. Schianberg (Beto Brant,09) 0
Um equivoco.

Todos os Outros (Maren Ade,09) ****
Na Cinética.

O Fantástico Sr. Raposo (Wes Anderson,09) ***
Greatest hits do Anderson em versão animação. Fãs do cara vão gostar sem dúvidas, mas de longe o filme menos interessante que ele fez.

Você Não Vai Sentir Minha Falta (Ry Russo-Young,09) ***
Na Cinética.

Aconteceu em Woodstock (Ang Lee,09) **
Filme em que os defeitos de Lee tem bem mais destaques que as suas virtudes.

Terras (Maya Da-Rin,09) ***
Piada inevitável: trata-se do filme mineiro de Locarno do ano a despeito de não ser de Minas. Muitas virtudes sem dúvidas na exploração do seu universo, mas as vezes um tanto acomodado.

A Procura de Elly (Asghar Farhadi,09) **
Começa forte e com bom olho, depois desanda na observação social tola.

A Casa de Sandro (Gustavo Beck,09) ***
Beck viu os cineastas certos (Alonso, Costa) e faz um belo filme da relação entre câmera/equipe e seu protagonista.

Uma Vida Real (Sarah Leonor,09) ***
Na Cinética.

A Familia Wolberg (Axelle Ropert,09) *****
“Te amo, mas você me faz sofrer”. Grande grande filme.

Morrer Como um Homem (João Pedro Rodrigues,09) ****
Mais Nolot que Almodovar. Ainda bem.

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Bastardos Inglórios

Minha crítica ao filme do Tarantino lá na Cinética.

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Projeção Digital

Alguns amigos críticos organizaram um protesto quanto a cada vez mais deplorável qualidade da projeção digital por aqui. O link para assinar e o texto na integra:
A projeção digital chegou ao Brasil com a missão de democratizar o acesso aos filmes e libertar os distribuidores da dependência de cópias em 35 milímetros, cuja confecção e transporte são notoriamente caros. A instalação de projetores digitais permitiria ao público assistir a títulos que dificilmente seriam lançados nas condições tradicionais e ainda ofereceria condições para que espectadores situados longe do eixo Rio-São Paulo (onde se concentram quase 50% das salas de cinema do país) tivessem acesso aos mesmos títulos simultaneamente.

O que estamos vendo, no entanto, é uma total falta de respeito ao espectador no que se refere à exibição do filme propriamente dita. As razões são basicamente duas: projeções incapazes de reproduzir fielmente os padrões de cor e textura da obra e/ou projeções incapazes de exibir os filmes no formato em que foram originalmente concebidos. Sem falar no som, que muitas vezes ganha uma reprodução abafada, limitada ao canal central, muito diferente de seu desenho original.

A adoção da projeção digital pelos dois maiores festivais internacionais do Brasil (o Festival do Rio e a Mostra de São Paulo) e por outros festivais do país, infelizmente, não respeitou o que seriam critérios mínimos de qualidade de projeção de filmes em cinema – algo que é observado com atenção em qualquer festival internacional que se preze. Trata-se de uma situação particularmente alarmante tendo em vista o papel de formadores de plateia que esses eventos desempenham.

Sucessivamente, temos visto um autêntico massacre ao trabalho de cineastas, fotógrafos, diretores de arte, figurinistas, técnicos de som e até mesmo de atores. Apenas para citar um exemplo: Les herbes folles, o novo filme de Alain Resnais, originalmente concebido no formato 2:35:1, foi exibido no Festival do Rio, com projeção digital, no formato 1:78. Isso representou o corte da imagem em suas extremidades, resultando em enquadramentos arruinados, movimentos de câmera deformados e rostos dos atores cortados. Um pouco como se A santa ceia, de Leonardo Da Vinci, tivesse suas pontas decepadas, deixando alguns discípulos de Jesus fora de campo – e da história. Para completar o desrespeito, não há qualquer aviso em relação às condições de exibição e o preço cobrado pelo ingresso não sofre qualquer alteração.

Não nos cabe, aqui, pregar a “volta ao 35mm” nem defender determinada resolução mínima para a projeção digital. Sabemos que, se respeitados determinados critérios técnicos – ou seja, se a empresa responsável pela projeção digital receber do distribuidor o master no formato adequado, se o processo de encodamento for feito corretamente, e se os ajustes necessários para a exibição de cada filme forem realizados cuidadosamente –, a projeção digital pode ser uma experiência perfeitamente satisfatória para o espectador.

Não é isso, porém, que tem ocorrido. Exibidores, distribuidores e os fornecedores do serviço da projeção digital são responsáveis pela má qualidade da projeção e coniventes com esse lamentável descaso geral, que tem deixado críticos e amantes de cinema indignados. É um desrespeito ao cinema e aos seus criadores, mas, sobretudo, ao espectador e consumidor final, que saiu de casa e pagou ingresso para ver um filme.

A situação chegou a um ponto intolerável. Pedimos a todos os profissionais envolvidos com a projeção digital que tomem providências para que tais deformações não se repitam.

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Mostra

Hoje na coletiva de lançamento da Mostra divulgaram a lista de títulos da Mostra. Um tanto decepcionante, mas melhor que do ano passado. Como me disseram que Raya Martin passaria e não está na lista, imagino que alguns títulos talvez possam aparecer de ultima hora. Destaques:
A FAMÍLIA WOLBERG (LA FAMILLE WOLBERG), de Axelle Ropert / FRANÇA
ÁGUAS VERDES (AGUAS VERDES), de Mariano de Rosa / ARGENTINA
BELAIR, de Noa Bressane, Bruno Safadi / BRASIL
CINERAMA, de Inês de Oliveira / PORTUGAL
COLIN, de Marc Price / REINO UNIDO
EVERYONE ELSE (ALLE ANDEREN), de Maren Ade / ALEMANHA
HENRI-GEORGES CLOUZOT´S INFERNO (L’ENFER D’HENRI-GEORGES CLOUZOT), de Serge Bromberg, Ruxandra Medrea / FRANÇA
MACABRE (DARAH), de The Mo Brothers / CINGAPURA, INDONÉSIA
TRAGA-ME ALECRIM (GO GET SOME ROSEMARY), de Josh, Benny Safide / EUA, FRANÇA
35 DOSES DE RUM (35 SHOTS OF RUM), de Claire Denis / FRANÇA
500 Dias Com Ela (500 Days Of Summer), de Marc Webb / EUA
A BATALHA DOS 3 REINOS (CHI BI), de John Woo / CHINA
A CASA DE SANDRO, de Gustavo Beck / BRASIL
A FITA BRANCA (DAS WEISSE BAND), de Michael Haneke / ÁUSTRIA, ALEMANHA, FRANÇA, ITÁLIA
A GUERRA DOS FILHOS DA LUZ CONTRA OS FILHOS DAS TREVAS (La Guerre des Fils de la Lumière Contre les Fils des Ténèbres), de Amos Gitai / FRANÇA
À PROCURA DE ELLY (DARBAREYE ELLY), de Asghar Farhadi / IRÃ
À PROCURA DE ERIC (LOOKING FOR ERIC), de Ken Loach / INGLATERRA
A REAL LIFE, de Sarah Leonor / FRANÇA
A RELIGIOSA PORTUGUESA, de Eugène Green / PORTUGAL
A TOWN CALLED PANIC (PANIQUE AU VILLAGE), de Stéphane Aubier, Vincent Patar / BÉLGICA, FRANÇA, LUXEMBURGO
A ZONA, de Sandro Aguilar / PORTUGAL
ABRAÇOS PARTIDOS (BROKEN EMBRACES), de Pedro Almodovar / ESPANHA
ACONTECEU EM WOODSTOCK (TAKING WOODSTOCK), de Ang Lee / EUA
ADAM RESSURECTED, de Paul Schrader / EUA, ALEMANHA, ISRAEL
ALEXANDER THE LAST, de Joe Swanberg / EUA
ALGA DOCE (TATARAK), de Andrzej Wajda / POLÔNIA
AMANHÃ AO AMANHECER (DEMAIN, DÈS L´AUBE), de Denis Dercourt / FRANÇA
ANTES QUE O MUNDO ACABE, de Ana Luiza Azevedo / BRASIL
AQUILES E A TARTARUGA ( AKIRESU TO KAME ), de Takeshi Kitano / JAPÃO
BRILHO DE UMA PAIXÃO (BRIGHT STAR), de Jane Campion / REINO UNIDO, AUSTRÁLIA
CABEÇA A PRÊMIO, de Marco Ricca / BRASIL
CARMEL, de Amos Gitai / ISRAEL, FRANÇA, ITÁLIA
CORAÇÕES EM CONFLITO (MAMMOTH), de Lukas Moodysson / SUÉCIA, DINAMARCA, ALEMANHA
DENTE CANINO (KYNODONTAS), de Yorgos Lanthimos / GRÉCIA
DISTANTE NÓS VAMOS (AWAY WE GO), de Sam Mendes / EUA, REINO UNIDO
ERVAS DANINHAS ( LES HERBES FOLLES ), de Alain Resnais / FRANÇA
FAÇA-ME FELIZ (FAIS-MOI PLAISIR! ), de Emmanuel Mouret / FRANÇA
FISH TANK, de Andrea Arnold / INGLATERRA
GERMANY 09 ( DEUTSCHLAND 09 ), de Vários / ALEMANHA
HOTEL ATLÂNTICO, de Suzana Amaral / BRASIL
HUMPDAY, de Lynn Shelton / EUA
INSOLAÇÃO, de Felipe Hirsch, Daniela Thomas / BRASIL
IRENE (IRÈNE), de Alain Cavalier, Françoise Widhoff / FRANÇA
LA PIVELLINA, de Rainer Frimmel, Tizza Covi / ÁUSTRIA, ITÁLIA
LEBANON, de Samuel Maoz / FRANÇA, ALEMANHA, ISRAEL, LÍBANO
LONDON RIVER, de Rachid Bouchareb / REINO UNIDO, FRANÇA, ARGÉLIA
MORRER COMO UM HOMEM, de João Pedro Rodrigues / PORTUGAL, FRANÇA
MOTHER (MADEO), de Bong Joon-Ho / CORÉIA DO SUL
NATIMORTO, de Paulo Machline / BRASIL
NOVA YORK, EU TE AMO( NEW YORK, I LOVE YOU), de Vários / EUA, FRANÇA
O AMOR SEGUNDO B. SCHIANBERG, de Beto Brant / BRASIL
O FANTÁSTICO SR. RAPOSO (FANTASTIC MR. FOX), de Wes Anderson / EUA
O MUNDO IMAGINÁRIO DE DR. PARNASSUS (The Imaginarium of Doctor Parnassus), de Terry Gilliam / FRANÇA, CANADÁ, REINO UNIDO
O SOL DO MEIO-DIA, de Eliane Caffé / BRASIL
O SOLISTA( THE SOLOIST ), de Joe Whight / REINO UNIDO, EUA, FRANÇA
OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE, de Esmir Filho / BRASIL, FRANÇA
OS INQUILINOS, de Sergio Bianchi / BRASIL
OS SORRISOS DO DESTINO, de Fernando Lopes / PORTUGAL
PARTIR, de Catherine Corsini / FRANÇA
PLASTIC CITY, de Yu Likwai / BRASIL, HONG KONG, JAPÃO
POLICE, ADJECTIVE (POLITIST, ADJEVTIF), de Corneliu Porumboiu / ROMENIA
RICKY, de François Ozon / FRANÇA
SCHEHERAZADE, TELL ME A STORY (EHKY YA SCHAHRAZAD), de Yousry Nasrallah / EGITO
SEDE DE SANGUE (BAKJWI), de Park Chan-Wook / CORÉIA DO SUL
SEDUÇÃO (An Education), de Lone Scherfig / REINO UNIDO
SEGUINDO EM FRENTE (ARUITEMO ARUITEMO), de Kore-Eda Hirokazu / JAPÃO
SHE, A CHINESE, de Xiaolu Guo / REINO UNIDO, CHINA, ALEMANHA
SHIRIN, de Abbas Kiarostami / IRÃ
SINGULARIDADES DE UMA RAPARIGA LOURA, de Manoel de Oliveira / PORTUGAL, FRANÇA, ESPANHA
SOLO, de Ugo Giorgetti / BRASIL
SOUL KITCHEN, de Fatih Akin / ALEMANHA, TURQUIA
THE REBEL, LOUISE MICHEL (LOUISE MICHEL), de Sólveig Anspach / FRANÇA
THE TIME THAT REMAINS, de Elia Suleiman / FRANÇA, PALESTINA
TOKYO!, de Michel Gondry, Leos Carax, Bong Joonh-Ho / FRANÇA, JAPÃO, CORÉIA DO SUL, ALEMANHA
TRAVESSIA, de João Batista de Andrade / BRASIL
TYSON, de James Toback / EUA
VIAJO PORQUE PRECISO, VOLTO PORQUE TE AMO, de Marcelo Gomes, Karim Aïnouz / BRASIL
VINCERE, de Marco Bellocchio / ITÁLIA
YUKI & NINA, de Nobuhiro Suwa, Hippolyte Girardot / FRANÇA

Atualizando:
BETWEEN TWO WORLDS, de Vimukthi Jayasundara
I KILLED MY MOTHER, de Xavier Dolan / CANADÁ
I LOVE YOU PHILLIP MORRIS, de Glenn Ficarra, John Requa / EUA
INDEPENDENCIA, de Raya Martin / FILIPINAS, FRANÇA, ALEMANHA, HOLANDA
KATALIN VARGA, de Peter Strickland / HUNGRIA, ROMÊNIA
MAKING PLANS FOR LENA, de Christophe Honoré / FRANÇA
NO ONE KNOWS ABOUT PERSIAN CATS, de Bahman Ghobadi / IRÃ
PERSECUTION, de Patrice Chéreau / FRANÇA
TREELESS MOUNTAIN, de So Yong Kim / CORÉIA DO SUL, EUA

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Festival Dias 6 a 8

Tive que retornar para São Paulo por conta da morte do meu avô, então a cobertura do Festival se encerra aqui.

Os Inquilinos (Sergio Bianchi,09) *
Um filme de Sergio Bianchi para o bem e para o mal. Mais focado, mas mais anêmico também.

Como Desenhar um Circulo Perfeito (Marco Martins,09) 0
Na Cinética.

Jericó (Christian Petzold,08) ****
Bela releitura despojada de O Destino Bate a sua Porta. Ou talvez seja melhor desconsiderar Cain completamente, já que Petzold tira dali é basicamente nossas expectativas narrativas, é também um filme de uma força e clareza emocional bem maior que seu jogo fassbinderiano (reler Cain com dois corpos vazios no centro e um turco-alemão como o marido traído) preveria.

Viagem aos Pirineus (Irmãos Larrieu,08) **
Filme de momentos muito desequilibrados. Agora o urso é genial.

Uma Barragem Contra o Pacifico (Rithy Panh,08) **
A parte ocasionais momentos de força, está bem mais próximo de Indochina que S-21.

Politist, Adjectiv (Corneliu Porumboiu,09) *****
Algumas piadas nos lembram que Porumboiu também fez Ao Leste de Bucareste, mas é um considerável salto. Um filme simples, preciso e prático.

Mother (Bong Jong-ho,09) ****
Na Cinética (provavelmente segunda-feira).

Vincere (Marco Bellocchio,09) ****
Os prazeres da mise-en-scène.

Inversão (Edu Felistoque,09) 0
Na Cinética, mas vale dizer que trata-se da completa ausência de mise-en-scene.

Porco Cego Quer Voar (Edwin,08) ***
Filme-OVNI do festival. Fascinante o tempo todo, mesmo que nunca saibamos exatamente o que pensar do que transcorre na tela. Saber algo sobre o chinês na Indonésia ajuda a achar um sentido mais claro no filme, mas não lhe elimina um certo mistério.

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Aos meus leitores portugueses

Porque não me avisaram que o filme novo do Marco Martins era tão ruim?

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